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Cenário perfeito para Shapovalov
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 14, 2017 às 10:51 pm

Quem acompanha o blog já conhece um pouco da história de Denis Shapovalov. O canadense já foi assunto após o título juvenil de Wimbledon do ano passado, quando ele já possuía conquistas em nível future e uma semi de challenger na carreira. Em março deste ano, foi destacado seu primeiro título de challenger em Drummondville. Já há duas semanas, quando atingiu o 130º lugar  ao vencer o challenger de Gatineau, sua chegada ao top 100 já parecia iminente, o que se confirmou nesta segunda-feira. Com a incrível semana em Montréal, o canadense deu mais uma mostra de seu enorme potencial e agora encara um cenário perfeito para continuar a evoluir.

Shapovalov possuía apenas três vitórias em nível ATP antes da última semana. A campanha até a semifinal do Master 1000 canadense, com quatro vitórias sobre Rogério Dutra Silva (salvando quatro match points), Juan Martin del Potro, Rafael Nadal e Adrian Mannarino, fez do canhoto de 18 anos o mais jovem semi-finalista de um Masters, desde que a série começou em 1990, além de ser o mais jovem semifinalista do torneio canadense na Era Aberta. O simples fato de ter chegado às oitavas, fase em que superou Rafael Nadal, já o fizera ser o mais jovem naquela fase de um torneio desde porte desde o próprio Nadal no ano de 2004 em Miami.

Depois de saltar incríveis 76 posições no ranking, Shapovalov já aparece no 67º lugar, marca que evidentemente é a melhor de sua carreira. Além disso, o canadense não tem pontos a defender até o final do ano e só tem a somar em pelo menos sete torneios. Isso porque são considerados válidos os dezoito melhores resultados obtidos em 52 semanas e o jovem jogador acumulou 721 pontos em apenas onze competições.

Sem pressão por resultados ou defesa de pontos, o canadense poderá pensar seu calendário com calma e inteligência. Convites para chaves principais torneios do mundo não vão faltar nas próximas semanas e o jogador terá tranquilidade para fazer suas escolhas. Uma atitude interessante foi abrir mão de disputar o challenger de Vancouver que acontece nesta semana. O foco agora é o US Open, Grand Slam para o qual ainda não tem vaga direta. É possível que as expressivas vitórias seduzam os organizadores para um convite. Mas caso isso não aconteça, ele teria que disputar o quali já na semana que vem.

Veja quando caem os pontos de Shapovalov:

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Corrida para Milão

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A grande campanha no Masters 1000 canadense também deixa Shapovalov em situação bastante favorável para se classificar para o Next Gen Finals, que será disputado entre os dias 7 e 11 de novembro em Milão. O canhoto de 18 anos saltou do 22º para o quarto lugar, ficando atrás apenas do já classificado e seu último algoz Alexander Zverev, além de Karen Khachanov e Borna Coric. Sua diferença para o americano Jared Donaldson, primeiro fora da zona de classificação, é de 146 pontos. Parece pouca coisa, mas é praticamente uma final de ATP.

Zverev ratifica o domínio

Há uma semana, falamos sobre o quanto Alexander Zverev escancara a cada torneio sua superioridade sobre os demais jogadores de mesma faixa etária. São dez vitórias seguidas e dois títulos de peso em Washington e Montréal. A invencibilidade coincide com a chegada do ex-número 1 do mundo Juan Carlos Ferrero à equipe do alemão.

Zverev se mostra um tenista cada vez mais completo, com notória evolução na movimentação em quadra, a consistência defensiva e o jogo de rede. Aos poucos, o jovem alemão vai vencendo seus jogos correndo cada vez menos riscos, como fez na própria semifinal diante do próprio Shapovalov e nas oitavas contra Nick Kyrgios.

Zverev ainda não perdeu desde a chegada de Juan Carlos Ferrero à equipe (Foto: Peter Staples/ATP World Tour)

Zverev ainda não perdeu desde a chegada de Juan Carlos Ferrero à equipe (Foto: Peter Staples/ATP World Tour)

Com o título do Masters 1000 de Montréal, o alemão de apenas 20 anos já se torna o número 7 do ranking. Além disso, ele é apenas o segundo jogador em atividade de fora do Big Four a ter vencido dois Masters na carreira (juntando-se a Jo-Wilfried Tsonga). Zverev tamebém é também o primeiro jogador com menos de 20 anos a conquistar cinco títulos na mesma temporada desde Novak Djokovic em 2007 e o primeiro com quatro ou mais troféus desde Juan Martin del Potro em 2008. Está bem claro que está muitos degraus acima e será um dos grandes.

Chung é top 50

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Uma realidade que parecia iminente há dois anos finalmente se concretizou nesta segunda-feira. Hyeon Chung é top 50. A campanha até as oitavas de final do Masters 1000 de Montréal fez com que o sul-coreano de 21 anos subisse do 56º para o 49º lugar do ranking.

Chung já chegou a ocupar 51ª posição em outubro de 2015. Depois começar bem a temporada passada, chegando às quartas de um ATP pela primeira vez em Houston, o asiático teve uma lesão abdominal e ficou três meses fora, chegando a sair do top 100 e precisou voltar a jogar challengers.

A retomada veio a partir da temporada de saibro deste ano, com semi em Munique quartas em Barcelona. Nem mesmo uma lesão no tornozelo esquerdo, que o tirou de toda a temporada de grama, acabou com ímpeto do sul-coreano, que merecidamente se estabelece entre os 50 melhores do mundo.

 

Muitos degraus acima
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 7, 2017 às 9:56 pm

A cada semana fica cada vez mais evidente a diferença de Alexander Zverev para os demais jogadores de mesma faixa etária. O título no ATP 500 de Washington ajuda o alemão de 20 anos a se consolidar entre os principais nomes do circuito. Já são quatro conquistas no ano, incluindo um Masters 1000, e cinco finais disputadas, além de uma evolução notável em todos os pisos e o melhor ranking da carreira ao atingir o oitavo lugar. Não dá para chamar Zverev de Next Gen mais. O alemão é uma realidade.

Tamanha diferença fica bem clara no ranking de jogadores com até 21 anos, que a ATP criou a partir desta temporada para estabelecer os jogadores classificados para o Next Gen Finals. Zverev já acumula 3.165 pontos na temporada e tem 2.285 pontos de vantagem para o segundo colocado, o russo Karen Khachanov, que somou 880 pontos desde janeiro. Ainda para efeito de comparação, com o mais próximo perseguidor, Khachanov é o 30º na lista da ATP e o 33º da temporada.

