Author Archives: Mario Sérgio Cruz

Ostapenko e Anabel, um título a quatro mãos
Por Mario Sérgio Cruz
junho 11, 2017 às 1:08 pm

 

 Ostapenko contou com a ajuda de Anabel Medina Garrigues durante a temporada de saibro e chegou ao título de Roland Garros.


Ostapenko contou com a ajuda de Anabel Medina Garrigues durante a temporada de saibro e chegou ao título de Roland Garros.

As duas semanas fantásticas de Jelena Ostapenko em Paris foram coroadas com o primeiro título da jovem letã de 20 anos. O troféu foi logo o de um Grand Slam, em Roland Garros, no saibro, justamente o piso em que a letã tinha os resultados menos expressivos. Tamanha evolução em tão pouco tempo só foi possível porque Ostapenko encontrou a pessoa certa no momento certo para trabalhar.

A primeira vitória da letã numa chave principal de WTA no saibro veio apenas em maio do ano passado, em Roma. E antes de Roland Garros, ela havia vencido apenas onze jogos na elite do circuito neste piso, sendo que quatro delas haviam acontecido em Charleston, onde a superfície de har-tru (saibro verde) torna o jogo mais rápido e adaptado ao seu estilo que o tradicional saibro vermelho.

Disposta a evoluir no piso em que tinha mais dificuldades, Ostapenko buscou ajuda da espanhola Anabel Medina Garrigues, veterana de 34 anos e que está sem jogar desde Wimbledon no ano passado por conta de uma lesão no ombro. Dos onze títulos de WTA conquistados pela espanhola, dez foram no saibro, o que faz dela a terceira jogadora em atividade com mais conquistas (Serena Williams tem 13 e Maria Sharapova tem 11).

A parceria seria apenas para os torneios no saibro e representaria a terceira colaboração entre Anabel e Ostapenko. Elas já haviam trabalhado juntas durante a pré-temporada de 2015 em Valência, mas a espanhola tinha seus próprios compromissos como jogadora e a parceria não pôde seguir em frente. Um segundo teste veio no fim do ano passado, na perna asiática da temporada, já com a veterana inativa por lesão.

Marcada por um estilo de jogo agressivo, com números elevados de winners e erros não-forçados, Ostapenko precisava encontrar consistência no fundo de quadra e escolher o momento certo de atacar para fazer seu jogo ficar ainda mais eficiente. Dois exemplos claros foram as quartas de final em Paris contra Caroline Wozniacki, quando fez 38 a 6 em winners ou a final diante de Simona Halep com 54 bolas vencedoras diante de apenas 8 da romena. Mas tamanho volume de jogo não veio só batendo cada vez mais forte na bolinha.

Quando superou Wozniacki nas quartas, anotando sua quarta vitória sobre a dinamarquesa, Ostapenko falou sobre o plano tático. “Em minha mente, toda vez que eu jogar contra ela, eu só sei que tenho que ser agressiva, mas não ir para a definição logo na primeira bola, porque eu tenho que ser consistente”, comentou a letã que terminou aquele jogo com 50 erros, mas 25 deles foram no primeiro set, com muito vento em quadra, e os outros 25 distribuídos entre as duas parciais seguintes, quando ela errou bem menos e acertou mais bolas.

A combinação entre o jogo agressivo da letã com a consistência do fundo de quadra também foi abordada por Anabel em entrevista ao site espanhol Punto de Break. “Ela quer acabar com todos os pontos em dois golpes e você tem que explicar para ela que é preciso se adaptar à adversária e à superfície, aprender a construir os pontos, jogar de forma mais organizada e ser paciente para cometer menos erros. Ela é apenas uma menina e precisa trabalhar nisso”.

E até onde ela pode chegar? Depois de saltar do 47º lugar para a 12ª posição e conquistar seu primeiro título, Ostapenko já pensa grande “Estou muito feliz, mas ainda tenho que melhorar como jogadora. É claro que eu gostaria de ganhar todos os Grand Slam. É meu objetivo, mas vou tentar trabalhar muito agora”.

Velocidade – Um dado que chamou a atenção durante a campanha de Ostapenko em Roland Garros foi a velocidade de seus golpes de forehand. A média de 76 mph (ou 122 km/h) consegue ser mais alta que as do número 1 do tênis masculino Andy Murray com 73 mph (ou 116 km/h). A jovem jogadora falou um pouco sobre seu incrível volume de jogo após a final do último sábado.

“Eu acho que ninguém me ensinou, é apenas a maneira como eu jogo, minha característica é assim. Então eu quero bater forte na bola. Acho que se eu realmente tiver um bom dia e estiver batendo muito bem, acho que qualquer coisa é possível”.

Geração 97 – Ostapenko é mais uma jogadora que vem da promissora geração de 1997. No mesmo ano nasceram a suíça Belinda Bencic, a russa Daria Kasatkina, a croata Ana Konjuh, a japonesa Naomi Osaka e a russa Natalia Vikhlyantseva. Todas elas já estiveram entre as cem melhores do mundo e obtiveram resultados expressivos na WTA.

Bencic já ganhou de quatro top 10 (incluindo Serena Williams) no mesmo torneio e chegou ao grupo das 10 primeiras antes de sofrer com lesões no punho e na região lombar (hoje ela é 118ª), Kasatkina (28ª) conquistou o Premier de Charleston numa final contra a própria Ostapenko, Konjuh (30ª) venceu seu primeiro WTA aos 17 anos em Nottingham e foi às quartas no US Open, Osaka (55ª) decidiu o forte Premier de Tóquio no ano passado , enquanto Vikhlyantseva (74ª) fez semi no Premier de São Petersburgo. Veremos muitas jogadoras dessa faixa etária brilhando nos próximos anos.

