Pedretti busca evolução ao lado de tricampeão olímpico
Por Mario Sérgio Cruz
março 27, 2017 às 8:06 am
A paulista Thaísa Pedretti está em seu último ano como juvenil (Foto: Éric Visintainer)

A paulista Thaísa Pedretti está em seu último ano como juvenil (Foto: Éric Visintainer)

Melhor brasileira no ranking juvenil da ITF, a paulista Thaísa Pedretti busca evolução na carreira trabalhando junto de um ídolo do esporte brasileiro, mas de outra modalidade, o treinador tricampeão olímpico do vôlei José Guimarães. Pedretti, que é 36ª do mundo em sua categoria aos 17 anos, está em sua última temporada como juvenil e já pensa na transição ao profissionalismo.

“Estou treinando agora no Centro de Treinamento do José Roberto Guimarães, e tenho uma equipe muito boa. Conviver com ele diariamente é uma experiência muito boa. A gente conversa diariamente, e ele me passa um pouco da experiência tanto de olimpíadas como de campeonatos mundiais e ajuda bastante a gente no tênis”, disse Pedretti que treina desde os 11 anos  Instituto Tênis, que recentemente instalou seu centro de treinamento dentro da Sportville, coordenada por José Roberto em Barueri, na Grande São Paulo.

Recuperada de algumas lesões no punho e abdômen, Pedretti tenta retomar a boa sequência que teve no fim do ano passado, em que venceu três torneios ITF juvenis seguidos e ainda acumulou duas campanhas de quartas e uma semifinal em torneios profissionais.

“No ano passado, eu tive um estiramento de 3cm no abdômen e não pude jogar alguns torneios. Comecei a sentir dor nos torneios de US$ 25 mil da Riviera e Guarujá do começo daquele ano e fiquei uns três meses parada. Até retomar foi difícil, mas voltei bem. Consegui fazer uma pré-temporada curta no meio do ano, que me possibilitou voltar bem nos torneios, tanto no juvenil como no profissional”, afirmou a jogadora que é treinada por Luis Fabiano Ferreira, coordenador técnico da equipe feminina do Instituto Tênis.

A jovem paulista começou a atual temporada apenas em fevereiro e disputou as principais competições juvenis em solo brasileiro, o Banana Bowl e o Campeonato Internacional de Porto Alegre, avançando apenas uma rodada em cada um e depois partiu para o saibro argentino, onde foi às quartas no Sul-Americano Individual e venceu seu primeiro torneio no ano em Mendoza.

“O começo deste ano também foi um pouco complicado, porque senti dores no punho e no abdômen e não consegui fazer uma pré-temporada longa”, comentou a jogadora que busca vaga nas chaves juvenis de Grand Slam. “Joguei esses torneios juvenis para baixar um pouco o ranking e jogar os Grand Slam este ano. Hoje eu sou número 40 e com esse ranking eu já consigo entrar na chave de Roland Garros, que tem o corte mais difícil. Mas pretendo baixar mais um pouquinho e ficar mais tranquila para em Wimbledon e no US Open”.

De volta ao Brasil, ela vem disputando as etapas do Circuito Feminino Future e chegou a avançar uma rodada em São Paulo antes de cair para a top 100 russa Irina Khromacheva. Seu próximo compromisso é nesta semana, em Campinas.

“A gente já está pensando na transição para o profissional, que é o objetivo mais importante, mas não adianta sair rápido do juvenil e já se meter no profissional. É importante jogar os Grand Slam para ganhar experiência, jogar com público, e se acostumar com a dificuldade que você vai passar”.

Calendário –  Depois de jogar em Campinas, Pedretti segue no interior paulista para disputar outro torneio profissional em São José dos Campos. Assim que terminar a campanha, o foco volta ao circuito juvenil. Ela vai disputar os dois principais torneios no saibro europeu antes de Roland Garros, o Trofeo Bonfiglio, em Milão, e o Astrid Bowl na cidade belga de Charlenoi.

Shapovalov vence seu primeiro challenger
Por Mario Sérgio Cruz
março 20, 2017 às 6:25 pm
DenisTrophy2

Denis Shapovalov venceu seu primeiro challenger aos 17 anos em Drummondville e entrou no top 200 do ranking (Foto: Tennis Canada)

O canadense Denis Shapovalov venceu neste fim de semana seu primeiro título profissional de nível challenger. O canhoto de 17 anos comemorou a conquista em seu país, nas quadras duras e cobertas de Drummondville.

Shapovalov venceu na final o belga Ruben Bemelmans por 6/3 e 6/2 e garante um salto no ranking. Os oitenta pontos recebidos pela campanha no torneio de US$ 75 mil fizeram com que o canadense saltasse 59 posições e garantisse a melhor marca da carreira, ao ocupar o 194º lugar.

Ao longo da semana, Shapovalov sequer perdeu sets. Ele marcou 6/4 e 6/3 contra o britânico Edward Corrie, liderava por 4/1 a partida contra o francês Quentin Halys quando o rival abandonou por doença, marcou 7/6 (7-4) e 6/4 diante do esloveno Blaz Rola e na semifinal passou pelo também jovem compatriota Felix Auger-Aliassime por 7/5 e 6/3.

Aliassime, de apenas 16 anos, é mais um jogador a ter o melhor ranking da carreira. Os 29 pontos conquistados por chegar à semifinal do torneio renderam 137 posições ao ex-líder do ranking juvenil que já ocupa a 374ª colocação entre os profissionais.

A ATP disponibilizou os melhores momentos da semifinal entre Shapovalov e Aliassime, partida disputada na tarde do último sábado com bom público no torneio canadense. Também está disponível a íntegra da partida no arquivo que a ATP tem para as partidas de nível challenger.

Vencedor também de quatro torneios de nível future, sendo um deles este ano, Shapovalov vai aos poucos se recuperando da infeliz desclassificação no quinto jogo do confronto contra a Grã Bretanha pela primeira rodada do Grupo Mundial da Copa Davis.

Desde o incidente em que atingiu um árbitro quando tentou jogar uma bola para fora da quadra, o jovem o jogador já havia se colocado à disposição para qualquer esclarecimento e afirmava que aceitaria a punição que lhe fosse imposta. Multado em US$ 7 mil, Shapovalov prometeu que não repetiria a atitude e já começa a colher seu melhor resultado.

Corrida para Milão

C7c7TgsXkAAlWUH

Os quatro primeiros colocados na corrida para o ATP Next Gen Finals, que acontecerá entre os dias 7 e 11 de novembro em Milão, não mudaram após a disputa do primeiro Masters 1000 da temporada. A lista é liderada pelo alemão Alexander Zverev, que é seguido pelo russo Daniil Medvedev, pelo norueguês Casper Ruud e pelo também russo Andrey Rublev.

Em quinto lugar está o americano Taylor Fritz, que ganhou sete posições nesta corrida após Indian Wwlls, seguido pelo cazaque Alexander Bublik e por mais um americano Noah Rubin. Shapovalov subiu 37 posições com o título do challenger canadense e está em 14º lugar na busca por um lugar em Milão. Confira o ranking completo.

