Definidos os números 1 da temporada juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 8, 2016 às 8:41 pm

O sérvio Miomir Kecmanovic e a russa Anastasia Potapova irão terminar o ano como líderes dos rankings juvenis masculino e feminino no circuito de 18 anos da ITF e serão considerados pela Federação Internacional os campeões mundiais juvenis de 2016.

Kecmanovic foi finalista de cinco dos últimos seis torneios que disputou (Foto: Hiromasa Mano)

Kecmanovic foi finalista de cinco dos últimos seis torneios que disputou (Foto: Hiromasa Mano)

Kecmanovic, de 17 anos, alcançou a liderança em 21 de novembro com título do Aberto Juvenil Mexicano, competição de nível GA. O sérvio que treina na IMG Academy de Nick Bollettieri assegurou a permanência no topo do ranking até o final do ano com mais duas conquistas na última semana, exatamente na mesma academia, ao ser campeão de simples e duplas do tradicional torneio Eddie Herr (ITF G1)

Vice-campeão do US Open e da Osaka Mayor’s Cup (ITF GA) entre setembro e outubro, Kecmanovic foi finalista em cinco dos últimos seis torneios juvenis que disputou. A única derrota prévia aconteceu para na Yucatan Cup (ITF G1) no saibro mexicano de Mérida, em que perdeu nas quartas para o paulista Gabriel Décamps, que se tornaria o campeão do torneio.

Será a primeira vez que a Sérvia terá um jogador na liderança do ranking mundial juvenil ao final de uma temporada. Novak Djokovic foi apenas o 24º melhor do mundo em sua categoria em 2003, enquanto Janko Tipsarevic até liderou o ranking em 2001, mas terminou aquela temporada atrás do canhoto luxemburguês Gilles Muller.

Potapova tem apenas 15 anos e já lidera o ranking juvenil feminino (Foto: Hiromasa Mano)

Potapova tem apenas 15 anos e já lidera o ranking juvenil feminino (Foto: Hiromasa Mano)

Já Potapova, que tem apenas 15 anos, havia chegado ao topo pela primeira vez em julho, logo depois de ser campeã juvenil de Wimbledon. Ela chegou a perder o primeiro lugar em setembro para a campeã do US Open Kayla Day, mas retomou a ponta do ranking em outubro após o título em Osaka.

A confirmação da liderança até o final do ano veio na última segunda-feira com a desistência da americana Day do Orange Bowl, que acontece nesta semana. A canhota de 17 anos era a única jogadora que poderia ultrapassar a promissora russa, que é treinada por Irina Doronina na Alexander Ostrovsky Academy, localizada na cidade de Khimki.

A Rússia volta a ter uma número 1 ao final do ano no feminino cinco anos depois de a canhota Irina Khromacheva conseguir o feito em 2011. Na temporada anterior, Daria Gavrilova (que atualmente joga sob bandeira australiana) também fechou o ano na liderança. Anastasia Pavlyuchenkova (2006), Svetlana Kuznetsova (2001), Lina Krasnoroutskaia (1999) e Anna Kournikova (1995) foram outras russas a conquistarem o título de campeã mundial juvenil.

Top 100 tem só dois com menos de 20 anos
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 28, 2016 às 4:53 pm

O ranking da ATP divulgado nesta segunda-feira é considerado o Year-End pela entidade que comanda o circuito masculino. Isso porque não há mais competições da ATP e nem mesmo de torneios de nível challenger até o final do ano. No máximo, acontecerão alguns futures que afetam jogadores abaixo dos cem melhores. Com isso, já é possível traçar alguns dados da nova geração.

O número de jogadores com menos de 20 anos terminaram a temporada dentro do top 100 foi reduzido de quatro para dois atletas. Os únicos nesta faixa etária ao final de 2016 são Alexander Zverev e Taylor Fritz, ambos com 19 anos. O alemão encerra a segunda temporada seguida entre os cem melhores e saltou do 81º para o 24º lugar, enquanto o americano entrou no top 100 em janeiro e hoje é o 76º colocado.

Dos outros três teenagers/adolescentes que terminaram 2015 no top 100, apenas Borna Coric continua. O croata que completou 20 anos neste mês de novembro teve uma leve queda do 45º para o 48º lugar, mas está sem jogar desde setembro por uma lesão no joelho direito, operado no mesmo mês.

Menos sorte ainda tiveram Hyeon Chung e Thanasi Kokkinakis. O sul-coreano ficou os meses de junho, julho e agosto sem jogar por lesão abdominal e mesmo com dois títulos de challenger no fim do ano, caiu do 51º para o 104º lugar. Já o australiano, que operou o ombro em dezembro de 2015, só disputou uma partida este ano (nas Olimpíadas) e está atualmente sem ranking. Ex-número 69, Kokkinakis era o 78º colocado no fim do ano passado.

Dois jovens americanos Frances Tiafoe e Jared Donaldson, entraram no top 100 durante a temporada, mas não sustentaram as posições, enquanto dois jovens russos chegaram à essa faixa já com 20 anos completos, Karen Khachanov e Daniil Medvedev e conseguem fechar a temporada entre os melhores.

Outro parâmetro que a ATP tem usado para medir sua renovação é  a NextGen/Nova Geração, que engloba os jogadores com menos de 21 anos que aparecem entre os 200 melhores do mundo. Nessa lista, são 22 atletas com potencial para ficar entre os cem melhores em pouco tempo, além da inclusão do próprio Kokkinakis.

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Dados: ATP Media Information

Adolescentes venceram 13 challengers

Se o número de jogadores com menos de 20 anos no top 100 diminuiu, os títulos de chalenger se mantiveram. Assim como em 2015, foram treze conquistas para ateltas nesta faixa etária. Para efeito de comparação, foram apenas seis em 2014.

Esses treze títulos foram conquistados por 12 jogadores diferentes, já que o americano de 18 anos Frances Tiafoe venceu dois torneios. Também triunfaram Casper Ruud, Taylor Fritz, Max Purcell, Andrey Rublev, Stefan Kozlov, Michael Mmoh, Reilly Opelka, Quentin Halys, Blake Mott, Karen Khachanov, Maxime Janvier.
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A ATP também levantou o número de títulos de challenger da Nova Geração. Nessa conta, foram doze jogadores conquistando dezessete torneios: Taylor Fritz, Andrey Rublev, Frances Tiafoe (dois títulos), Stefan Kozlov, Quentin Halys, Karen Khachanov, Samarkand, Elias Ymer, Ernesto Escobedo (dois títulos), Hyeon Chung (dois títulos), Daniil Medvedev, Yoshihito Nishioka (dois títulos) e Kyle Edmund (dois títulos).