 

Ostapenko e Khachanov chegam ao palco principal
Por Mario Sérgio Cruz
junho 5, 2017 às 1:16 am

Ao fim da primeira semana de Roland Garros, duas jovens esperanças vem se destacando no Grand Slam francês. A letã Jelena Ostapenko já está na quartas de final de final da chave feminina, enquanto o russo Karen Khachanov disputa as oitavas entre os homens. Nenhum dos dois havia chegado tão longe em um torneio deste tamanho e ambos deverão atuar na quadra Philippe Chatrier, a principal do complexo parisiense, diante de rivais bem mais experientes.

f_CP_0206_Ostapenko2 Ostapenko é o tipo de adversária que ninguém quer ter na chave. Com um estilo de jogo agressivo, muita potência nos golpes e, quando tem confiança, é capaz de disparar seguidos winners de qualquer parte da quadra. Particularmente achava que ela poderia fazer mais estrago em Wimbledon, onde a bola andaria ainda mais e onde já foi campeã como juvenil, que em Roland Garros.

Atual 47ª do ranking aos 19 anos (completa 20 no dia 8 de junho) está apenas em sua segunda participação em Roland Garros e havia caído na estreia no ano passado. Se antes do torneio, ela tinha apenas quatro vitórias em chaves principais de Grand Slam, ela já dobrou esse número em Paris ao derrotar Louisa Chirico, a campeã olímpica Monica Puig, Lesia Tsurenko e a finalista de 2010 Samantha Stosur.

Depois de derrota na terceira rodada, Tsurenko chegou a declarar que jogar contra Ostapenko era como “enfrentar um robô”. Já o mineiro Bruno Soares, que jogou duplas mistas com a jovem letã, prevê um futuro promissor para ela. “Já a vi jogando um pouquinho de simples. É uma menina novinha, que bate muito forte na bola e com grande potencial. Vamos tentar encaixar essa dupla”, disse por meio de sua assessoria. Pelo Twitter, Bruno também disse que ela pode ser uma “futura top 10 em 2018″.

Em busca de um lugar na semifinal de Roland Garros, Ostapenko enfrenta a ex-número 1 do mundo Caroline Wozniacki. A letã venceu os três duelos anteriores contra a dinamarquesa com um volume de jogo absurdo nas condições mais rápidas de New Haven e Charleston. O último embate foi disputado no saibro de Praga há poucas semanas e foi bem mais parelho, mas novamente o jogo agressivo da letã fez a diferença no tiebreak do terceiro set.

Caso consiga encaixar seu jogo e cometer poucos erros, Ostapenko pode complicar de novo a vida de Wozniacki, mas a dinamarquesa vem mostrando no torneio alguns recursos diferentes e soluções criativas (leia: devoluções de dentro da quadra e um drop shot meio feio, porém eficiente) para não ficar tanto tempo se defendendo. Promessa de um bom jogo na terça.

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O russo Khachanov era uma das cinco surpresas que citei no post da semana passada. Antes do início do torneio, o jovem de 21 anos e 53º colocado aparecia em um setor da chave com bons nomes, mas nenhum bicho-papão no saibro. Logo em sua primeira participação em Roland Garros, eliminou Tomas Berdych e John Isner, cabeças de chave 13 e 21, além de ter confirmado o favoritismo contra o chileno Nicolas Jarry na estreia.

Com apenas uma vitória contra top 10 na carreira, conquistada sobre o belga David Goffin este ano em Barcelona, Khachanov terá a missão de desafiar o número 1 do mundo Andy Murray nas oitavas de final. O cenário mais provável é a classificação do britânico depois de ser levado ao limite pelo jovem russo.

Um ponto comum entre ele e Murray é que ambos tiveram parte significativa de suas formações como jogadores nas quadras do Real Club de Tenis Barcelona. Khachanov saiu da Rússia ainda aos 15 anos e foi treinar na Croácia. Três anos mais tarde, aos 18, mudou-se para Barcelona, onde treina até hoje.

Cinco jovens que podem surpreender em Roland Garros
Por Mario Sérgio Cruz
maio 27, 2017 às 9:11 pm

Roland Garros começa amanhã com várias jovens promessas na chave principal. Apresentarei no blog alguns nomes que podem surpreender e fazer boas campanhas. Não falarei aqui de realidades como Dominic Thiem, Alexander Zverev ou Madison Keys, mas sim de convidados, nomes vindos do quali ou mesmo escondidos na chave principal, dispostos a tirar uma casquinha dos favoritos.

Beatriz Haddad Maia (20 anos, 101ª do ranking, Brasil)f_AG_2305_HADDAD_01O primeiro nome da lista não poderia ser outro que não o de Beatriz Haddad Maia, que disputará uma chave principal de Grand Slam pela primeira vez na carreira depois de ter passado por três rodadas do qualificatório em Paris.

Bia vem de uma série de bons resultados nas últimas três semanas. Ela já acumula oito vitórias seguidas e venceu treze dos últimos 14 jogos que fez pelo circuito. Sua estreia será contra a russa Elena Vesnina, número 15 do mundo e que foi campeã de Indian Wells em março, mas depois venceu apenas dois jogos no saibro.

Se vencer, pode encarar a americana Varvara Lepchenko ou a ex-top 10 alemã Andrea Petkovic. Para eventual terceira rodada, pode pintar uma especialista no piso, a espanhola Carla Suárez Navarro, que já esteve entre as dez melhores e é cabeça 21 em Paris.

Marketa Vondrousova (17 anos, 94ª do ranking, República Tcheca)

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Tal como Bia Haddad Maia, Vondrousova vem de oito vitórias consecutivas. Ela debutou no top 100 na última segunda-feira após conquistar o ITF de US$ 100 mil no saibro eslovaco de Trnava, antes de furar o quali de Roland Garros para disputar seu primeiro Grand Slam. Em abril, a canhota tcheca conquistou seu primeiro WTA na carreira, nas quadras duras e cobertas de Bienne, na Suíça.

