Na Flórida, técnico brasileiro busca novos talentos
Por Mario Sérgio Cruz
maio 24, 2017 às 6:02 pm

O treinador Rodrigo Nascimento está em busca de novos talentos. O paulista de 40 anos vive nos Estados Unidos desde os 13, quando se mudou com a família e disputou competições juvenis antes de fazer carreira como técnico.Rodrigo já trabalhou com a ex-número 1 do mundo Monica Seles e nomes de destaque do circuito feminino como e jogadoras que estiveram entre as 50 melhores do mundo como Sorana Cirstea e Jamea Jackson e até mesmo no melhor momento da suíça Miroslava Vavrinek, ex-número 76 e hoje esposa de Roger Federer.

Seu novo trabalho é a academia R&B Tennis Team com ênfase no trabalho com jogadores juvenis. De acordo com o técnico, a ideia é formar um grupo pequeno de jovens jogadores, com possibilidade de selecionar um ou dois brasileiros, para dar atendimento personalizado a cada atleta treinado em sua academia. O projeto com base em Wellington, na Flórida, é acompanhado de perto por Betsy Nagelsen, bicampeã de duplas do Australian Open em 1978 e 1980 e viúva de Mark McCormack, fundador da agência IMG. Em entrevista ao TenisBrasil, Rodrigo comentou sobre seu novo projeto.

O treinador Rodrigo Nascimento administra equipe com juvenis na Flórida (Foto: Renan Justi)

O treinador Rodrigo Nascimento administra equipe com juvenis na Flórida (Foto: Renan Justi)

– Você hoje está treinando uma equipe na Flórida. Quantos jogadores e de quais nacionalidades e faixas etárias tem participado do trabalho?
Sim, no momento estamos com uma equipe de três tenistas, todas do circuito juvenil na faixa dos 12 a 14 anos. Todas elas nasceram nos Estados Unidos. No período de férias no meio deste ano, teremos um garoto da Romênia, Vlad Andrei Dancu, que alcançou a posição de número 1 da Europa na categoria 14 anos.

– Há intenção de selecionar um ou dois jovens jogadores brasileiros. Como está sendo o trabalho de observação deles e o acompanhamento de resultados deles para fazer essa escolha?
Avalio quem tem potencial, desejo de aprender com o time da R&B e perfil para trabalhar conosco na Flórida. Estamos na fase ainda de avaliação, falando com algumas pessoas do meio do tênis, fazendo contatos primeiramente. É um projeto que está sendo estruturado, mas que sairá do papel em breve.

– A procura é apenas por meninos ou existe possibilidade de levar uma menina também?
Ambos, sem nenhuma preferência de gênero. Meus principais resultados foram justamente no circuito feminino, tanto juvenil como no profissional. Seria interessante um garoto pela possibilidade de variar mais o perfil de nossos atletas, em Wellington, formado por maioria de meninas. É importante formar um grupo heterogêneo, assim um atleta pode agregar mais ao estilo de jogo do companheiro (a).

– Quando deveremos ter o resultado da seleção e o que pode ser oferecido aos escolhidos em termos de estrutura de treinamento e de estudos?
A ideia é que o atleta esteja conosco até o próximo ano, no período de férias. Desta forma, poderá aproveitar o período de férias escolares no Brasil para treinar conosco. Ele (a) contará com nosso apoio para treinos, preparação física e terá hospedagem na cidade de Wellington, onde temos nosso centro de treinamento. Caso queira estudar algo, poderemos estruturar melhor esta ideia de agenda e horários para não impactar nos treinamentos.

– Como está o desenvolvimento do Lucas Oncins, que trabalhou com você na Flórida? Quais são suas perspectivas sobre ele?
Olha, até onde sei, o Lucas não joga mais tênis. Pela última conversa que tive com o Jaime (pai), o Lucas estava decidindo se iria para faculdade somente para estudar e com isso iria deixar de jogar tênis para focar nos estudos. Se não me engano, acho que ele parou, mas posso estar enganado.

A ex-top 50 Jamea Jackson foi treinada por Rodrigo e hoje é técnica na USTA (Foto: Heusi Action)

A ex-top 50 Jamea Jackson foi treinada por Rodrigo e hoje é técnica na USTA (Foto: Heusi Action)

– Você treinou a Jamea Jackson exatamente quando ela bateu o melhor ranking e foi top 50. Hoje ela é ainda muito jovem (está com 30 anos), mas já está seguindo uma carreira como treinadora com juvenis na USTA. Você tem acompanhado e tido contato com esse trabalho dela?
A Jamea é uma pessoa muito especial, vivemos histórias maravilhosas e o carinho que tenho por ela é recíproco. Não tenho dúvidas que todo o aprendizado que ela teve no circuito, competindo nos maiores torneios e contra as grandes estrelas será fundamental para a formação de novas jogadoras. É sempre positivo para novas gerações conviverem com quem sabe como funciona o mundo do tênis.

– Nos últimos anos a gente tem visto um número cada vez maior de juvenis americanos jogando Banana Bowl e Copa Gerdau e dispostos a se desenvolver no saibro. O quanto tem sido feito para implementar essa cultura do saibro para os americanos e o quanto jogar nesse piso é importante para a formação de um jogador?
A vinda dos norte-americanos para a gira de saibro na América do Sul também vale para o profissional. O Bjorn Fratangelo, que ganhou o juvenil de Roland Garros, veio jogar em São Paulo e Campinas antes de chegar aos cem melhores da ATP. Todos aqui sabem que a cultura do saibro latino é muito forte, existe uma tradição brasileira, argentina, uruguaia e até equatoriana de grandes conquistas. É um intercâmbio fundamental para o jogador se tornar completo, embora em termos de importância o circuito tem cada vez mais se voltado para competições na quadra rápida.


Comentários
  1. Ricardo B. de Carvalho

    Espero que a tendencia do tenis ser jogado em quadra rapida estacione por aqui. Porque senão os americanos vão inventar um jogo tipo tenis-salão.

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