Aos 15, Potapova está habituada com rivais experientes
Por Mario Sérgio Cruz
março 10, 2017 às 6:43 pm

Líder do ranking mundial juvenil, Anastasia Potapova já se acostumou com a condição de enfrentar rivais bem mais experientes. Não por acaso, a russa de apenas 15 anos conquistou seu primeiro título profissional da carreira na última semana em Curitiba, na primeira etapa do Circuito Feminino Future.

Nesta semana, a jovem promessa russa falou ao TenisBrasil durante sua participação no ITF de São Paulo sobre seu início de carreira. Apesar da pouca idade, Potapova já acumula uma série de bons resultados em competições de base. Falando apenas em Grand Slam, ela tem um título de Wimbledon e uma semifinal em Roland Garros, além de ter chegado às quartas em sua primeira participação no Slam britânico em 2015, quando tinha só 14 anos.

A russa também tem um histórico considerável em torneios tradicionais nos Estados Unidos, ao vencer o Eddie Herr de 12 e 14 anos em 2013 e 2014. Já no Orange Bowl, foi finalista nos 12 anos em 2013, campeã nos 14 em 2014 e foi às quartas na categoria principal em 2015. No início daquela mesma temporada, ela ainda venceu o tradicional torneio francês Les Petits As, considerado um Mundial da categoria 14 anos.

Ou seja, desde muito jovem, Anastasia Potapova sempre enfrentou jogadoras mais experientes e vê isso como um diferencial para ter confiança no início da carreira.

Anastasia Potapova venceu seu primeiro torneio profissional há uma semana, em Curitiba (Foto: Éric Visintainer)

Anastasia Potapova venceu seu primeiro torneio profissional há uma semana, em Curitiba (Foto: Éric Visintainer)

“Quando eu tinha apenas dez anos, eu já jogava torneios contra meninas muito mais velhas do que eu, mas eu sempre era bem ranqueada, em 1º, 2º ou 3º”, disse Potapova ao TenisBrasil. “Estou feliz por continuar dessa forma. Então, sim, cada vitória me dá muita confiança. Mesmo que eu ainda não esteja enfrentando adversárias do top 10, é uma coisa boa”.

Ela reconhece que a conquista da última semana traz confiança para a sequência da temporada. “Eu agora me sinto mais confiante em mim mesma. Posso enfrentar jogadoras de alto nível. Estou feliz por isso e quero jogar meu melhor tênis da mesma forma como joguei na última semana e ganhei meu primeiro título”, comentou a russa que chegou a eliminar Teliana Pereira no torneio da semana passada.

Embora já priorize as competições profissionais, Potapova ainda deve participar dos maiores torneios do circuito juvenil este ano, por conta Age Eligibility Rule (AER) que é aplicada em todos os níveis do circuito feminino, tanto na WTA quanto ITF, e limita o número de competições que jogadoras com menores de idade podem disputar durante um ano.

“Este ano eu vou focar mais em torneios profissionais, mas eu ainda tenho que jogar três Grand Slam. Com 100% de certeza eu disputarei Roland Garros e Wimbledon novamente, mas ainda não tenho certeza se disputarei o US Open. Tenho tempo suficiente para pensar nisso”, avaliou a campeã juvenil de Wimbledon.

“Eu ainda tenho 15 anos e vou tentar mesclar torneios profissionais e juvenis, porque na minha idade eu só posso jogar até doze torneios profissionais durante o ano, o que não é o suficiente para mim. Então eu disputarei alguns Grand Slam também, mas meu plano para o ano é terminar entre as 300 melhores no ranking da WTA”, acrescentou a jogadora que somará 12 pontos pelo título na capital paranaense.

Depois de fazer toda sua formação como tenista na Rússia, Potapova terá um período de amadurecimento nos Estados Unidos. “Eu treino em Moscou, na academia de Alexander Ostrovsky, que é meu agente também e minha técnica é a Irinia Doronina, que treina comigo já há seis anos. Agora eu fui para a Flórida e vou passar três ou quatro meses para ganhar mais experiência e jogar torneios profissionais, para ganhar confiança e subir no ranking. Acho que estou fazendo isso bem”.

Uma de suas principais memórias é da final juvenil de Wimbledon contra a ucraniana Dayana Yastremska. Potapova venceu aquele jogo por 6/4 e 6/3 em 1h37. Embora o placar e a duração sugerissem um jogo tranquilo, a russa precisou de sete match points para vencer a partida e chegou a comemorar o título duas vezes, mas teve as marcações corrigidas pelo árbitro. Relembre o caso. Com bom humor, ela afirma que a vitória trouxe uma visibilidade e popularidade maior no circuito.

“Sim, eu estava liderando por 5/3 no segundo set, com meu saque e foi um game muito longo com quase quinze minutos. Eu fui campeã no terceiro match point, mas Dayana desafiou a jogada e a bola tinha saído um pouquinho”, lembrou a russa sobre o jogo mais importante de sua carreira juvenil, disputado na Quadra Número 1 do All England Club.

“O jogo continuou e no quinto ou sexto match point aconteceu a mesma coisa. Eu saquei forte e ela errou, mas voltou a desafiar e minha bola tinha saído de novo. Isso estava me matando, mas eu não queria pensar em mais nada e só me manter focada no meu jogo e terminar o que eu havia começado uma hora antes e consegui o título na sétima chance”, comentou a tenista que negou que aquela tenha sido sua primeira experiência com o hawk-eye.

“Na verdade, não. Porque quando eu jogo os Grand Slam, eu normalmente fico em quadras que têm desafio e um bom público. Já estou acostumada com isso e às vezes me ajuda, e mas em outras não é o meu dia. Diria que naquela vez, o hawk-eye estava brincando com a minha cara (risos). Foi uma vitória incrível para uma menina de 15 anos. E me deu muita confiança conseguir vencer aquele jogo ainda que o hawk-eye não quisesse que me dar a vitória (risos). Acho que eu fiquei mais popular depois daquele jogo”.

Como de costume, o tênis feminino russo sempre traz novidades para o circuito. Depois de formar várias top 10 no final da década passada, o país passou alguns anos sem apresentar revelações e perdeu talentos como Daria Gavrilova e Yulia Putintseva, que optaram por defender outros países. Entretanto, há uma nova geração bastante promissora surgindo nos últimos dois anos.

“Nós temos muitas jogadoras que estão chegando como a [Daria] Kasatkina, [Natalia] Vikhlyantseva, [Sofia] Zhuk e [Anna] Blinkova… São muitas jogadoras boas. Não sei qual é o segredo, apenas acho que essa é a hora do tênis russo e nós faremos o nosso melhor”, avaliou Potapova, que ficou feliz em saber que é a primeira russa a liderar o ranking juvenil desde Irina Khromacheva, 93ª do ranking aos 21 anos e voltou ao Brasil seis anos depois de ganhar seu primeiro torneio profissional no país.