A estreia de Vondrousova será contra a convidada francesa Amandine Hesse, apenas 215ª do ranking. Caso vença seu primeiro jogo, há chance de um duelo de jovens contra a russa de 20 anos e 28ª do ranking Daria Kasatkina, que tem uma estreia dura diante da ex-top 15 belga Yanina Wickmayer.

Amanda Anisimova (15 anos, 267ª do ranking, Estados Unidos)

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Jogadora mais jovem da chave principal em Paris, a americana Amanda Anisimova tem apenas 15 anos e recebeu convite por meio do acordo entre as federações francesa e americana. Entretanto, o critério para a indicação da USTA é a melhor pontuação em uma série torneios realizados nos Estados Unidos em quadras de saibro no mês de abril. Anisimova fez duas finais, nos ITFs de Dothan e Indian Harbour Beach.

Sua estreia será contra a japonesa Kurumi Nara e ela pode cruzar o caminho de Venus Williams na rodada seguinte. Vice-campeã juvenil de Roland Garros no ano passado, ela também está inscrita na chave para meninas com menos de 18 anos.

Stefanos Tsitsipas (18 anos, 202º do ranking, Grécia)

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Ex-líder do ranking mundial juvenil, o grego Stefanos Tsitsipas é mais um para a lista de atletas que vão disputar um Grand Slam pela primeira vez. Ele passou pelo quali em Paris e atingiu o melhor ranking da carreira no último dia 15 de maio. Apesar da pouca idade, o grego já acumula cinco títulos de future e dois vice-campeonatos em challengers.

Tsitsipas que ainda busca sua primeira vitória em nível ATP terá um duelo de gerações contra o gigante croata de 2,11m Ivo Karlovic, veterano de 38 anos e um dos melhores sacadores do circuito, mas que não é nenhum bicho-papão no saibro. Se vencer, o grego enfrentará o vencedor do duelo de canhotos entre o francês Adrian Mannarino e o argentino Horacio Zebllaos.

Karen Khachanov (21 anos, 54º do ranking, Rússia)

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Dos jogadores apresentados, Khachanov é o único que entrou na chave diretamente pelo ranking. O jovem russo já tem até título de ATP, conquistado no ano passado em Chengdu, na China. Formado como tenista em Barcelona, Khachanov anotou sua primeira vitória contra top 10 exatamente no saibro catalão, ao derrotar o belga David Goffin em abril.

A estreia de Khachanov será em um duelo de jovens contra o chileno de 21 anos Nicolas Jarry, 204º do ranking e vindo do qualificatório. Confirmando seu favoritistmo, o russo pode desafiar o cabeça 13 tcheco Tomas Berdych, que estreia contra o alemão Jan-Lennard Struff.

Na Flórida, técnico brasileiro busca novos talentos
Por Mario Sérgio Cruz
maio 24, 2017 às 6:02 pm

O treinador Rodrigo Nascimento está em busca de novos talentos. O paulista de 40 anos vive nos Estados Unidos desde os 13, quando se mudou com a família e disputou competições juvenis antes de fazer carreira como técnico.Rodrigo já trabalhou com a ex-número 1 do mundo Monica Seles e nomes de destaque do circuito feminino como e jogadoras que estiveram entre as 50 melhores do mundo como Sorana Cirstea e Jamea Jackson e até mesmo no melhor momento da suíça Miroslava Vavrinek, ex-número 76 e hoje esposa de Roger Federer.

Seu novo trabalho é a academia R&B Tennis Team com ênfase no trabalho com jogadores juvenis. De acordo com o técnico, a ideia é formar um grupo pequeno de jovens jogadores, com possibilidade de selecionar um ou dois brasileiros, para dar atendimento personalizado a cada atleta treinado em sua academia. O projeto com base em Wellington, na Flórida, é acompanhado de perto por Betsy Nagelsen, bicampeã de duplas do Australian Open em 1978 e 1980 e viúva de Mark McCormack, fundador da agência IMG. Em entrevista ao TenisBrasil, Rodrigo comentou sobre seu novo projeto.

O treinador Rodrigo Nascimento administra equipe com juvenis na Flórida (Foto: Renan Justi)

O treinador Rodrigo Nascimento administra equipe com juvenis na Flórida (Foto: Renan Justi)

– Você hoje está treinando uma equipe na Flórida. Quantos jogadores e de quais nacionalidades e faixas etárias tem participado do trabalho?
Sim, no momento estamos com uma equipe de três tenistas, todas do circuito juvenil na faixa dos 12 a 14 anos. Todas elas nasceram nos Estados Unidos. No período de férias no meio deste ano, teremos um garoto da Romênia, Vlad Andrei Dancu, que alcançou a posição de número 1 da Europa na categoria 14 anos.

– Há intenção de selecionar um ou dois jovens jogadores brasileiros. Como está sendo o trabalho de observação deles e o acompanhamento de resultados deles para fazer essa escolha?
Avalio quem tem potencial, desejo de aprender com o time da R&B e perfil para trabalhar conosco na Flórida. Estamos na fase ainda de avaliação, falando com algumas pessoas do meio do tênis, fazendo contatos primeiramente. É um projeto que está sendo estruturado, mas que sairá do papel em breve.

– A procura é apenas por meninos ou existe possibilidade de levar uma menina também?
Ambos, sem nenhuma preferência de gênero. Meus principais resultados foram justamente no circuito feminino, tanto juvenil como no profissional. Seria interessante um garoto pela possibilidade de variar mais o perfil de nossos atletas, em Wellington, formado por maioria de meninas. É importante formar um grupo heterogêneo, assim um atleta pode agregar mais ao estilo de jogo do companheiro (a).

– Quando deveremos ter o resultado da seleção e o que pode ser oferecido aos escolhidos em termos de estrutura de treinamento e de estudos?
A ideia é que o atleta esteja conosco até o próximo ano, no período de férias. Desta forma, poderá aproveitar o período de férias escolares no Brasil para treinar conosco. Ele (a) contará com nosso apoio para treinos, preparação física e terá hospedagem na cidade de Wellington, onde temos nosso centro de treinamento. Caso queira estudar algo, poderemos estruturar melhor esta ideia de agenda e horários para não impactar nos treinamentos.

