Jovens campeões com histórias parecidas
Por Mario Sérgio Cruz
abril 17, 2017 às 7:25 pm

Os títulos de Borna Coric no ATP 250 de Marrakech e de Marketa Vondrousova no WTA de Bienne têm um outro fator em comum além da pouca idade entre os jovens campeões. Tanto o croata de 20 anos como a canhota tcheca de apenas 17 tiveram lesões graves na última temporada.

Coric encerrou a temporada passada precocemente em setembro, após o duelo contra a França pela semifinal da Copa Davis. O croata teve uma lesão no joelho direito, que já havia feito com que ele abandonasse na primeira rodada do US Open e passou por cirurgia em 27 de setembro. Já em 2017, ele perdeu três estreias seguidas antes da primeira vitória da temporada em Roterdã, já em fevereiro. Antes de jogar em Marrakech, ele acumulava só cinco vitórias no ano.

Durante a campanha para sua terceira final de ATP, sendo a segunda seguida no saibro marroquino, e o primeiro título na elite do circuito, Coric teve um jogo duríssimo contra o convidado local Reda El Amrani (667º do mundo), decidido apenas no tiebreak do terceiro set após 2h42 de disputa pelas oitavas de final. Já na decisão do último domingo, o croata salvou cinco match points no segundo set antes de conseguir a virada sobre o veterano alemão de 33 anos Philipp Kohlschreiber.

Corrida para Milão – A conquista do primeiro título de ATP não apenas fez com que Coric saltasse trinta posições no ranking mundial como também o coloca na segunda posição da corrida para o ATP Next Gen Finals, que acontece entre os dias 7 e 11 de novembro em Milão.

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Na lista que conta com atletas de 21 anos, o croata tem agora 435 pontos. O croata só fica atrás do alemão Alexander Zverev, que acumulou 565 pontos nos primeiros torneios que disputou na temporada. Em comum entre eles, está o fato de serem os únicos da nova geração que conquistaram títulos de ATP este ano.

Quem também subiu na corrida foi o americano Ernesto Escobedo, jovem de 20 anos e que foi semifinalista do ATP 250 de Houston. Escobedo ganhou três posições nesta lista e aparece agora no quarto lugar, atrás de Zverev, Coric e do russo Daniil Medvedev que não joga desde Indian Wells.

Ainda aparecem no grupo dos sete que se classificariam diretamente para a Milão o noruguês Casper Ruud, que não jogou na semana e recebeu convite para o Masters 1000 de Monte Carlo, o russo Andrey Rublev, que parou ainda na primeira rodada dos qualificatórios de Marrakech e Monte Carlo, e o americano Jared Donaldson, que foi eliminado na estreia em Houston.

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Vondrousova ficou sem jogar entre maio do ano passado e janeiro de 2017 por lesão no cotovelo esquerdo (Foto: Ladies Open Biel Bienne)

Já Vondrousova escreveu uma história espetacular nas quadras e cobertas do torneio suíço de Bienne. Vinda do qualificatório, Vondrousova venceu oito jogos seguidos durante a semana e não perdeu sets durante a campanha na chave principal do WTA, que foi apenas o segundo que ela disputou na carreira.

A jovem tcheca encerrou a temporada passada ainda no mês de maio por lesão no cotovelo esquerdo e só voltou a jogar em janeiro deste ano. Ela já vinha fazendo um começo de ano muito consistente nos torneios de nível ITF, com dois títulos em quatro finais disputadas. Depois de iniciar a temporada apenas no 374º lugar, a jovem tcheca já aparece na 117ª posição e praticamente não defende mais pontos até o fim do ano.

Curiosidade – Vondrousova já havia jogado um WTA em Praga no ano passado, quando recebeu convite e até avançou uma rodada. Caso isso não tivesse acontecido e a conquista viesse logo na primeira chave principal de WTA que ela tivesse disputado na carreira, a tcheca poderia entrar numa lista que conta com apenas seis nomes e foi atualizada pela última vez em 2001 com o título de Angelique Widjaja, em Bali.

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(Fonte: WTA Official Guide)

 

Keys pode ser a próxima a transcender o esporte
Por Mario Sérgio Cruz
abril 12, 2017 às 7:00 pm

Há duas semanas, quando Nick Kyrgios e Alexander Zverev protagonizaram um grande jogo em Miami, houve uma sensação de alívio e expectativa entre os fãs. Foi uma partida que simbolizava que o circuito masculino poderia continuar atrativo e popular, mesmo quando a brilhante geração do Big Four (e é Big Four, não Three e nem Five) pare de jogar.

A nova geração feminina também teve um momento de destaque para o duelo entre as jovens de 19 anos Daria Kasatkina e Jelena Ostapenko na final Charleston. Kasatkina esbanjou disciplina tática e firmeza do fundo de quadra para vencer por 6/3 e 6/1 aquela que foi a primeira final de WTA entre duas atletas com menos de 20 anos desde outubro de 2009, na cidade austríaca de Linz, quando Petra Kvitova venceu Yanina Wickmayer. Tcheca e belga já estão com 27 anos.

Mas o futuro do circuito feminino passa obrigatoriamente pela construção de ídolos. E hoje, há um nome claro para se firmar como estrela: Madison Keys. A jovem americana de 22 anos chegou rapidamente ao top 10. Mas grande parte desse ganho de popularidade pode vir de fora das quadras. Keys é uma jogadora que fala o que pensa e luta por aquilo que defende. A WTA e também a imprensa americana já identificaram o enorme potencial de liderança que ela tem e a repercussão de suas declarações tem sido cada vez maior.

Desde o fim do ano passado, quando recebeu ofensas de conteúdo racista por suas redes sociais (Twitter e Instagram) após uma derrota, Keys assumiu para si a luta contra as mensagens abusivas. O tema ficou recorrente nas entrevistas coletivas que ela dá a cada torneio e outras jogadoras têm demonstrado apoio a cada vez que o assunto entra em pauta. No último sábado, foi ao ar uma entrevista de Keys ao canal americano Tennis Channel falando exclusivamente sobre isso.

“Para mim, o cyberbullying acontece porque as pessoas acham que, por estarem atrás de uma tela de computador ou celular, podem dizer o que quiserem sobre você. Eles não pensam que existe outra pessoa recebendo aquilo”, comentou Keys, que também leu em voz alta alguns dos comentários ofensivos que recebe. (confira o vídeo acima)

Para a americana, não é possível traçar um perfil dos trolls, pessoas de todos os tipos assumem esse tipo de comportamento. “Muitas vezes depois dos jogos, especialmente quando eu perco, eles são mais extremos e agressivos. E quando eu clico para ver as páginas deles, alguns são adolescentes, mas outros são pais de família. Não há um tipo específico de pessoa que pratique isso”.