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CiCi Bellis subindo

CiCi Bellis venceu torneio no Havaí e já 75ª colocada na WTA aos 17 anos

CiCi Bellis venceu torneio no Havaí e já 75ª colocada na WTA aos 17 anos

A WTA adota como Year-End Ranking o do dia 7 de novembro, logo após o Elite Trophy em Zhuhai. Seis atletas com menos de vinte anos apereciam entre as cem melhores daquela lista: Naomi Osaka, Ana Konjuh, Jelena Ostapenko, Belinda Bencic, Daria Kasatkina e Catherine Bellis.

Destaque para o caso de Bellis, que há três semanas tinha acabado de entrar no top 100 e ocupava o 90º lugar. Como ela continuou jogando competições menores, e neste domingo venceu um torneio de US$ 115 mil dólares no Havaí, a jovem jogadora de 17 anos deu novo salto no ranking e vai começar 2017 na 75ª posição.

Décamps campeão

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Gabriel Décamps venceu ITF G1 no México e terá o melhor ranking juvenil da carreira

O paulista de 17 anos e 1,93m Gabriel Décamps teve uma grande semana no México e foi campeão da Yucatan Cup, torneio ITF G1. Com o título, ele somou 150 pontos (e tinha apenas 30 a descartar), que foram suficientes para bater o melhor ranking da carreira e aparecer pela primeira vez entre os 30 melhores juvenis do mundo.

Hoje, Décamps é o 27º de sua categoria e também aparece no sétimo lugar entre os que mais pontuaram na corrida para o ITF Junior Masters de 2017, que será disputado na China.

Durante a semana, o paulistano treinado por William Kyriakos bateu os dois principais nomes do torneio, com destaque para a vitória nas quartas de final sobre o sérvio Miomir Kecmanovic, que havia assumido o primeiro lugar no ranking juvenil há uma semana.

Dados da ATP: Os dados utilizados na primeira parte do post sobre o número de jovens com títulos de challenger e a lista de jogadores com até 21 anos no top 200 são do Media Guide do circuito challenger, que é atualizado semanalmente (durante a temporada) e tem uma série de outras informações interessantes. Vale a pena conferir.

ATP lança Finals sub-21 e ITF remodela o Junior Masters
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 21, 2016 às 7:44 pm

A ATP anunciou no último sábado que a cidade italiana de Milão será o palco do Next Gen ATP Finals, novo evento no calendário para os melhores jogadores do mundo com até 21 anos. A edição inaugural acontece entre os dias 7 e 11 de novembro de 2017 e o evento permanece em Milão por cinco anos, até 2021.

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As cinco primeiras edições do evento acontecerão na Itália (Foto: Arte/ATP)

Para determinar os classificados, será criada uma “Corrida para Milão” a partir de janeiro, nos moldes do ranking qualificatório para o ATP Finals, a “Corrida para Londres”. Os sete melhores jogadores com essa faixa etária (nascidos até 1996) se classificam automaticamente, enquanto a oitava vaga será reservada para um convidado.

O evento vai distribuir premiação de US$ 1,25 milhões e seguirá um formato semelhante ao do ATP Finals, com uma fase de grupos seguida por semifinais e final. Ainda que o ranking sirva como critério de classificação, o torneio em si não vai oferecerá pontos.

Três comentários – Ainda não foi informado qual será a postura adotada para o caso de um jogador com menos de 21 anos esteja classificado para o ATP Finals, que acontece na semana seguinte, entre os dias 13 e 19 de novembro. Acredito que ele seja liberado.

Além disso, o fato de o torneio não oferecer pontos para o ranking também indica que ele não será de participação obrigatória. Isso pode dar margem para eventual debandada de jogadores que estejam de fato classificados, como aconteceu na maioria das cinco edições do Challenger Finals em São Paulo, que oferecia preciosos pontos no fim de cada ano.

Não deram detalhes ainda sobre os critérios para o jogador convidado: É alguém da mesma faixa etária? Será um juvenil? Melhor italiano na ATP (Bota a molecada para jogar com o Fognini, sou a favor!) ou melhor italiano com essa idade? Aguardemos…

ITF remodela o Junior Masters

O sul-coreano Hong Seong Chan e a russa Anna Blinkova foram campeões este ano (Foto: Susan Mullane)

O sul-coreano Hong Seong Chan e a russa Anna Blinkova foram campeões este ano (Foto: Susan Mullane)

Outra novidade recente foram as mudanças no ITF Juniors Masters, o Finals sub-18 organizado entre os oito melhores do circuito juvenil para meninos e meninas. Tal como nas duas primeiras edições, em 2015 e este ano, o torneio seguirá na China, mas muda deixa de acontecer em abril e muda para o final da temporada.

O torneio do ano que vem vai acontecer a partir do dia 23 de outubro e passará a contar pontos para o ranking mundial juvenil, ajudando a determinar o “Year-End Number 1″. O período de classificação está valendo desde 12 de setembro e vai até 10 de setembro do ano que vem.

A ITF disponibilizou as “Corridas para Chengdu” em seu site para que os fãs possam acompanhar a classificação para o torneio. Aqui estão os 20 primeiros colocados no masculino e feminino. (Obrigado ao Rubens Lisboa, da CBT, por ter localizado as listas no site da entidade).

Mais dois comentários – A semana do torneio coincide com a do WTA Finals, inclusive em termos de horários. E como a transmissão do evento costuma ser só pela internet, o engajamento em redes sociais junto ao público de tênis fica comprometido.

Quanto à distribuição pontos, até fica válido agora que o torneio terá os melhores do ano vigente e não mais os da temporada anterior, mas mantenho a posição de que na fase final transição o que menos interessa para eles é ranking juvenil, principalmente para as meninas cuja maioria já pontuou na WTA com essa idade.

Teste no circuito feminino

A agora campeã olímpica Monica Puig venceu um evento nestes moldes há dois anos, promovido pela WTA

A agora campeã olímpica Monica Puig venceu um evento nestes moldes há dois anos, promovido pela WTA

A WTA também testou criar um evento entre jovens promessas entre 2014 e 2015, acontecendo na semana anterior ao Finals de Cingapura, mas não levou a diante a ideia. Nos dois anos era disputado um quadrangular entre jovens jogadoras escolhidas por votação pela internet e, até por isso, não valia pontos para o ranking. Monica Puig e Naomi Osaka foram as vencedoras.

Novo número 1

Terminou no último domingo o Aberto Juvenil Mexicano, competição de nível GA no circuito de 18 anos da ITF. No masculino, deu a lógica e o cabeça 1 Miomir Kecmanovic foi campeão sem perder sets. Único top 10 inscrito e então número 2 do ranking, o sérvio de 17 anos venceu a final contra o português Duarte Vale por 6/3 e 6/0. Os 250 pontos conquistados no saibro mexicano o levarão à primeira posição no ranking.

Único top 10 no Aberto Juvenil Mexicano, Kecmanovic foi campeão sem perder sets e será número 1 do ranking

Único top 10 no Aberto Juvenil Mexicano, Kecmanovic não perdeu sets no torneio e será número 1

O torneio feminino foi dominado pelas americanas, que fizeram as quatro semifinalistas e tiveram seis das oito jogadoras nas quartas. A campeã foi a canhota de 16 anos Taylor Johnson, que derrotou Ellie Douglas na final por 6/2, 2/6 e 6/4. Johsnon subiu do 28º para o 11º lugar no ranking.