– Como está o desenvolvimento do Lucas Oncins, que trabalhou com você na Flórida? Quais são suas perspectivas sobre ele?
Olha, até onde sei, o Lucas não joga mais tênis. Pela última conversa que tive com o Jaime (pai), o Lucas estava decidindo se iria para faculdade somente para estudar e com isso iria deixar de jogar tênis para focar nos estudos. Se não me engano, acho que ele parou, mas posso estar enganado.

A ex-top 50 Jamea Jackson foi treinada por Rodrigo e hoje é técnica na USTA (Foto: Heusi Action)

A ex-top 50 Jamea Jackson foi treinada por Rodrigo e hoje é técnica na USTA (Foto: Heusi Action)

– Você treinou a Jamea Jackson exatamente quando ela bateu o melhor ranking e foi top 50. Hoje ela é ainda muito jovem (está com 30 anos), mas já está seguindo uma carreira como treinadora com juvenis na USTA. Você tem acompanhado e tido contato com esse trabalho dela?
A Jamea é uma pessoa muito especial, vivemos histórias maravilhosas e o carinho que tenho por ela é recíproco. Não tenho dúvidas que todo o aprendizado que ela teve no circuito, competindo nos maiores torneios e contra as grandes estrelas será fundamental para a formação de novas jogadoras. É sempre positivo para novas gerações conviverem com quem sabe como funciona o mundo do tênis.

– Nos últimos anos a gente tem visto um número cada vez maior de juvenis americanos jogando Banana Bowl e Copa Gerdau e dispostos a se desenvolver no saibro. O quanto tem sido feito para implementar essa cultura do saibro para os americanos e o quanto jogar nesse piso é importante para a formação de um jogador?
A vinda dos norte-americanos para a gira de saibro na América do Sul também vale para o profissional. O Bjorn Fratangelo, que ganhou o juvenil de Roland Garros, veio jogar em São Paulo e Campinas antes de chegar aos cem melhores da ATP. Todos aqui sabem que a cultura do saibro latino é muito forte, existe uma tradição brasileira, argentina, uruguaia e até equatoriana de grandes conquistas. É um intercâmbio fundamental para o jogador se tornar completo, embora em termos de importância o circuito tem cada vez mais se voltado para competições na quadra rápida.

Qual o tamanho da façanha de Zverev?
Por Mario Sérgio Cruz
maio 22, 2017 às 4:41 pm

O título de Alexander Zverev no Masters 1000 de Roma após uma atuação extremamente segura contra Novak Djokovic é uma façanha praticamente impossível de ser alcançada no atual circuito masculino. O tamanho do feito desse jovem alemão de apenas 20 anos aparece em três estatísticas relacionadas aos grandes torneios: Ranking, ano nascimento e domínio do Big Four (Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic e Andy Murray).

Até então 17º colocado, Zverev tinha o pior ranking de um vencedor de Masters 1000 desde 2010, quando Ivan Ljubicic conquistou Miami ao ocupar o 26º lugar. O alemão se junta ao croata Marin Cilic entre os jogadores que quebraram a hegemonia do Big Four nos últimos Masters 1000 disputados.

O jovem de 20 anos é também o primeiro jogador nascido na década de 1990 a conquistar um torneio grande, furando a fila de nomes como Milos Raonic, Grigor Dimitrov e Dominic Thiem. Até então, ninguém mais novo que o já citado Cilic (nascido em setembro de 1988) havia conquistado um Grand Slam ou Masters 1000.

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Zverev é o mais jovem vencedor de um Masters 1000 desde 2007, quando Novak Djokovic conquistou Miami aos 19 anos. Aquela também foi a última vez que um jogador tão jovem chegou à decisão de um torneio deste tamanho. Ele é também o mais jovem integrante do top 10 desde em 20 de outubro de 2008, quando Juan Martin del Potro chegou a esse grupo de elite menos de um mês depois de ter completado seu 20º aniversário.

Na entrevista coletiva após a partida, Zverev falou sobre sua chegada ao grupo dos dez melhores e a confiança que tem em suas chances que tem para Roland Garros, que começa em uma semana. “Durante o torneio, eu tentei não pensar muito nisso. Mas agora que tudo acabou, estou muito feliz por ganhar este título, em um dos maiores torneios do mundo, especialmente no saibro, que é sempre muito difícil mentalmente e fisicamente”.

“Antes desta semana, eu também teria me dado praticamente zero por cento de chances de ganhar aqui. Mas assim como eu já mostrei nesta semana, posso jogar de igual para igual e vencer os melhores jogadores nos maiores torneios. Espero poder continuar dessa forma em Paris, e vamos ver o que eu consigo por lá”.

A maior vitória de Bia Haddad Maia
Por Mario Sérgio Cruz
maio 3, 2017 às 9:00 pm
Beatriz Haddad Maia celebrou a vitória mais expressiva de sua carreira nesta quarta-feira (Foto: TK Sparta Praha/Pavel Lebeda)

Beatriz Haddad Maia celebrou a vitória mais expressiva de sua carreira nesta quarta-feira (Foto: TK Sparta Praha/Pavel Lebeda)

Não há dúvidas de que a vitória de Beatriz Haddad Maia sobre Samantha Stosur nesta quarta-feira foi a mais expressiva de sua carreira. Mais do que a boa vitória por 6/3 e 6/2 diante da ex-top 5, Bia teve uma atuação consistente e teve disciplina tática durante a partida válida pelas oitavas de final do WTA de Praga.

A paulistana soube se aproveitar da inconsistência da australiana e não quis bater na bola a qualquer custo. Ainda que Bia seja uma jogadora agressiva, ela se manteve firme do fundo de quadra e esperou o momento certo para dominar e definir os pontos. “Joguei muito sólida e tranquila, buscando ponto a ponto. Não deixei ela (Stosur) jogar”.

