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Jovens jogadoras se posicionam após ameaças na web
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 21, 2016 às 10:41 pm

Logo após a derrota para Svetlana Kuznetsova na semifinal do WTA Premier de Moscou, Elina Svitolina deu declarações fortes a respeito das ofensas que recebe nas redes sociais. A ucraniana de 22 anos e número 15 do mundo, disse que foi ameaçada por russos antes de enfrentar a jogadora da casa nesta sexta-feira.

Temendo por sua integridade física, ela ainda afirmou que dificilmente voltará a disputar a disputar o torneio. O cenário na Rússia é hostil aos ucranianos em meio às tensões políticas entre os dois países que se estendem há quase três anos, desde os protestos em Kiev no fim de 2013 que pediam maior integração à União Europeia.

A ucraniana Elina Svitolina foi ameaçada por russos antes de enfrentar a anfitriã Kuznetsova em Moscou (Foto: Kremlin Cup)

A ucraniana Elina Svitolina foi ameaçada por russos antes de enfrentar a anfitriã Kuznetsova em Moscou (Foto: Kremlin Cup)

“Foi um torneio muito duro e acho que não voltarei para cá, porque nunca senti tanta pressão. Recebi muitas mensagens negativas antes mesmo do jogo. Eram ameaças. A pessoa que lida com isso não pode simplesmente apagar isso da mente”, disse Svitolina após a derrota para Kuznetsova por 6/1, 6/7 (2-7) e 6/4 nesta sexta-feira, em relato do jornalista russo Dmitry Shakhov.

“Nós sempre recebemos mensagens negativas, mas isso é diferente. Eles disseram que sabiam até o mesmo o hotel onde estou hospedada. Obviamente, isso está ligado à política, mas não tenho nada a ver com isso. Sou uma jogadora de tênis tentando vencer jogos”, acrescentou a jovem jogadora, que também havia disputado o torneio em 2012 e 2013 e evitado a capital russa nos últimos dois anos.

A tensão foi tanta que até mesmo uma torcedora de Svitolina se sentiu intimidada por torcedores locais no estádio e temia sofrer represálias por aquilo que poderia ser entendido como “propaganda pró-Ucrânia” em território russo.

Ofensas e ameaças por meio de redes sociais são uma questão muito recente e por isso as próprias entidades que comandam o tênis têm dificuldade de encontrar meios de lidar com o assunto. A nova geração do tênis é a primeira a conviver com as redes desde o início da carreira e neste caso, não há sequer a possibilidade de pode procurar um espelho nos colegas mais experientes.

Isso porque, até mesmo atletas consagrados da atualidade não tiveram que lidar com pressão vinda de redes durante a juventude ou fase de transição. Nomes como Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic e Maria Sharapova aderiram tardiamente ao Twitter e já tendo com suas bases de fãs mais do que consolidadas. Tanto que os quatro ultrapassaram naturalmente a marca de um milhão de seguidores dias depois de criarem seus perfis, que são altamente filtrados.

Com os mais novos, por mais que estejam acostumados com o ambiente da rede social e que sempre tenham administrado seus próprios perfis, é um mundo novo. Se eles antes utilizavam as redes apenas dentro de um círculo de contatos, a exposição aumenta exponencialmente a cada vitória e então gratificante chegada dos primeiros fãs e admiradores vem acompanhada também de um batalhão de haters e também de apostadores, que vão “cobrar” das atletas quando o resultado em quadra acarreta em perda financeira.

No começo do ano, fiz uma entrevista com a romena Sorana Cirstea, que já foi 21ª do mundo (hoje é 83ª) Então com 25 anos, ela já se mostrava acostumada (e de certa forma conformada) com esse tipo de tratamento bastante que negativo. “Todos os tenistas temos que lidar com esse bullying. Recebo tuítes maldosos e mensagens ofensivas todos os dias. Acho que quanto melhor você é, mais é agredido. Todo jogador recebe e o melhor a fazer é não dar atenção”

Mas não são todas as jogadoras que defendem que ignorar seja a solução. Pelo contrário, cada vez mais elas se posicionam e apontam que se ficarem caladas o problema só irá continuar. A americana Madison Keys tem sido uma voz forte nessa questão e defende que o assunto entre no debate público.

A americana de 21 anos decidiu se posicionar depois de ler uma série de ofensas, inclusive de teor racista, após derrotas nos torneios de Tóquio e Pequim. Quando perdeu para Yulia Putintseva no tiebreak do terceiro set na capital japonesa, Keys decidiu responder aos agressores. Já após a queda para Johanna Konta na China, ela compilou algumas mensagens recebidas e as expôs aos seus seguidores.