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Ainda com base na corrida para Milão, dá para destacar que Zverev fez mais pontos no ranking que Karen Khachanov, Andrey Rublev, Daniil Medvedev e Borna Coric somados. Os três russos e o croata acumularam juntos 2.967 pontos no ano. Ele também tem mais títulos de ATP que os quatro primeiros concorrentes somados, 5 a 3. Até mesmo o número de vitórias no ano é desigual, com 41 para o alemão, contra 21 de Khachanov, 10 de Rublev, 20 de Medvedev e 14 de Coric.

Desde Juan Martin Del Potro em 2008 que um jogador com menos de 21 anos conquistava quatro torneios na mesma temporada. Zverev é o quarto jogador que mais pontuou em 2017, que não terá mais Novak Djokovic nem Stan Wawrinka em quadra até o fim do ano. Nesse cenário, é bastante possível que o alemão se classifique para ATP Finals, em Londres, a partir do dia 12 de novembro.

Durante a campanha para o título do Masters de Roma, Zverev havia dito que tentaria jogar as duas competições no fim do ano. O fato de o evento de Milão ter um caráter mais de exibição e de teste de novas regras pode até aumentar as chances de ele entrar em quadra, mas não acho que um tenista entre os oito melhores do mundo abriria mão da semana de treinos logo antes do Finals. Madison+Keys+Bank+West+Classic+Day+7+8qgy3wv_J_jl Outro título para a nova geração veio com Madison Keys. A norte-americana de 22 anos conquistou o WTA Premier de Stanford ao vencer uma final caseira contra CoCo Vandeweghe. O terceiro título da carreira de Keys foi o primeiro desde as duas cirurgias que fez no punho esquerdo. Ela operou em novembro do ano passado e perdeu os dois primeiros meses da temporada para voltar em Indian Wells, mas precisou de mais uma cirurgia depois de Roland Garros para corrigir os efeitos da primeira.

Chamou atenção a evolução incrível da americana ao longo da semana. Em seu primeiro set no torneio, contra a pouco conhecida Caroline Dolehide, de 18 anos, Keys anotou apenas um winner e fez 11 erros, tendo bastante dificuldade com backhand e parecia que pensar primeiro em não sentir dor que construir os pontos. Aos poucos, ela foi retomando o nível e confiança, chegando à atuação de gala contra Garbiñe Muguruza na semi e o jogo sólido e sem ter o serviço quebrado contra Vandeweghe na final.

Depois do título e da recuperação de posições no ranking, Keys fez uma escolha inteligente de pular o Premier de Toronto. A americana não tem pontos a defender na semana e como não seria cabeça de chave teria que atuar já na terça-feira, só dois dias depois da final. O melhor a fazer agora é se prevenir de novas lesões para jogar sem dor e voltar ao melhor nível. Mais destaques da nova geração DGhOJYyUMAE2p57 Outro jovem destaque da última semana foi Thanasi Kokkikanis, australiano de 21 anos que foi finalista do ATP 250 de Los Cabos. A campanha de 150 pontos o fez subir do 454º para o 220º lugar do ranking, ainda distante da 69ª colocação que atingiu em junho de 2015, antes de sofrer com uma série de lesões. Kokkinakis operou o ombro direito em 29 de dezembro de 2015. Ele só voltaria às quadras em agosto do ano seguinte, nas Olimpíadas, onde disputou sua única partida no ano e desistiu do US Open e de torneios subsequentes por lesão muscular no peitoral. Já em 2017, o australiano começou o ano sendo campeão de duplas no ATP de Brisbane ao lado de Jordan Thompson, mas sentiu uma lesão no músculo abdominal durante a partida decisiva e só voltou a competir em maio, no challenger de Bordeaux. Desde então, ele já recuperou mais de setecentas posições.  

No feminino, quem brilhou foi Bianca Andreescu. A canadense de 17 anos subiu 23 posições depois de chegar às quartas de final em Washington e já aparece no 144º lugar, a melhor marca de sua carreira. A vitória mais expressiva da semana foi sobre a número 13 do mundo Kristina Mladenovic. Isso faz dela a primeira jogadora nascida em 2000 a ganhar de uma top 20. Andreescu, como o próprio nome sugere, é filha de imigrantes romenos, mas já nasceu no Canadá e é treinada pela francesa Nathalie Tauziat, ex-número 3 do mundo.

Já no circuito challenger, o espanhol de 20 anos Jaume Munar conquistou seu primeiro título no piso duro de Segovia. O resultado o fez subir mais de cem posições no ranking até o 200º lugar, sua marca mais alta na carreira. A cidade é especial para o tênis espanhol, já que foi lá que Rafael Nadal venceu seu primeiro challenger.

Nova geração brasileira 

A nova geração brasileira teve como destaque na última semana. O paranaense de 17 anos Thiago Wild fez sua melhor campanha em um torneio profissional ao chegar à semifinal do future de Piestany, na Eslováquia, chegando a derrotar o húngaro Mate Valkusz, ex-líder do ranking juvenil.

A parceria de Marcelo Zormann e Rafael Matos ficou com o vice-campeonato de duplas em future na Cidade do Porto, enquanto a paulista que treina nos Estados Unidos Luisa Stefani foi campeã de duplas na cidade espahola de Segovia, conquistando o terceiro título seguido. Quem atua nesta semana é a turma de 14 anos, que disputa o Mundial da categoria em Prostejov, na República Tcheca

Alemão de 16 anos fura o quali em Hamburgo
Por Mario Sérgio Cruz
julho 24, 2017 às 10:50 pm

Pela primeira vez, um jogador nascido nos anos 2000 vai disputar uma chave principal de ATP. O responsável pela façanha é o alemão Rudolf Molleker, apenas 923º do ranking, que conseguiu duas vitórias no qualificatório para o ATP 500 de Hamburgo e garatiu vaga no torneio alemão.

Durante o fim de semana, Molleker derrotou o norueguês Casper Ruud, 111º colocado, por 2/6, 6/4 e 6/4 e depois passou pelo argentino Leonardo Mayer, 138º, por 7/6 (7-2), 3/6 e 6/3. Sua estreia na chave principal está marcada para esta terça-feira, por volta das 7h30 (de Brasília) contra o russo de 21 anos Karen Khachanov, 32º do mundo.