Embaixadora desde o ano passado da organização Fearlessly Girl, que visa desenvolver lideranças jovens entre as meninas em suas escolas e comunidades, Keys já realizou duas palestras em colégios americanos. A primeira foi no fim de dezembro, em sua cidade natal, Rock Island, no estado de Illinois, e a mais recente aconteceu no mês passado, para as alunas da sétima série da Young Women’s Preparatory Academy, em Miami.

“Eu me lembro de ter ligado para minha mãe e meus agentes e dizer ‘eu preciso fazer uma coisa positiva'”, comentou, ainda ao Tennis Channel. “Vou às escolas e converso com as adolescentes sobre o mundo delas e os problemas que elas enfrentam”, comentou a tenista que tem duas irmãs mais novas.

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“Eu adoraria ouvir das meninas sobre os temas que importam para elas e com os quais elas se preocupam para poder ajudá-las e influenciá-las a tratar desses assuntos de uma maneira positiva”, falou ao site da WTA, depois da palestra para as adolescentes em Miami.

Com engajamento e comentários pertinentes sobre um tema que faz parte do universo jovem, Keys pode trazer o tênis para um outro grupo de pessoas. Muitas dessas meninas para as quais ela discursou em escolas talvez nem se interessassem antes por tênis ou pelo esporte de um modo geral, e podem ter pensado: “Vou começar torcer por ela” ou ainda “Quero ser como ela”. É possível que estejamos vendo o crescimento uma atleta extremamente representativa para para uma comunidade, tal como as irmãs Williams foram e são até hoje para as mulheres negras americanas. Keys pode ser a próxima jogadora a transcender o esporte.

“Estou mais confortável comigo mesma e acho que parte disso vem de poder falar abertamente. Acho que se nós nos calarmos e não falarmos sobre certos assuntos, as coisas não vão melhorar. É por isso que eu tomei uma posição em que nós podemos ter opiniões diferentes enquanto pudermos falar respeitosamente e conversar sem que isso se transforme em uma disputa. Acho isso muito importante e é o que eu vou tentar fazer”, comentou após a partida contra a americana Shelby Rogers em Charleston.

Mas para que atingir um patamar de importância que supere o âmbito esportivo, ela vai precisar de conquistas. O nome de Keys ainda é desconhecido fora do tênis, por mais relevantes que sejam suas opiniões. Há jogadoras da nova geração americana bastante articuladas, como Nicole Gibbs e Grace Min, mas que estão distante das posições de destaque para chamar os holofotes para si.

Keys joga os maiores torneios do calendário, e quase sempre é escalada para atuar nas quadras principais. Ela dá entrevistas toda semana e tem a ex-número 1 do mundo Lindsay Davenport como treinadora. Acima de tudo, tem o jogo. Seu saque já é um dos mais eficientes do tênis feminino e a velocidade média* de seus golpes também é uma das altas entre as mulheres. Em um circuito cada vez mais físico, a jovem de 22 anos pode se tornar a próxima jogadora dominante e atrair um fã clube em cada torneio que disputar e ser a mais icônica de sua geração.

* Da velocidade – Um estudo publicado pelo New York Times mediu as velocidades médias do forehand e do backhand de homens e mulheres nas últimas edições do Australian Open. Keys teve destaque nas duas listas, mas isso também pode ser explicado por seu estilo de jogo. Por bater muito reto e usar poucos slices e variações, é natural que o cálculo seja feito apenas em cima de golpes muito potentes.

Juvenis divergem sobre mudanças no ranking
Por Mario Sérgio Cruz
março 31, 2017 às 10:42 pm

Em meio às mudanças previstas nos circuitos profissionais e juvenil da ITF a partir de 2019, a entidade que comanda o tênis mundial divulgou o resultado das pesquisas que fez com atletas e profissionais ligados ao tênis, com base em dados coletados entre 2001 e setembro de 2016 e foram publicadas na última quinta-feira.

A ideia é aplicar esses dados para a reformulação dos calendários, já que a partir de dois anos haverá uma chamada “Transition Tour” que irá substituir os torneios profissionais de menor nível (os de US$ 15 mil) sem o oferecimento de premiação em dinheiro. Falamos mais sobre ela aqui no TenisBrasil e a proposta completa está na ITF.

No caso das pesquisas relacionadas ao circuito juvneil, há uma clara divisão entre os jogadores se declara a favor ou contra mudanças no sistema do ranking. Atualmente, são considerados válidos os seis melhores resultados de simples durante o ano, mais 1/4 da soma dos seis melhores resultados em duplas.

Participaram da pesquisa 3711 atletas e ex-atletas do circuito juvenil, mas só 2493 preencheram o questionário completo. Entre eles estão 885 jovens de 18 a 30 anos que participaram anteriormente de competições juvenis, tendo eles se tornado tenistas profissionais ou não. Os atletas mais ouvidos vêm da Índia, Estados Unidos, Grã Bretanha e Austrália. O questionário completo está disponível neste link.

Ao todo, 52% dos entrevistados acreditam que o modelo atual do ranking reflita realmente quais jogadores apresentam maior desempenho, mas 48% defendem mudanças na fórmula.

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A ITF perguntou, então, sobre propostas para atualização do cáculo: A separação dos rankings entre simples e duplas teve 35% dos votos e foi seguida de perto opção de incluir mais torneios válidos para a classificação, que teve 32,5% dos votos. Outra parcela considerável dos entrevistados, 19% defende que a pontuação de duplas tenha peso maior do que é feito atualmente, enquanto grupos menores defendem que sejam considerados menos resultados durante o ano e que torneios de duplas não devem oferecer pontos.

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A importância de discutir o meio de pontuar no ranking aparece no resultado de alguns tópicos: Mais da metade dos jogadores entrevistados afirmaram não figurar no ranking da ITF durante a pesquisa. O resultado é praticamente o mesmo quando perguntados qual o melhor ranking já alcançado, pois quase 50% das respostas são de que o atleta jamais pontuou para o ranking. Além disso, em torno de 25% dos entrevistados com ranking sequer atingiu a milésima posição como juvenil.

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Chama atenção também o fato de que mais da metade dos entrevistados só ter disputado competições em seu próprio país e praticamente dois terços não tenha saído de seu continente ao longo da temporada.

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Outros pontos – Perguntados sobre o que os benefícios que os jogadores de destaque no juvenil podem ter no futuro, a maioria votou pela ajuda financeira nas viagens para competições profissionais, opção que ficou acima das opções de usar o ranking juvenil para entrar em torneios maiores ou receber convites em chaves.

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Já sobre o que achavam mais importante em torneio, a opção por melhores árbitros ficou em primeiro lugar, à frente por exemplo de o torneio oferecer gratuitamente transporte e alimentação aos atletas. Outras questões estruturais como espaço exclusivo dos jogadores e acesso a internet Wi-Fi foram considerados menos importantes.