“Eu não sabia disso! É ótimo!”, comentou a jovem jogadora que já teve experiência de dividir a quadra com outras tenistas que foram top 100. “Na Rússia nós temos muitas jogadoras boas, eu já treinei com a [Vera] Dushevina, [Galina] Voskoboeva e [Alisa] Kleybanova. É muito bom que elas possam bater bola com meninas mais jovens, passar um pouco de sua experiência na vida e no tênis. Tenho que jogar o meu melhor para repetir o que elas fizeram”.

Perguntada sobre o apoio vindo da Federação Russa de Tênis, a promessa de 15 anos afirma que já teve problemas com a entidade comandada por Shamil Tarpischev no passado, mas que atualmente o relacionamento é bom. “Há dois anos eu tive alguns problemas com a Federação, porque eu precisava jogar um torneio nacional até 14 anos, mas a data coincidia com Wimbledon, que era meu primeiro Grand Slam e minha prioridade e eles não ficaram felizes com isso e eu não pude jogar pela equipe no Mundial de 14 anos, mas agora está tudo bem. Temos uma boa relação e hoje eles me ajudam”.

Banana Bowl e Porto Alegre deixam gratas surpresas e um alerta
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 20, 2017 às 6:40 pm

Se as duas últimas semanas de fevereiro são dedicadas aos dois ATP em solo brasileiro, Rio Open e Brasil Open, a primeira quinzena ficou a partir de 2017 com os dois principais torneios juvenis realizados no país, o Banana Bowl e o Campeonato Internacional de Porto Alegre.

Tal como ocorreu na temporada passada, os brasileiros não conseguiram títulos nos 18 anos, mas tiveram bom desempenho nos torneios de 14 e 16 anos. Nas categorias principais, destaques para a grande semana do paranaense Thiago Wild em Criciúma e duas gratas surpresas com o paulista Mateus Pucinelli e o brasiliense Gilbert Klier na capital gaúcha.

Pucinelli foi o brasileiro que mais se destacou nessas duas semanas. O paulista de apenas 15 anos foi campeão da categoria 16 anos do Banana Bowl, que foi disputado na cidade gaúcha de Caxias do Sul, e seguiu para a capital gaúcha onde pôde disputar a categoria mais alta do Campeonato Internacional (antiga Copa Gerdau), que por ser um torneio de nível GA (a que oferece maior pontuação) aceita um número maior de inscrições para a chave em relação ao Banana que é G1.

Matheus Pucinelli venceu o Banana Bowl de 16 anos e chegou às quartas na categoria principal em Porto Alegre (Foto: Gabriel Heusi)

Matheus Pucinelli venceu o Banana Bowl de 16 anos e chegou às quartas na categoria principal em Porto Alegre (Foto: Gabriel Heusi)

Mesmo com a diferença de altitude, Caxias tem 817m e Porto Alegre apenas 10m, que faziam o jogo ficar bem mais lento e o pouco tempo de adaptação, ele conseguiu chegar às quartas na capital gaúcha contra adversários até três anos mais velhos. Gilbert Klier, que havia vencido o Banana Bowl de 16 anos na temporada passada e só completará seu 17º aniversário em maio, também conseguiu chegar às quartas de final.

Na semana anterior, foi Wild quem teve um grande resultado. O paranaense que completa 17 anos em março venceu cinco jogos na categoria 18 anos do Banana Bowl que teve sua 47ª edição realizada nas quadras de saibro da Sociedade Recreativa Mampituba, em Criciúma. Wild ficou a uma vitória de se tornar o sétimo brasileiro a vencer a chave masculina do Banana e dar o oitavo título ao país, mas foi superado na final por Marko Miladinovic, primeiro sérvio a ser campeão na história do tradicional torneio que voltou ao estado de Santa Catarina depois de três anos no interior paulista (um em São José do Rio Preto e dois em São José dos Campos).

Thiago Wild foi vice-campeão no Banana Bowl de 18 anos (Foto: Mauricio Vieira)

Thiago Wild foi vice-campeão no Banana Bowl de 18 anos (Foto: Mauricio Vieira)

“Foi uma grande semana, tive ótimos jogos, jogos até que eu estive bem abaixo e consegui voltar, jogar bem”, disse Wild a respeito de sua boa campanha no saibro catarinense. “Foi o meu primeiro torneio do ano e é sempre bom voltar fazendo uma final, sempre ajuda na confiança e sem contar o ranking. Não tenho muitos pontos para defender no primeiro semestre”, lembrou o paranaense que não teve a mesma sorte em Porto Alegre e foi superado na estreia. Ainda assim, ele termina essas duas semanas com salto do 93º para o 56º lugar no ranking, Pucinelli ganhou 49 posições e é o 119º, enquanto Klier ultrapassou 52 concorrentes e ocupa o 122º lugar.

Sinal de Alerta: Mesmo com os três bons resultados já citados, a participação brasileira poderia ter sido melhor. Em duas semanas, os jogadoras da casa acumularam 23 vitórias, sendo dez no Banana Bowl e treze em Porto Alegre. O tênis masculino conseguiu vinte vitórias, totalizando 86% do total, enquanto as meninas conseguiram apenas três. Vem do feminino, entretanto, a única brasileira a vencer nos dois torneios, Thaísa Pedretti.

2017-02-20 (1)

Dos treze brasileiros que jogaram a chave principal masculina dos 18 anos em Criciúma, nove foram eliminados na primeira rodada, três passaram passaram pela estreia e Gabriel Décamps entrou já na segunda fase do torneio por ser o cabeça de chave número 4. Somente Wild e Décamps passaram pela segunda fase para atingir as oitavas de final. O vice-campeão garantiu cinco das nove vitórias brasileiras no torneio masculino.

O qualificatório teve 38 brasileiros, com apenas o paulista Gabriel Bugiga e o carioca Christian Oliveira, que é morador da comunidade Gardênia Azul no Rio de Janeiro, conseguindo passar pelas três rodadas da fase de classificação.

Já em Porto Alegre, foram 50 meninos brasileiros jogando o qualificatório. Novamente, Christian Oliveira conseguiu passar pela fase de classificação e teve a companhia do catarinense Mateo Barreiros Reyes e do mineiro João Ferreira.

A chave principal do Campeonato Internacional contou com dezoito brasileiros, dos quais apenas seis passaram da estreia. Além dos já citados Klier Júnior e Pucinelli, o pernambucano João Lucas Reis -vice no Banana de 16 anos em 2016- foi às oitavas de final na capital gaúcha, enquanto Bruno Pessoa, Gabriel Ciro e João Pedro Guedes avançaram uma rodada no torneio. Ao todo, os brasileiros acumularam onze vitórias, sendo que três delas vieram em partidas entre dois atletas do país.