Outro destaque fica para o desempenho de Bia no saque. Ela colocou 69% de primeiros serviços em quadra e venceu 31 dos 38 pontos jogados nessas condições. Depois de ter sofrido uma quebra no set incial, ela fez uma segunda parcial bastante eficiente com apenas cinco pontos perdidos em seus games de serviço e enfrentando break points apenas no momento de sacar para o jogo.

Como já havia mostrado no fim do ano passado, quando venceu dois torneios ITF nas quadras duras americanas de Scottsdale e Waco, Bia tem lidado bem com os pontos importantes de seus jogos e saído de situações adversas, como na virada sobre a croata Donna Vekic na última rodada do quali na capital tcheca. Em recente entrevista ao TenisBrasil, ela destacou o fortalecimento no lado mental e o trabalho de meditação que tem feito.

“Introduzi aos poucos meditação sim desde o início do ano [passado] e com certeza, isso reflete dentro e e fora de quadra”, explicou. “Esse poder mental de poder jogar cada ponto é incrível! Estou buscando apenas isso, competir melhor, independente de estar 4/0 acima ou abaixo. São apenas pontos e isso acontece todo dia, em todos os torneios. Isso tem que ser normal para nós que jogamos tênis”.

Bia já venceu um WTA de duplas este ano, no saibro de Bogotá, ao lado da argentina Nadia Podoroska.

Bia já venceu um WTA de duplas este ano, no saibro de Bogotá, ao lado da argentina Nadia Podoroska.

Novidades na chave – Bia já igualou sua melhor campanha na WTA, que foram as quartas no Rio Open de 2015, quando ela esteve perto de eliminar a favorita Sara Errani. Ela vai enfrentar nesta quinta-feira a tcheca Kristyna Pliskova, que é a única com mais de 20 anos restante na parte de baixo da chave em Praga. A croata Ana Konjuh e a letã Jelena Ostapenko, ambas de apenas 19 anos, seriam possíveis rivais em eventual semifinal.

Histórico de lesões – Muito dessa evolução se dá num momento em que ela não passa por lesões graves. Ela conseguiu jogar toda a temporada passada sem ter nenhuma pausa para tratar de problemas físicos. Já neste ano, ela chegou a adiar seu início de temporada para fevereiro por conta de um acidente em casa, mas nada que efetivamente comprometesse o ano.

Mas com apenas 20 anos, ela já precisou dar pausas significativas na carreira. Uma queda em quadra durante um ITF em Campinas em julho de 2013 causou uma fratura na cabeça do úmero no ombro direito. À época houve um pequeno descolamento na cápsula anterior e não havia necessidade de operar, mas isso se agravou no futuro.

Por ter ficado mais de três meses sem jogar ou realizar exercícios físicos, ela também não pôde tratar da hérnia de disco que tinha e sentiu muitas dores quando tentou voltar às competições, em outubro daquele ano. Bia estava nos Estados Unidos para disputar um ITF em Macon e voltou às pressas ao Brasil para realizar uma artroscopia na coluna lombar com o doutor Guilherme Meyer. Ela afirma que desde a intervenção, nunca mais foi incomodada pela hérnia.

Já em 2015, o problema no ombro voltaria a incomodá-la e a impediu de disputar a medalha de bronze durante os Jogos Pan-Americanos de Toronto, em agosto. Ela precisou passar por nova cirurgia para sanar de vez o problema causado pela queda em Campinas, dois anos antes, e só voltaria a jogar em janeiro do ano seguinte.

Campanha em Praga já garante o melhor ranking da carreira para Bia (Foto: TK Sparta Praha / Pavel Lebeda)

Campanha em Praga já garante o melhor ranking da carreira para Bia (Foto: TK Sparta Praha / Pavel Lebeda)

Melhor ranking da carreira – Nas últimas duas semanas, Bia vem superando seu recorde pessoal no ranking. Durante muito tempo, sua melhor marca foi o 148º lugar estabelecido em agosto de 2015, pouco antes de seu afastamento para operar o ombro. Há nove dias, ela apareceu na 146ª colocação e ganhou mais dois postos na última segunda-feira, beneficiada por descontos de suas adversárias diretas.

As cinco vitórias obtidas em Praga já garantiram 78 pontos para ela, sendo 60 na chave principal e outros 18 pelo quali. Com apenas cinco pontos a defender na semana, Bia já deve aparecer entre as 115 primeiras colocadas e uma eventual vaga na final pode dar-lhe uma vaga inédita no top 100.

Brasileiras no top 100 – Sete brasileiras já estiveram no top 100 do ranking feminino, que foi instituído em 1975: Vencedora de sete títulos de Grand Slam entre 1959 e 1966, Maria Esther Bueno foi nomeada número 1 antes da criação do ranking, e tem como melhor marca na Era Aberta o 29º lugar em 1976. A gaúcha Niege Dias foi 31ª do mundo em 1988, a pernambucana Teliana Pereira chegou à 43ª posição há dois anos, Patrícia Medrado foi 51ª em 1986, Cláudia Monteiro foi 72ª em 1982, Andrea Vieira foi 76ª em 1989 e Gisele Miró foi 99ª em 1988.

Desde 89 – Nos últimos anos, sempre que a gente ia pesquisar uma façanha do tênis feminino brasileiro, caímos em um “desde 1989″. Foi assim quando Teliana Pereira avançou uma rodada em Roland Garros em 2014, marcando a primeira vitória brasileira em um Grand Slam desde aquele ano. Ou ainda quando Teliana e Bia obtiveram duas vitórias brasileiras no WTA de Bogotá em 2015 (vencido por Teliana).

Como cita a matéria de hoje do Felipe Priante para o TenisBrasil, a vitória de Bia contra Stosur foi a primeira de uma brasileira contra uma top 20 desde 1989, quando Andrea Vieira passou por três jogadoras entre as vinte melhores: Conchita Martinez, Hana Mandlikova e Helena Sukova. A vitória sobre Conchita, aliás, é a última de uma brasileira contra top 10. Caso uma atleta nacional volte a repetir a façanha, teremos outro “desde 89″.