A melhor semana de Bia e Sorgi
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 7, 2016 às 10:18 pm

Cinco jogos, cinco vitórias e nenhum set perdido. Assim foi a melhor semana da carreira de Beatriz Haddad Maia, que conquistou seu quinto e mais importante título profissional. A canhota de 20 anos foi campeã do ITF de US$ 50 mil nas quadras duras americanas de Scottsdale no último domingo, após vencer um jogo de dois tiebreaks contra a anfitriã Kristie Ahn.

Foi o primeiro torneio nos Estados Unidos para uma jogadora que vinha de boas campanhas durante sete semanas na Europa nos últimos meses. Com os oitenta pontos, Bia ganhou sessenta posições e saiu do 271º lugar para o 211º. Há dois meses, quando iniciou uma série de torneios europeus, que mesclou saibro e quadra dura, ela estava na 342ª posição.

Bia conquistou seu título mais importante na carreira em Scottsdale

Bia conquistou seu título mais importante na carreira em Scottsdale

Bia fica a apenas 26 pontos do top 200. A WTA considera o ranking de hoje como o “Year-End”, por ser a semana seguinte ao término dos torneios da entidade, mas a paulista ainda pode ganhar posições em 2016, jogando um ITF de US$ 50 mil de Waco e um de US$ 25 mil em Nashville.

“Estou muito feliz com a conquista desse meu primeiro título em um torneio de US$ 50 mil e com o meu desempenho esta semana”, disse Bia Haddad, por meio de sua assessoria de imprensa. “Consegui me manter firme e focada durante todas as partidas e evoluir a cada jogo, fazendo o meu melhor. Agora é curtir um pouquinho o título e já me preparar para o challenger de Waco”.

A posição atual no ranking já a coloca em condição de tentar o qualificatório do Australian Open, mas ainda não foi decidido se este será o plano dela. Ela vai terminar essa temporada tarde e precisaria de um período de descanso e pré-temporada para 2017. O melhor a fazer é aguardar o término da jornada americana da tenista.

Como a WTA sempre usa o segundo ranking de novembro como base para o final do ano, dá a entender que Bia caiu em relação 185º lugar que ocupava há exatamente um ano, mas não é bem assim. Ela perdeu todo o segundo semestre de 2015, quando operou o ombro direito e ainda tinha pontos a descontar no mês de dezembro último. Na prática, ela iniciou 2016 no 246ª lugar e ainda precisando defender quartas de final de um WTA logo em fevereiro. Conclusão: Bia passou a maior parte do ano fora do top 300 e vem se recuperando nos últimos meses.

Paulista ganhou mais de 130 posições nas últimas semanas e joga mais dois torneios nos EUA

Paulista ganhou mais de 130 posições nas últimas semanas e joga mais dois torneios nos EUA

Um dos pontos altos do título na última semana foi a vitória sobre a 76ª do ranking e cabeça 1 do torneio, a americana Nicole Gibbs, em dia com muito vento em quadra. “Entrei nesse jogo acreditando que poderia vencer, me impondo e jogando profundo. Sabia que eu tinha muito mais peso de bola do que ela”, comentou após ter vencido o jogo das oitavas no Arizona.

Aquela foi sua segunda vitória na carreira contra uma top 100, já que ela havia superado a eslovena Polona Hercog no Rio Open do ano passado. “Eu consegui, com respeito, sabendo que ela era 70 do mundo, fazer o meu melhor. Cheguei a abrir 4 a 0, ela buscou, é muito experiente, mudou um pouco o padrão de jogo, mas fiquei firme e controlar as minhas emoções”.

Como ela mesma pontuou, tão importante quanto a sequência de boas partidas foi a atitude positiva e a postura nos momentos decisivos. Mesmo nos momentos de vantagem para as adversárias, ou quando Bia perdia alguma oportunidade nos jogos, ela não permitiu que isso acarretasse numa queda de rendimento e a possibilidade deixar a rival assumisse o controle das partidas.

Bia não perdeu sets nas lentas condições de Scottsdale, mesmo lidando com uma série de situações complicadas. Ela havia deixado escapar uma vantagem por 4/0 escapar no set inicial contra Nicole Gibbs, mas conseguiu voltar rapidamente ao jogo para ter novamente quebra de vantagem. Soube jogar como favorita contra a jovem, porém embalada, Kayla Day na semi.

Já na final, a brasileira esteve com quebra abaixo nos dois sets e buscou a igualdade. Ela também “esqueceu” rápido o match point perdido de quando liderava o set por 5/4. Mesmo perdendo o saque no game seguinte, conseguiu devolver a quebra quando a rival sacava para o set e dominou o tiebreak.

No começo do ano, ela havia dito em entrevista para mim que a prioridade para este ano seria o trabalho físico e o controle emocional. Para ganhar cinco jogos seguidos em uma semana, sem perder sets, a parte física e emocional se mostrou mais do que em dia. Até por isso, ela dedicou a conquista ao fisioterapeuta Paulo Roberto Santos, aniversariante do último domingo. “Foi um presente para mim e para o Paulão que faz aniversário hoje”.

Melhor semana também para Sorgi 

Sorgi eliminou três jogadores de peso no Equador e saltou 103 no ranking da ATP

Sorgi eliminou três jogadores de peso no Equador e saltou 103 no ranking da ATP

Outra boa notícia para a nova geração brasileira veio com João Pedro Sorgi, que saiu do quali até as semifinais do challenger de Guayaquil, no saibro equatoriano. Com o resultado, o paulista de Sertãozinho saiu do 478ª para a 375ª colocação.

Passar pela fase de qualificação de torneios challenger já vinha sendo frequente para o paulista de 23 anos, que furou qualis em Campinas, Buenos Aires, Santiago e Lima antes de ir a Guyaquil. Mas na última semana, ele emendou três vitórias expressivas contra Victor Estrella Burgos, Leonardo Mayer e o então 68º do ranking Facundo Bagnis.

Sorgi poderia ter entrado diretamente na chave de Bogotá como “Special Exempt”, vaga que a ATP (WTA e ITF também) reserva para jogadores que disputariam o quali, mas disputavam uma semifinal de torneio de porte igual ou maior no fim de semana anterior. Ele preferiu ter um período a mais de descanso depois de jogar por sete dias seguidos no Equador. O paulista que treina na cidade catarinense de Itajaí voltou à sua terra natal, Sertãozinho, fica até quarta-feira e depois segue para um challenger e dois futures no Uruguai.