Feminino: O Banana Bowl teve dez brasileiras na chave principal, das quais nove pararam na primeira rodada. A paulista Thaísa Pedretti teve Bye por ser cabeça de chave número 4 e superou sua estreia já na segunda rodada, mas se despediu nas oitavas de final. O quali teve 22 meninas, mas nenhuma delas chegou à terceira e última rodada. As onze vitórias brasileiras no qualificatório em Criciúma foram em partidas entre tenistas da casa.

Em Porto Alegre, foram doze brasileiras na chave principal. Pedretti teve apenas a companhia Ana Luiza Cruz entre as atletas da casa que estrearam com vitória. O quali teve 28 jogadoras brasileiras, das quais seis venceram compatriotas na primeira fase, além de uma classificação por w.o. As sete brasileiras que ficaram na fase final do quali e caíram diante de estrangeiras na rodada seguinte.

Felipe Meligeni inicia primeiro ano como profissional
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 6, 2017 às 3:15 pm

Em reta final de pré-temporada, Felipe Meligeni Alves inicia seu primeiro ano como tenista profissional. O paulista de 18 anos vem se preparando em São José dos Campos, onde já treina há dois anos, e deverá encarar uma rotina muito diferente da que estava acostumado.

Atual campeão juvenil de duplas no US Open ao lado do boliviano Juan Carlos Aguilar, Felipe priorizou as competições de base até o ano passado. Suas poucas experiências no circuito profissional foram convites para torneios de nível challenger em São Paulo, Santos e Campinas ao longo da última temporada e uma série de cinco torneios future no saibro tunisiano de Hammamet entre novembro e dezembro.

São muitas as diferenças entre os calendários entre um tenista juvenil e um profissional e elas ficam visíveis já no começo da temporada. Ele não precisará disputar mais a gira sul-americana e precisa buscar torneios onde há possibilidade de entrar na chave e lutar por pontos. Há ainda um inevitável aumento de custos, já que os eventos de nível future não costumam oferecer hospedagem, e são necessárias mudanças no plano de jogo por exigência de um circuito cada vez mais físico.

Em entrevista ao TenisBrasil, Felipe falou sobre sua transição ao circuito profissional e os preparativos para a próxima temporada.

Felipe Meligeni Alves disputará três torneios no saibro antes de Roland Garros (Foto: João Pires)

Felipe Meligeni Alves inicia a temporada jogando na Turquia (Foto: João Pires)

Conte um pouco sobre como foi sua pré-temporada. Há quanto tempo você está treinando e em que está trabalhando mais?
Eu comecei a pré-temporada no dia 4 de janeiro e estou fazendo até agora. Ainda tem mais umas duas semanas até a gente viajar de novo. A gente vai viajar para a Turquia e ficar seis semanas. A gente está treinando muito plano de jogo, comigo tentando jogar no meu estilo que é mais agressivo, mas tendo um plano B sempre.

Estou trabalhando no meu mental também, que era uma coisa que eu pecava antes e já melhorei bastante e a movimentação de pernas. A gente está fazendo um treino bem pesado com saque também, então está sendo um trabalho muito completo, estou jogando bem e confiante. Sinto que estou preparado para viajar de novo.

Qual a diferença entre a pré-temporada de um profissional para um juvenil? Isso vale para os treinos e na preparação do calendário, agora que você não precisa viajar para jogar Cosat.
A diferença é que você tem que pensar muito bem no calendário porque no profissional o dinheiro sai mais da gente. Você tem que praticamente se bancar. No juvenil você ia para os torneios mais importantes e não pagava hotel, nem alimentação enquanto você estava jogando, mas agora você que arcar com tudo.

A pré-temporada a gente fez visando o estilo de jogo que vimos lá na Tunísia dos caras mais velhos, analisando o jogo deles. É muito diferente do juvenil porque os caras são mais experientes e mais sólidos. As vezes no juvenil, você poderia bater três bolas e já acabar o ponto, agora vai voltar sempre uma bola a mais. Tem que ter bastante paciência e trabalhar bem duro.

A gente vai ficar seis semanas na Turquia, volta para treinar mais um pouco, mas ainda não tenho ideia do calendário. Tem que conversar com o treinador.

Seu tio te dá uns toques sobre calendário, fala onde tem um torneio melhor, com uma estrutura melhor e tal?
Ele não fala muito sobre para onde eu tenho que viajar. Eu tô indo bastante para São Paulo treinar com ele, dois dias da semana pelo menos, ele me dá uns toques importantes junto com a galera daqui. Ele é fundamental na minha carreira pela ajuda que está me dando, mas nem fala muito de calendário, ele pega mais na parte de treino, dentro de quadra.

A ideia de terminar o ano passado jogando na Tunísia partiu de quem?
A minha irmã estava lá e viu como estava o nível do torneio e do quali. A gente foi a maioria sem ponto, só o Igor que tinha ponto. Até estava um pouco mais forte do que a gente esperava. Nas primeiras semanas o quali estava mais tranquilo e dava para passar, passei quatro qualis e joguei quatro chaves. Foi uma experiência boa para a minha primeira viagem para torneio profissional. A gente voltou e conversou bastante sobre como os caras jogavam e a gente pensou em fazer de novo. Mas agora vamos fazer na quadra dura. Estamos trabalhando para tentar de novo e somar mais pontos.

– E aí vocês conseguem se manter no mesmo hotel, sem fazer tanto deslocamento
É melhor porque você não precisa ficar mudando de lugar, você fica no mesmo local, se acostuma, fica direto, é resort. Foi boa a experiencia na Tunísia e acho que na Turquia será assim também.

Além de você e do Igor (Marcondes) quem mais costuma viajar para os torneios da sua equipe?
Tem o Gustavo Cruz e Alexandre Girotto. Agora vão dois meninos um ano mais novos, que são o Charles Junior e o Antonio Pruner Neto. E o treinador que é o Ricardo Siggia  que vai com a gente pra lá também.

– Ele jogou bastante future. Conhece bem esse meio de dentro do circuito…
Ricardo jogou. Ele é experiente, vai ajudar bastante.

Este ano tivemos uma redução grande no patrocínio dos Correios e a teve mudança de Prefeitura na cidade, como está a sua situação com seus parceiros?
Então eu tenho apoio da Prefeitura, que ajuda com o LIF (Lei de Incentivo Fiscal) que dá um dinheiro bom pra gente, tenho patrocínio de raquete e de roupa, Wilson e Fila, mas acho que os Correios talvez volte a entrar com alguma coisa. Tive uma ajuda ano passado para viajar para os Grand Slam e torneios mais importantes e espero que eles voltem a ajudar porque o tênis brasileiro precisa.

Felipe é atual campeão de duplas na chave juvenil do US Open

Felipe é atual campeão de duplas na chave juvenil do US Open

Você ganhou o título de duplas no US Open juvenil do ano passado. O que isso trouxe para você em termos de confiança, de oportunidades ou de os caras olharem seu nome na chave e já te conhecerem, saberem sobre seu jogo?
Confiança sempre dá. Ganhei convite para dois challengers de simples e duplas, então acho que é uma experiência bem válida. Meu nome apareceu mais, começou a vir mais ajuda e dei mais entrevistas. Nas chaves, os caras não vão se intimidar, mas já têm um respeito maior.

