Kasatkina, enfim, aproveitou o match point
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 10, 2017 às 8:59 pm

“A primeira coisa que eu pensei foi: ‘Venci o match point’ (risos). Eu perdi alguns jogos que tive match point no ano passado, e neste ano, então essa partida foi muito importante para mim”, assim afirmou aliviada a russa Daria Kasatkina na entrevista coletiva após superar Angelique Kerber por 7/6 (7-5) e 6/2 pelas oitavas de final do WTA Premier de Sydney.

Não é por acaso, a jovem de 19 anos e já 26ª do ranking carregava um incômodo histórico de viradas sofridas após não aproveitar os match points que teve. “Eu tive match points em três jogos contra top 10. E hoje eu venci a número 1 do mundo”.

A trajetória começou na edição passada do WTA de Doha, em fevereiro de 2016, quando teve três chances de despachar a então décima colocada Roberta Vinci. No mês de outubro, em Pequim, ela teve a bola do jogo contra a número 5 do ranking Karolina Pliskova. Já na semana passada, atuando em Brisbane, a jovem russa poderia eliminar a sétima do mundo Garbiñe Muguruza, mas novamente não aproveitou a chance.

“Eu estava muito triste depois daqueles jogos. Ficava chorando e tudo mais”, contou a russa que também no ano passado, foi eliminada de Roland Garros e Wimbledon em partidas que perdeu a última parcial por 10/8 para Kiki Bertens e Venus Williams, respectivamente. Ela também perdeu um match point no jogo contra Sloane Stephens em Charleston.

“Mas, depois, analisamos todos estes jogos, e eu sentia que, mais cedo ou mais tarde, eu ia começar a ganhar uma partida assim. Eu esperava que este momento chegasse logo. Por isso, este jogo foi tão importante para mim”, acrescentou a jogadora que é treinada por Vladimir Platenik.

Aproveitando-se de um dia ruim de Kerber, que não encontrou um bom ritmo no jogo e cometeu seis duplas-faltas e 41 erros, Kasatkina venceu os oito primeiros pontos da partida e liderou o set inicial por 4/1, quando ainda perdeu dois break points. A russa ainda teria um set point no saque da adversária, mas só definiria a parcial após um erro de devolução da alemã no tiebreak. Já no segundo set, a jovem de 19 anos minou o saque da líder do ranking e ainda contou com a sorte para conseguir a última de suas três quebras na parcial.

Ciente de que ainda restam três rodadas para o fim do torneio, Kasatkina foi moderada na comemoração da vitória sobre a número 1 do mundo. É só o meio do torneio. Se eu ficar em choque ou feliz demais, as coisas podem piorar. Então, estou calma, feliz porque ganhei hoje e já pensando nas quartas de final.

A promessa russa deverá ser cabeça de chave 23 no Australian Open, por conta das desistências de Madison Keys, Petra Kvitova e Victoria Azarenka. Isso a impedirá de cruzar o caminho de praticamente todas as top 10 antes das oitavas de final, exceção feita à britânica Johanna Konta, que aliás, será sua próxima adversária em Sydney.

“Ela tem um bom saque, um bom backhand e não tem tantos pontos fracos. Será bom jogo e, novamente, contra uma top 10. Fico feliz, porque é bom começar a temporada jogando contra as melhores para que você possa ver qual é o seu nível, além de ser uma boa preparação para o Australian Open”.

As vitórias de jovens jogadoras sobre as líderes do ranking têm se tornado cada vez mais raras nos últimos anos. As estrelas do circuito têm prolongado suas carreiras e atuado em alto nível por mais tempo, fazendo com que as promessas demorem um pouco mais para explodirem no circuito. Desde 2009, foram apenas seis atletas com menos de 20 anos que derrubaram uma número 1 do mundo. 2017-01-10 (2)

Logo após a vitória mais importante da carreira, Kasatkina respondeu à inevitável pergunta sobre como se sentia após vencer a melhor jogadora do mundo e destacou o quanto isso pode trazer de confiança para o restante da temporada, em especial para o Australian Open na semana que vem.

“É difícil explicar [como eu me sinto] porque eu acabei de derrotar a número 1 do mundo e isso não acontece todo dia”, disse ainda dentro de quadra. “Este é o segundo torneio seguido que eu enfrento uma das melhores jogadoras do mundo [lembrando da partida contra Muguruza em Brisbane]. Na minha estreia aqui eu já havia jogado muito bem e venci um jogo de três sets (contra a húngara Timea Babos) e agora fiz uma partida incrível e venci a número 1 do mundo, então isso dá bastante confiança”.

Com mais calma, a jovem russa falou à WTA sobre a experiência que adquiriu enfrentando adversárias de peso durante o ano passado e que intensificou a pré-temporada para dar o próximo passo. “Trabalhei duro na pré-temporada, foram sete ou oito semanas de preparação, mas é claro que tudo isso compensou. Estou me sentindo melhor, em melhor forma e mais confiante. Isso me ajudou muito”.

“Nessas partidas você pode ficar nervosa às vezes, especialmente se estiver enfrentando uma adversária muito boa, e em um dia muito quente”, avaliou a jovem russa que já tinha vitória contra top 10 sobre Venus Williams, há pouco mais de um ano, na edição de 2016 do WTA de Auckland. “Ganhei experiência no ano passado e no começo deste ano e sabia o que fazer para jogar nesse tempo e o que fazer quando estava nervosa”.


Comentários
  1. HENRIQUE MANOEL

    KASAKTINA JOGA BEM TOMARA QUE CONSIGA MAIS UMA VITORIA DIANTE DE JOHANNA KONTA PARA MIM O FUTURO BIG FIVE DA WTA E BENCIC KONJUH NAOMI OSAKA E OSTAPENKO E KASKTINA LOGO LOGO SERAO TOP 10 SEUS POSTS SAO EXCELENTES SOBRE JOVENS QUE PARECE QUE SO EU QUE CONHECO TODOS JOVENS DO CIRCUITO ATP E WTA APESAR DE NUNCA COMENTAR ACHO SEUS POSTS SENSACIONAIS E SUCESSO

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  2. Priscila

    Kerber não jogou bem e a Kasatkina aproveitou a oportunidade. Vamos ver como ela se sairá nos próximos dias.

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