Orlando, Marina e Pedretti – O gaúcho de 18 anos Orlando Luz foi convidado pela ATP para uma semana de treinamentos em Londres durante o ATP Finals; A mineira de 16 anos Marina Figueiredo venceu seu primeiro título no circuito de 18 da ITF, na cidade boliviana de Santa Cruz; Já no saibro colombiano de Cúcuta, a paulista de 17 anos Thaísa Pedretti fez sua melhor campanha profissional na carreira ao vencer três jogos e parar na semifinal do ITF local de US$ 10 mil.

Mais títulos de novos americanos

CiCi Bellis ganhou um ITF em Toronto e terminará o ano como a mais jovem do top 100

CiCi Bellis ganhou um ITF em Toronto e terminará o ano como a mais jovem do top 100

Com apenas 17 anos, Catherine ‘CiCi’ Bellis entrou no top 100 e já passa a ser a mais jovem desta lista na temporada. Ela saltou do 101º para o 90º lugar com título do ITF de US$ 50 mil de Toronto. Também na última semana, o americano de 19 anos Reilly Opelka conquistou seu primeiro challenger em Charlottesville e saltou 68 posições no ranking da ATP para ter a melhor marca da carreira na 208ª posição.

Jovens jogadoras se posicionam após ameaças na web
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 21, 2016 às 10:41 pm

Logo após a derrota para Svetlana Kuznetsova na semifinal do WTA Premier de Moscou, Elina Svitolina deu declarações fortes a respeito das ofensas que recebe nas redes sociais. A ucraniana de 22 anos e número 15 do mundo, disse que foi ameaçada por russos antes de enfrentar a jogadora da casa nesta sexta-feira.

Temendo por sua integridade física, ela ainda afirmou que dificilmente voltará a disputar a disputar o torneio. O cenário na Rússia é hostil aos ucranianos em meio às tensões políticas entre os dois países que se estendem há quase três anos, desde os protestos em Kiev no fim de 2013 que pediam maior integração à União Europeia.

A ucraniana Elina Svitolina foi ameaçada por russos antes de enfrentar a anfitriã Kuznetsova em Moscou (Foto: Kremlin Cup)

A ucraniana Elina Svitolina foi ameaçada por russos antes de enfrentar a anfitriã Kuznetsova em Moscou (Foto: Kremlin Cup)

“Foi um torneio muito duro e acho que não voltarei para cá, porque nunca senti tanta pressão. Recebi muitas mensagens negativas antes mesmo do jogo. Eram ameaças. A pessoa que lida com isso não pode simplesmente apagar isso da mente”, disse Svitolina após a derrota para Kuznetsova por 6/1, 6/7 (2-7) e 6/4 nesta sexta-feira, em relato do jornalista russo Dmitry Shakhov.

“Nós sempre recebemos mensagens negativas, mas isso é diferente. Eles disseram que sabiam até o mesmo o hotel onde estou hospedada. Obviamente, isso está ligado à política, mas não tenho nada a ver com isso. Sou uma jogadora de tênis tentando vencer jogos”, acrescentou a jovem jogadora, que também havia disputado o torneio em 2012 e 2013 e evitado a capital russa nos últimos dois anos.

A tensão foi tanta que até mesmo uma torcedora de Svitolina se sentiu intimidada por torcedores locais no estádio e temia sofrer represálias por aquilo que poderia ser entendido como “propaganda pró-Ucrânia” em território russo.

Ofensas e ameaças por meio de redes sociais são uma questão muito recente e por isso as próprias entidades que comandam o tênis têm dificuldade de encontrar meios de lidar com o assunto. A nova geração do tênis é a primeira a conviver com as redes desde o início da carreira e neste caso, não há sequer a possibilidade de pode procurar um espelho nos colegas mais experientes.

Isso porque, até mesmo atletas consagrados da atualidade não tiveram que lidar com pressão vinda de redes durante a juventude ou fase de transição. Nomes como Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic e Maria Sharapova aderiram tardiamente ao Twitter e já tendo com suas bases de fãs mais do que consolidadas. Tanto que os quatro ultrapassaram naturalmente a marca de um milhão de seguidores dias depois de criarem seus perfis, que são altamente filtrados.

Com os mais novos, por mais que estejam acostumados com o ambiente da rede social e que sempre tenham administrado seus próprios perfis, é um mundo novo. Se eles antes utilizavam as redes apenas dentro de um círculo de contatos, a exposição aumenta exponencialmente a cada vitória e então gratificante chegada dos primeiros fãs e admiradores vem acompanhada também de um batalhão de haters e também de apostadores, que vão “cobrar” das atletas quando o resultado em quadra acarreta em perda financeira.

No começo do ano, fiz uma entrevista com a romena Sorana Cirstea, que já foi 21ª do mundo (hoje é 83ª) Então com 25 anos, ela já se mostrava acostumada (e de certa forma conformada) com esse tipo de tratamento bastante que negativo. “Todos os tenistas temos que lidar com esse bullying. Recebo tuítes maldosos e mensagens ofensivas todos os dias. Acho que quanto melhor você é, mais é agredido. Todo jogador recebe e o melhor a fazer é não dar atenção”

Mas não são todas as jogadoras que defendem que ignorar seja a solução. Pelo contrário, cada vez mais elas se posicionam e apontam que se ficarem caladas o problema só irá continuar. A americana Madison Keys tem sido uma voz forte nessa questão e defende que o assunto entre no debate público.

A americana de 21 anos decidiu se posicionar depois de ler uma série de ofensas, inclusive de teor racista, após derrotas nos torneios de Tóquio e Pequim. Quando perdeu para Yulia Putintseva no tiebreak do terceiro set na capital japonesa, Keys decidiu responder aos agressores. Já após a queda para Johanna Konta na China, ela compilou algumas mensagens recebidas e as expôs aos seus seguidores.

2016-10-21

Na semana passada, durante o WTA de Linz, Keys comentou o ocorrido durante uma de suas entrevistas coletivas. O jornalista italiano Giulio Gasparin relatou as contundentes declarações da norte-americana a respeito das ofensas que recebe, especialmente de apostadores, e reiterou a ideia de que é preciso vir a público e tratar do problema.

“Você pode ignorá-los 99% das vezes, mas naquele dia eu saí da quadra e haviam 45 mensagens negativas. Eu pensei ‘Quer saber, não vou ignorá-los hoje’. Eles escrevem coisas terríveis para mim e sobre minha família e isso é certo. Foi o momento de eu me posicionar e tentar chamar alguma atenção à questão, para que talvez tenhamos algumas mudanças”.

“Acho que a maioria das pessoas dizem para apenas ignorar, porque pensam que se você responder, vai fazê-los [os agressores] ganhar”, apontou, respeitando o ponto de vista contrário. “Mas ao mesmo tempo, você tem que fazer que essas pessoas se sintam responsáveis por aquilo que dizem. Às vezes nós temos que fazer com que todos fiquem cientes de que isso está acontecendo e que se ignorarmos, o problema só vai continuar”.