Seu plano principal para o momento é fazer a transição para o profissional em torneios challenger e future ou você pensa na possibilidade de ir, por exemplo, fazer faculdade nos Estados Unidos como outros jogadores fizeram?
Convite eu tenho desde o ano passado e retrasado. Nos torneios que eu joguei nos Estados Unidos eu recebi bastante convite de faculdades, mas agora estou pensando só no circuito profissional mesmo. Estou trabalhando duro nisso porque é um caminho difícil, mas se no futuro eu não estiver bem e não conseguir estar onde eu quero, faculdade não é um problema. Eu faria nos Estados Unidos e depois voltaria sem problemas.

Você tem alguma meta de ranking para a temporada ou algum outro objetivo, como ganhar o primeiro título profissional, por exemplo, que é sempre um marco importante:
Na dupla, eu e o Igor já conseguimos fazer final duas vezes. Este ano eu tenho meta de ganhar future em simples e duplas também, mas ranking… Eu não sei bem, para poder entrar já em quali de challenger uns 700 ou 600 mais ou menos o final do ano, ou quem sabe até mais de repente como eu estiver indo.

Tem outros jovens jogadores no Brasil como o Orlando, o Zormann e o Menezes que treinam lá no Sul. Você consegue ir bater bola com eles de vez em quando, para um puxar o outro, ou você os encontra só em semana de torneio mesmo?
É mais em época de torneio que eu consigo treinar junto com eles. Porque é muito longe para ir pra lá e a gente não consegue fazer muito. Só quando eles vem jogar torneios em Sâo Paulo ou a gente vai pra lá que a gente consegue marcar os treinos juntos.

Campeã juvenil do Australian Open tem apenas 14 anos
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 30, 2017 às 9:40 pm
O húngaro Zsombot Piros e a ucraniana Marta Kostyuk foram campeões juvenis em Melbourne (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

O húngaro Zsombot Piros e a ucraniana Marta Kostyuk foram campeões juvenis em Melbourne (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

O término da chave juvenil do Australian Open coroou uma de suas campeãs mais precoces. A ucraniana Marta Kostyuk conquistou o título aos 14 anos e sete meses depois da vitória por 7/5, 1/6 e 6/4 sobre a cabeça 1 suíça de 17 anos Rebeka Masarova no último sábado.

Por muito pouco, a jogadora é nascida em 28 de junho de 2002 não se tornou a mais jovem campeã da história do torneio. O feito cabe à russa Anastasia Pavyluchenkova, que tinha 14 anos, seis meses e 27 dias quando foi campeã juvenil em Melbourne em 2006. A russa, aliás, é uma das raras bicampeãs de um Grand Slam juvenil já que voltaria a vencer o torneio no ano seguinte.

Kostyuk teve um desempenho impressionante em competições de base. Em 2015, ela venceu a categoria 14 anos do Eddie Herr e do Orange Bowl. Já no ano passado, ela fez parte da equipe ucraniana campeã do World Junior Tennis (mundial de 14 anos por equipes na cidade tcheca de Prostejov) e já chegou às quartas da categoria principal do Eddie Herr e Orange Bowl, o que a levaram para a Austrália já em boa situação no ranking.

Fora de quadra, a jovem ucraniana tem a carreira agenciada por Ivan Ljubicic, ex-número 3 do mundo e que atua na equipe técnica de Roger Federer, outro campeão do fim de semana em Melbourne.”Eu finalmente conheci o Roger hoje” disse, sorrindo na entrevista coletiva. “Ele me cumprimentou. E tirei uma foto com ele, então fiquei muito animada”, acrescentou a jogadora que é treinada pela mãe e divide sua base entre Kiev e a cidade francesa de Cannes.

Histórico – A Ucrânia agora tem quatro títulos juvenis de Grand Slam em simples. O primeiro foi de Andrei Medvedev, no ano de 1991 em Roland Garros. Depois, triunfaram Kateryna Bondarenko em Wimbledon-2004 e Elina Svitolina em Roland Garros-2010.

O título masculino do Australian Open juvenil ficou com o húngaro  Zsombor Piros, que venceu a final contra o israelense Yshai Oliel por 4/6, 6/4 e 6/3. Piros repete o feito de Aniko Kapros, campeão em Melbourne no ano 2000. Outros três húngaros foram campeões juvenis de Grand Slam: Agnes Szavay em Roland Garros-2005, Marton Fucsovics em Wimbledon-2010 e Dalma Galfi no US Open de 2015.

Entrevistas – A quem interessar, o Australian Open disponibiliza as transcrições completas das entrevistas coletivas de Kostyuk e Piros após as finais do último sábado.

Les Petits As – Há pouco mais de um ano, Kostyuk estava na cidade francesa de Tarbes e foi campeã do tradicional torneio Les Petis As, que é considerado um mundial da categoria 14 anos. Promovido pela fornecedora de material esportivo Lacoste, o evento teve sua 35ª edição também na última semana de janeiro. Este ano, os títulos ficaram com a russa Maria Timofeeva e o italiano Luca Nardi.

16387298_879621652140999_257410318032233950_n

O italiano Luca Nardi e a russa Maria Timofeeva venceram um importante torneio de 14 anos na França

O Brasil teve o catarinense Pedro Boscardin Dias na chave masculina. Ele venceu o francês Sean Cenin por 6/2 e 7/5 na estreia e depois perdeu para o cabeça 5 norte-americano Toby Kodat na segunda rodada por 6/3 e 6/1.

Nos últimos anos, o Les Petits As antecipou algumas jogadoras que viriam ganhar um Grand Slam juvenil, já que além da própria Kostyuk, vale citar a russa Anastasia Potapova (vencedora do torneio em 2015 e campeã júnior de Wimbledon ano passado) e jogadoras que entrariam no top 100, casos de Jelena Ostapenko e Catherine Bellis (que triunfaram na França em 2011 e 2013, respectivamente).

O quadro de campeões do torneio francês tem nomes como Rafael Nadal, Richard Gasquet, Martina Hingis, Kim Clijsters e Timea Bacsinszky. A lista de grandes nomes que passaram pelo evento também inclui Roger Federer, Juan Martin del Potro, Novak Djokovic, Andy Murray, Agnieszka Radwanska, Caroline Wozniacki, Angelique Kerber e Justine Henin.

As corridas – Ao término do primeiro mês de competições no circuito da ATP, o russo de 20 anos Daniil Medvedev lidera a corrida para a edição inaugural do Next Gen ATP Finals, que será disputado entre os dias 7 e 11 de novembro na cidade italiana de Milão. Atual 63º do mundo, Medvedev recebeu 150 pontos quando foi finalista do ATP de Chennai e outros 10 por ter entrado diretamente na chave do Australian Open, onde perdeu na estreia.

