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Uma conquista em boa hora para Felipe Meligeni
Por Mario Sérgio Cruz
março 29, 2016 às 5:33 pm

Um título é sempre bem vindo, mas o momento e as circunstâncias que ele ocorre podem representar importância ainda maior. A conquista de Felipe Meligeni Alves no Campeonato Sul-Americano Individual Juvenil no último sábado é um bom exemplo para este caso.

Adição recente no calendário, o torneio foi criado em 2011 e teve cinco edições na Bolívia antes de mudar este ano para o saibro argentino de Mar Del Plata. Embora não seja um evento tradicional como as principais competições do circuito, é muito valioso em termos de pontuação.

Os melhores juvenis sul-americanos disputavam entre 180 pontos no ranking de 18 anos da ITF. Isso é mais que os 150 de um título de torneio G1 (como o Banana Bowl) e o mesmo que um vice-campeonato em torneio GA (caso do Campeonato Internacional de Porto Alegre). Sem a concorrência de escolas europeias, americanas e japonesas.

Felipe e demais brasileiros foram acompanhados pelo técnico William Kyriakos

Felipe e demais brasileiros foram acompanhados pelo técnico William Kyriakos

A conquista rendeu 57 posições e fez com que Felipe se tornasse o 35º no ranking mundial juvenil. Bater um recorde pessoal é muito bom, mas mais importante que isso é poder entrar diretamente nas chaves dos principais torneios na Europa, o que inclui Roland Garros e Wimbledon. No período entre maio e julho acontecem competições tradicionais no saibro e na grama, como Santa Croce, Milão, Charlenoi e Rohampton que distribuem muitos pontos e contam com os melhores juvenis do mundo, que estarão no Grand Slam semanas depois.

Para quem está com 18 anos e ainda em fase de transição do circuito juvenil para o profissional, faz uma diferença enorme saber com antecedência se você vai entrar diretamente nas chaves ou disputar os qualis. O primeiro fator é a gratuidade na hospedagem dos torneios ITF que for disputar. A redução nos gastos é considerável e há uma segurança maior para planejar as datas das viagens. Nesta fase da carreira qualquer incentivo extra-quadra é vital para a continuidade.

O pernambucano João Reis, que completou 16 anos na última semana, também se destacou no torneio.

O pernambucano João Reis, que completou 16 anos na última semana, também se destacou no torneio.

Além do título de Meligeni, o Brasil colocou Lucas Koelle e Thaísa Pedretti nas quartas de final de suas respectivas chaves, enquanto a paranaense Nathalia Gasparin foi finalista de duplas. Koelle que ganhou seis posições e agora é 57º deve se juntar a Meligeni e Gabriel Décamps nos torneios europeus.

Outro destaque fica para o pernambucano João Lucas Reis, que depois de disputar o Banana Bowl e o Internacional de Porto Alegre na categoria 16 anos, onde conseguiu um vice-campeonato e uma semi, chegou até as oitavas em um torneio de 18 e só perdeu para o campeão. Reis, que completou seu 16º aniversário no último sábado, já disputou até três qualis de future nos Estados Unidos, em janeiro.

Sinal amarelo para a participação das meninas, já que apenas Pedretti conseguiu avançar mais que uma rodada. Essa mesma geração, com Nathalia Gasparin e Marcelle Cirino, há menos de um ano foi campeã Sul-Americana por equipes na categoria 16 anos, vencendo quatro dos cinco confrontos por 3-0 e um por 2-1. As adversárias eram praticamente as mesas. As brasileiras também em nono lugar na última Fed Cup juvenil, sendo as melhores do continente. O trabalho está sendo feito, então chama atenção quando acontecem quedas precoces.

Como os japoneses trabalham a transição e o pós-Nishikori
Por Mario Sérgio Cruz
março 21, 2016 às 9:49 pm
Yosuke Watanuki foi campeão do Juvenil de Porto Alegre.  (Foto: Heusi Action)

Yosuke Watanuki foi campeão do Juvenil de Porto Alegre, principal competição da categoria no saibro sul-americano.
(Foto: Heusi Action)

Os japoneses foram destaque durante a série de competições juvenis disputadas no saibro sul-americano durante o primeiro trimestre e o título de Yosuke Watanuki no Campeonato Internacional Juvenil de Tênis de Porto Alegre, principal torneio da categoria no continente, deu dimensão da grande participação do país na Gira Cosat.