“Nem me veio à mente a ideia de expor aquelas pessoas, eu pensava mais em mostrar o que acontece a cada dia”, afirmou. “Há muitos aspectos positivos nas mídias sociais. Assim que mostrei as 40 mensagens negativas, já recebi umas 500 positivas, então você vê que as pessoas boas são maioria. Eu nunca deixaria de me conectar com meus verdadeiros fãs por causa das ofensas. Na minha cabeça, isso seria deixá-los ganhar”.

Outra integrante da nova geração americana que decidiu expor publicamente as ameaças que recebe é Nicole Gibbs, de 23 anos. Uma das razões para que Gibbs seja alvo é o engajamento político da jogadora que é voluntária na campanha de Hillary Clinton à presidência dos Estados Unidos.

E antes mesmo de se tornar tenista profissional, a atual 74ª colocada, já havia militado com sucesso contrária às mudanças no tênis universitário americano que eram voltadas apenas ao interesse da TV. A própria WTA já tem identificado o potencial de liderança da jovem tenista, que pode em breve assumir uma vaga no Conselho das Jogadoras.

A WTA estuda meios de coibir as ofensas e ameaças que suas jogadoras recebem, mas até agora não houve nenhuma medida concreta. Talvez o teor das mensagens recebidas por Svitolina tornem a pauta mais urgente para entidade. Por ora, é importante que algumas atletas se sintam livres para se posicionar e lutar para que isso seja coibido. Se elas se calarem, o problema apenas vai continuar.

Aos 18 anos, Tiafoe entra no top 100
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 10, 2016 às 11:40 pm

A nova geração americana tem mais um representante no top 100. Depois de Taylor Fritz romper a barreira no início da temporada, Frances Tiafoe atingiu a façanha ao conquistar o challenger de Stockton no último domingo. O jovem de 18 anos vive uma temporada com dois títulos, cinco finais e 39 vitórias em torneios de nível challenger, além de uma vitória em ATP no Masters 1000 de Indian Wells.

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“Isso significa o mundo para mim”, disse Tiafoe ao site da ATP sobre sua chegada ao top 100. Tiafoe é o primeiro jogador nascido em 1998 a atingir essa marca. “Ver seu ranking na primeira página é aquilo que você sonha quando é criança”, acrescenta o jovem que em agosto havia vencido challenger de Granby, no Canadá.

“Mas não é aqui onde eu quero terminar. Venho de boas semanas e quero continuar enfileirando vitórias”, completou após vencer Noah Rubin na final de Stockton por 6/4 e 6/2. As rodadas finais do challenger tinham quatro jovens americanos, com Michael Mmoh e Mackenzie McDonald chegando à penúltima fase, além do vice-campeão Rubin.

Em março, durante o Banana Bowl, conversei com o técnico brasileiro Léo Azevedo que está desde 2009 na USTA e acompanhou o início da trajetória deste jovem americano. “Nunca trabalhei com o Tiafoe diariamente, mas fui o primeiro que o convidou para vir a um centro da USTA em um fim de semana que tinha clínica”.

“A gente fez um monte de ‘camps’ e começamos a acompanhar muitos desses jovens americanos desde que tinham 12 anos”, contou Azevedo, que ainda destacou a excelente condição física do jogador. “Tiafoe é um atleta formidável, mas o melhor dele ainda está por chegar. Ele vai ser um dos melhores atletas do circuito”. (A íntegra da entrevista está neste link)

Tiafoe & Fritz quebram marcas – Ao lado do atual 71º colocado Taylor Fritz, Tiafoe quebra marcas. A última vez que dois americanos de 18 anos apareceram simultaneamente no top 100 aconteceu em 6 agosto de 1990 com os então adolescentes Pete Sampras e Michael Chang. Já o último país com dois jogadores nessa idade entre os cem melhores foi a França, com Gael Monfils e Richard Gasquet em 6 junho de 2005.

Kyrgios campeão – Outro destaque da semana foi o terceiro título da carreira de Nick Kyrgios. O australiano de 21 anos foi campeão do ATP 500 de Tóquio com vitória por 4/6, 6/3 e 7/5 sobre David Goffin. Na semifinal, ele ainda conseguiu a sexta vitória contra top 10 no ano e décima na carreira ao marcar duplo 6/4 diante de Gael Monfils.

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Kyrgios conquistou seu terceiro título na temporada, bateu o melhor ranking e é o mais jovem a ganhar um ATP 500 desde 2009

Aos 21 anos, Kyrgios é o mais jovem a vencer um ATP 500 desde 2009, quando Juan Martin del Potro foi campeão em Washington. Ele também alcançou o ranking mais alto da carreira, subindo ao 14º lugar. O tênis masculino australiano não comemorava um título tão importante desde 2004, em Washington, com o ex-número 1 do mundo Lleyton Hewitt. No feminino, Samantha Jane Stosur ganhou o US Open há cinco anos.

Career High – O alemão Alexander Zverev segue cada vez mais próximo do top 20. A campanha até as quartas de final do ATP 500 de Pequim o colocou no 21º lugar. Caso derrotasse David Ferrer na última sexta-feira, ele já garantiria um lugar entre os 20 melhores.

Como não tem mais pontos a defender em 2016, além de já avançar uma rodada no Masters 1000 de Xangai é provável que Zverev seja o primeiro jogador com menos de 20 anos a terminar a temporada no top 20 desde que Novak Djokovic e Andy Murray o fizeram em 2006.

Outro jogador que atingiu sua melhor marca pessoal é o britânico Kyle Edmund, que também foi às quartas de final em Pequim e perdeu um jogo de parciais muito distintas para Murray. O jovem de 21 anos entrou no top 50 e aparece no 48º lugar do ranking.

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Votação na WTA – A duas semanas para o fim do calendário regular, a WTA abriu votação para escolher a revelação da temporada. As opções são a americana Louisa Chirico (60ª do ranking aos 20 anos), a suíça Viktorija Golubic (62ª colocada aos 23), a japonesa Naomi Osaka (42ª do mundo aos 18) e a letã Jelena Ostapenko (43ª colocada aos 19).

Entre as quatro indicações, Golubic foi a única a conquistar um título, no saibro de Gstaad. Chirico também teve como ponto alto uma campanha no saibro, chegando à semifinal de Madri. Ostapenko foi finalista em Doha lá em fevereiro, derrotou a então top 10 Petra Kvitova antes de cair para Carla Suárez Navarro, mas não vem de bons resultados. Já Osaka é a mais jovem do top 50, chegou à terceira fase no Australian Open e US Open e foi vice-campeã em Tóquio.

Grego bate na trave – Líder do ranking mundial juvenil, o grego Stefanos Tsitsipas esteve próximo de conquistar seu primeiro challenger aos 18 anos. O jogador de 1,93m foi finalista no saibro marroquino de Mohammedia, mas perdeu a decisão para o canhoto austríaco Gerald Melzer por 3/6, 6/3 e 6/2. Mesmo com o vice-campeonato, ele subiu 72 posições e aparece com seu melhor ranking profissional no 241º lugar.