Antes das duas incríveis vitórias no quali de Hamburgo, Molleker sequer havia disputado uma chave principal de challenger na carreira e nem mesmo chegou a uma final de future, nível de competição em que venceu apenas onze jogos, sendo apenas cinco este ano.

O alemão Rudolf Molleker venceu seus dois jogos no quali para o ATP 500 de Hamburgo

O alemão Rudolf Molleker venceu seus dois jogos no quali para o ATP 500 de Hamburgo

Shapovalov mais perto do top 100

Pouco mais de um ano depois de ter sido campeão juvenil de Wimbledon e de vencer seu primeiro jogo de ATP, Denis Shapovalov já está muito perto do top 100. O jovem canadense de 18 anos conquistou seu segundo título de challenger no ano na cidade de Gatineau e já aparece com o mlehor ranking da carreira ao ocupar 130º lugar, saltando 31 posições em relação à lista da semana passada.

Antes de conquistar o título em final caseira contra Peter Polansky, Shapovalov passou pelo anfitrião Philip Bester, pelo jovem australiano Max Purcell, além do italiano Thomas Fabbiano e o norte-americano Alexander Sarkissian. A única vitória sobre top 100 na semana aconteceu diante de Fabbiano, então 86º colocado.

Dos 424 pontos que Shapovalov tem no ranking, 328 foram obtidos na atual temporada, o que faz dele o 117º jogador que mais pontuou em 2017. Sua distância para o atual centésimo colocado, o esloveno Blaz Kavcic é de apenas 112 pontos. Já a diferença para o centésimo da temporada é de apenas 41 pontos até o tunisiano Malek Jaziri.

Com apenas 96 pontos a defender até o final do ano, sendo que 45 caem já na próxima segunda-feira, o canadense só tem a somar em pelo menos seis torneios. Isso porque dos dezoito resultados válidos para o ranking, o canadense só está computando os pontos obtidos em doze eventos.

Um ano atrás, Shapovalov aparecia no 370º lugar do ranking e saltou quase oitenta posições graças à vitória sobre Nick Kyrgios no Masters 1000 de Toronto, torneio que disputou como convidado. Mesmo com a diferença de calendário em relação à temporada anterior, ele pode até não sofrer perda de posições, já que disputa o challenger de US$ 100 mil em Granby que dá 90 pontos ao campeão.

 

Nova geração espanhola fatura dois títulos
Por Mario Sérgio Cruz
julho 16, 2017 às 9:09 pm

O fim de semana que começou com a incrível conquista da ainda jovem Garbiñe Muguruza em Wimbledon ainda rendeu mais duas boas notícias para a nova geração do tênis espanhol. Enquanto o jovem de 17 anos Nicola Khun venceu seu primeiro challenger, o também promissor Alejandro Davidovich Fokina foi campeão da chave juvenil do Grand Slam britânico.

Alejandro Davidovich Fokina é o primeiro espanhol em 50 anos a vencer o juvenil de Wimbledon

Alejandro Davidovich Fokina é o primeiro espanhol em 50 anos a vencer o juvenil de Wimbledon

Davidovich, que completou 18 anos em junho, venceu a final juvenil de Wimbledon contra o embalado argentino Axel Geller por 7/6 (7-2) e 6/3. Filho de russos, ele nasceu em Málaga e treina em Marbella e se tornou apenas o segundo espanhol a ser campeão juvenil no All England Club, repetindo o feito de Manuel Orantes obtido há cinquenta anos. Em entrevista ao jornal El País, ele reiterou o desejo de seguir defendendo seu país natal. “Sinto que sou mais espanhol… Sou muito espanhol e meu sonho é jogar a Copa Davis pela Espanha”.

O também finalista Geller vinha da conquista do ITF G1 na grama de Roehampton na semana anteriror e tentava dar o segundo título juvenuil de Wimbledon para a Argentina, sendo o primeiro no masculino, já que Maria Emilia Salerni foi campeã em 2000. O único sul-americano campeão juvenil masculino de simples em Wimbledon foi o venezuelano Nicolas Pereira em 1988.

O jovem argentino de 18 anos, que tentará o circuito universitário norte-americano em Stanford a partir do ano que vem, não saiu do All England Club de mãos abanando. Ao lado do taiwanês Yu Hsiou Hsu, ele venceu o torneio de duplas ao marcar duplo 6/4 contra o austríaco Jurij Rodionov e o tcheco Michael Vrbensky.

Campeão em Braunschweig, Nicola Kuhn disputava apenas o segundo challenger da carreira

Campeão em Braunschweig, Nicola Kuhn disputava apenas o segundo challenger da carreira

Já no saibro alemão de Braunschweig, Nicola Kuhn conquistou o título apenas no segundo challenger que disputou na carreira. O jovem de 17 anos só tinha uma vitória em torneios deste porte e um título de future. Atual 501º do ranking, ele já estava com a melhor marca da carreira e os 130 pontos somados (cinco do quali e 125 da chave principal) o farão se aproximar dos 250 melhores do mundo.

Kuhn nasceu na cidade austríaca de Innsbruck em março de 2000, filho de pai alemão e mãe russa. Ele optou por defender a Espanha aos 15 anos, já que treina na Equelite Sport Academy de Juan Carlos Ferrero. Depois de furar o quali no torneio, ele derrotou o português Gonçalo Oliveira, o argentino Carlos Berlocq (cabeça 4), o eslovaco Jozef Kovalik e o húngaro Márton Fucsovics antes de vencer a final contra o croata Viktor Galovic por 2/6, 7/5, 4/2 e desistência.

O jovem espanhol é o terceiro jogador com 17 anos ou menos a vencer um challenger na temporada, juntando-se aos canadenses Denis Shapovalov e Felix Aguer Aliassime. Ele também é o 14º jogador mais jovem a vencer um torneio deste porte, sendo o segundo nascido no ano 2000. O tradicional challenger de Braunschweig é também o primeiro evento a ter dois vencedores com menos de 17 anos, já que o alemão Alexander Zverev também triunfou em 2014.

Mais um jovem vencedor de challenger

O japonês de 20 anos Akira Santillan também venceu o primeiro challenger da carreira.

O jogador de 20 anos Akira Santillan também venceu o primeiro challenger da carreira.