Em sete semanas na América do Sul, os asiáticos venceram oito categorias. O próprio Watanuki foi campeão de simples em ITF G2 em Córdoba e tem títulos de duplas na Argentina, ao lado de Toru Horie, e no Banana Bowl, torneio G1 na cidade paulista de São José dos Campos, junto do americano Ulises Blanch.

Também fizeram a dobradinha Brasil-Argentina a dupla feminina formada por Mai Hontama e Ayumi Miyamoto. Já Yuta Shimizu venceu um G2 no Peru em simples e um na Bolívia em duplas ao lado de Naoki Tajima. Também na Bolívia, Yuki Naito venceu no feminino.

Japoneses venceram oito títulos durante a Gira Cosat

Japoneses venceram oito títulos durante a Gira Cosat (Foto: Thiago Parmalat/dw

A sequência de bons resultados se deu em um momento os japoneses apostam na mudança no trabalho de transição do circuito juvenil para o profissional. Durante o Banana Bowl, pude conversar com o técnico Ko Iwamoto, que está há 14 anos na Federação Japonesa de Tênis. Ele é capitão do país para a Copa Davis Juvenil e me explicou sobre como país trabalha esses momentos importantes na carreira de um atleta. Foi a segunda vez que falei com ele, que já havia feito uma boa entrevista no Banana Bowl do ano passado.

“Antes, os juvenis jogavam apenas torneios na categoria deles, mas agora alguns dos melhores estão mesclando o calendário com futures”, explica o treinador. “Nós tentamos viabilizar convites nas chaves para que eles somem pontos. Não temos tanto dinheiro na Federação, então nossa forma de apoio é colocá-los em torneios de alto nível”.

Um dos segredos para o sucesso japonês vem do alto nível de treinamento e das muitas observações feitas pelos técnicos da Federação. “Nós tentamos reunir os melhores juvenis juntos entre 12 ou 13 vezes por ano no Centro Nacional de Tênis para fazermos avaliações”, explica. “Vamos a quase todos os torneios nacionais para observá-los, então começamos a pegar diferentes jogadores para vê-los treinarem juntos e competirem entre si. Nos 16 anos, temos a Davis e a Fed Cup juvenis”.

Quando Kei Nishikori começou a se destacar na transição entre o juvenil e o profissionalismo, era chamado ‘projeto 45′ em referência ao melhor ranking da história do tênis masculino japonês com Shuzo Matsuoka, que foi 46º do mundo em julho de 1992.

Mas a carreira do atual número 6 do mundo foi majoritariamente construída nos Estados Unidos, na academia de Nick Bollettieri. Então cabe a pergunta, se seria um sonho formar um atleta japonês desde a base até o topo. Segundo Iwamoto, a filosofia da federação é de apoiar independemente de onde o atleta treina.

“Kei tem patrocinadores japoneses desde que tinha 12 anos”, lembra. “Não há apenas um caminho para o sucesso. Se um jogador chega no nível do Kei, não interessa onde ele estiver treinando, quando ele estiver no Japão nós vamos apoiá-lo. O Japão é uma ilha pequena, eles têm que sair em algum momento”, acrescenta. “Nós temos pouco dinheiro, então se outro jogador tem patrocínio de fora, está tudo bem”.

E o que a filosofia japonesa têm a oferecer ao Brasil? “Nós tentamos o melhor e não sei o que seria bom para o Brasil. Tudo o que sei é que para um país grande é necessário ter um técnico nacional e um local. E todos devem se comunicar. Porque quando um jogador viaja com outros técnicos, o treinador precisa saber o que deve ser feito, se não estará perdendo tempo”.

Americanas se destacam no saibro

Americana de 14 anos Natasha Subhash fez duas boas campanhas no saibro brasileiro. (Foto: Heusi Action)

Americana de 14 anos Natasha Subhash fez duas boas campanhas no saibro brasileiro.
(Foto: Heusi Action)

É muito relevante o fato de três jogadoras americanas alcançarem as semifinais em Porto Alegre. Além da campeã Usue Arconada, duas jogadoras de apenas 14 anos surpreenderam na categoria principal, sendo a vice Amanda Anisimova e Natasha Subhash, que parou na semi. Subhash é uma das atletas que viajaram com a equipe nacional da USTA. Entre os quatro técnicos que o acompanharam o time estavam o brasileiro Léo Azevedo e a ex-top 50 Jamea Jackson, que atua com juvenis da federação há três anos.

