Nova geração não brilha em Melbourne. E cadê os sul-americanos no juvenil?
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 27, 2017 às 8:20 pm

Em um Grand Slam marcado por vitórias de veteranos, a nova geração do tênis teve pouquíssimo brilho neste Australian Open. Além das poucas campanhas realmente expressivas, não houve sequer uma grande vitória dos atletas mais jovens no primeiro Slam da temporada. O que restou foram boas apresentações contra grandes nomes do circuito.

É o caso de Alexander Zverev, único entre os vinte jogadores com até 21 anos da chave masculina que conseguiu à terceira rodada. O alemão de 19 anos passou pelo holandês Robin Haase e pelo também jovem americano Frances Tiafoe antes de cair diante de Rafael Nadal em duelo de cinco sets.

2017-01-27

Na duríssima partida contra Nadal, dois momentos pesaram: Uma breve queda de intensidade no início do quarto set, quando o alemão liderava por 2 sets 1 e viu o espanhol largar com uma vantagem confortável na parcial e um rali de 37 trocas de bola disputado quando o último set estava empatado por 2/2. Zverev até venceu o ponto, mas sentiu o desgaste, sofreu a quebra e ainda viu Nadal confirmar facilmente o saque antes da virada de lado. Pouco pôde fazer depois que já perdia o último set por 4/2 e viu Nadal prevalecer por 4/6, 6/3, 6/7 (5-7), 6/3 e 6/2.

Alexander Zverev foi o melhor nome da nova geração masculina (Foto: Ben Solomon/Tennis Australia)

Alexander Zverev foi o melhor nome da nova geração masculina (Foto: Ben Solomon/Tennis Australia)

“Tive câimbras depois daquele longo rali. Cheguei a ter um game-point para fazer 3/2, mas acabei perdendo o game um pouco por causa disso. Então, sim, essa foi uma grande razão para o jogo ter mudado”, reconheceu o alemão após a partida com Nadal. Ainda assim, ele tirou vários aspectos positivos.

“Não sou do tipo de pessoa que pensa apenas no presente. Eu amo o tênis absolutamente, e amo o processo de aprendizado. É emocionante para mim”, afirmou o jovem de 19 anos. “Eu posso ver como estou ficando melhor. E posso ver como estou ficando melhor para jogos de cinco sets. Isso é emocionante. Acho que este vai ser um ano incrível para mim”,

No feminino, a melhor campanha foi de Jennifer Brady, americana que disputou seu primeiro Grand Slam da carreira aos 21 anos e já chegou às oitavas de final. Depois de entrar em Melbourne como 116ª do mundo, a norte-americana furou o quali e ainda venceu mais três jogos na chave principal, campanha que certamente a levará ao top 100.

Jelena Ostapenko esteve perto de eliminar Pliskova na terceira rodada

Jelena Ostapenko esteve perto de eliminar Pliskova na terceira rodada

Mas foi na terceira rodada, o jogo mais expressivo de uma atleta da nova geração feminina. A letã de 19 anos Jelena Ostapenko, que já é 38ª do mundo e tem duas vitórias contra top 10 no currículo, enfrentou Karolina Pliskova. A estratégia de deslocar Pliskova lateralmente, especialmente nos pontos jogados no segundo saque da adversária, funcionou durante a maior parte da partida e a letã herdou muitos pontos de erros da top 5 tcheca.

Mas a ansiedade falou mais alto na hora de fechar o jogo e Ostapenko deixou escapar uma vantagem por 5/2 no último set, depois de ter sacado duas vezes para o jogo e acabou perdendo por 4/6, 6/0 e 10/8 em 2h05.

 

CADÊ OS SUL-AMERICANOS? 

Pelo segundo ano seguido, nenhum brasileiro disputou a chave juvenil do Australian Open. Mas mais que isso, dos 21 tenistas do sul-amricanos no top 100 do ranking, nenhum foi a Melbourne. Ao mesmo tempo que o alto custo da viagem e a diminuição dos recursos vindos do patrocínio dos Correios são fatores conhecidos, houve uma reestruturação do calendário da ITF que afetou os torneios no saibro sul-americano.

Em junho a ITF aprovou o calendário 2017 com mudanças importantes na Gira Cosat, que passou a ter parte dos torneios acontecendo em janeiro e fevereiro, enquanto o restante da gira entre setembro e novembro. Com isso, os maiores torneios do Brasil, o Banana Bowl e o Campeonato Internacional de Porto Alegre foram para fevereiro e não mais em março, como acontecia nos últimos anos.

O que motivou a mudança na COSAT foi a dificuldade que o calendário anterior causava para os jogadores participarem de torneios consecutivos de alto nível na América do Sul por estarem todos juntos, mas a contrapartida foi a coincidência de datas com o primeiro Grand Slam do ano. Como para muitos garotos a prioridade é a Gira Europeia de 2017, eles preferiram somar pontos no próprio continente.

Finais do Juvenil – As finais do juvenil acontecem neste sábado em Melbourne. A masculina será na quadra 7 entre o israelense Yshai Oliel e o húngaro Zsombor Piros. Já a feminina acontece na Rod Laver Arena a partir da meia-noite (de Brasília) entre a suíça Rebeka Masarova e a ucraniana Marta Kostyuk. Terão transmissão no site do Autralian Open e pelo WatchESPN.

 


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