O jovem de 20 anos Akira Santillan, 197º do mundo, foi outro a conquistar seu primeiro challenger nesta semana. Ele venceu o torneio de Winnetka, nos Estados Unidos, ao marcar 7/6 (7-1) e 6/2 contra o indiano Ramkumar Ramanathan na final. Ele passou também pelos americanos Denis Kudla, Kevin King e Dennis Nevolo nas fases iniciais e pelo alemão Mathias Bachinger na semi. Com os 80 pontos, ele deverá chegar ao 171º lugar, melhor marca da carreira.

Santillan é mais um caso de jogador com dupla nacionalidade. Nascido em Tóquio e filho de mãe japonesa, ele defendia a Austrália quando juvenil antes de optar pela cidadania japonesa há dois anos, mas desfez a troca recentemente e ganhou seu primeiro challenger como australiano. “Eu joguei pelo Japão no último ano e meio, mas sinto que sou mais australiano. Fui criado lá e falo inglês melhor. O japonês é minha língua materna, mas a maioria dos meus amigos são australianos e sinto-me mais confortável em ser australiano”, disse em entrevista ao site da ATP.

Façanhas das jovens americanas 

Final entre as americanas Ahn Li e Clarie Liu encerrou um período de 25 anos sem títulos dos Estados Unidos no juvenil de Wimbledon

Final entre as americanas Ahn Li e Clarie Liu encerrou um período de 25 anos sem títulos dos Estados Unidos no juvenil de Wimbledon

A nova geração do tênis americano segue colhendo frutos no circuito feminino e vem acumulando façanhas entre suas juvenis. Depois do primeiro título de Roland Garros em 28 anos na final americana vencida por Whitney Osuigwe sobre Claire Liu há um mês, mais uma vez duas jogadoras dos Estados Unidos decidiram um Grand Slam.

Liu venceu a final de Wimbledon contra Ann Li para encerrar um período de 25 anos sem títulos de americanas no juvenil de Wimbledon. Com o resultado, a jogadora que completou 17 anos em março assume a liderança do ranking mundial juvenil. Ela ultrapassa Osuigwe, de apenas 15 anos e que havia assumido o primeiro lugar na semana passada.

Vale lembrar que cinco das oito atletas que chegaram às quartas eram americanas: Além de Liu e Li, estavam a já citada Osuigwe, a atual campeã juvenil do US Open Kayla Day e também Sofia Sewing.

Promessas da ATP têm altos e baixos em Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
julho 8, 2017 às 12:22 am

As jovens promessas do tênis masculino que estiveram presentes em Wimbledon tiveram altos e baixos na primeira semana do Grand Slam britânico. E se há um nome que simboliza bem essa falta de consistência é o do russo Daniil Medvedev, jogador de 21 anos e 49º do ranking.

Depois de ter feito três boas semanas na temporada de grama, chegando quartas em ‘s-Hertogenbosch e Queen’s e sendo semifinalista em Eastbourne, onde só perdeu para Novak Djokovic, Medvedev confirmou a boa fase ao derrotar Stan Wawrinka na primeira rodada de Wimbledon. Na entrevista, ele falou sobre como seu jogo se adapta à grama e como ele costuma crescer nos momentos importantes de seus jogos.

Medvedev eliminou Wawrinka, mas teve má conduta após derrota na rodada seguinte e foi multado

Medvedev eliminou Wawrinka, mas teve má conduta após derrota na rodada seguinte e foi multado

“Acho que meu jogo funciona muito bem na grama e é meu piso favorito. Tenho um bom saque, que não é muito forte, mas é bastante preciso, o que é mais importante para a grama, porque ele fica mais rápido que na quadra dura ou no saibro”, disse Medvedev. “Tenho um jogo muito reto e que ninguém gosta de enfrentar, porque jogar muitas bolas para cima depois dos meus golpes. E sou bom nos momentos importantes dos jogos”.

Mas o que se viu na rodada seguinte, contra canhoto belga Ruben Bemelmans, foi um espetáculo deprimente. Irritado com uma marcação da árbitra portuguesa Mariana Alves, Medvedev saiu completamente de um jogo em seu melhor momento, quando tinha quebra acima no quinto set, forçado após vencer a terceira e quarta parciais da partida. Depois do incidente, o russo venceu só mais um game e, diante da possibilidade de ser punido ou multado, o russo “se adiantou” à aplicação da pena e deixou algumas moedas em quadra. No dia seguinte, veio a conta: A multa pela má conduta foi de US$ 14 mil.

Khachanov não fez uma boa partida contra Monteiro, mas deixou boas impressões no duelo com Nadal

Khachanov não fez uma boa partida contra Monteiro, mas deixou boas impressões no duelo com Nadal

Outro russo que passou por altos e baixos foi Karen Khachanov, que vive seu melhor momento aos 21 anos, ocupando o 34º lugar do ranking e vindo de uma semifinal na grama de Halle. Ele cometeu muitos erros não-forçados no duelo com Thiago Monteiro pela segunda rodada e correu risco em todos os sets da partida.

Contra Rafael Nadal nesta sexta-feira, o jovem russo pôde jogar mais solto, e depois de ter poucas chances nos sets iniciais, deixou uma boa impressão na terceira parcial, quando pressionou mais o saque do espanhol e teve até set point. O futuro de Khachanov, que treina em Barcelona e já tem título de ATP, parece bem encaminhado.

Ninguém nas oitavas, por enquanto – Nenhum jogador da chamada #NextGen, jovens de até 21 anos e que estejam entre os 200 melhores, se garantiu nas oitavas da chave masculina, mas Alexander Zverev e Jared Donalson podem chegar lá.

Alexander Zverev ainda não perdeu sets no torneio

Alexander Zverev ainda não perdeu sets em duas rodadas no torneio e é favorito contra Ofner

Cabeça 10 em Wimbledon, Zverev ainda não perdeu sets no torneio, depois de passar pelo russo Evgeny Donskoy e o também promissor norte-americano Frances Tiafoe. O alemão é bem favorito contra o austríaco de 21 anos Sebastian Ofner, que entrará para a hashtag favorita da ATP depois de Wimbledon, já que será top 200 após suas duas primeiras vitórias no Slam britânico.

Já o 67º colocado Donaldson, que tem 20 anos e deverá ter o melhor ranking da carreira depois do torneio, tem a dura missão de enfrentar o cabeça 8 Dominic Thiem. O norte-americano já fez quatro jogos contra top 10 e busca ainda a primeira vitória.

Entre outros nomes da nova geração: O russo Andrey Rublev foi à segunda rodada, enquanto Borna Coric, Thanasi Kokkinakis, Stefanos Tsitsipas e o convidado canadense Denis Shapovalov caíram ainda na estreia.