2016-10-21

Na semana passada, durante o WTA de Linz, Keys comentou o ocorrido durante uma de suas entrevistas coletivas. O jornalista italiano Giulio Gasparin relatou as contundentes declarações da norte-americana a respeito das ofensas que recebe, especialmente de apostadores, e reiterou a ideia de que é preciso vir a público e tratar do problema.

“Você pode ignorá-los 99% das vezes, mas naquele dia eu saí da quadra e haviam 45 mensagens negativas. Eu pensei ‘Quer saber, não vou ignorá-los hoje’. Eles escrevem coisas terríveis para mim e sobre minha família e isso é certo. Foi o momento de eu me posicionar e tentar chamar alguma atenção à questão, para que talvez tenhamos algumas mudanças”.

“Acho que a maioria das pessoas dizem para apenas ignorar, porque pensam que se você responder, vai fazê-los [os agressores] ganhar”, apontou, respeitando o ponto de vista contrário. “Mas ao mesmo tempo, você tem que fazer que essas pessoas se sintam responsáveis por aquilo que dizem. Às vezes nós temos que fazer com que todos fiquem cientes de que isso está acontecendo e que se ignorarmos, o problema só vai continuar”.

“Nem me veio à mente a ideia de expor aquelas pessoas, eu pensava mais em mostrar o que acontece a cada dia”, afirmou. “Há muitos aspectos positivos nas mídias sociais. Assim que mostrei as 40 mensagens negativas, já recebi umas 500 positivas, então você vê que as pessoas boas são maioria. Eu nunca deixaria de me conectar com meus verdadeiros fãs por causa das ofensas. Na minha cabeça, isso seria deixá-los ganhar”.

Outra integrante da nova geração americana que decidiu expor publicamente as ameaças que recebe é Nicole Gibbs, de 23 anos. Uma das razões para que Gibbs seja alvo é o engajamento político da jogadora que é voluntária na campanha de Hillary Clinton à presidência dos Estados Unidos.

E antes mesmo de se tornar tenista profissional, a atual 74ª colocada, já havia militado com sucesso contrária às mudanças no tênis universitário americano que eram voltadas apenas ao interesse da TV. A própria WTA já tem identificado o potencial de liderança da jovem tenista, que pode em breve assumir uma vaga no Conselho das Jogadoras.

A WTA estuda meios de coibir as ofensas e ameaças que suas jogadoras recebem, mas até agora não houve nenhuma medida concreta. Talvez o teor das mensagens recebidas por Svitolina tornem a pauta mais urgente para entidade. Por ora, é importante que algumas atletas se sintam livres para se posicionar e lutar para que isso seja coibido. Se elas se calarem, o problema apenas vai continuar.

Aos 18 anos, Tiafoe entra no top 100
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 10, 2016 às 11:40 pm

A nova geração americana tem mais um representante no top 100. Depois de Taylor Fritz romper a barreira no início da temporada, Frances Tiafoe atingiu a façanha ao conquistar o challenger de Stockton no último domingo. O jovem de 18 anos vive uma temporada com dois títulos, cinco finais e 39 vitórias em torneios de nível challenger, além de uma vitória em ATP no Masters 1000 de Indian Wells.

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“Isso significa o mundo para mim”, disse Tiafoe ao site da ATP sobre sua chegada ao top 100. Tiafoe é o primeiro jogador nascido em 1998 a atingir essa marca. “Ver seu ranking na primeira página é aquilo que você sonha quando é criança”, acrescenta o jovem que em agosto havia vencido challenger de Granby, no Canadá.

“Mas não é aqui onde eu quero terminar. Venho de boas semanas e quero continuar enfileirando vitórias”, completou após vencer Noah Rubin na final de Stockton por 6/4 e 6/2. As rodadas finais do challenger tinham quatro jovens americanos, com Michael Mmoh e Mackenzie McDonald chegando à penúltima fase, além do vice-campeão Rubin.

Em março, durante o Banana Bowl, conversei com o técnico brasileiro Léo Azevedo que está desde 2009 na USTA e acompanhou o início da trajetória deste jovem americano. “Nunca trabalhei com o Tiafoe diariamente, mas fui o primeiro que o convidou para vir a um centro da USTA em um fim de semana que tinha clínica”.