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Pedretti busca evolução ao lado de tricampeão olímpico
Por Mario Sérgio Cruz
março 27, 2017 às 8:06 am
A paulista Thaísa Pedretti está em seu último ano como juvenil (Foto: Éric Visintainer)

A paulista Thaísa Pedretti está em seu último ano como juvenil (Foto: Éric Visintainer)

Melhor brasileira no ranking juvenil da ITF, a paulista Thaísa Pedretti busca evolução na carreira trabalhando junto de um ídolo do esporte brasileiro, mas de outra modalidade, o treinador tricampeão olímpico do vôlei José Guimarães. Pedretti, que é 36ª do mundo em sua categoria aos 17 anos, está em sua última temporada como juvenil e já pensa na transição ao profissionalismo.

“Estou treinando agora no Centro de Treinamento do José Roberto Guimarães, e tenho uma equipe muito boa. Conviver com ele diariamente é uma experiência muito boa. A gente conversa diariamente, e ele me passa um pouco da experiência tanto de olimpíadas como de campeonatos mundiais e ajuda bastante a gente no tênis”, disse Pedretti que treina desde os 11 anos  Instituto Tênis, que recentemente instalou seu centro de treinamento dentro da Sportville, coordenada por José Roberto em Barueri, na Grande São Paulo.

Recuperada de algumas lesões no punho e abdômen, Pedretti tenta retomar a boa sequência que teve no fim do ano passado, em que venceu três torneios ITF juvenis seguidos e ainda acumulou duas campanhas de quartas e uma semifinal em torneios profissionais.

“No ano passado, eu tive um estiramento de 3cm no abdômen e não pude jogar alguns torneios. Comecei a sentir dor nos torneios de US$ 25 mil da Riviera e Guarujá do começo daquele ano e fiquei uns três meses parada. Até retomar foi difícil, mas voltei bem. Consegui fazer uma pré-temporada curta no meio do ano, que me possibilitou voltar bem nos torneios, tanto no juvenil como no profissional”, afirmou a jogadora que é treinada por Luis Fabiano Ferreira, coordenador técnico da equipe feminina do Instituto Tênis.

A jovem paulista começou a atual temporada apenas em fevereiro e disputou as principais competições juvenis em solo brasileiro, o Banana Bowl e o Campeonato Internacional de Porto Alegre, avançando apenas uma rodada em cada um e depois partiu para o saibro argentino, onde foi às quartas no Sul-Americano Individual e venceu seu primeiro torneio no ano em Mendoza.

“O começo deste ano também foi um pouco complicado, porque senti dores no punho e no abdômen e não consegui fazer uma pré-temporada longa”, comentou a jogadora que busca vaga nas chaves juvenis de Grand Slam. “Joguei esses torneios juvenis para baixar um pouco o ranking e jogar os Grand Slam este ano. Hoje eu sou número 40 e com esse ranking eu já consigo entrar na chave de Roland Garros, que tem o corte mais difícil. Mas pretendo baixar mais um pouquinho e ficar mais tranquila para em Wimbledon e no US Open”.

De volta ao Brasil, ela vem disputando as etapas do Circuito Feminino Future e chegou a avançar uma rodada em São Paulo antes de cair para a top 100 russa Irina Khromacheva. Seu próximo compromisso é nesta semana, em Campinas.

“A gente já está pensando na transição para o profissional, que é o objetivo mais importante, mas não adianta sair rápido do juvenil e já se meter no profissional. É importante jogar os Grand Slam para ganhar experiência, jogar com público, e se acostumar com a dificuldade que você vai passar”.

Calendário –  Depois de jogar em Campinas, Pedretti segue no interior paulista para disputar outro torneio profissional em São José dos Campos. Assim que terminar a campanha, o foco volta ao circuito juvenil. Ela vai disputar os dois principais torneios no saibro europeu antes de Roland Garros, o Trofeo Bonfiglio, em Milão, e o Astrid Bowl na cidade belga de Charlenoi.

Shapovalov vence seu primeiro challenger
Por Mario Sérgio Cruz
março 20, 2017 às 6:25 pm
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Denis Shapovalov venceu seu primeiro challenger aos 17 anos em Drummondville e entrou no top 200 do ranking (Foto: Tennis Canada)

O canadense Denis Shapovalov venceu neste fim de semana seu primeiro título profissional de nível challenger. O canhoto de 17 anos comemorou a conquista em seu país, nas quadras duras e cobertas de Drummondville.

Shapovalov venceu na final o belga Ruben Bemelmans por 6/3 e 6/2 e garante um salto no ranking. Os oitenta pontos recebidos pela campanha no torneio de US$ 75 mil fizeram com que o canadense saltasse 59 posições e garantisse a melhor marca da carreira, ao ocupar o 194º lugar.

Ao longo da semana, Shapovalov sequer perdeu sets. Ele marcou 6/4 e 6/3 contra o britânico Edward Corrie, liderava por 4/1 a partida contra o francês Quentin Halys quando o rival abandonou por doença, marcou 7/6 (7-4) e 6/4 diante do esloveno Blaz Rola e na semifinal passou pelo também jovem compatriota Felix Auger-Aliassime por 7/5 e 6/3.

Aliassime, de apenas 16 anos, é mais um jogador a ter o melhor ranking da carreira. Os 29 pontos conquistados por chegar à semifinal do torneio renderam 137 posições ao ex-líder do ranking juvenil que já ocupa a 374ª colocação entre os profissionais.

A ATP disponibilizou os melhores momentos da semifinal entre Shapovalov e Aliassime, partida disputada na tarde do último sábado com bom público no torneio canadense. Também está disponível a íntegra da partida no arquivo que a ATP tem para as partidas de nível challenger.

Vencedor também de quatro torneios de nível future, sendo um deles este ano, Shapovalov vai aos poucos se recuperando da infeliz desclassificação no quinto jogo do confronto contra a Grã Bretanha pela primeira rodada do Grupo Mundial da Copa Davis.

Desde o incidente em que atingiu um árbitro quando tentou jogar uma bola para fora da quadra, o jovem o jogador já havia se colocado à disposição para qualquer esclarecimento e afirmava que aceitaria a punição que lhe fosse imposta. Multado em US$ 7 mil, Shapovalov prometeu que não repetiria a atitude e já começa a colher seu melhor resultado.

Corrida para Milão

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Os quatro primeiros colocados na corrida para o ATP Next Gen Finals, que acontecerá entre os dias 7 e 11 de novembro em Milão, não mudaram após a disputa do primeiro Masters 1000 da temporada. A lista é liderada pelo alemão Alexander Zverev, que é seguido pelo russo Daniil Medvedev, pelo norueguês Casper Ruud e pelo também russo Andrey Rublev.