Juvenil larga neste sábado – As chaves principais do torneio juvenil de Wimbledon dão a largada neste sábado. O Brasil está representado pelo paranaense Thiago Wild, o pernambuacano vindo do quali João Lucas Reis e a paulista Thaísa Pedretti. Única a entrar em quadra já no primeiro dia, Pedretti enfrentará a convidada britânica Anna Loughlan.

O principal cabeça de chave do masculino é o francês Corentin Moutet. O canhoto de 18 anos já 341º da ATP e as únicas competições juvenis que disputou na temporada foram os dois primeiros Grand Slam e o ITF G1 de Roehampton, onde perdeu ainda na estreia do único evento que disputou na grama. Seu primeiro compromisso será contra o argentino Sebastian Baez.

 

Por falar na Argentina, Axel Geller surpreendeu na última semana em Roehampton ficando com o título do principal evento preparatório para o Grand Slam britânico ao vencer o norte-americano Sam Riffice na final. Já o húngaro Zsombor Piros, cabeça 3 em Wimbledon, foi o favorito com melhor desempenho, chegando às quartas.

No feminino, a chave é encabeçada por duas americanas que já venceram Grand Slam juvenil. A campeã do US Open Kayla Day é principal favorita e estreia contra a suíça Lulu Sun. Já a vencedora de Roland Garros Whitney Osuigwe é a segunda cabeça de chave e pega a britânica Gemma Heath. Quem ganhou Roehampton foi a americana Claire Liu, finalista em Roland Garros e cabeça 3 em Wimbledon.

Competições no Paraná – O sábado também será de finais da 31ª edição da Londrina Junior Cup, torneio ITF G4 disputado nas quadras de saibro do Londrina Country Club. A partir das 10h30 acontecem as decisões de simples. No masculino, o paulista Matheus Ferreira Leite encara o português Daniel Rodrigues. Já a final feminina terá um duelo nacional entre a paulista Ana Paula Melilo e a mineira Marina Figueiredo.

Na semana que vem, acontece mais um torneio no saibro paranaense. As quadras do Clube Curitibano recebem o ITF Juniors de Curitiba, torneio nível G5. O quali masculino já começa neste sábado.

Com ’empurrãozão’, Rublev é top 100
Por Mario Sérgio Cruz
junho 26, 2017 às 10:46 pm

O top 100 do ranking masculino tem uma novidade nesta segunda-feira. O russo Andrey Rublev aparece com a melhor marca da carreira aos 19 anos, ocupando o 92º do lugar após a boa campanha até as quartas de final no ATP 500 de Halle.

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As vitórias sobre o espanhol Albert Ramos e o compatriota Mikhail Youzhny renderam um salto de 14 posições e o debute na lista dos cem melhores do mundo. Convidado no torneio, Rublev caiu para o também russo Karen Khachanov, que é dois anos mais velho e também garantiu seu melhor ranking ao chegar ao 34º posto.

Se a arrancada de Rublev no ranking foi tardia para a vaga direta em Wimbledon, ao menos a campanha na grama alemã serve como embalo para o russo que já estreou no quali para o Grand Slam britânico nesta segunda-feira com vitória por duplo 6/3 sobre o português João Domingues. Seu próximo rival é o irlandês James McGee.

Empurrãozão – Entre o final de 2014, ano em que foi campeão juvenil de Roland Garros, e a boa campanha em Halle na semana passada, Rublev já recebeu 16 convites para chaves principais de ATP, dos quais quatro foram para Masters 1000.

Das dezesseis vitórias em nível ATP que ele possui na carreira, dez vieram em torneios em que ele entrou como convidado. É inegável que o russo teve um “empurrãozão” e bem mais oportunidades que outros jogadores de sua geração, mas temos que destacar também que ele aproveitou boa parte das chances que teve.

Contestado – Rublev já teve alguns problemas de comportamento em quadra. Um dos que puxaram a orelha do russo foi o veterano Fernando Verdasco, depois de uma derrota para o jovem no ATP de Barcelona em 2015. O experiente espanhol afirmou: “Estou surpreso com o quão rude ele é para alguém de 17 anos. Ele não mostra nenhum respeito pelos adversários”.

À época próprio Rublev rebateu as acusacões: “Eu fico completamente louco quando comemoro alguns pontos, mas se o Cristiano Ronaldo faz isso, por que eu não posso fazer?”, disse o russo. “Não deve ser fácil enfrentar um jovem como eu e perder”.

Outro que já reclamou do mau comportamento em quadra do russo foi o argentino Renzo Olivo, por meio das redes sociais.

 

Por ora, não houve nenhuma denúncia ou punição formal contra Rublev, o que pode sinalizar que a má conduta em quadra tenha ficado no passado.

Boy Band – Mas se há um passado a realmente ser condenado do Rublev não é de suas explosões em quadra quando era recém-saído do juvenil. A boy band russa é muito pior.

Sensação canadense – Na semana anterior, quem se destacou foi o canadense Felix Auger-Aliassime com o título do challenger de Lyon. O jovem de apenas 16 anos saltou para o 231º lugar com a conquista (e já ganhou mais duas posições nesta semana).

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Com isso, Aliassime se tornou o quarto jogador desde 2000 a conseguir um lugar entre os 250 melhores com 16 anos, juntando-se a Rafael Nadal, Richard Gasquet e Juan Martin del Potro. Delpo, aliás, havia sido o último a conseguir tal feito, em 2005. O canadense também é o sétimo mais jovem vencedor de um torneio de nível challenger.

Ostapenko e Anabel, um título a quatro mãos
Por Mario Sérgio Cruz
junho 11, 2017 às 1:08 pm

 

 Ostapenko contou com a ajuda de Anabel Medina Garrigues durante a temporada de saibro e chegou ao título de Roland Garros.


Ostapenko contou com a ajuda de Anabel Medina Garrigues durante a temporada de saibro e chegou ao título de Roland Garros.

As duas semanas fantásticas de Jelena Ostapenko em Paris foram coroadas com o primeiro título da jovem letã de 20 anos. O troféu foi logo o de um Grand Slam, em Roland Garros, no saibro, justamente o piso em que a letã tinha os resultados menos expressivos. Tamanha evolução em tão pouco tempo só foi possível porque Ostapenko encontrou a pessoa certa no momento certo para trabalhar.