“A gente fez um monte de ‘camps’ e começamos a acompanhar muitos desses jovens americanos desde que tinham 12 anos”, contou Azevedo, que ainda destacou a excelente condição física do jogador. “Tiafoe é um atleta formidável, mas o melhor dele ainda está por chegar. Ele vai ser um dos melhores atletas do circuito”. (A íntegra da entrevista está neste link)

Tiafoe & Fritz quebram marcas – Ao lado do atual 71º colocado Taylor Fritz, Tiafoe quebra marcas. A última vez que dois americanos de 18 anos apareceram simultaneamente no top 100 aconteceu em 6 agosto de 1990 com os então adolescentes Pete Sampras e Michael Chang. Já o último país com dois jogadores nessa idade entre os cem melhores foi a França, com Gael Monfils e Richard Gasquet em 6 junho de 2005.

Kyrgios campeão – Outro destaque da semana foi o terceiro título da carreira de Nick Kyrgios. O australiano de 21 anos foi campeão do ATP 500 de Tóquio com vitória por 4/6, 6/3 e 7/5 sobre David Goffin. Na semifinal, ele ainda conseguiu a sexta vitória contra top 10 no ano e décima na carreira ao marcar duplo 6/4 diante de Gael Monfils.

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Kyrgios conquistou seu terceiro título na temporada, bateu o melhor ranking e é o mais jovem a ganhar um ATP 500 desde 2009

Aos 21 anos, Kyrgios é o mais jovem a vencer um ATP 500 desde 2009, quando Juan Martin del Potro foi campeão em Washington. Ele também alcançou o ranking mais alto da carreira, subindo ao 14º lugar. O tênis masculino australiano não comemorava um título tão importante desde 2004, em Washington, com o ex-número 1 do mundo Lleyton Hewitt. No feminino, Samantha Jane Stosur ganhou o US Open há cinco anos.

Career High – O alemão Alexander Zverev segue cada vez mais próximo do top 20. A campanha até as quartas de final do ATP 500 de Pequim o colocou no 21º lugar. Caso derrotasse David Ferrer na última sexta-feira, ele já garantiria um lugar entre os 20 melhores.

Como não tem mais pontos a defender em 2016, além de já avançar uma rodada no Masters 1000 de Xangai é provável que Zverev seja o primeiro jogador com menos de 20 anos a terminar a temporada no top 20 desde que Novak Djokovic e Andy Murray o fizeram em 2006.

Outro jogador que atingiu sua melhor marca pessoal é o britânico Kyle Edmund, que também foi às quartas de final em Pequim e perdeu um jogo de parciais muito distintas para Murray. O jovem de 21 anos entrou no top 50 e aparece no 48º lugar do ranking.

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Votação na WTA – A duas semanas para o fim do calendário regular, a WTA abriu votação para escolher a revelação da temporada. As opções são a americana Louisa Chirico (60ª do ranking aos 20 anos), a suíça Viktorija Golubic (62ª colocada aos 23), a japonesa Naomi Osaka (42ª do mundo aos 18) e a letã Jelena Ostapenko (43ª colocada aos 19).

Entre as quatro indicações, Golubic foi a única a conquistar um título, no saibro de Gstaad. Chirico também teve como ponto alto uma campanha no saibro, chegando à semifinal de Madri. Ostapenko foi finalista em Doha lá em fevereiro, derrotou a então top 10 Petra Kvitova antes de cair para Carla Suárez Navarro, mas não vem de bons resultados. Já Osaka é a mais jovem do top 50, chegou à terceira fase no Australian Open e US Open e foi vice-campeã em Tóquio.

Grego bate na trave – Líder do ranking mundial juvenil, o grego Stefanos Tsitsipas esteve próximo de conquistar seu primeiro challenger aos 18 anos. O jogador de 1,93m foi finalista no saibro marroquino de Mohammedia, mas perdeu a decisão para o canhoto austríaco Gerald Melzer por 3/6, 6/3 e 6/2. Mesmo com o vice-campeonato, ele subiu 72 posições e aparece com seu melhor ranking profissional no 241º lugar.

O despertar da Rússia
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 3, 2016 às 7:37 pm

O tênis russo está em reconstrução depois de um período adormecido, com direito à uma debandada de jogdadores para países próximos com condições mais atrativas (Olá, Cazaquistão). Só neste final de semana, a nova geração do país comemorou um título de ATP e o da Copa Davis Júnior, além de ter uma boa campanha na Fed Cup da categoria.

Não nos esqueçamos de Andrey Rublev, que foi número 1 juvenil e já ocupa o 172º lugar do ranking aos 18 anos, com 12 vitórias em ATP na carreira, e da volta ao Grupo Mundial da Copa Davis profissional depois de cinco anos, conquistada em setembro último. Pouco a pouco, os russos estão de volta.