Em quinto lugar está o americano Taylor Fritz, que ganhou sete posições nesta corrida após Indian Wwlls, seguido pelo cazaque Alexander Bublik e por mais um americano Noah Rubin. Shapovalov subiu 37 posições com o título do challenger canadense e está em 14º lugar na busca por um lugar em Milão. Confira o ranking completo.

Aos 15, Potapova está habituada com rivais experientes
Por Mario Sérgio Cruz
março 10, 2017 às 6:43 pm

Líder do ranking mundial juvenil, Anastasia Potapova já se acostumou com a condição de enfrentar rivais bem mais experientes. Não por acaso, a russa de apenas 15 anos conquistou seu primeiro título profissional da carreira na última semana em Curitiba, na primeira etapa do Circuito Feminino Future.

Nesta semana, a jovem promessa russa falou ao TenisBrasil durante sua participação no ITF de São Paulo sobre seu início de carreira. Apesar da pouca idade, Potapova já acumula uma série de bons resultados em competições de base. Falando apenas em Grand Slam, ela tem um título de Wimbledon e uma semifinal em Roland Garros, além de ter chegado às quartas em sua primeira participação no Slam britânico em 2015, quando tinha só 14 anos.

A russa também tem um histórico considerável em torneios tradicionais nos Estados Unidos, ao vencer o Eddie Herr de 12 e 14 anos em 2013 e 2014. Já no Orange Bowl, foi finalista nos 12 anos em 2013, campeã nos 14 em 2014 e foi às quartas na categoria principal em 2015. No início daquela mesma temporada, ela ainda venceu o tradicional torneio francês Les Petits As, considerado um Mundial da categoria 14 anos.

Ou seja, desde muito jovem, Anastasia Potapova sempre enfrentou jogadoras mais experientes e vê isso como um diferencial para ter confiança no início da carreira.

Anastasia Potapova venceu seu primeiro torneio profissional há uma semana, em Curitiba (Foto: Éric Visintainer)

Anastasia Potapova venceu seu primeiro torneio profissional há uma semana, em Curitiba (Foto: Éric Visintainer)

“Quando eu tinha apenas dez anos, eu já jogava torneios contra meninas muito mais velhas do que eu, mas eu sempre era bem ranqueada, em 1º, 2º ou 3º”, disse Potapova ao TenisBrasil. “Estou feliz por continuar dessa forma. Então, sim, cada vitória me dá muita confiança. Mesmo que eu ainda não esteja enfrentando adversárias do top 10, é uma coisa boa”.

Ela reconhece que a conquista da última semana traz confiança para a sequência da temporada. “Eu agora me sinto mais confiante em mim mesma. Posso enfrentar jogadoras de alto nível. Estou feliz por isso e quero jogar meu melhor tênis da mesma forma como joguei na última semana e ganhei meu primeiro título”, comentou a russa que chegou a eliminar Teliana Pereira no torneio da semana passada.

Embora já priorize as competições profissionais, Potapova ainda deve participar dos maiores torneios do circuito juvenil este ano, por conta Age Eligibility Rule (AER) que é aplicada em todos os níveis do circuito feminino, tanto na WTA quanto ITF, e limita o número de competições que jogadoras com menores de idade podem disputar durante um ano.

“Este ano eu vou focar mais em torneios profissionais, mas eu ainda tenho que jogar três Grand Slam. Com 100% de certeza eu disputarei Roland Garros e Wimbledon novamente, mas ainda não tenho certeza se disputarei o US Open. Tenho tempo suficiente para pensar nisso”, avaliou a campeã juvenil de Wimbledon.

“Eu ainda tenho 15 anos e vou tentar mesclar torneios profissionais e juvenis, porque na minha idade eu só posso jogar até doze torneios profissionais durante o ano, o que não é o suficiente para mim. Então eu disputarei alguns Grand Slam também, mas meu plano para o ano é terminar entre as 300 melhores no ranking da WTA”, acrescentou a jogadora que somará 12 pontos pelo título na capital paranaense.

Depois de fazer toda sua formação como tenista na Rússia, Potapova terá um período de amadurecimento nos Estados Unidos. “Eu treino em Moscou, na academia de Alexander Ostrovsky, que é meu agente também e minha técnica é a Irinia Doronina, que treina comigo já há seis anos. Agora eu fui para a Flórida e vou passar três ou quatro meses para ganhar mais experiência e jogar torneios profissionais, para ganhar confiança e subir no ranking. Acho que estou fazendo isso bem”.

Uma de suas principais memórias é da final juvenil de Wimbledon contra a ucraniana Dayana Yastremska. Potapova venceu aquele jogo por 6/4 e 6/3 em 1h37. Embora o placar e a duração sugerissem um jogo tranquilo, a russa precisou de sete match points para vencer a partida e chegou a comemorar o título duas vezes, mas teve as marcações corrigidas pelo árbitro. Relembre o caso. Com bom humor, ela afirma que a vitória trouxe uma visibilidade e popularidade maior no circuito.

“Sim, eu estava liderando por 5/3 no segundo set, com meu saque e foi um game muito longo com quase quinze minutos. Eu fui campeã no terceiro match point, mas Dayana desafiou a jogada e a bola tinha saído um pouquinho”, lembrou a russa sobre o jogo mais importante de sua carreira juvenil, disputado na Quadra Número 1 do All England Club.

“O jogo continuou e no quinto ou sexto match point aconteceu a mesma coisa. Eu saquei forte e ela errou, mas voltou a desafiar e minha bola tinha saído de novo. Isso estava me matando, mas eu não queria pensar em mais nada e só me manter focada no meu jogo e terminar o que eu havia começado uma hora antes e consegui o título na sétima chance”, comentou a tenista que negou que aquela tenha sido sua primeira experiência com o hawk-eye.

“Na verdade, não. Porque quando eu jogo os Grand Slam, eu normalmente fico em quadras que têm desafio e um bom público. Já estou acostumada com isso e às vezes me ajuda, e mas em outras não é o meu dia. Diria que naquela vez, o hawk-eye estava brincando com a minha cara (risos). Foi uma vitória incrível para uma menina de 15 anos. E me deu muita confiança conseguir vencer aquele jogo ainda que o hawk-eye não quisesse que me dar a vitória (risos). Acho que eu fiquei mais popular depois daquele jogo”.

Como de costume, o tênis feminino russo sempre traz novidades para o circuito. Depois de formar várias top 10 no final da década passada, o país passou alguns anos sem apresentar revelações e perdeu talentos como Daria Gavrilova e Yulia Putintseva, que optaram por defender outros países. Entretanto, há uma nova geração bastante promissora surgindo nos últimos dois anos.

“Nós temos muitas jogadoras que estão chegando como a [Daria] Kasatkina, [Natalia] Vikhlyantseva, [Sofia] Zhuk e [Anna] Blinkova… São muitas jogadoras boas. Não sei qual é o segredo, apenas acho que essa é a hora do tênis russo e nós faremos o nosso melhor”, avaliou Potapova, que ficou feliz em saber que é a primeira russa a liderar o ranking juvenil desde Irina Khromacheva, 93ª do ranking aos 21 anos e voltou ao Brasil seis anos depois de ganhar seu primeiro torneio profissional no país.

