Monthly Archives: junho 2017

Com ’empurrãozão’, Rublev é top 100
Por Mario Sérgio Cruz
junho 26, 2017 às 10:46 pm

O top 100 do ranking masculino tem uma novidade nesta segunda-feira. O russo Andrey Rublev aparece com a melhor marca da carreira aos 19 anos, ocupando o 92º do lugar após a boa campanha até as quartas de final no ATP 500 de Halle.

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As vitórias sobre o espanhol Albert Ramos e o compatriota Mikhail Youzhny renderam um salto de 14 posições e o debute na lista dos cem melhores do mundo. Convidado no torneio, Rublev caiu para o também russo Karen Khachanov, que é dois anos mais velho e também garantiu seu melhor ranking ao chegar ao 34º posto.

Se a arrancada de Rublev no ranking foi tardia para a vaga direta em Wimbledon, ao menos a campanha na grama alemã serve como embalo para o russo que já estreou no quali para o Grand Slam britânico nesta segunda-feira com vitória por duplo 6/3 sobre o português João Domingues. Seu próximo rival é o irlandês James McGee.

Empurrãozão – Entre o final de 2014, ano em que foi campeão juvenil de Roland Garros, e a boa campanha em Halle na semana passada, Rublev já recebeu 16 convites para chaves principais de ATP, dos quais quatro foram para Masters 1000.

Das dezesseis vitórias em nível ATP que ele possui na carreira, dez vieram em torneios em que ele entrou como convidado. É inegável que o russo teve um “empurrãozão” e bem mais oportunidades que outros jogadores de sua geração, mas temos que destacar também que ele aproveitou boa parte das chances que teve.

Contestado – Rublev já teve alguns problemas de comportamento em quadra. Um dos que puxaram a orelha do russo foi o veterano Fernando Verdasco, depois de uma derrota para o jovem no ATP de Barcelona em 2015. O experiente espanhol afirmou: “Estou surpreso com o quão rude ele é para alguém de 17 anos. Ele não mostra nenhum respeito pelos adversários”.

À época próprio Rublev rebateu as acusacões: “Eu fico completamente louco quando comemoro alguns pontos, mas se o Cristiano Ronaldo faz isso, por que eu não posso fazer?”, disse o russo. “Não deve ser fácil enfrentar um jovem como eu e perder”.

Outro que já reclamou do mau comportamento em quadra do russo foi o argentino Renzo Olivo, por meio das redes sociais.

 

Por ora, não houve nenhuma denúncia ou punição formal contra Rublev, o que pode sinalizar que a má conduta em quadra tenha ficado no passado.

Boy Band – Mas se há um passado a realmente ser condenado do Rublev não é de suas explosões em quadra quando era recém-saído do juvenil. A boy band russa é muito pior.

Sensação canadense – Na semana anterior, quem se destacou foi o canadense Felix Auger-Aliassime com o título do challenger de Lyon. O jovem de apenas 16 anos saltou para o 231º lugar com a conquista (e já ganhou mais duas posições nesta semana).

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Com isso, Aliassime se tornou o quarto jogador desde 2000 a conseguir um lugar entre os 250 melhores com 16 anos, juntando-se a Rafael Nadal, Richard Gasquet e Juan Martin del Potro. Delpo, aliás, havia sido o último a conseguir tal feito, em 2005. O canadense também é o sétimo mais jovem vencedor de um torneio de nível challenger.

Ostapenko e Anabel, um título a quatro mãos
Por Mario Sérgio Cruz
junho 11, 2017 às 1:08 pm

 

 Ostapenko contou com a ajuda de Anabel Medina Garrigues durante a temporada de saibro e chegou ao título de Roland Garros.


Ostapenko contou com a ajuda de Anabel Medina Garrigues durante a temporada de saibro e chegou ao título de Roland Garros.

As duas semanas fantásticas de Jelena Ostapenko em Paris foram coroadas com o primeiro título da jovem letã de 20 anos. O troféu foi logo o de um Grand Slam, em Roland Garros, no saibro, justamente o piso em que a letã tinha os resultados menos expressivos. Tamanha evolução em tão pouco tempo só foi possível porque Ostapenko encontrou a pessoa certa no momento certo para trabalhar.