A primeira vitória da letã numa chave principal de WTA no saibro veio apenas em maio do ano passado, em Roma. E antes de Roland Garros, ela havia vencido apenas onze jogos na elite do circuito neste piso, sendo que quatro delas haviam acontecido em Charleston, onde a superfície de har-tru (saibro verde) torna o jogo mais rápido e adaptado ao seu estilo que o tradicional saibro vermelho.

Disposta a evoluir no piso em que tinha mais dificuldades, Ostapenko buscou ajuda da espanhola Anabel Medina Garrigues, veterana de 34 anos e que está sem jogar desde Wimbledon no ano passado por conta de uma lesão no ombro. Dos onze títulos de WTA conquistados pela espanhola, dez foram no saibro, o que faz dela a terceira jogadora em atividade com mais conquistas (Serena Williams tem 13 e Maria Sharapova tem 11).

A parceria seria apenas para os torneios no saibro e representaria a terceira colaboração entre Anabel e Ostapenko. Elas já haviam trabalhado juntas durante a pré-temporada de 2015 em Valência, mas a espanhola tinha seus próprios compromissos como jogadora e a parceria não pôde seguir em frente. Um segundo teste veio no fim do ano passado, na perna asiática da temporada, já com a veterana inativa por lesão.

Marcada por um estilo de jogo agressivo, com números elevados de winners e erros não-forçados, Ostapenko precisava encontrar consistência no fundo de quadra e escolher o momento certo de atacar para fazer seu jogo ficar ainda mais eficiente. Dois exemplos claros foram as quartas de final em Paris contra Caroline Wozniacki, quando fez 38 a 6 em winners ou a final diante de Simona Halep com 54 bolas vencedoras diante de apenas 8 da romena. Mas tamanho volume de jogo não veio só batendo cada vez mais forte na bolinha.

Quando superou Wozniacki nas quartas, anotando sua quarta vitória sobre a dinamarquesa, Ostapenko falou sobre o plano tático. “Em minha mente, toda vez que eu jogar contra ela, eu só sei que tenho que ser agressiva, mas não ir para a definição logo na primeira bola, porque eu tenho que ser consistente”, comentou a letã que terminou aquele jogo com 50 erros, mas 25 deles foram no primeiro set, com muito vento em quadra, e os outros 25 distribuídos entre as duas parciais seguintes, quando ela errou bem menos e acertou mais bolas.

A combinação entre o jogo agressivo da letã com a consistência do fundo de quadra também foi abordada por Anabel em entrevista ao site espanhol Punto de Break. “Ela quer acabar com todos os pontos em dois golpes e você tem que explicar para ela que é preciso se adaptar à adversária e à superfície, aprender a construir os pontos, jogar de forma mais organizada e ser paciente para cometer menos erros. Ela é apenas uma menina e precisa trabalhar nisso”.

E até onde ela pode chegar? Depois de saltar do 47º lugar para a 12ª posição e conquistar seu primeiro título, Ostapenko já pensa grande “Estou muito feliz, mas ainda tenho que melhorar como jogadora. É claro que eu gostaria de ganhar todos os Grand Slam. É meu objetivo, mas vou tentar trabalhar muito agora”.

Velocidade – Um dado que chamou a atenção durante a campanha de Ostapenko em Roland Garros foi a velocidade de seus golpes de forehand. A média de 76 mph (ou 122 km/h) consegue ser mais alta que as do número 1 do tênis masculino Andy Murray com 73 mph (ou 116 km/h). A jovem jogadora falou um pouco sobre seu incrível volume de jogo após a final do último sábado.

“Eu acho que ninguém me ensinou, é apenas a maneira como eu jogo, minha característica é assim. Então eu quero bater forte na bola. Acho que se eu realmente tiver um bom dia e estiver batendo muito bem, acho que qualquer coisa é possível”.

Geração 97 – Ostapenko é mais uma jogadora que vem da promissora geração de 1997. No mesmo ano nasceram a suíça Belinda Bencic, a russa Daria Kasatkina, a croata Ana Konjuh, a japonesa Naomi Osaka e a russa Natalia Vikhlyantseva. Todas elas já estiveram entre as cem melhores do mundo e obtiveram resultados expressivos na WTA.

Bencic já ganhou de quatro top 10 (incluindo Serena Williams) no mesmo torneio e chegou ao grupo das 10 primeiras antes de sofrer com lesões no punho e na região lombar (hoje ela é 118ª), Kasatkina (28ª) conquistou o Premier de Charleston numa final contra a própria Ostapenko, Konjuh (30ª) venceu seu primeiro WTA aos 17 anos em Nottingham e foi às quartas no US Open, Osaka (55ª) decidiu o forte Premier de Tóquio no ano passado , enquanto Vikhlyantseva (74ª) fez semi no Premier de São Petersburgo. Veremos muitas jogadoras dessa faixa etária brilhando nos próximos anos.

 

Ostapenko e Khachanov chegam ao palco principal
Por Mario Sérgio Cruz
junho 5, 2017 às 1:16 am

Ao fim da primeira semana de Roland Garros, duas jovens esperanças vem se destacando no Grand Slam francês. A letã Jelena Ostapenko já está na quartas de final de final da chave feminina, enquanto o russo Karen Khachanov disputa as oitavas entre os homens. Nenhum dos dois havia chegado tão longe em um torneio deste tamanho e ambos deverão atuar na quadra Philippe Chatrier, a principal do complexo parisiense, diante de rivais bem mais experientes.

f_CP_0206_Ostapenko2 Ostapenko é o tipo de adversária que ninguém quer ter na chave. Com um estilo de jogo agressivo, muita potência nos golpes e, quando tem confiança, é capaz de disparar seguidos winners de qualquer parte da quadra. Particularmente achava que ela poderia fazer mais estrago em Wimbledon, onde a bola andaria ainda mais e onde já foi campeã como juvenil, que em Roland Garros.

Atual 47ª do ranking aos 19 anos (completa 20 no dia 8 de junho) está apenas em sua segunda participação em Roland Garros e havia caído na estreia no ano passado. Se antes do torneio, ela tinha apenas quatro vitórias em chaves principais de Grand Slam, ela já dobrou esse número em Paris ao derrotar Louisa Chirico, a campeã olímpica Monica Puig, Lesia Tsurenko e a finalista de 2010 Samantha Stosur.