“Eu não sabia disso! É ótimo!”, comentou a jovem jogadora que já teve experiência de dividir a quadra com outras tenistas que foram top 100. “Na Rússia nós temos muitas jogadoras boas, eu já treinei com a [Vera] Dushevina, [Galina] Voskoboeva e [Alisa] Kleybanova. É muito bom que elas possam bater bola com meninas mais jovens, passar um pouco de sua experiência na vida e no tênis. Tenho que jogar o meu melhor para repetir o que elas fizeram”.

Perguntada sobre o apoio vindo da Federação Russa de Tênis, a promessa de 15 anos afirma que já teve problemas com a entidade comandada por Shamil Tarpischev no passado, mas que atualmente o relacionamento é bom. “Há dois anos eu tive alguns problemas com a Federação, porque eu precisava jogar um torneio nacional até 14 anos, mas a data coincidia com Wimbledon, que era meu primeiro Grand Slam e minha prioridade e eles não ficaram felizes com isso e eu não pude jogar pela equipe no Mundial de 14 anos, mas agora está tudo bem. Temos uma boa relação e hoje eles me ajudam”.

Banana Bowl e Porto Alegre deixam gratas surpresas e um alerta
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 20, 2017 às 6:40 pm

Se as duas últimas semanas de fevereiro são dedicadas aos dois ATP em solo brasileiro, Rio Open e Brasil Open, a primeira quinzena ficou a partir de 2017 com os dois principais torneios juvenis realizados no país, o Banana Bowl e o Campeonato Internacional de Porto Alegre.

Tal como ocorreu na temporada passada, os brasileiros não conseguiram títulos nos 18 anos, mas tiveram bom desempenho nos torneios de 14 e 16 anos. Nas categorias principais, destaques para a grande semana do paranaense Thiago Wild em Criciúma e duas gratas surpresas com o paulista Mateus Pucinelli e o brasiliense Gilbert Klier na capital gaúcha.

Pucinelli foi o brasileiro que mais se destacou nessas duas semanas. O paulista de apenas 15 anos foi campeão da categoria 16 anos do Banana Bowl, que foi disputado na cidade gaúcha de Caxias do Sul, e seguiu para a capital gaúcha onde pôde disputar a categoria mais alta do Campeonato Internacional (antiga Copa Gerdau), que por ser um torneio de nível GA (a que oferece maior pontuação) aceita um número maior de inscrições para a chave em relação ao Banana que é G1.

Matheus Pucinelli venceu o Banana Bowl de 16 anos e chegou às quartas na categoria principal em Porto Alegre (Foto: Gabriel Heusi)

Matheus Pucinelli venceu o Banana Bowl de 16 anos e chegou às quartas na categoria principal em Porto Alegre (Foto: Gabriel Heusi)

Mesmo com a diferença de altitude, Caxias tem 817m e Porto Alegre apenas 10m, que faziam o jogo ficar bem mais lento e o pouco tempo de adaptação, ele conseguiu chegar às quartas na capital gaúcha contra adversários até três anos mais velhos. Gilbert Klier, que havia vencido o Banana Bowl de 16 anos na temporada passada e só completará seu 17º aniversário em maio, também conseguiu chegar às quartas de final.

Na semana anterior, foi Wild quem teve um grande resultado. O paranaense que completa 17 anos em março venceu cinco jogos na categoria 18 anos do Banana Bowl que teve sua 47ª edição realizada nas quadras de saibro da Sociedade Recreativa Mampituba, em Criciúma. Wild ficou a uma vitória de se tornar o sétimo brasileiro a vencer a chave masculina do Banana e dar o oitavo título ao país, mas foi superado na final por Marko Miladinovic, primeiro sérvio a ser campeão na história do tradicional torneio que voltou ao estado de Santa Catarina depois de três anos no interior paulista (um em São José do Rio Preto e dois em São José dos Campos).

Thiago Wild foi vice-campeão no Banana Bowl de 18 anos (Foto: Mauricio Vieira)

Thiago Wild foi vice-campeão no Banana Bowl de 18 anos (Foto: Mauricio Vieira)

“Foi uma grande semana, tive ótimos jogos, jogos até que eu estive bem abaixo e consegui voltar, jogar bem”, disse Wild a respeito de sua boa campanha no saibro catarinense. “Foi o meu primeiro torneio do ano e é sempre bom voltar fazendo uma final, sempre ajuda na confiança e sem contar o ranking. Não tenho muitos pontos para defender no primeiro semestre”, lembrou o paranaense que não teve a mesma sorte em Porto Alegre e foi superado na estreia. Ainda assim, ele termina essas duas semanas com salto do 93º para o 56º lugar no ranking, Pucinelli ganhou 49 posições e é o 119º, enquanto Klier ultrapassou 52 concorrentes e ocupa o 122º lugar.

Sinal de Alerta: Mesmo com os três bons resultados já citados, a participação brasileira poderia ter sido melhor. Em duas semanas, os jogadoras da casa acumularam 23 vitórias, sendo dez no Banana Bowl e treze em Porto Alegre. O tênis masculino conseguiu vinte vitórias, totalizando 86% do total, enquanto as meninas conseguiram apenas três. Vem do feminino, entretanto, a única brasileira a vencer nos dois torneios, Thaísa Pedretti.

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Dos treze brasileiros que jogaram a chave principal masculina dos 18 anos em Criciúma, nove foram eliminados na primeira rodada, três passaram passaram pela estreia e Gabriel Décamps entrou já na segunda fase do torneio por ser o cabeça de chave número 4. Somente Wild e Décamps passaram pela segunda fase para atingir as oitavas de final. O vice-campeão garantiu cinco das nove vitórias brasileiras no torneio masculino.

O qualificatório teve 38 brasileiros, com apenas o paulista Gabriel Bugiga e o carioca Christian Oliveira, que é morador da comunidade Gardênia Azul no Rio de Janeiro, conseguindo passar pelas três rodadas da fase de classificação.

Já em Porto Alegre, foram 50 meninos brasileiros jogando o qualificatório. Novamente, Christian Oliveira conseguiu passar pela fase de classificação e teve a companhia do catarinense Mateo Barreiros Reyes e do mineiro João Ferreira.

A chave principal do Campeonato Internacional contou com dezoito brasileiros, dos quais apenas seis passaram da estreia. Além dos já citados Klier Júnior e Pucinelli, o pernambucano João Lucas Reis -vice no Banana de 16 anos em 2016- foi às oitavas de final na capital gaúcha, enquanto Bruno Pessoa, Gabriel Ciro e João Pedro Guedes avançaram uma rodada no torneio. Ao todo, os brasileiros acumularam onze vitórias, sendo que três delas vieram em partidas entre dois atletas do país.