A primeira vitória da letã numa chave principal de WTA no saibro veio apenas em maio do ano passado, em Roma. E antes de Roland Garros, ela havia vencido apenas onze jogos na elite do circuito neste piso, sendo que quatro delas haviam acontecido em Charleston, onde a superfície de har-tru (saibro verde) torna o jogo mais rápido e adaptado ao seu estilo que o tradicional saibro vermelho.

Disposta a evoluir no piso em que tinha mais dificuldades, Ostapenko buscou ajuda da espanhola Anabel Medina Garrigues, veterana de 34 anos e que está sem jogar desde Wimbledon no ano passado por conta de uma lesão no ombro. Dos onze títulos de WTA conquistados pela espanhola, dez foram no saibro, o que faz dela a terceira jogadora em atividade com mais conquistas (Serena Williams tem 13 e Maria Sharapova tem 11).

A parceria seria apenas para os torneios no saibro e representaria a terceira colaboração entre Anabel e Ostapenko. Elas já haviam trabalhado juntas durante a pré-temporada de 2015 em Valência, mas a espanhola tinha seus próprios compromissos como jogadora e a parceria não pôde seguir em frente. Um segundo teste veio no fim do ano passado, na perna asiática da temporada, já com a veterana inativa por lesão.

Marcada por um estilo de jogo agressivo, com números elevados de winners e erros não-forçados, Ostapenko precisava encontrar consistência no fundo de quadra e escolher o momento certo de atacar para fazer seu jogo ficar ainda mais eficiente. Dois exemplos claros foram as quartas de final em Paris contra Caroline Wozniacki, quando fez 38 a 6 em winners ou a final diante de Simona Halep com 54 bolas vencedoras diante de apenas 8 da romena. Mas tamanho volume de jogo não veio só batendo cada vez mais forte na bolinha.

Quando superou Wozniacki nas quartas, anotando sua quarta vitória sobre a dinamarquesa, Ostapenko falou sobre o plano tático. “Em minha mente, toda vez que eu jogar contra ela, eu só sei que tenho que ser agressiva, mas não ir para a definição logo na primeira bola, porque eu tenho que ser consistente”, comentou a letã que terminou aquele jogo com 50 erros, mas 25 deles foram no primeiro set, com muito vento em quadra, e os outros 25 distribuídos entre as duas parciais seguintes, quando ela errou bem menos e acertou mais bolas.

A combinação entre o jogo agressivo da letã com a consistência do fundo de quadra também foi abordada por Anabel em entrevista ao site espanhol Punto de Break. “Ela quer acabar com todos os pontos em dois golpes e você tem que explicar para ela que é preciso se adaptar à adversária e à superfície, aprender a construir os pontos, jogar de forma mais organizada e ser paciente para cometer menos erros. Ela é apenas uma menina e precisa trabalhar nisso”.

E até onde ela pode chegar? Depois de saltar do 47º lugar para a 12ª posição e conquistar seu primeiro título, Ostapenko já pensa grande “Estou muito feliz, mas ainda tenho que melhorar como jogadora. É claro que eu gostaria de ganhar todos os Grand Slam. É meu objetivo, mas vou tentar trabalhar muito agora”.

Velocidade – Um dado que chamou a atenção durante a campanha de Ostapenko em Roland Garros foi a velocidade de seus golpes de forehand. A média de 76 mph (ou 122 km/h) consegue ser mais alta que as do número 1 do tênis masculino Andy Murray com 73 mph (ou 116 km/h). A jovem jogadora falou um pouco sobre seu incrível volume de jogo após a final do último sábado.

“Eu acho que ninguém me ensinou, é apenas a maneira como eu jogo, minha característica é assim. Então eu quero bater forte na bola. Acho que se eu realmente tiver um bom dia e estiver batendo muito bem, acho que qualquer coisa é possível”.

Geração 97 – Ostapenko é mais uma jogadora que vem da promissora geração de 1997. No mesmo ano nasceram a suíça Belinda Bencic, a russa Daria Kasatkina, a croata Ana Konjuh, a japonesa Naomi Osaka e a russa Natalia Vikhlyantseva. Todas elas já estiveram entre as cem melhores do mundo e obtiveram resultados expressivos na WTA.