2017-01-30

O segundo colocado nesta lista é o sul-coreano Hyeon Chung que havia vencido um jogo em Chennai (onde veio do quali) e outro no Australian Open. Já na última semana, ele foi campeão do challenger de Maui, no Havaí. Com apenas 20 anos, o atual 73º do mundo já acumula oito títulos de challenger.

Os nomes de Andrey Rublev, Alexander Zverev, Ernesto Escobedo, Noah Rubin, Alex De Minaur e Frances Tiafoe completam o top 8 após quatro semanas de competições. O evento terá os sete melhores jogadores de até 21 anos e um convidado. Confira o ranking completo neste link.

juniors_janeiro

 

Já a corrida para o ITF Junior Masters ainda é fortemente influenciada pelos resultados do fim do ano passado. Exemplo disso é a liderança do sérvio Miomir Kecmanovic, destaque nos torneios americanos de novembro e dezembro. Ainda assim, Piros já é o terceiro colocado e Kostyuk assumiu a ponta da lista feminina. A terceira edição do torneio com os oito melhores juvenis do mundo acontecerá em outubro, na cidade chinesa de Chengdu.

Nova geração não brilha em Melbourne. E cadê os sul-americanos no juvenil?
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 27, 2017 às 8:20 pm

Em um Grand Slam marcado por vitórias de veteranos, a nova geração do tênis teve pouquíssimo brilho neste Australian Open. Além das poucas campanhas realmente expressivas, não houve sequer uma grande vitória dos atletas mais jovens no primeiro Slam da temporada. O que restou foram boas apresentações contra grandes nomes do circuito.

É o caso de Alexander Zverev, único entre os vinte jogadores com até 21 anos da chave masculina que conseguiu à terceira rodada. O alemão de 19 anos passou pelo holandês Robin Haase e pelo também jovem americano Frances Tiafoe antes de cair diante de Rafael Nadal em duelo de cinco sets.

2017-01-27

Na duríssima partida contra Nadal, dois momentos pesaram: Uma breve queda de intensidade no início do quarto set, quando o alemão liderava por 2 sets 1 e viu o espanhol largar com uma vantagem confortável na parcial e um rali de 37 trocas de bola disputado quando o último set estava empatado por 2/2. Zverev até venceu o ponto, mas sentiu o desgaste, sofreu a quebra e ainda viu Nadal confirmar facilmente o saque antes da virada de lado. Pouco pôde fazer depois que já perdia o último set por 4/2 e viu Nadal prevalecer por 4/6, 6/3, 6/7 (5-7), 6/3 e 6/2.

Alexander Zverev foi o melhor nome da nova geração masculina (Foto: Ben Solomon/Tennis Australia)

Alexander Zverev foi o melhor nome da nova geração masculina (Foto: Ben Solomon/Tennis Australia)

“Tive câimbras depois daquele longo rali. Cheguei a ter um game-point para fazer 3/2, mas acabei perdendo o game um pouco por causa disso. Então, sim, essa foi uma grande razão para o jogo ter mudado”, reconheceu o alemão após a partida com Nadal. Ainda assim, ele tirou vários aspectos positivos.

“Não sou do tipo de pessoa que pensa apenas no presente. Eu amo o tênis absolutamente, e amo o processo de aprendizado. É emocionante para mim”, afirmou o jovem de 19 anos. “Eu posso ver como estou ficando melhor. E posso ver como estou ficando melhor para jogos de cinco sets. Isso é emocionante. Acho que este vai ser um ano incrível para mim”,

No feminino, a melhor campanha foi de Jennifer Brady, americana que disputou seu primeiro Grand Slam da carreira aos 21 anos e já chegou às oitavas de final. Depois de entrar em Melbourne como 116ª do mundo, a norte-americana furou o quali e ainda venceu mais três jogos na chave principal, campanha que certamente a levará ao top 100.

Jelena Ostapenko esteve perto de eliminar Pliskova na terceira rodada

Jelena Ostapenko esteve perto de eliminar Pliskova na terceira rodada

Mas foi na terceira rodada, o jogo mais expressivo de uma atleta da nova geração feminina. A letã de 19 anos Jelena Ostapenko, que já é 38ª do mundo e tem duas vitórias contra top 10 no currículo, enfrentou Karolina Pliskova. A estratégia de deslocar Pliskova lateralmente, especialmente nos pontos jogados no segundo saque da adversária, funcionou durante a maior parte da partida e a letã herdou muitos pontos de erros da top 5 tcheca.

Mas a ansiedade falou mais alto na hora de fechar o jogo e Ostapenko deixou escapar uma vantagem por 5/2 no último set, depois de ter sacado duas vezes para o jogo e acabou perdendo por 4/6, 6/0 e 10/8 em 2h05.

 

CADÊ OS SUL-AMERICANOS? 

Pelo segundo ano seguido, nenhum brasileiro disputou a chave juvenil do Australian Open. Mas mais que isso, dos 21 tenistas do sul-amricanos no top 100 do ranking, nenhum foi a Melbourne. Ao mesmo tempo que o alto custo da viagem e a diminuição dos recursos vindos do patrocínio dos Correios são fatores conhecidos, houve uma reestruturação do calendário da ITF que afetou os torneios no saibro sul-americano.

Em junho a ITF aprovou o calendário 2017 com mudanças importantes na Gira Cosat, que passou a ter parte dos torneios acontecendo em janeiro e fevereiro, enquanto o restante da gira entre setembro e novembro. Com isso, os maiores torneios do Brasil, o Banana Bowl e o Campeonato Internacional de Porto Alegre foram para fevereiro e não mais em março, como acontecia nos últimos anos.

O que motivou a mudança na COSAT foi a dificuldade que o calendário anterior causava para os jogadores participarem de torneios consecutivos de alto nível na América do Sul por estarem todos juntos, mas a contrapartida foi a coincidência de datas com o primeiro Grand Slam do ano. Como para muitos garotos a prioridade é a Gira Europeia de 2017, eles preferiram somar pontos no próprio continente.

Finais do Juvenil – As finais do juvenil acontecem neste sábado em Melbourne. A masculina será na quadra 7 entre o israelense Yshai Oliel e o húngaro Zsombor Piros. Já a feminina acontece na Rod Laver Arena a partir da meia-noite (de Brasília) entre a suíça Rebeka Masarova e a ucraniana Marta Kostyuk. Terão transmissão no site do Autralian Open e pelo WatchESPN.

 

Números da nova geração em Melbourne
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 15, 2017 às 10:38 pm

A nova geração do tênis marca presença no Australian Open, que começa na noite deste domingo. Entre adolescentes, estreantes, NextGen‘s e inúmeros outros rótulos, são muitas as caras novas estão dispostas a roubar a cena em Melbourne.

A chave masculina do Australian Open tem nove jogadores com menos de 20 anos, dos quais o convidado Alex De Minaur é o mais jovem com 17 anos. Deste grupo apenas dois entraram diretamente pelo ranking, o cabeça 24 alemão Alexander Zverev e o 91º colocado norte-americano Taylor Fritz.