O despertar da Rússia
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 3, 2016 às 7:37 pm

O tênis russo está em reconstrução depois de um período adormecido, com direito à uma debandada de jogdadores para países próximos com condições mais atrativas (Olá, Cazaquistão). Só neste final de semana, a nova geração do país comemorou um título de ATP e o da Copa Davis Júnior, além de ter uma boa campanha na Fed Cup da categoria.

Não nos esqueçamos de Andrey Rublev, que foi número 1 juvenil e já ocupa o 172º lugar do ranking aos 18 anos, com 12 vitórias em ATP na carreira, e da volta ao Grupo Mundial da Copa Davis profissional depois de cinco anos, conquistada em setembro último. Pouco a pouco, os russos estão de volta.

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Karen Khachanov foi o grande nome da semana ao conquistar o ATP 250 de Chengu. O moscovita de 20 anos tem 1,98m passou por três cabeças de chave antes, João Sousa, Feliciano López e Viktor Troicki de derrotar o canhoto espanhol Albert Ramos na final por 6/7 (4-7), 7/6 (7-3) e 6/3. O resultado, o fez ganhar 46 posições no ranking e saltar para o 55º lugar.

Medalhista de prata na chave de duplas dos Jogos Olímpicos da Juventude, Khachanov treina na Espanha com Galo Blanco e por isso, ganhou convite para o quali do ATP 500 de Barcelona este ano, onde aproveitou a chance e ganhou do top 20 Roberto Bautista Agut em seu primeiro resultado expressivo como profissional. Ele já soma 15 vitórias em ATP na carreira, sendo onze na atual temporada e também possui dois títulos de nível challenger.

Timofey Skatov, Alexey Zakharov e Alen Avidzba garantiram o título inédito da Rússia (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

Timofey Skatov, Alexey Zakharov e Alen Avidzba garantiram o título inédito da Rússia (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

Outro grande resultado para a Rússia foi o título da Copa Davis Júnior, o Campeonato Mundial da categoria 16 anos masculino, em Budapeste, na Hungria. Foi a primeira vez que o país ganhou a competição, depois de um título da União Soviética em 1990.

O time de Timofey Skatov, Alen Avidzba e Alexey Zakharov fez uma primeira fase impecável e venceu as nove partidas (seis de simples e três de duplas) num grupo com Japão, Alemanha e Egito. No sábado, eles venceram a semifinal contra a Argentina e impediram o bicampeonato do Canadá no dia seguinte.

O Canadá, aliás, estava com equipe quase toda nova em relação ao ano passado. Exceção feita a Felix Auger-Aliassime, número 2 do ranking mundial juvenil e recém-coroado campeão do US Open. Ele foi responsável pela única derrota russa em uma partida de simples nesta Davis Júnior, marcando o único ponto canadense na final.

Menção também à Argentina, que conseguiu um terceiro lugar com Sebastian Baez (campeão de simples e duplas no Orange Bowl de 16 anos em 2015), Thiago Tirante e Tomas Descarrega. Eles venceram o forte time dos Estados Unidos na decisão do bronze. O país tentava chegar à sua terceira final de Davis Júnior, repetindo as campanhas de 2007 e 2008, sendo que o Chile foi a única nação sul-americana a vencer a competição em 2001.

Brasil de Mateus Alves, Gilbert Klier e Thiago Wild  venceu os Estados Unidos na primeira fase, mas terminou no 13º lugar.

Brasil de Mateus Alves, Gilbert Klier e Thiago Wild venceu os Estados Unidos na primeira fase, mas terminou no 13º lugar.

O Brasil teve pouco a comemorar ao terminar a Davis Júnior em 13º lugar entre as 16 nações participantes. O melhor resultado de Thiago Wild, Mateus Alves e Gilbert Klier foi a vitória por 2 a 1 contra os Estados Unidos ainda na fase de grupos. Em chave complicada com República Tcheca e Suíça, o Brasil venceu só mais um jogo e ficou em último lugar no grupo. A reabilitação veio no fim de semana, com vitórias contra Chile (2-0) e Marrocos (2-1).

Paralelamente, há a preocupante notícia da perda do patrocínio dos Correios para a Confederação Brasileira. Ao todo, 55 contratos (de atletas, técnicos e funcionários) foram cancelados. E mesmo que haja renovação posterior, o valor seria de até 15% do investimento atual. Muitos de nossos juvenis dependem do dinheiro dos Correios para custear suas despesas. Há algumas semanas, havia levantado as campanhas dos brasileiros em Grand Slam juvenil e relatei que houve queda no número de representantes nos últimos anos. Um quadro pode ficar mais grave nos próximos anos.

 

Polônia surpreendeu favoritas russas e americanas na Fed Cup Júnior (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

Polônia surpreendeu favoritas russas e americanas na Fed Cup Júnior (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

A surpresa em Budapeste foi a conquista da Polônia na Fed Cup Júnior, derrotando a até então invicta Rússia na semifinal e os Estados Unidos na decisão. É a segunda conquista do país, que também foi campeão em 2005 liderado pelas irmãs Agnieszka e Urszula Radwanska.

O time da Polônia contou com Iga Swiatek (12ª), Maja Chwalinska (96ª) e Stefanie Rogozinska-Dzik (171ª). Todas elas são de 2001 e podem defender o título no ano que vem. Para efeito de comparação, as russas tinham 2 e 3 do ranking mundial juvenil, Anastasia Potapova e Olesya Pervushina, e as americanas contava com a quarta e décima colocadas, Amanda Anisimova e Claire Liu.

Zverev quebra escrita de oito anos, Pouille já pensa em 2017
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 26, 2016 às 10:17 pm

O fim de semana da ATP foi muito positivo para dois integrantes da nova geração que comemoraram seus primeiros títulos, derrotando adversários do top 10 nas finais. Alexander Zverev foi campeão na cidade russa de São Petersburgo ao marcar 6/2, 3/6 e 7/5 diante de Stan Wawrinka na decisão. Já Lucas Pouille passou por Dominic Thiem, com 7/6 (7-5) e 6/2 na final do ATP de Metz.

Zverev é o primeiro jogador com menos de 20 anos a vencer um ATP desde Marin Cilic em 2008 (Foto: SPB Open)

Zverev é o primeiro jogador com menos de 20 anos a vencer um ATP desde Marin Cilic em 2008 (Foto: SPB Open)

Aos 19 anos, Zverev é o primeiro teenager/”adolescente” a vencer um ATP desde agosto de 2008, quando Marin Cilic foi campeão de New Haven aos 19 anos. Naquela mesma temporada, Kei Nishikori foi campeão de Delray Beach em fevereiro, com apenas 18 anos.

“Ganhar um título é um sonho que se tornou realidade agora e ser o primeiro desde 2008 a vence com tão pouca idade é ótimo, estou muito orgulhoso de mim mesmo”, disse Zverev em entrevista à ATP.