Bencic já ganhou de quatro top 10 (incluindo Serena Williams) no mesmo torneio e chegou ao grupo das 10 primeiras antes de sofrer com lesões no punho e na região lombar (hoje ela é 118ª), Kasatkina (28ª) conquistou o Premier de Charleston numa final contra a própria Ostapenko, Konjuh (30ª) venceu seu primeiro WTA aos 17 anos em Nottingham e foi às quartas no US Open, Osaka (55ª) decidiu o forte Premier de Tóquio no ano passado , enquanto Vikhlyantseva (74ª) fez semi no Premier de São Petersburgo. Veremos muitas jogadoras dessa faixa etária brilhando nos próximos anos.

 

Ostapenko e Khachanov chegam ao palco principal
Por Mario Sérgio Cruz
junho 5, 2017 às 1:16 am

Ao fim da primeira semana de Roland Garros, duas jovens esperanças vem se destacando no Grand Slam francês. A letã Jelena Ostapenko já está na quartas de final de final da chave feminina, enquanto o russo Karen Khachanov disputa as oitavas entre os homens. Nenhum dos dois havia chegado tão longe em um torneio deste tamanho e ambos deverão atuar na quadra Philippe Chatrier, a principal do complexo parisiense, diante de rivais bem mais experientes.

f_CP_0206_Ostapenko2 Ostapenko é o tipo de adversária que ninguém quer ter na chave. Com um estilo de jogo agressivo, muita potência nos golpes e, quando tem confiança, é capaz de disparar seguidos winners de qualquer parte da quadra. Particularmente achava que ela poderia fazer mais estrago em Wimbledon, onde a bola andaria ainda mais e onde já foi campeã como juvenil, que em Roland Garros.

Atual 47ª do ranking aos 19 anos (completa 20 no dia 8 de junho) está apenas em sua segunda participação em Roland Garros e havia caído na estreia no ano passado. Se antes do torneio, ela tinha apenas quatro vitórias em chaves principais de Grand Slam, ela já dobrou esse número em Paris ao derrotar Louisa Chirico, a campeã olímpica Monica Puig, Lesia Tsurenko e a finalista de 2010 Samantha Stosur.

Depois de derrota na terceira rodada, Tsurenko chegou a declarar que jogar contra Ostapenko era como “enfrentar um robô”. Já o mineiro Bruno Soares, que jogou duplas mistas com a jovem letã, prevê um futuro promissor para ela. “Já a vi jogando um pouquinho de simples. É uma menina novinha, que bate muito forte na bola e com grande potencial. Vamos tentar encaixar essa dupla”, disse por meio de sua assessoria. Pelo Twitter, Bruno também disse que ela pode ser uma “futura top 10 em 2018″.

Em busca de um lugar na semifinal de Roland Garros, Ostapenko enfrenta a ex-número 1 do mundo Caroline Wozniacki. A letã venceu os três duelos anteriores contra a dinamarquesa com um volume de jogo absurdo nas condições mais rápidas de New Haven e Charleston. O último embate foi disputado no saibro de Praga há poucas semanas e foi bem mais parelho, mas novamente o jogo agressivo da letã fez a diferença no tiebreak do terceiro set.

Caso consiga encaixar seu jogo e cometer poucos erros, Ostapenko pode complicar de novo a vida de Wozniacki, mas a dinamarquesa vem mostrando no torneio alguns recursos diferentes e soluções criativas (leia: devoluções de dentro da quadra e um drop shot meio feio, porém eficiente) para não ficar tanto tempo se defendendo. Promessa de um bom jogo na terça.

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O russo Khachanov era uma das cinco surpresas que citei no post da semana passada. Antes do início do torneio, o jovem de 21 anos e 53º colocado aparecia em um setor da chave com bons nomes, mas nenhum bicho-papão no saibro. Logo em sua primeira participação em Roland Garros, eliminou Tomas Berdych e John Isner, cabeças de chave 13 e 21, além de ter confirmado o favoritismo contra o chileno Nicolas Jarry na estreia.

Com apenas uma vitória contra top 10 na carreira, conquistada sobre o belga David Goffin este ano em Barcelona, Khachanov terá a missão de desafiar o número 1 do mundo Andy Murray nas oitavas de final. O cenário mais provável é a classificação do britânico depois de ser levado ao limite pelo jovem russo.

Um ponto comum entre ele e Murray é que ambos tiveram parte significativa de suas formações como jogadores nas quadras do Real Club de Tenis Barcelona. Khachanov saiu da Rússia ainda aos 15 anos e foi treinar na Croácia. Três anos mais tarde, aos 18, mudou-se para Barcelona, onde treina até hoje.