Jovens campeões com histórias parecidas
Por Mario Sérgio Cruz
abril 17, 2017 às 7:25 pm

Os títulos de Borna Coric no ATP 250 de Marrakech e de Marketa Vondrousova no WTA de Bienne têm um outro fator em comum além da pouca idade entre os jovens campeões. Tanto o croata de 20 anos como a canhota tcheca de apenas 17 tiveram lesões graves na última temporada.

Coric encerrou a temporada passada precocemente em setembro, após o duelo contra a França pela semifinal da Copa Davis. O croata teve uma lesão no joelho direito, que já havia feito com que ele abandonasse na primeira rodada do US Open e passou por cirurgia em 27 de setembro. Já em 2017, ele perdeu três estreias seguidas antes da primeira vitória da temporada em Roterdã, já em fevereiro. Antes de jogar em Marrakech, ele acumulava só cinco vitórias no ano.

Durante a campanha para sua terceira final de ATP, sendo a segunda seguida no saibro marroquino, e o primeiro título na elite do circuito, Coric teve um jogo duríssimo contra o convidado local Reda El Amrani (667º do mundo), decidido apenas no tiebreak do terceiro set após 2h42 de disputa pelas oitavas de final. Já na decisão do último domingo, o croata salvou cinco match points no segundo set antes de conseguir a virada sobre o veterano alemão de 33 anos Philipp Kohlschreiber.

Corrida para Milão – A conquista do primeiro título de ATP não apenas fez com que Coric saltasse trinta posições no ranking mundial como também o coloca na segunda posição da corrida para o ATP Next Gen Finals, que acontece entre os dias 7 e 11 de novembro em Milão.

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Na lista que conta com atletas de 21 anos, o croata tem agora 435 pontos. O croata só fica atrás do alemão Alexander Zverev, que acumulou 565 pontos nos primeiros torneios que disputou na temporada. Em comum entre eles, está o fato de serem os únicos da nova geração que conquistaram títulos de ATP este ano.

Quem também subiu na corrida foi o americano Ernesto Escobedo, jovem de 20 anos e que foi semifinalista do ATP 250 de Houston. Escobedo ganhou três posições nesta lista e aparece agora no quarto lugar, atrás de Zverev, Coric e do russo Daniil Medvedev que não joga desde Indian Wells.

Ainda aparecem no grupo dos sete que se classificariam diretamente para a Milão o noruguês Casper Ruud, que não jogou na semana e recebeu convite para o Masters 1000 de Monte Carlo, o russo Andrey Rublev, que parou ainda na primeira rodada dos qualificatórios de Marrakech e Monte Carlo, e o americano Jared Donaldson, que foi eliminado na estreia em Houston.

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Vondrousova ficou sem jogar entre maio do ano passado e janeiro de 2017 por lesão no cotovelo esquerdo (Foto: Ladies Open Biel Bienne)

Já Vondrousova escreveu uma história espetacular nas quadras e cobertas do torneio suíço de Bienne. Vinda do qualificatório, Vondrousova venceu oito jogos seguidos durante a semana e não perdeu sets durante a campanha na chave principal do WTA, que foi apenas o segundo que ela disputou na carreira.

A jovem tcheca encerrou a temporada passada ainda no mês de maio por lesão no cotovelo esquerdo e só voltou a jogar em janeiro deste ano. Ela já vinha fazendo um começo de ano muito consistente nos torneios de nível ITF, com dois títulos em quatro finais disputadas. Depois de iniciar a temporada apenas no 374º lugar, a jovem tcheca já aparece na 117ª posição e praticamente não defende mais pontos até o fim do ano.

Curiosidade – Vondrousova já havia jogado um WTA em Praga no ano passado, quando recebeu convite e até avançou uma rodada. Caso isso não tivesse acontecido e a conquista viesse logo na primeira chave principal de WTA que ela tivesse disputado na carreira, a tcheca poderia entrar numa lista que conta com apenas seis nomes e foi atualizada pela última vez em 2001 com o título de Angelique Widjaja, em Bali.

2017-04-16

(Fonte: WTA Official Guide)

 

Keys pode ser a próxima a transcender o esporte
Por Mario Sérgio Cruz
abril 12, 2017 às 7:00 pm

Há duas semanas, quando Nick Kyrgios e Alexander Zverev protagonizaram um grande jogo em Miami, houve uma sensação de alívio e expectativa entre os fãs. Foi uma partida que simbolizava que o circuito masculino poderia continuar atrativo e popular, mesmo quando a brilhante geração do Big Four (e é Big Four, não Three e nem Five) pare de jogar.

A nova geração feminina também teve um momento de destaque para o duelo entre as jovens de 19 anos Daria Kasatkina e Jelena Ostapenko na final Charleston. Kasatkina esbanjou disciplina tática e firmeza do fundo de quadra para vencer por 6/3 e 6/1 aquela que foi a primeira final de WTA entre duas atletas com menos de 20 anos desde outubro de 2009, na cidade austríaca de Linz, quando Petra Kvitova venceu Yanina Wickmayer. Tcheca e belga já estão com 27 anos.

Mas o futuro do circuito feminino passa obrigatoriamente pela construção de ídolos. E hoje, há um nome claro para se firmar como estrela: Madison Keys. A jovem americana de 22 anos chegou rapidamente ao top 10. Mas grande parte desse ganho de popularidade pode vir de fora das quadras. Keys é uma jogadora que fala o que pensa e luta por aquilo que defende. A WTA e também a imprensa americana já identificaram o enorme potencial de liderança que ela tem e a repercussão de suas declarações tem sido cada vez maior.