Além do supracitado De Minaur outros dois “adolescentes”/teenagers obtiveram convites, o norte-americano de 19 anos Michael Mmoh por ser o americano que mais somou pontos em uma série de challengers nos Estados Unidos no fim do ano passado e o australiano de 19 anos Omar Jasika que venceu um playoff nacional entre jogadores profissionais em dezembro. Três atletas nesta faixa etária furaram o quali: O norte-americano Reilly Opelka, o russo Andrey Rublev e o ex-russo Alexander Bublik (que defende o Cazaquistão a partir deste ano).

Entre os 20 jogadores com menos de 21 anos na chave do Australian Open, 15 são da chamada #NextGen/Nova Geração, nomenclatura que a ATP utiliza para determinar jogadores desta faixa etária que estejam no top 200 no ranking.

2017-01-15 (1)

Estreantes – Cinco desses jovens jogadores disputam o primeiro Grand Slam da carreira: Alexander Bublik, Alex De Minaur, Daniil Medvedev, Blake Mott e Reilly Opelka. Ao todo, nove tenistas estarão em seu primeiro Grand Slam, numa lista que ainda conta com o cearense de 22 anos Thiago Monteiro.

Renovação/Longevidade – O italiano Luca Brancher publicou alguns dados interessantes em seu perfil no Twitter. Ele levantou dados desde 1988 da chave do Australian Open e constatou dois extremos: O número de adolescentes na chave principal cresceu em relação ao ano passado e mais do que dobrou se comparado ao quadro de 2015. Por outro lado, aumentou também o número de atletas com mais de 30 anos e até mesmo com mais de 35 anos (com 10 na chave). O aumento nos veteranos contribui para que o torneio de 2017 tenha a maior média de idade no período pesquisado por ele.

Sempre quando a gente entrevista algum jogador mais experiente, o André Ghem e o Rogerinho são bons exemplos aqui no Brasil, eles citam que a possibilidade que o tenista tem de prolongar a carreira é muito maior que num passado recente. Há muito mais informação sobre meios que garantem a longevidade do atleta.

Por mais talentosa que seja a nova geração, o “envelhecimento” do circuito é real e não é uma coisa negativa e veremos cada vez mais jogadores permanecendo mais tempo em alto e nível e chegando ao auge perto dos trinta anos. Quem sabe até depois…

 

Feminino –  A WTA trabalha mais com o mote das teenagers para tratar de sua renovação. Da lista de atletas com menos de 20 anos, a australiana de 16 anos Destanee Aiava é a mais jovem na chave. Também disputam duas atletas de 17 anos, a americana  Kayla Day e a australiana Jaimee Fourlis, além de cinco jogadoras de 19 anos, a croata Ana Konjuh, a australiana Lizette Cabrera, a japonesa Naomi Osaka, a letã Jelena Ostapenko, a russa Daria Kasatkina e a suíça Belinda Bencic.

Kasatkina é a única cabeça de chave deste grupo. A russa é a 23ª favorita e vem de uma expressiva vitória sobre a número 1 do mundo Angelique Kerber no WTA Premier de Sydney. Já a suíça Belinda Bencic, que foi até top 10, está atualmente no 48o. lugar depois de um ano com muitas lesões na região lombar. Sua primeira missão em Melbourne é voltar a vencer Serena Williams, a quem já derrotou na fantástica campanha para o título de Toronto em 2015.

Kasatkina, enfim, aproveitou o match point
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 10, 2017 às 8:59 pm

“A primeira coisa que eu pensei foi: ‘Venci o match point’ (risos). Eu perdi alguns jogos que tive match point no ano passado, e neste ano, então essa partida foi muito importante para mim”, assim afirmou aliviada a russa Daria Kasatkina na entrevista coletiva após superar Angelique Kerber por 7/6 (7-5) e 6/2 pelas oitavas de final do WTA Premier de Sydney.

Não é por acaso, a jovem de 19 anos e já 26ª do ranking carregava um incômodo histórico de viradas sofridas após não aproveitar os match points que teve. “Eu tive match points em três jogos contra top 10. E hoje eu venci a número 1 do mundo”.

A trajetória começou na edição passada do WTA de Doha, em fevereiro de 2016, quando teve três chances de despachar a então décima colocada Roberta Vinci. No mês de outubro, em Pequim, ela teve a bola do jogo contra a número 5 do ranking Karolina Pliskova. Já na semana passada, atuando em Brisbane, a jovem russa poderia eliminar a sétima do mundo Garbiñe Muguruza, mas novamente não aproveitou a chance.

“Eu estava muito triste depois daqueles jogos. Ficava chorando e tudo mais”, contou a russa que também no ano passado, foi eliminada de Roland Garros e Wimbledon em partidas que perdeu a última parcial por 10/8 para Kiki Bertens e Venus Williams, respectivamente. Ela também perdeu um match point no jogo contra Sloane Stephens em Charleston.

“Mas, depois, analisamos todos estes jogos, e eu sentia que, mais cedo ou mais tarde, eu ia começar a ganhar uma partida assim. Eu esperava que este momento chegasse logo. Por isso, este jogo foi tão importante para mim”, acrescentou a jogadora que é treinada por Vladimir Platenik.

Aproveitando-se de um dia ruim de Kerber, que não encontrou um bom ritmo no jogo e cometeu seis duplas-faltas e 41 erros, Kasatkina venceu os oito primeiros pontos da partida e liderou o set inicial por 4/1, quando ainda perdeu dois break points. A russa ainda teria um set point no saque da adversária, mas só definiria a parcial após um erro de devolução da alemã no tiebreak. Já no segundo set, a jovem de 19 anos minou o saque da líder do ranking e ainda contou com a sorte para conseguir a última de suas três quebras na parcial.

Ciente de que ainda restam três rodadas para o fim do torneio, Kasatkina foi moderada na comemoração da vitória sobre a número 1 do mundo. É só o meio do torneio. Se eu ficar em choque ou feliz demais, as coisas podem piorar. Então, estou calma, feliz porque ganhei hoje e já pensando nas quartas de final.

A promessa russa deverá ser cabeça de chave 23 no Australian Open, por conta das desistências de Madison Keys, Petra Kvitova e Victoria Azarenka. Isso a impedirá de cruzar o caminho de praticamente todas as top 10 antes das oitavas de final, exceção feita à britânica Johanna Konta, que aliás, será sua próxima adversária em Sydney.

“Ela tem um bom saque, um bom backhand e não tem tantos pontos fracos. Será bom jogo e, novamente, contra uma top 10. Fico feliz, porque é bom começar a temporada jogando contra as melhores para que você possa ver qual é o seu nível, além de ser uma boa preparação para o Australian Open”.

As vitórias de jovens jogadoras sobre as líderes do ranking têm se tornado cada vez mais raras nos últimos anos. As estrelas do circuito têm prolongado suas carreiras e atuado em alto nível por mais tempo, fazendo com que as promessas demorem um pouco mais para explodirem no circuito. Desde 2009, foram apenas seis atletas com menos de 20 anos que derrubaram uma número 1 do mundo. 2017-01-10 (2)

Logo após a vitória mais importante da carreira, Kasatkina respondeu à inevitável pergunta sobre como se sentia após vencer a melhor jogadora do mundo e destacou o quanto isso pode trazer de confiança para o restante da temporada, em especial para o Australian Open na semana que vem.