Depois de derrota na terceira rodada, Tsurenko chegou a declarar que jogar contra Ostapenko era como “enfrentar um robô”. Já o mineiro Bruno Soares, que jogou duplas mistas com a jovem letã, prevê um futuro promissor para ela. “Já a vi jogando um pouquinho de simples. É uma menina novinha, que bate muito forte na bola e com grande potencial. Vamos tentar encaixar essa dupla”, disse por meio de sua assessoria. Pelo Twitter, Bruno também disse que ela pode ser uma “futura top 10 em 2018″.

Em busca de um lugar na semifinal de Roland Garros, Ostapenko enfrenta a ex-número 1 do mundo Caroline Wozniacki. A letã venceu os três duelos anteriores contra a dinamarquesa com um volume de jogo absurdo nas condições mais rápidas de New Haven e Charleston. O último embate foi disputado no saibro de Praga há poucas semanas e foi bem mais parelho, mas novamente o jogo agressivo da letã fez a diferença no tiebreak do terceiro set.

Caso consiga encaixar seu jogo e cometer poucos erros, Ostapenko pode complicar de novo a vida de Wozniacki, mas a dinamarquesa vem mostrando no torneio alguns recursos diferentes e soluções criativas (leia: devoluções de dentro da quadra e um drop shot meio feio, porém eficiente) para não ficar tanto tempo se defendendo. Promessa de um bom jogo na terça.

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O russo Khachanov era uma das cinco surpresas que citei no post da semana passada. Antes do início do torneio, o jovem de 21 anos e 53º colocado aparecia em um setor da chave com bons nomes, mas nenhum bicho-papão no saibro. Logo em sua primeira participação em Roland Garros, eliminou Tomas Berdych e John Isner, cabeças de chave 13 e 21, além de ter confirmado o favoritismo contra o chileno Nicolas Jarry na estreia.

Com apenas uma vitória contra top 10 na carreira, conquistada sobre o belga David Goffin este ano em Barcelona, Khachanov terá a missão de desafiar o número 1 do mundo Andy Murray nas oitavas de final. O cenário mais provável é a classificação do britânico depois de ser levado ao limite pelo jovem russo.

Um ponto comum entre ele e Murray é que ambos tiveram parte significativa de suas formações como jogadores nas quadras do Real Club de Tenis Barcelona. Khachanov saiu da Rússia ainda aos 15 anos e foi treinar na Croácia. Três anos mais tarde, aos 18, mudou-se para Barcelona, onde treina até hoje.

Cinco jovens que podem surpreender em Roland Garros
Por Mario Sérgio Cruz
maio 27, 2017 às 9:11 pm

Roland Garros começa amanhã com várias jovens promessas na chave principal. Apresentarei no blog alguns nomes que podem surpreender e fazer boas campanhas. Não falarei aqui de realidades como Dominic Thiem, Alexander Zverev ou Madison Keys, mas sim de convidados, nomes vindos do quali ou mesmo escondidos na chave principal, dispostos a tirar uma casquinha dos favoritos.

Beatriz Haddad Maia (20 anos, 101ª do ranking, Brasil)f_AG_2305_HADDAD_01O primeiro nome da lista não poderia ser outro que não o de Beatriz Haddad Maia, que disputará uma chave principal de Grand Slam pela primeira vez na carreira depois de ter passado por três rodadas do qualificatório em Paris.

Bia vem de uma série de bons resultados nas últimas três semanas. Ela já acumula oito vitórias seguidas e venceu treze dos últimos 14 jogos que fez pelo circuito. Sua estreia será contra a russa Elena Vesnina, número 15 do mundo e que foi campeã de Indian Wells em março, mas depois venceu apenas dois jogos no saibro.

Se vencer, pode encarar a americana Varvara Lepchenko ou a ex-top 10 alemã Andrea Petkovic. Para eventual terceira rodada, pode pintar uma especialista no piso, a espanhola Carla Suárez Navarro, que já esteve entre as dez melhores e é cabeça 21 em Paris.

Marketa Vondrousova (17 anos, 94ª do ranking, República Tcheca)

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Tal como Bia Haddad Maia, Vondrousova vem de oito vitórias consecutivas. Ela debutou no top 100 na última segunda-feira após conquistar o ITF de US$ 100 mil no saibro eslovaco de Trnava, antes de furar o quali de Roland Garros para disputar seu primeiro Grand Slam. Em abril, a canhota tcheca conquistou seu primeiro WTA na carreira, nas quadras duras e cobertas de Bienne, na Suíça.

A estreia de Vondrousova será contra a convidada francesa Amandine Hesse, apenas 215ª do ranking. Caso vença seu primeiro jogo, há chance de um duelo de jovens contra a russa de 20 anos e 28ª do ranking Daria Kasatkina, que tem uma estreia dura diante da ex-top 15 belga Yanina Wickmayer.

Amanda Anisimova (15 anos, 267ª do ranking, Estados Unidos)

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Jogadora mais jovem da chave principal em Paris, a americana Amanda Anisimova tem apenas 15 anos e recebeu convite por meio do acordo entre as federações francesa e americana. Entretanto, o critério para a indicação da USTA é a melhor pontuação em uma série torneios realizados nos Estados Unidos em quadras de saibro no mês de abril. Anisimova fez duas finais, nos ITFs de Dothan e Indian Harbour Beach.

Sua estreia será contra a japonesa Kurumi Nara e ela pode cruzar o caminho de Venus Williams na rodada seguinte. Vice-campeã juvenil de Roland Garros no ano passado, ela também está inscrita na chave para meninas com menos de 18 anos.

Stefanos Tsitsipas (18 anos, 202º do ranking, Grécia)

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Ex-líder do ranking mundial juvenil, o grego Stefanos Tsitsipas é mais um para a lista de atletas que vão disputar um Grand Slam pela primeira vez. Ele passou pelo quali em Paris e atingiu o melhor ranking da carreira no último dia 15 de maio. Apesar da pouca idade, o grego já acumula cinco títulos de future e dois vice-campeonatos em challengers.

Tsitsipas que ainda busca sua primeira vitória em nível ATP terá um duelo de gerações contra o gigante croata de 2,11m Ivo Karlovic, veterano de 38 anos e um dos melhores sacadores do circuito, mas que não é nenhum bicho-papão no saibro. Se vencer, o grego enfrentará o vencedor do duelo de canhotos entre o francês Adrian Mannarino e o argentino Horacio Zebllaos.