Feminino: O Banana Bowl teve dez brasileiras na chave principal, das quais nove pararam na primeira rodada. A paulista Thaísa Pedretti teve Bye por ser cabeça de chave número 4 e superou sua estreia já na segunda rodada, mas se despediu nas oitavas de final. O quali teve 22 meninas, mas nenhuma delas chegou à terceira e última rodada. As onze vitórias brasileiras no qualificatório em Criciúma foram em partidas entre tenistas da casa.

Em Porto Alegre, foram doze brasileiras na chave principal. Pedretti teve apenas a companhia Ana Luiza Cruz entre as atletas da casa que estrearam com vitória. O quali teve 28 jogadoras brasileiras, das quais seis venceram compatriotas na primeira fase, além de uma classificação por w.o. As sete brasileiras que ficaram na fase final do quali e caíram diante de estrangeiras na rodada seguinte.

Felipe Meligeni inicia primeiro ano como profissional
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 6, 2017 às 3:15 pm

Em reta final de pré-temporada, Felipe Meligeni Alves inicia seu primeiro ano como tenista profissional. O paulista de 18 anos vem se preparando em São José dos Campos, onde já treina há dois anos, e deverá encarar uma rotina muito diferente da que estava acostumado.

Atual campeão juvenil de duplas no US Open ao lado do boliviano Juan Carlos Aguilar, Felipe priorizou as competições de base até o ano passado. Suas poucas experiências no circuito profissional foram convites para torneios de nível challenger em São Paulo, Santos e Campinas ao longo da última temporada e uma série de cinco torneios future no saibro tunisiano de Hammamet entre novembro e dezembro.

São muitas as diferenças entre os calendários entre um tenista juvenil e um profissional e elas ficam visíveis já no começo da temporada. Ele não precisará disputar mais a gira sul-americana e precisa buscar torneios onde há possibilidade de entrar na chave e lutar por pontos. Há ainda um inevitável aumento de custos, já que os eventos de nível future não costumam oferecer hospedagem, e são necessárias mudanças no plano de jogo por exigência de um circuito cada vez mais físico.

Em entrevista ao TenisBrasil, Felipe falou sobre sua transição ao circuito profissional e os preparativos para a próxima temporada.

Felipe Meligeni Alves disputará três torneios no saibro antes de Roland Garros (Foto: João Pires)

Felipe Meligeni Alves inicia a temporada jogando na Turquia (Foto: João Pires)

Conte um pouco sobre como foi sua pré-temporada. Há quanto tempo você está treinando e em que está trabalhando mais?
Eu comecei a pré-temporada no dia 4 de janeiro e estou fazendo até agora. Ainda tem mais umas duas semanas até a gente viajar de novo. A gente vai viajar para a Turquia e ficar seis semanas. A gente está treinando muito plano de jogo, comigo tentando jogar no meu estilo que é mais agressivo, mas tendo um plano B sempre.

Estou trabalhando no meu mental também, que era uma coisa que eu pecava antes e já melhorei bastante e a movimentação de pernas. A gente está fazendo um treino bem pesado com saque também, então está sendo um trabalho muito completo, estou jogando bem e confiante. Sinto que estou preparado para viajar de novo.

Qual a diferença entre a pré-temporada de um profissional para um juvenil? Isso vale para os treinos e na preparação do calendário, agora que você não precisa viajar para jogar Cosat.
A diferença é que você tem que pensar muito bem no calendário porque no profissional o dinheiro sai mais da gente. Você tem que praticamente se bancar. No juvenil você ia para os torneios mais importantes e não pagava hotel, nem alimentação enquanto você estava jogando, mas agora você que arcar com tudo.

A pré-temporada a gente fez visando o estilo de jogo que vimos lá na Tunísia dos caras mais velhos, analisando o jogo deles. É muito diferente do juvenil porque os caras são mais experientes e mais sólidos. As vezes no juvenil, você poderia bater três bolas e já acabar o ponto, agora vai voltar sempre uma bola a mais. Tem que ter bastante paciência e trabalhar bem duro.

A gente vai ficar seis semanas na Turquia, volta para treinar mais um pouco, mas ainda não tenho ideia do calendário. Tem que conversar com o treinador.

Seu tio te dá uns toques sobre calendário, fala onde tem um torneio melhor, com uma estrutura melhor e tal?
Ele não fala muito sobre para onde eu tenho que viajar. Eu tô indo bastante para São Paulo treinar com ele, dois dias da semana pelo menos, ele me dá uns toques importantes junto com a galera daqui. Ele é fundamental na minha carreira pela ajuda que está me dando, mas nem fala muito de calendário, ele pega mais na parte de treino, dentro de quadra.

A ideia de terminar o ano passado jogando na Tunísia partiu de quem?
A minha irmã estava lá e viu como estava o nível do torneio e do quali. A gente foi a maioria sem ponto, só o Igor que tinha ponto. Até estava um pouco mais forte do que a gente esperava. Nas primeiras semanas o quali estava mais tranquilo e dava para passar, passei quatro qualis e joguei quatro chaves. Foi uma experiência boa para a minha primeira viagem para torneio profissional. A gente voltou e conversou bastante sobre como os caras jogavam e a gente pensou em fazer de novo. Mas agora vamos fazer na quadra dura. Estamos trabalhando para tentar de novo e somar mais pontos.

– E aí vocês conseguem se manter no mesmo hotel, sem fazer tanto deslocamento
É melhor porque você não precisa ficar mudando de lugar, você fica no mesmo local, se acostuma, fica direto, é resort. Foi boa a experiencia na Tunísia e acho que na Turquia será assim também.

Além de você e do Igor (Marcondes) quem mais costuma viajar para os torneios da sua equipe?
Tem o Gustavo Cruz e Alexandre Girotto. Agora vão dois meninos um ano mais novos, que são o Charles Junior e o Antonio Pruner Neto. E o treinador que é o Ricardo Siggia  que vai com a gente pra lá também.

– Ele jogou bastante future. Conhece bem esse meio de dentro do circuito…
Ricardo jogou. Ele é experiente, vai ajudar bastante.

Este ano tivemos uma redução grande no patrocínio dos Correios e a teve mudança de Prefeitura na cidade, como está a sua situação com seus parceiros?
Então eu tenho apoio da Prefeitura, que ajuda com o LIF (Lei de Incentivo Fiscal) que dá um dinheiro bom pra gente, tenho patrocínio de raquete e de roupa, Wilson e Fila, mas acho que os Correios talvez volte a entrar com alguma coisa. Tive uma ajuda ano passado para viajar para os Grand Slam e torneios mais importantes e espero que eles voltem a ajudar porque o tênis brasileiro precisa.