Desde o fim do ano passado, quando recebeu ofensas de conteúdo racista por suas redes sociais (Twitter e Instagram) após uma derrota, Keys assumiu para si a luta contra as mensagens abusivas. O tema ficou recorrente nas entrevistas coletivas que ela dá a cada torneio e outras jogadoras têm demonstrado apoio a cada vez que o assunto entra em pauta. No último sábado, foi ao ar uma entrevista de Keys ao canal americano Tennis Channel falando exclusivamente sobre isso.

“Para mim, o cyberbullying acontece porque as pessoas acham que, por estarem atrás de uma tela de computador ou celular, podem dizer o que quiserem sobre você. Eles não pensam que existe outra pessoa recebendo aquilo”, comentou Keys, que também leu em voz alta alguns dos comentários ofensivos que recebe. (confira o vídeo acima)

Para a americana, não é possível traçar um perfil dos trolls, pessoas de todos os tipos assumem esse tipo de comportamento. “Muitas vezes depois dos jogos, especialmente quando eu perco, eles são mais extremos e agressivos. E quando eu clico para ver as páginas deles, alguns são adolescentes, mas outros são pais de família. Não há um tipo específico de pessoa que pratique isso”.

Embaixadora desde o ano passado da organização Fearlessly Girl, que visa desenvolver lideranças jovens entre as meninas em suas escolas e comunidades, Keys já realizou duas palestras em colégios americanos. A primeira foi no fim de dezembro, em sua cidade natal, Rock Island, no estado de Illinois, e a mais recente aconteceu no mês passado, para as alunas da sétima série da Young Women’s Preparatory Academy, em Miami.

“Eu me lembro de ter ligado para minha mãe e meus agentes e dizer ‘eu preciso fazer uma coisa positiva'”, comentou, ainda ao Tennis Channel. “Vou às escolas e converso com as adolescentes sobre o mundo delas e os problemas que elas enfrentam”, comentou a tenista que tem duas irmãs mais novas.

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“Eu adoraria ouvir das meninas sobre os temas que importam para elas e com os quais elas se preocupam para poder ajudá-las e influenciá-las a tratar desses assuntos de uma maneira positiva”, falou ao site da WTA, depois da palestra para as adolescentes em Miami.

Com engajamento e comentários pertinentes sobre um tema que faz parte do universo jovem, Keys pode trazer o tênis para um outro grupo de pessoas. Muitas dessas meninas para as quais ela discursou em escolas talvez nem se interessassem antes por tênis ou pelo esporte de um modo geral, e podem ter pensado: “Vou começar torcer por ela” ou ainda “Quero ser como ela”. É possível que estejamos vendo o crescimento uma atleta extremamente representativa para para uma comunidade, tal como as irmãs Williams foram e são até hoje para as mulheres negras americanas. Keys pode ser a próxima jogadora a transcender o esporte.

“Estou mais confortável comigo mesma e acho que parte disso vem de poder falar abertamente. Acho que se nós nos calarmos e não falarmos sobre certos assuntos, as coisas não vão melhorar. É por isso que eu tomei uma posição em que nós podemos ter opiniões diferentes enquanto pudermos falar respeitosamente e conversar sem que isso se transforme em uma disputa. Acho isso muito importante e é o que eu vou tentar fazer”, comentou após a partida contra a americana Shelby Rogers em Charleston.

Mas para que atingir um patamar de importância que supere o âmbito esportivo, ela vai precisar de conquistas. O nome de Keys ainda é desconhecido fora do tênis, por mais relevantes que sejam suas opiniões. Há jogadoras da nova geração americana bastante articuladas, como Nicole Gibbs e Grace Min, mas que estão distante das posições de destaque para chamar os holofotes para si.

Keys joga os maiores torneios do calendário, e quase sempre é escalada para atuar nas quadras principais. Ela dá entrevistas toda semana e tem a ex-número 1 do mundo Lindsay Davenport como treinadora. Acima de tudo, tem o jogo. Seu saque já é um dos mais eficientes do tênis feminino e a velocidade média* de seus golpes também é uma das altas entre as mulheres. Em um circuito cada vez mais físico, a jovem de 22 anos pode se tornar a próxima jogadora dominante e atrair um fã clube em cada torneio que disputar e ser a mais icônica de sua geração.

* Da velocidade – Um estudo publicado pelo New York Times mediu as velocidades médias do forehand e do backhand de homens e mulheres nas últimas edições do Australian Open. Keys teve destaque nas duas listas, mas isso também pode ser explicado por seu estilo de jogo. Por bater muito reto e usar poucos slices e variações, é natural que o cálculo seja feito apenas em cima de golpes muito potentes.

Juvenis divergem sobre mudanças no ranking
Por Mario Sérgio Cruz
março 31, 2017 às 10:42 pm

Em meio às mudanças previstas nos circuitos profissionais e juvenil da ITF a partir de 2019, a entidade que comanda o tênis mundial divulgou o resultado das pesquisas que fez com atletas e profissionais ligados ao tênis, com base em dados coletados entre 2001 e setembro de 2016 e foram publicadas na última quinta-feira.

A ideia é aplicar esses dados para a reformulação dos calendários, já que a partir de dois anos haverá uma chamada “Transition Tour” que irá substituir os torneios profissionais de menor nível (os de US$ 15 mil) sem o oferecimento de premiação em dinheiro. Falamos mais sobre ela aqui no TenisBrasil e a proposta completa está na ITF.

No caso das pesquisas relacionadas ao circuito juvneil, há uma clara divisão entre os jogadores se declara a favor ou contra mudanças no sistema do ranking. Atualmente, são considerados válidos os seis melhores resultados de simples durante o ano, mais 1/4 da soma dos seis melhores resultados em duplas.

Participaram da pesquisa 3711 atletas e ex-atletas do circuito juvenil, mas só 2493 preencheram o questionário completo. Entre eles estão 885 jovens de 18 a 30 anos que participaram anteriormente de competições juvenis, tendo eles se tornado tenistas profissionais ou não. Os atletas mais ouvidos vêm da Índia, Estados Unidos, Grã Bretanha e Austrália. O questionário completo está disponível neste link.