“É difícil explicar [como eu me sinto] porque eu acabei de derrotar a número 1 do mundo e isso não acontece todo dia”, disse ainda dentro de quadra. “Este é o segundo torneio seguido que eu enfrento uma das melhores jogadoras do mundo [lembrando da partida contra Muguruza em Brisbane]. Na minha estreia aqui eu já havia jogado muito bem e venci um jogo de três sets (contra a húngara Timea Babos) e agora fiz uma partida incrível e venci a número 1 do mundo, então isso dá bastante confiança”.

Com mais calma, a jovem russa falou à WTA sobre a experiência que adquiriu enfrentando adversárias de peso durante o ano passado e que intensificou a pré-temporada para dar o próximo passo. “Trabalhei duro na pré-temporada, foram sete ou oito semanas de preparação, mas é claro que tudo isso compensou. Estou me sentindo melhor, em melhor forma e mais confiante. Isso me ajudou muito”.

“Nessas partidas você pode ficar nervosa às vezes, especialmente se estiver enfrentando uma adversária muito boa, e em um dia muito quente”, avaliou a jovem russa que já tinha vitória contra top 10 sobre Venus Williams, há pouco mais de um ano, na edição de 2016 do WTA de Auckland. “Ganhei experiência no ano passado e no começo deste ano e sabia o que fazer para jogar nesse tempo e o que fazer quando estava nervosa”.

Duas gratas surpresas em Brisbane
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 3, 2017 às 8:59 pm

Duas jovens promessas do tênis australiano chamaram atenção do público logo na primeira semana da temporada em Brisbane. Alex De Minaur, de 17 anos, passou por duas rodadas do qualificatório e participou pela primeira vez de um ATP. Mas o principal destaque foi Destanee Aiava, que aos 16 anos, passou por uma três fases no quali e ainda venceu um jogo da chave principal.

A vitória de Aiava sobre a experiente norte-americana de 31 anos Bethanie Mattek-Sands por 2/6, 6/3 e 6/4, em jogo que começou na madrugada de segunda-feira e foi concluído só nesta terça por conta do mau tempo, fez com que a jovem australiana se tornasse a primeira jogadora nascida nos anos 2000 a vencer um jogo válido pela chave principal de um WTA.

A promessa do tênis feminino australiano vem de uma família de esportistas imigrantes de Samoa, mas de modalidades bem distantes do tênis. O pai é técnico de MMA, enquanto a mãe jogou rúgbi e precisou aprender tênis para treinar a filha, um processo parecido com o vivido por Piotr Wozniacki, ex-jogador de futebol.

“Eu tinha cinco anos e estava assistindo o Australian Open pela TV, quando eu vi a Serena e pensei ‘Eu quero me tornar número 1 do mundo. Então os meus pais só pensaram: ‘Oh! Tênis? Mas nós não sabemos nada sobre tênis'”, disse Aiava na entrevista coletiva após a vitória por duplo 6/1 sobre a 86ª colocada alemã Carina Witthoeft na última rodada do quali em 1º de janeiro. Nos dias anteriores, ela havia vencido a experiente espanhola de 34 anos María José Martinez e a americana Samantha Crawford, 114ª do mundo.

Ainda sobre sua admiração por Serena, Aiava diz que a atitude da americana americana foi o que mais despertou mais seu interesse. “Acho que foi a vibração dela. Eu não poderia senti-la pelo outro lado da TV, mas foi a energia dela me trouxe para o esporte”, comentou a atual 345ª do ranking, mas que deverá ganhar muitas posições após a grande semana em Brisbane.

A jogadora, que tem chamado atenção por seus bons saques e golpes potentes do fundo de quadra, se descreve como uma atleta agressiva e falou de suas principais virtudes.”Estou com muita confiança no meu jogo agora. Isso me deu a oportunidade de chegar onde estou agora. Acho que meu saque e meu forehand melhoraram muito e estou muito confiante com eles também”.

Seu próximo compromisso em Brisbane será o primeiro jogo contra uma top 10 na carreira. Ela enfrenta a russa Svetlana Kuznetsova, número 9 do mundo e dona de dois títulos de Grand Slam, na madrugada desta quarta-feira. “É uma loucura. Eu caminho por aqui e vejo as pessoas que assistia pela TV antes. Uau!”

Enquanto o número 1 está muito distante, Aiava estabeleceu metas interessantes a curto prazo. “Eu realmente gostaria de tentar passar da primeira rodada do Australian Open. Esse é o meu principal objetivo para depois tentar chegar o mais longe que puder no torneio”, disse a australiana, que quando perguntada pela WTA sobre seu objetivo para o ano de 2017 foi direto ao assunto. “Entrar no top 100″.

Pioneira – Aiava, que prefere ser chamada apenas por ‘Des’,  foi primeira jogadora nascida nos anos 2000 a figurar em um ranking da WTA, quando apareceu na lista de duplas, em 9 de fevereiro do ano passado e, em duas semanas, será a primeira a disputar a chave principal de um Grand Slam. Ela garantiu a vaga graças ao título da categoria 18 anos feminino do Australian Championships, torneio nacional juvenil disputado durante em dezembro no Melbourne Park. Quando furou o quali no último domingo, já seria também a primeira atleta nascida depois do ano 2000 a disputar uma chave principal de WTA.

De Minaur surpreende –  No masculino, o destaque ficou por conta de Alex De Minaur. Já falamos dele aqui no ano passado, quando foi finalista da chave juvenil de Wimbledon. Filho pai uruguaio e mãe espanhola, ele viveu em Sydney até os cinco anos e depois foi com a família para a Espanha. Sua formação no tênis foi dividida entre as duas bases.

Atual 351º colocado na ATP, De Minaur passou pelo 89º do ranking Mikhail Kukushkin logo na primeira rodada do quali e depois venceu o 108º colocado americano Frances Tiafoe, outro nome da nova geração, mas que já esteve entre os cem melhores. Já no primeiro jogo da chave principal, ele foi derrotado pelo alemão Mischa Zverev por duplo 6/3.

As boas apresentações em Brisbane chamaram a atenção do ex-número 1 do mundo Lleyton Hewitt, que acompanhou de perto as partidas do jovem australiano. “Estou feliz pelo Alex, por ele ter a oportunidade de jogar a chave principal de um ATP”, disse Hewitt, em entrevista ao site da entidade que comanda o tênis masculino.

“Que maneira de começar o ano novo! Ele é muito habilidoso e quer trabalhar duro. O treinamento que ele fez em novembro e dezembro é a principal razão pela qual eu confiava que ele poderia vencer ontem e hoje”, revelou o agora ex-jogador e agora capitão do time australiano na Copa Davis.