Felipe é atual campeão de duplas na chave juvenil do US Open

Felipe é atual campeão de duplas na chave juvenil do US Open

Você ganhou o título de duplas no US Open juvenil do ano passado. O que isso trouxe para você em termos de confiança, de oportunidades ou de os caras olharem seu nome na chave e já te conhecerem, saberem sobre seu jogo?
Confiança sempre dá. Ganhei convite para dois challengers de simples e duplas, então acho que é uma experiência bem válida. Meu nome apareceu mais, começou a vir mais ajuda e dei mais entrevistas. Nas chaves, os caras não vão se intimidar, mas já têm um respeito maior.

Seu plano principal para o momento é fazer a transição para o profissional em torneios challenger e future ou você pensa na possibilidade de ir, por exemplo, fazer faculdade nos Estados Unidos como outros jogadores fizeram?
Convite eu tenho desde o ano passado e retrasado. Nos torneios que eu joguei nos Estados Unidos eu recebi bastante convite de faculdades, mas agora estou pensando só no circuito profissional mesmo. Estou trabalhando duro nisso porque é um caminho difícil, mas se no futuro eu não estiver bem e não conseguir estar onde eu quero, faculdade não é um problema. Eu faria nos Estados Unidos e depois voltaria sem problemas.

Você tem alguma meta de ranking para a temporada ou algum outro objetivo, como ganhar o primeiro título profissional, por exemplo, que é sempre um marco importante:
Na dupla, eu e o Igor já conseguimos fazer final duas vezes. Este ano eu tenho meta de ganhar future em simples e duplas também, mas ranking… Eu não sei bem, para poder entrar já em quali de challenger uns 700 ou 600 mais ou menos o final do ano, ou quem sabe até mais de repente como eu estiver indo.

Tem outros jovens jogadores no Brasil como o Orlando, o Zormann e o Menezes que treinam lá no Sul. Você consegue ir bater bola com eles de vez em quando, para um puxar o outro, ou você os encontra só em semana de torneio mesmo?
É mais em época de torneio que eu consigo treinar junto com eles. Porque é muito longe para ir pra lá e a gente não consegue fazer muito. Só quando eles vem jogar torneios em Sâo Paulo ou a gente vai pra lá que a gente consegue marcar os treinos juntos.

Campeã juvenil do Australian Open tem apenas 14 anos
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 30, 2017 às 9:40 pm
O húngaro Zsombot Piros e a ucraniana Marta Kostyuk foram campeões juvenis em Melbourne (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

O húngaro Zsombot Piros e a ucraniana Marta Kostyuk foram campeões juvenis em Melbourne (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

O término da chave juvenil do Australian Open coroou uma de suas campeãs mais precoces. A ucraniana Marta Kostyuk conquistou o título aos 14 anos e sete meses depois da vitória por 7/5, 1/6 e 6/4 sobre a cabeça 1 suíça de 17 anos Rebeka Masarova no último sábado.

Por muito pouco, a jogadora é nascida em 28 de junho de 2002 não se tornou a mais jovem campeã da história do torneio. O feito cabe à russa Anastasia Pavyluchenkova, que tinha 14 anos, seis meses e 27 dias quando foi campeã juvenil em Melbourne em 2006. A russa, aliás, é uma das raras bicampeãs de um Grand Slam juvenil já que voltaria a vencer o torneio no ano seguinte.

Kostyuk teve um desempenho impressionante em competições de base. Em 2015, ela venceu a categoria 14 anos do Eddie Herr e do Orange Bowl. Já no ano passado, ela fez parte da equipe ucraniana campeã do World Junior Tennis (mundial de 14 anos por equipes na cidade tcheca de Prostejov) e já chegou às quartas da categoria principal do Eddie Herr e Orange Bowl, o que a levaram para a Austrália já em boa situação no ranking.

Fora de quadra, a jovem ucraniana tem a carreira agenciada por Ivan Ljubicic, ex-número 3 do mundo e que atua na equipe técnica de Roger Federer, outro campeão do fim de semana em Melbourne.”Eu finalmente conheci o Roger hoje” disse, sorrindo na entrevista coletiva. “Ele me cumprimentou. E tirei uma foto com ele, então fiquei muito animada”, acrescentou a jogadora que é treinada pela mãe e divide sua base entre Kiev e a cidade francesa de Cannes.

Histórico – A Ucrânia agora tem quatro títulos juvenis de Grand Slam em simples. O primeiro foi de Andrei Medvedev, no ano de 1991 em Roland Garros. Depois, triunfaram Kateryna Bondarenko em Wimbledon-2004 e Elina Svitolina em Roland Garros-2010.

O título masculino do Australian Open juvenil ficou com o húngaro  Zsombor Piros, que venceu a final contra o israelense Yshai Oliel por 4/6, 6/4 e 6/3. Piros repete o feito de Aniko Kapros, campeão em Melbourne no ano 2000. Outros três húngaros foram campeões juvenis de Grand Slam: Agnes Szavay em Roland Garros-2005, Marton Fucsovics em Wimbledon-2010 e Dalma Galfi no US Open de 2015.

Entrevistas – A quem interessar, o Australian Open disponibiliza as transcrições completas das entrevistas coletivas de Kostyuk e Piros após as finais do último sábado.

Les Petits As – Há pouco mais de um ano, Kostyuk estava na cidade francesa de Tarbes e foi campeã do tradicional torneio Les Petis As, que é considerado um mundial da categoria 14 anos. Promovido pela fornecedora de material esportivo Lacoste, o evento teve sua 35ª edição também na última semana de janeiro. Este ano, os títulos ficaram com a russa Maria Timofeeva e o italiano Luca Nardi.

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O italiano Luca Nardi e a russa Maria Timofeeva venceram um importante torneio de 14 anos na França

O Brasil teve o catarinense Pedro Boscardin Dias na chave masculina. Ele venceu o francês Sean Cenin por 6/2 e 7/5 na estreia e depois perdeu para o cabeça 5 norte-americano Toby Kodat na segunda rodada por 6/3 e 6/1.

Nos últimos anos, o Les Petits As antecipou algumas jogadoras que viriam ganhar um Grand Slam juvenil, já que além da própria Kostyuk, vale citar a russa Anastasia Potapova (vencedora do torneio em 2015 e campeã júnior de Wimbledon ano passado) e jogadoras que entrariam no top 100, casos de Jelena Ostapenko e Catherine Bellis (que triunfaram na França em 2011 e 2013, respectivamente).

O quadro de campeões do torneio francês tem nomes como Rafael Nadal, Richard Gasquet, Martina Hingis, Kim Clijsters e Timea Bacsinszky. A lista de grandes nomes que passaram pelo evento também inclui Roger Federer, Juan Martin del Potro, Novak Djokovic, Andy Murray, Agnieszka Radwanska, Caroline Wozniacki, Angelique Kerber e Justine Henin.