Brasileiros – Depois de dois anos seguidos com títulos do gaúcho Orlando Luz, tanto no Banana Bowl quanto em Porto Alegre, o tênis brasileiro não venceu nenhum evento na categoria 18 anos. Os destaques foram as quartas de final do paulista Gabriel Décamps em São José e do paranaense Thiago Wild no Sul.

Nos 16 anos masculino, duas conquistas nacionais com o brasiliense Gilbert Klier e o paulista Mateus Alves. Entre as meninas, dois vices no Banana Bowl, com a mineira Marina Figueiredo nos 16 anos e a goiana Nalanda Silva, que vem de projetos sociais, nos 14. Os resultados importantes para que os melhores tenistas sul-americanos disputem as Giras Europeias nos próximos meses, respeitando os limites de dois atletas por país em cada categoria.

De olho na nova geração do tênis
Por Mario Sérgio Cruz
março 15, 2016 às 5:00 pm

Ulisses Blanch e Louis Wessels, finalistas do Banana Bowl (Foto Marcello Zambrana/DGW Comunicação)

Diferente do que acontece nos esportes coletivos, em que o torcedor carrega sua paixão por toda a vida, o tênis se renova em diferentes eras. Nada irá apagar a idolatria por aqueles que fizeram história, mas em algum momento é necessário apresentar a nova geração e fidelizar os fãs para que eles continuem seguindo o esporte.

A ATP já começa a atentar para o fenômeno dos “Young Guns” e pouco a pouco começa a introduzi-los em suas campanhas. A temporada de 2015 foi a primeira com quatro jogadores abaixo dos 20 anos no top 100 desde 2007. A entidade que comanda o tênis masculino tem usado o mote “Next Gen” para tratar de nomes como Borna Coric, Alexander Zverev e Hyeon Chung.

O surgimento de uma promissora geração americana com Taylor Fritz, Frances Tiafoe e Tommy Paul turbina ainda mais a ideia de novidades e pode não só manter o fã habitual do circuito como também reconquistar aqueles que estavam há algum tempo longe do tênis. Durante o Banana Bowl, na última semana, pude conversar com o técnico brasileiro Leo Azevedo que está há sete anos na USTA e explicou sobre o trabalho a longo prazo feito nos Estados Unidos. Nos próximos dias, a entrevista estará no ar no TenisBrasil.

Nova geração do tênis americano com Taylor Fritz, Tommy Paul, Frances Tiafoe, Michael Mmoh e Jared Donaldson (Foto: Memphis Open)

No circuito feminino há o abrangente conceito de “Rising Stars”. A ideia engloba tanto as promessas como Jelena Ostapenko e Daria Kasatkina quanto as jovens já consolidadas e integrantes do top 10 como Belinda Bencic e Garbiñe Muguruza. Nos últimos dois anos, foram organizadas séries de exibições entre jovens no fim de semana anterior ao WTA Finals.

A ideia do Primeiro Set é apresentar os novos talentos do tênis e o trabalho feito com cada um deles. E a escolha pelo mês de março casa com um momento em que o Brasil recebe dois dos maiores eventos do circuito mundial juvenil, o Banana Bowl e o Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre. Muito além de valiosos pontos para os rankings da ITF, e da Cosat, são torneios em que temos uma oportunidade enorme de aprendizado.

É possível ver de perto as diferentes formas de pensar o tênis. Os americanos vêm para aprender a jogar no saibro e desenvolver fundamentos como a construção dos pontos. Ao mesmo tempo os japoneses trazem seus melhores juvenis para América do Sul há mais de uma década, Kei Nishikori já esteve aqui no início da carreira. Não podemos nos esquecer de tenistas europeus de diferentes origens, que muitas vezes optam por viajar com os pais.

Existem inúmeras variáveis no desenvolvimento de um tenista, já que nem todos têm as mesmas condições e oportunidades. Felizmente, é um esporte que oferece inúmeros caminhos para se chegar ao topo. E é disso que falaremos aqui.