“Vencer Tomas Berdych na semifinal e Stan Wawrinka, que é o campeão do US Open, na final é algo de que eu me orgulho ainda mais”, acrescentou o alemão que saltou do 27º para o 24º lugar no ranking. Antes da última semana, ele tinha apenas uma vitória contra top 10 na carreira, obtida diante de seu ídolo Roger Federer na grama de Halle.

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Zverev tenta ser o primeiro jogador com menos de 20 anos a terminar uma temporada no top 20 desde que Novak Djokovic e Andy Murray o fizeram em 2006. Considerando apenas os resultados da atual temporada, o jovem alemão já é o 19º tenista que mais pontuou em 2016.

 

Lucas Pouille já derrotou cinco top 10 no ano, está entre os 16 melhores e já projeta o Australian Open

Lucas Pouille já derrotou cinco top 10 no ano, está entre os 16 melhores e já projeta o Australian Open

Já o francês Pouille alcançou o 16º no ranking mundial com o título em seu país. Algoz de Rafael Nadal no US Open, o jovem de 22 anos chegou à quinta vitória contra top 10 na temporada e na carreira e já saltou mais de sessenta posições em relação ao ranking que ocupava na primeira semana de 2016.

“Estou muito feliz. É uma honra ganhar meu primeiro título de ATP na França, junto da família e amigos. É ainda mais especial vencer quando eles estão aqui e poder compartilhar a felicidade com todos eles”.

Pouille passou pelos cabeças de chave 1 e 2 nas rodadas finais, David Goffin e Dominic Thiem. “Eu tive vitórias no passado contra esses dois jogadores e estava me sentindo bem física e mentalmente, então eu sabia que se desse 100%, teria chance de ganhar”.

Depois de chegar às quartas de final em dois Grand Slam, Pouille espera manter sua posição estratégica no ranking ou até mesmo melhorar já projetando a próxima temporada. “Eu adoraria terminar o ano no Top 16, para que eu possa ter uma boa posição entre os cabeças de chave no Aberto da Austrália”.

Osaka é top 50 – A japonesa de 18 anos Naomi Osaka não conseguiu título na semana, mas teve uma expressiva campanha até a final do WTA Premier de Tóquio. Ela passou pela 12ª do ranking Dominika Cibulkova nas oitavas e por Elina Svitolina, 20 do mundo, na semi antes de parar na ex-número 1 e então 28ª colocada Caroline Wozniacki, que a venceu por 7/5 e 6/3.

Osaka não sacou tão bem quanto pode na final e sofreu com algumas devoluções de segundo saque com backhand na paralela de Wozniacki. Os 32 erros não-forçados, muitas vezes na tentativa de antecipar a definição dos pontos, contra só 16 da dinamarquesa também minaram seu plano tático no jogo decisivo.

Tímida durante sua primeira premiação de torneio, Osaka tem dado poucas entrevistas, mesmo na boa campanha que fez em seu país, mas já assinou contrato com a IMG para gerenciar sua carreira. A japonesa de 1,80m tem pai haitiano e treina na Flórida. Com os 305 pontos somados em Tóquio, ela já tem o melhor ranking da carreira ao alcançar o 47º lugar. Além disso, ela passa a ser a atleta mais jovem do top 50.

Osaka tem sido mais aberta nas coletivas de imprensa, onde consegue se expressar melhor sobre as partidas. Exemplo disso está na transcrição do que ela disse após a dura derrota para Madison Keys no US Open. É uma personagem interessante para os próximos anos do circuito, tenista legal de torcer e um mito do Twitter.

https://twitter.com/NaomiOsakaWTA/status/776933066489102336

Monteiro tem melhor ranking – Finalista no challenger de Santos, Thiago Monteiro poderia ter saído do litoral paulista com seu segundo título neste porte e o posto de número 1 do Brasil, mas o argentino Renzo Olivo foi campeão com parciais de 6/4 e 7/6 (7-5). A conquista não veio, mas o canhoto de 22 anos bateu o recorde pessoal no ranking ao ocupar o 87º lugar

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Monteiro tem seu recorde pessoal no ranking ao alcançar o 87º lugar (Foto: João Pires)

Monteiro é o décimo jogador mais jovem no top 100 e vê apenas sete jogadores mais novos do que ele melhor colocados. Com apenas 52 pontos a defender até o fim do ano, dos quais apenas 32 contam para seu ranking atual, ele deverá fechar a temporada entre os cem melhores e disputar seu primeiro Grand Slam na Austrália, em 2017.

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Na semana que vem, Monteiro joga o challenger de campinas. O cearense será um dos favoritos do torneio, ao lado do dominicano Victor Estrella Burgos, do paulista Rogério Dutra Silva e dos argentinos Carlos Berlocq e Leonardo Mayer.

Menezes de volta, Orlando e Zormann na chave – Fim de semana positivo também para outros nomes da nova geração brasileira. Orlando Luz e Marcelo Zormann furaram o quali do challenger de Medellín e cada um já soma cinco pontos no ranking.

Zormann, aliás, já até conseguiu uma vitória na chave principal sobre o argentino Andrea Collarini por 6/3, 2/6 e 6/4 para chegar à sua quarta em nível challenger na carreira.

Outra novidade do torneio colombiano foi a volta de João Menezes às competições. O mineiro de 19 anos passou dez meses sem jogar e precisou de três cirurgias no joelho esquerdo. Ele chegou a avançar uma rodada no quali, antes de cair para Orlando Luz.

Chung defende título – Também na última semana, o sul-coreano Hyeon Chung defendeu o título do challenger de Kaohsiung, em Taiwan, ao derrotar o compatriota Duckhee Lee por 6/4 e 6/2. Depois de ficar quatro meses parado por lesão abdominal, o ex-número 51 do mundo aparece apenas no 132º lugar.

Foi apenas o segundo torneio desde a volta às quadras, sendo que na semana anterior ele foi finalista na cidade chinesa de Nanchang. Chung já tem seis títulos de challenger e venceu ao menos um título por ano nas últimas três temporadas.

 

Semana de novidades no circuito e nas paralimpíadas
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 14, 2016 às 10:38 pm

Enquanto o US Open estava em reta final, o circuito teve novidades como dois campeões inéditos em torneios de nível challenger. Ao mesmo tempo, a nova geração do tênis paralímpico consegue dois bons resultados nos Jogos do Rio. Já uma das principais promessas do tênis americano anunciou sua continuidade no circuito.

Noruguês de 17 anos Casper Ruud foi campeão logo no primeiro challenger que disputou

Noruguês de 17 anos Casper Ruud foi campeão logo no primeiro challenger que disputou (Foto: Copa Sevilla 2016)

No saibro espanhol de Sevilla, o noruguês de 17 anos Casper Ruud foi campeão do challenger de 42,5 mil euros disputado na semana passada, com vitória sobre o japonês Taro Daniel na decisão. O fato mais expressivo é que este foi o primeiro challenger do qual ele participou. Ex-líder do ranking juvenil, Ruud aparece no 274º lugar após a maior conquista da carreira.