As corridas – Ao término do primeiro mês de competições no circuito da ATP, o russo de 20 anos Daniil Medvedev lidera a corrida para a edição inaugural do Next Gen ATP Finals, que será disputado entre os dias 7 e 11 de novembro na cidade italiana de Milão. Atual 63º do mundo, Medvedev recebeu 150 pontos quando foi finalista do ATP de Chennai e outros 10 por ter entrado diretamente na chave do Australian Open, onde perdeu na estreia.

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O segundo colocado nesta lista é o sul-coreano Hyeon Chung que havia vencido um jogo em Chennai (onde veio do quali) e outro no Australian Open. Já na última semana, ele foi campeão do challenger de Maui, no Havaí. Com apenas 20 anos, o atual 73º do mundo já acumula oito títulos de challenger.

Os nomes de Andrey Rublev, Alexander Zverev, Ernesto Escobedo, Noah Rubin, Alex De Minaur e Frances Tiafoe completam o top 8 após quatro semanas de competições. O evento terá os sete melhores jogadores de até 21 anos e um convidado. Confira o ranking completo neste link.

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Já a corrida para o ITF Junior Masters ainda é fortemente influenciada pelos resultados do fim do ano passado. Exemplo disso é a liderança do sérvio Miomir Kecmanovic, destaque nos torneios americanos de novembro e dezembro. Ainda assim, Piros já é o terceiro colocado e Kostyuk assumiu a ponta da lista feminina. A terceira edição do torneio com os oito melhores juvenis do mundo acontecerá em outubro, na cidade chinesa de Chengdu.

Nova geração não brilha em Melbourne. E cadê os sul-americanos no juvenil?
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 27, 2017 às 8:20 pm

Em um Grand Slam marcado por vitórias de veteranos, a nova geração do tênis teve pouquíssimo brilho neste Australian Open. Além das poucas campanhas realmente expressivas, não houve sequer uma grande vitória dos atletas mais jovens no primeiro Slam da temporada. O que restou foram boas apresentações contra grandes nomes do circuito.

É o caso de Alexander Zverev, único entre os vinte jogadores com até 21 anos da chave masculina que conseguiu à terceira rodada. O alemão de 19 anos passou pelo holandês Robin Haase e pelo também jovem americano Frances Tiafoe antes de cair diante de Rafael Nadal em duelo de cinco sets.

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Na duríssima partida contra Nadal, dois momentos pesaram: Uma breve queda de intensidade no início do quarto set, quando o alemão liderava por 2 sets 1 e viu o espanhol largar com uma vantagem confortável na parcial e um rali de 37 trocas de bola disputado quando o último set estava empatado por 2/2. Zverev até venceu o ponto, mas sentiu o desgaste, sofreu a quebra e ainda viu Nadal confirmar facilmente o saque antes da virada de lado. Pouco pôde fazer depois que já perdia o último set por 4/2 e viu Nadal prevalecer por 4/6, 6/3, 6/7 (5-7), 6/3 e 6/2.

Alexander Zverev foi o melhor nome da nova geração masculina (Foto: Ben Solomon/Tennis Australia)

Alexander Zverev foi o melhor nome da nova geração masculina (Foto: Ben Solomon/Tennis Australia)

“Tive câimbras depois daquele longo rali. Cheguei a ter um game-point para fazer 3/2, mas acabei perdendo o game um pouco por causa disso. Então, sim, essa foi uma grande razão para o jogo ter mudado”, reconheceu o alemão após a partida com Nadal. Ainda assim, ele tirou vários aspectos positivos.

“Não sou do tipo de pessoa que pensa apenas no presente. Eu amo o tênis absolutamente, e amo o processo de aprendizado. É emocionante para mim”, afirmou o jovem de 19 anos. “Eu posso ver como estou ficando melhor. E posso ver como estou ficando melhor para jogos de cinco sets. Isso é emocionante. Acho que este vai ser um ano incrível para mim”,

No feminino, a melhor campanha foi de Jennifer Brady, americana que disputou seu primeiro Grand Slam da carreira aos 21 anos e já chegou às oitavas de final. Depois de entrar em Melbourne como 116ª do mundo, a norte-americana furou o quali e ainda venceu mais três jogos na chave principal, campanha que certamente a levará ao top 100.

Jelena Ostapenko esteve perto de eliminar Pliskova na terceira rodada

Jelena Ostapenko esteve perto de eliminar Pliskova na terceira rodada

Mas foi na terceira rodada, o jogo mais expressivo de uma atleta da nova geração feminina. A letã de 19 anos Jelena Ostapenko, que já é 38ª do mundo e tem duas vitórias contra top 10 no currículo, enfrentou Karolina Pliskova. A estratégia de deslocar Pliskova lateralmente, especialmente nos pontos jogados no segundo saque da adversária, funcionou durante a maior parte da partida e a letã herdou muitos pontos de erros da top 5 tcheca.

Mas a ansiedade falou mais alto na hora de fechar o jogo e Ostapenko deixou escapar uma vantagem por 5/2 no último set, depois de ter sacado duas vezes para o jogo e acabou perdendo por 4/6, 6/0 e 10/8 em 2h05.

 

CADÊ OS SUL-AMERICANOS? 

Pelo segundo ano seguido, nenhum brasileiro disputou a chave juvenil do Australian Open. Mas mais que isso, dos 21 tenistas do sul-amricanos no top 100 do ranking, nenhum foi a Melbourne. Ao mesmo tempo que o alto custo da viagem e a diminuição dos recursos vindos do patrocínio dos Correios são fatores conhecidos, houve uma reestruturação do calendário da ITF que afetou os torneios no saibro sul-americano.

Em junho a ITF aprovou o calendário 2017 com mudanças importantes na Gira Cosat, que passou a ter parte dos torneios acontecendo em janeiro e fevereiro, enquanto o restante da gira entre setembro e novembro. Com isso, os maiores torneios do Brasil, o Banana Bowl e o Campeonato Internacional de Porto Alegre foram para fevereiro e não mais em março, como acontecia nos últimos anos.

O que motivou a mudança na COSAT foi a dificuldade que o calendário anterior causava para os jogadores participarem de torneios consecutivos de alto nível na América do Sul por estarem todos juntos, mas a contrapartida foi a coincidência de datas com o primeiro Grand Slam do ano. Como para muitos garotos a prioridade é a Gira Europeia de 2017, eles preferiram somar pontos no próprio continente.

Finais do Juvenil – As finais do juvenil acontecem neste sábado em Melbourne. A masculina será na quadra 7 entre o israelense Yshai Oliel e o húngaro Zsombor Piros. Já a feminina acontece na Rod Laver Arena a partir da meia-noite (de Brasília) entre a suíça Rebeka Masarova e a ucraniana Marta Kostyuk. Terão transmissão no site do Autralian Open e pelo WatchESPN.