Ostapenko e Khachanov chegam ao palco principal
Por Mario Sérgio Cruz
junho 5, 2017 às 1:16 am

Ao fim da primeira semana de Roland Garros, duas jovens esperanças vem se destacando no Grand Slam francês. A letã Jelena Ostapenko já está na quartas de final de final da chave feminina, enquanto o russo Karen Khachanov disputa as oitavas entre os homens. Nenhum dos dois havia chegado tão longe em um torneio deste tamanho e ambos deverão atuar na quadra Philippe Chatrier, a principal do complexo parisiense, diante de rivais bem mais experientes.

f_CP_0206_Ostapenko2 Ostapenko é o tipo de adversária que ninguém quer ter na chave. Com um estilo de jogo agressivo, muita potência nos golpes e, quando tem confiança, é capaz de disparar seguidos winners de qualquer parte da quadra. Particularmente achava que ela poderia fazer mais estrago em Wimbledon, onde a bola andaria ainda mais e onde já foi campeã como juvenil, que em Roland Garros.

Atual 47ª do ranking aos 19 anos (completa 20 no dia 8 de junho) está apenas em sua segunda participação em Roland Garros e havia caído na estreia no ano passado. Se antes do torneio, ela tinha apenas quatro vitórias em chaves principais de Grand Slam, ela já dobrou esse número em Paris ao derrotar Louisa Chirico, a campeã olímpica Monica Puig, Lesia Tsurenko e a finalista de 2010 Samantha Stosur.

Depois de derrota na terceira rodada, Tsurenko chegou a declarar que jogar contra Ostapenko era como “enfrentar um robô”. Já o mineiro Bruno Soares, que jogou duplas mistas com a jovem letã, prevê um futuro promissor para ela. “Já a vi jogando um pouquinho de simples. É uma menina novinha, que bate muito forte na bola e com grande potencial. Vamos tentar encaixar essa dupla”, disse por meio de sua assessoria. Pelo Twitter, Bruno também disse que ela pode ser uma “futura top 10 em 2018″.

Em busca de um lugar na semifinal de Roland Garros, Ostapenko enfrenta a ex-número 1 do mundo Caroline Wozniacki. A letã venceu os três duelos anteriores contra a dinamarquesa com um volume de jogo absurdo nas condições mais rápidas de New Haven e Charleston. O último embate foi disputado no saibro de Praga há poucas semanas e foi bem mais parelho, mas novamente o jogo agressivo da letã fez a diferença no tiebreak do terceiro set.

Caso consiga encaixar seu jogo e cometer poucos erros, Ostapenko pode complicar de novo a vida de Wozniacki, mas a dinamarquesa vem mostrando no torneio alguns recursos diferentes e soluções criativas (leia: devoluções de dentro da quadra e um drop shot meio feio, porém eficiente) para não ficar tanto tempo se defendendo. Promessa de um bom jogo na terça.

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O russo Khachanov era uma das cinco surpresas que citei no post da semana passada. Antes do início do torneio, o jovem de 21 anos e 53º colocado aparecia em um setor da chave com bons nomes, mas nenhum bicho-papão no saibro. Logo em sua primeira participação em Roland Garros, eliminou Tomas Berdych e John Isner, cabeças de chave 13 e 21, além de ter confirmado o favoritismo contra o chileno Nicolas Jarry na estreia.

Com apenas uma vitória contra top 10 na carreira, conquistada sobre o belga David Goffin este ano em Barcelona, Khachanov terá a missão de desafiar o número 1 do mundo Andy Murray nas oitavas de final. O cenário mais provável é a classificação do britânico depois de ser levado ao limite pelo jovem russo.

Um ponto comum entre ele e Murray é que ambos tiveram parte significativa de suas formações como jogadores nas quadras do Real Club de Tenis Barcelona. Khachanov saiu da Rússia ainda aos 15 anos e foi treinar na Croácia. Três anos mais tarde, aos 18, mudou-se para Barcelona, onde treina até hoje.


Comentários
  1. Pieter

    É muito empolgante mesmo acompanhar o circuito e ver essas jovens promessas tornando-se realidades nos grandes palcos dos Grand Slams.
    A se lamentar apenas a falta de sorte da nossa Bia no sorteio da chave. Este ano, penso que em Praga, ela já derrotou a Ostapenko no qualifying, portanto, se tivesse tido mais sorte, também poderia ter ido mais longe certamente…

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    1. Mario Sérgio Cruz

      A Bia ainda não enfrentou a Ostapenko como profissional. Elas fizeram duas partidas no circuito juvenil lá em 2012 com vitórias da letã.

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      1. Pieter

        É verdade, Mário. Confundi-me totalmente. Lamento o equívoco.
        Mas o que você acha que podemos esperar de nossos juvenis lá em RG, a Thaisa e o Tiago?
        Ela perdeu hoje em simples mas venceu em duplas. E quanto ao garoto, será que pode aprontar alguma surpresa?

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        1. Mario Sérgio Cruz

          Thiago fez um calendário bem inteligente. Havia vencido o sul-americano, que lhe garantiu um ranking juvenil e partiu para os futures, onde fez os primeiros pontos na ATP. Depois ganhou o Santa Croce, outro torneio juvenil em maio, e foi pra Lyon treinar com Demo, Monteiro e pessoal da equipe dele. Tá sendo muito bem trabalhado e vem confiante, pode surpreender.

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          1. Pieter

            Hoje venceu um cabeça de chave israelense na bacia das almas… Torço por ele!
            Já houve algum juvenil brasileiro que tenha vencido RG?

          2. Mario Sérgio Cruz

            Tem um título de duplas do Guga em 94 ao lado do equatoriano Nicolas Lapentti

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