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Karen Khachanov foi o grande nome da semana ao conquistar o ATP 250 de Chengu. O moscovita de 20 anos tem 1,98m passou por três cabeças de chave antes, João Sousa, Feliciano López e Viktor Troicki de derrotar o canhoto espanhol Albert Ramos na final por 6/7 (4-7), 7/6 (7-3) e 6/3. O resultado, o fez ganhar 46 posições no ranking e saltar para o 55º lugar.

Medalhista de prata na chave de duplas dos Jogos Olímpicos da Juventude, Khachanov treina na Espanha com Galo Blanco e por isso, ganhou convite para o quali do ATP 500 de Barcelona este ano, onde aproveitou a chance e ganhou do top 20 Roberto Bautista Agut em seu primeiro resultado expressivo como profissional. Ele já soma 15 vitórias em ATP na carreira, sendo onze na atual temporada e também possui dois títulos de nível challenger.

Timofey Skatov, Alexey Zakharov e Alen Avidzba garantiram o título inédito da Rússia (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

Timofey Skatov, Alexey Zakharov e Alen Avidzba garantiram o título inédito da Rússia (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

Outro grande resultado para a Rússia foi o título da Copa Davis Júnior, o Campeonato Mundial da categoria 16 anos masculino, em Budapeste, na Hungria. Foi a primeira vez que o país ganhou a competição, depois de um título da União Soviética em 1990.

O time de Timofey Skatov, Alen Avidzba e Alexey Zakharov fez uma primeira fase impecável e venceu as nove partidas (seis de simples e três de duplas) num grupo com Japão, Alemanha e Egito. No sábado, eles venceram a semifinal contra a Argentina e impediram o bicampeonato do Canadá no dia seguinte.

O Canadá, aliás, estava com equipe quase toda nova em relação ao ano passado. Exceção feita a Felix Auger-Aliassime, número 2 do ranking mundial juvenil e recém-coroado campeão do US Open. Ele foi responsável pela única derrota russa em uma partida de simples nesta Davis Júnior, marcando o único ponto canadense na final.

Menção também à Argentina, que conseguiu um terceiro lugar com Sebastian Baez (campeão de simples e duplas no Orange Bowl de 16 anos em 2015), Thiago Tirante e Tomas Descarrega. Eles venceram o forte time dos Estados Unidos na decisão do bronze. O país tentava chegar à sua terceira final de Davis Júnior, repetindo as campanhas de 2007 e 2008, sendo que o Chile foi a única nação sul-americana a vencer a competição em 2001.

Brasil de Mateus Alves, Gilbert Klier e Thiago Wild  venceu os Estados Unidos na primeira fase, mas terminou no 13º lugar.

Brasil de Mateus Alves, Gilbert Klier e Thiago Wild venceu os Estados Unidos na primeira fase, mas terminou no 13º lugar.

O Brasil teve pouco a comemorar ao terminar a Davis Júnior em 13º lugar entre as 16 nações participantes. O melhor resultado de Thiago Wild, Mateus Alves e Gilbert Klier foi a vitória por 2 a 1 contra os Estados Unidos ainda na fase de grupos. Em chave complicada com República Tcheca e Suíça, o Brasil venceu só mais um jogo e ficou em último lugar no grupo. A reabilitação veio no fim de semana, com vitórias contra Chile (2-0) e Marrocos (2-1).

Paralelamente, há a preocupante notícia da perda do patrocínio dos Correios para a Confederação Brasileira. Ao todo, 55 contratos (de atletas, técnicos e funcionários) foram cancelados. E mesmo que haja renovação posterior, o valor seria de até 15% do investimento atual. Muitos de nossos juvenis dependem do dinheiro dos Correios para custear suas despesas. Há algumas semanas, havia levantado as campanhas dos brasileiros em Grand Slam juvenil e relatei que houve queda no número de representantes nos últimos anos. Um quadro pode ficar mais grave nos próximos anos.

 

Polônia surpreendeu favoritas russas e americanas na Fed Cup Júnior (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

Polônia surpreendeu favoritas russas e americanas na Fed Cup Júnior (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

A surpresa em Budapeste foi a conquista da Polônia na Fed Cup Júnior, derrotando a até então invicta Rússia na semifinal e os Estados Unidos na decisão. É a segunda conquista do país, que também foi campeão em 2005 liderado pelas irmãs Agnieszka e Urszula Radwanska.

O time da Polônia contou com Iga Swiatek (12ª), Maja Chwalinska (96ª) e Stefanie Rogozinska-Dzik (171ª). Todas elas são de 2001 e podem defender o título no ano que vem. Para efeito de comparação, as russas tinham 2 e 3 do ranking mundial juvenil, Anastasia Potapova e Olesya Pervushina, e as americanas contava com a quarta e décima colocadas, Amanda Anisimova e Claire Liu.