Ao todo, 52% dos entrevistados acreditam que o modelo atual do ranking reflita realmente quais jogadores apresentam maior desempenho, mas 48% defendem mudanças na fórmula.

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A ITF perguntou, então, sobre propostas para atualização do cáculo: A separação dos rankings entre simples e duplas teve 35% dos votos e foi seguida de perto opção de incluir mais torneios válidos para a classificação, que teve 32,5% dos votos. Outra parcela considerável dos entrevistados, 19% defende que a pontuação de duplas tenha peso maior do que é feito atualmente, enquanto grupos menores defendem que sejam considerados menos resultados durante o ano e que torneios de duplas não devem oferecer pontos.

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A importância de discutir o meio de pontuar no ranking aparece no resultado de alguns tópicos: Mais da metade dos jogadores entrevistados afirmaram não figurar no ranking da ITF durante a pesquisa. O resultado é praticamente o mesmo quando perguntados qual o melhor ranking já alcançado, pois quase 50% das respostas são de que o atleta jamais pontuou para o ranking. Além disso, em torno de 25% dos entrevistados com ranking sequer atingiu a milésima posição como juvenil.

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Chama atenção também o fato de que mais da metade dos entrevistados só ter disputado competições em seu próprio país e praticamente dois terços não tenha saído de seu continente ao longo da temporada.

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Outros pontos – Perguntados sobre o que os benefícios que os jogadores de destaque no juvenil podem ter no futuro, a maioria votou pela ajuda financeira nas viagens para competições profissionais, opção que ficou acima das opções de usar o ranking juvenil para entrar em torneios maiores ou receber convites em chaves.

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Já sobre o que achavam mais importante em torneio, a opção por melhores árbitros ficou em primeiro lugar, à frente por exemplo de o torneio oferecer gratuitamente transporte e alimentação aos atletas. Outras questões estruturais como espaço exclusivo dos jogadores e acesso a internet Wi-Fi foram considerados menos importantes.

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Pedretti busca evolução ao lado de tricampeão olímpico
Por Mario Sérgio Cruz
março 27, 2017 às 8:06 am
A paulista Thaísa Pedretti está em seu último ano como juvenil (Foto: Éric Visintainer)

A paulista Thaísa Pedretti está em seu último ano como juvenil (Foto: Éric Visintainer)

Melhor brasileira no ranking juvenil da ITF, a paulista Thaísa Pedretti busca evolução na carreira trabalhando junto de um ídolo do esporte brasileiro, mas de outra modalidade, o treinador tricampeão olímpico do vôlei José Guimarães. Pedretti, que é 36ª do mundo em sua categoria aos 17 anos, está em sua última temporada como juvenil e já pensa na transição ao profissionalismo.

“Estou treinando agora no Centro de Treinamento do José Roberto Guimarães, e tenho uma equipe muito boa. Conviver com ele diariamente é uma experiência muito boa. A gente conversa diariamente, e ele me passa um pouco da experiência tanto de olimpíadas como de campeonatos mundiais e ajuda bastante a gente no tênis”, disse Pedretti que treina desde os 11 anos  Instituto Tênis, que recentemente instalou seu centro de treinamento dentro da Sportville, coordenada por José Roberto em Barueri, na Grande São Paulo.

Recuperada de algumas lesões no punho e abdômen, Pedretti tenta retomar a boa sequência que teve no fim do ano passado, em que venceu três torneios ITF juvenis seguidos e ainda acumulou duas campanhas de quartas e uma semifinal em torneios profissionais.

“No ano passado, eu tive um estiramento de 3cm no abdômen e não pude jogar alguns torneios. Comecei a sentir dor nos torneios de US$ 25 mil da Riviera e Guarujá do começo daquele ano e fiquei uns três meses parada. Até retomar foi difícil, mas voltei bem. Consegui fazer uma pré-temporada curta no meio do ano, que me possibilitou voltar bem nos torneios, tanto no juvenil como no profissional”, afirmou a jogadora que é treinada por Luis Fabiano Ferreira, coordenador técnico da equipe feminina do Instituto Tênis.

A jovem paulista começou a atual temporada apenas em fevereiro e disputou as principais competições juvenis em solo brasileiro, o Banana Bowl e o Campeonato Internacional de Porto Alegre, avançando apenas uma rodada em cada um e depois partiu para o saibro argentino, onde foi às quartas no Sul-Americano Individual e venceu seu primeiro torneio no ano em Mendoza.

“O começo deste ano também foi um pouco complicado, porque senti dores no punho e no abdômen e não consegui fazer uma pré-temporada longa”, comentou a jogadora que busca vaga nas chaves juvenis de Grand Slam. “Joguei esses torneios juvenis para baixar um pouco o ranking e jogar os Grand Slam este ano. Hoje eu sou número 40 e com esse ranking eu já consigo entrar na chave de Roland Garros, que tem o corte mais difícil. Mas pretendo baixar mais um pouquinho e ficar mais tranquila para em Wimbledon e no US Open”.

De volta ao Brasil, ela vem disputando as etapas do Circuito Feminino Future e chegou a avançar uma rodada em São Paulo antes de cair para a top 100 russa Irina Khromacheva. Seu próximo compromisso é nesta semana, em Campinas.

“A gente já está pensando na transição para o profissional, que é o objetivo mais importante, mas não adianta sair rápido do juvenil e já se meter no profissional. É importante jogar os Grand Slam para ganhar experiência, jogar com público, e se acostumar com a dificuldade que você vai passar”.

Calendário –  Depois de jogar em Campinas, Pedretti segue no interior paulista para disputar outro torneio profissional em São José dos Campos. Assim que terminar a campanha, o foco volta ao circuito juvenil. Ela vai disputar os dois principais torneios no saibro europeu antes de Roland Garros, o Trofeo Bonfiglio, em Milão, e o Astrid Bowl na cidade belga de Charlenoi.