Karen Khachanov (21 anos, 54º do ranking, Rússia)

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Dos jogadores apresentados, Khachanov é o único que entrou na chave diretamente pelo ranking. O jovem russo já tem até título de ATP, conquistado no ano passado em Chengdu, na China. Formado como tenista em Barcelona, Khachanov anotou sua primeira vitória contra top 10 exatamente no saibro catalão, ao derrotar o belga David Goffin em abril.

A estreia de Khachanov será em um duelo de jovens contra o chileno de 21 anos Nicolas Jarry, 204º do ranking e vindo do qualificatório. Confirmando seu favoritistmo, o russo pode desafiar o cabeça 13 tcheco Tomas Berdych, que estreia contra o alemão Jan-Lennard Struff.

Na Flórida, técnico brasileiro busca novos talentos
Por Mario Sérgio Cruz
maio 24, 2017 às 6:02 pm

O treinador Rodrigo Nascimento está em busca de novos talentos. O paulista de 40 anos vive nos Estados Unidos desde os 13, quando se mudou com a família e disputou competições juvenis antes de fazer carreira como técnico.Rodrigo já trabalhou com a ex-número 1 do mundo Monica Seles e nomes de destaque do circuito feminino como e jogadoras que estiveram entre as 50 melhores do mundo como Sorana Cirstea e Jamea Jackson e até mesmo no melhor momento da suíça Miroslava Vavrinek, ex-número 76 e hoje esposa de Roger Federer.

Seu novo trabalho é a academia R&B Tennis Team com ênfase no trabalho com jogadores juvenis. De acordo com o técnico, a ideia é formar um grupo pequeno de jovens jogadores, com possibilidade de selecionar um ou dois brasileiros, para dar atendimento personalizado a cada atleta treinado em sua academia. O projeto com base em Wellington, na Flórida, é acompanhado de perto por Betsy Nagelsen, bicampeã de duplas do Australian Open em 1978 e 1980 e viúva de Mark McCormack, fundador da agência IMG. Em entrevista ao TenisBrasil, Rodrigo comentou sobre seu novo projeto.

O treinador Rodrigo Nascimento administra equipe com juvenis na Flórida (Foto: Renan Justi)

O treinador Rodrigo Nascimento administra equipe com juvenis na Flórida (Foto: Renan Justi)

– Você hoje está treinando uma equipe na Flórida. Quantos jogadores e de quais nacionalidades e faixas etárias tem participado do trabalho?
Sim, no momento estamos com uma equipe de três tenistas, todas do circuito juvenil na faixa dos 12 a 14 anos. Todas elas nasceram nos Estados Unidos. No período de férias no meio deste ano, teremos um garoto da Romênia, Vlad Andrei Dancu, que alcançou a posição de número 1 da Europa na categoria 14 anos.

– Há intenção de selecionar um ou dois jovens jogadores brasileiros. Como está sendo o trabalho de observação deles e o acompanhamento de resultados deles para fazer essa escolha?
Avalio quem tem potencial, desejo de aprender com o time da R&B e perfil para trabalhar conosco na Flórida. Estamos na fase ainda de avaliação, falando com algumas pessoas do meio do tênis, fazendo contatos primeiramente. É um projeto que está sendo estruturado, mas que sairá do papel em breve.

– A procura é apenas por meninos ou existe possibilidade de levar uma menina também?
Ambos, sem nenhuma preferência de gênero. Meus principais resultados foram justamente no circuito feminino, tanto juvenil como no profissional. Seria interessante um garoto pela possibilidade de variar mais o perfil de nossos atletas, em Wellington, formado por maioria de meninas. É importante formar um grupo heterogêneo, assim um atleta pode agregar mais ao estilo de jogo do companheiro (a).

– Quando deveremos ter o resultado da seleção e o que pode ser oferecido aos escolhidos em termos de estrutura de treinamento e de estudos?
A ideia é que o atleta esteja conosco até o próximo ano, no período de férias. Desta forma, poderá aproveitar o período de férias escolares no Brasil para treinar conosco. Ele (a) contará com nosso apoio para treinos, preparação física e terá hospedagem na cidade de Wellington, onde temos nosso centro de treinamento. Caso queira estudar algo, poderemos estruturar melhor esta ideia de agenda e horários para não impactar nos treinamentos.

– Como está o desenvolvimento do Lucas Oncins, que trabalhou com você na Flórida? Quais são suas perspectivas sobre ele?
Olha, até onde sei, o Lucas não joga mais tênis. Pela última conversa que tive com o Jaime (pai), o Lucas estava decidindo se iria para faculdade somente para estudar e com isso iria deixar de jogar tênis para focar nos estudos. Se não me engano, acho que ele parou, mas posso estar enganado.

A ex-top 50 Jamea Jackson foi treinada por Rodrigo e hoje é técnica na USTA (Foto: Heusi Action)

A ex-top 50 Jamea Jackson foi treinada por Rodrigo e hoje é técnica na USTA (Foto: Heusi Action)

– Você treinou a Jamea Jackson exatamente quando ela bateu o melhor ranking e foi top 50. Hoje ela é ainda muito jovem (está com 30 anos), mas já está seguindo uma carreira como treinadora com juvenis na USTA. Você tem acompanhado e tido contato com esse trabalho dela?
A Jamea é uma pessoa muito especial, vivemos histórias maravilhosas e o carinho que tenho por ela é recíproco. Não tenho dúvidas que todo o aprendizado que ela teve no circuito, competindo nos maiores torneios e contra as grandes estrelas será fundamental para a formação de novas jogadoras. É sempre positivo para novas gerações conviverem com quem sabe como funciona o mundo do tênis.

– Nos últimos anos a gente tem visto um número cada vez maior de juvenis americanos jogando Banana Bowl e Copa Gerdau e dispostos a se desenvolver no saibro. O quanto tem sido feito para implementar essa cultura do saibro para os americanos e o quanto jogar nesse piso é importante para a formação de um jogador?
A vinda dos norte-americanos para a gira de saibro na América do Sul também vale para o profissional. O Bjorn Fratangelo, que ganhou o juvenil de Roland Garros, veio jogar em São Paulo e Campinas antes de chegar aos cem melhores da ATP. Todos aqui sabem que a cultura do saibro latino é muito forte, existe uma tradição brasileira, argentina, uruguaia e até equatoriana de grandes conquistas. É um intercâmbio fundamental para o jogador se tornar completo, embora em termos de importância o circuito tem cada vez mais se voltado para competições na quadra rápida.