Ruud que foi finalista do ITF Junior Masters em abril faz uma boa temporada no profissional. Ele já venceu dois futures e disputou outras duas finais, antes do título inédito em Sevilla. O tênis está no DNA da família Ruud. O pai, Christian, foi 39º do ranking e venceu 12 challengers na carreira.

O russo de 20 anos Daniil Medvedev conquistou seu principal título na França

O russo de 20 anos Daniil Medvedev conquistou seu principal título na França (Foto: Trophée des Alpilles)

Outro que venceu seu primeiro challenger na semana passada foi o russo de 20 anos Daniil Medvedev. Ele foi campeão na cidade francesa de St. Remy ao derrotar o belga Joris De Loore na final. O título rendeu treze posições a Medvedev, que aparece com o melhor ranking da carreira ao atingir o 143º lugar. Ele já venceu dois jogos de ATP e havia disputado uma final de challenger em Portoroz, na Eslovênia, em agosto.

CiCi profissional

CiCi Bellis adiou a ida à universidade e seguirá no circuito profissional (Foto: Coupe Banque Nationale)

CiCi Bellis adiou a ida à universidade e seguirá no circuito profissional
(Foto: Coupe Banque Nationale)

Como era esperado após uma boa participação no US Open, a jovem de 17 anos Catherine ‘CiCi’ Bellis adiou sua ida à universidade de Stanford e vai seguir carreira como tenista profissional. Foram cinco vitórias em Nova York, três no quali e duas na chave principal e inédita 120ª posição no ranking da WTA.

“Acho que eu ainda posso ir para a faculdade depois que parar de jogar, por isso não pesa tanto para mim decidir isso agora. Eu quero jogar por muito tempo e eu acho que meu jogo e meu corpo estão prontos para isso agora”, revelou a jovem jogadora que já assinou com a agência IMG para gerenciar sua carreira e foi disputar o WTA de Québec, onde já está nas quartas.

Renovação paralímpica

O britânico  Alfie Hewett está na final das Paralimpíadas com apenas 18 anos (Foto: ITF)

O britânico Alfie Hewett está na final das Paralimpíadas com apenas 18 anos (Foto: ITF)

O tênis em cadeira de rodas é uma modalidade longeva, tanto que o atual número 1 do mundo, o Stephane Houdet está com 45 anos. Ainda assim, a nova geração tem garantido bons resultados. O ponto alto é a presença de Alfie Hewett na final de simples, jogador que tem apenas 18 anos e já foi campeão de duplas em Wimbledon ao lado do também finalista paralímpico Gordon Reid de 24 anos.

No feminino, prevalece o domínio holandês. Se a lendária Esther Vergeer já parou de jogar e a experiente Jiske Griffioen está na liderança do ranking aos 31 anos, a hegemonia pode ser mantida em Tóquio. Destaque para jovem de 19 anos Diede de Groot, que foi semifinalista no Rio e terminou em quarto lugar. Já a canhota Aniek van Koot disptará sua segunda final olímpica aos 26 anos.

* Estive de folga no término do US Open e o assunto das finais do torneio juvenil ficaria velho para o blog, mas temos os registros de simples e duplas no site. Destaque para a conquista de Felipe Meligeni Alves nas duplas ao lado do boliviano Juan Carlos Aguilar. Este foi o 33º título de Grand Slam do tênis brasileiro e quarto em chaves juvenis.

Raio-X dos juvenis brasileiros em Grand Slam
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 10, 2016 às 12:44 pm

A participação brasileira nas chaves juvenis de Grand Slam na temporada termina neste sábado, quando Felipe Meligeni Alves disputa a final de duplas masculinas no US Open. O paulista de 18 anos joga ao lado do boliviano Juan Carlos Aguilar enfrenta os canadenses Felix Auger-Aliassime e Benjamin Sigouin na quadra 17 do complexo Billie Jean King em Flushing Meadows.

Em 2016, os principais resultados foram obtidos nas duplas, já que além do resultado de Meligeni, o gaúcho Orlando Luz foi vice-campeão em Roland Garros. Em simples foram apenas duas vitórias em chaves principais, exatamente com Orlando e Felipe.

Em número de jogadores, houve queda na representação. Somente quatro meninos participaram de chaves principais na temporada: Gabriel Décamps, Orlando Luz, Felipe Meligeni Alves e Rafael Wagner. Outros dois jogaram qualis: Lucas Koelle e Thiago Wild.

Infelizmente nenhuma menina conseguiu entrar em chave de Grand Slam na temporada. Quem esteve mais perto foi a paulista Marcelle Cirino, que venceu a etapa brasileira do Rendez-Vous à Roland Garros e disputou uma seletiva mundial em Paris.

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A menos que alguém suba muito no ranking, o quadro mais provável é que de novo apenas três meninos disputem os Grand Slam juvenis no ano que vem. Décamps ainda tem mais um ano na categoria, enquanto o pernambucano João Lucas Reis e o paranaense Thiago Wild estão com 16 anos e entre os 200 no ranking da ITF. O paulista Mateus Alves, de apenas 15 anos, tem potencial para ganhar terreno, mas apostaria nele mais para 2018.

No feminino, a situação está ainda mais difícil depois que as ex-top 15 Bia Haddad Maia e Luisa Stefani deixaram as competições juvenis. Nenhuma menina brasileira disputou um Grand Slam juvenil, cenário bem diferente dos quatro anos anteriores que tiveram no mínimo uma brasileira em cada torneio.

Nossas cinco primeiras jogadoras no ranking da categoria vão para o último ano de juvenil em 2017 e apenas a paulista Thaísa Pedretti está próxima do top 100 e podendo projetar um quali de Slam, a menos que alguém ganhe muitas posições. A possibilidade de mudar o quadro seria acumular bons resultados na Gira Cosat entre janeiro e fevereiro do ano que vem, além de aproveitar bastante os valiosos pontos em disputa do Campeonato Sul-Americano Individual, marcado para 20 de fevereiro do ano que vem.

ÚLTIMOS ANOS

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Australian Open – Nenhum jogador brasileiro participou da competição, que já teve o alagoano Tiago Fernandes campeão de simples há seis anos. De fato é uma viagem cara e o calendário é difícil de encaixar com uma série maior de torneios, o que afugenta alguns jogadores mesmo que eles tenham ranking para entrar diretamente. Fato é que o Brasil chegou a colocar quatro jogadores no Australian Open há dois anos e em 2016 não houve representação.

Os principais resultados nos últimos cinco anos foi a campanha do paulista Marcelo Zormann até às oitavas de final de simples em 2014, além das presenças de Thiago Monteiro e Orlando Luz nas quartas de duplas.

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ROLAND GARROS – Tradicionalmente o Grand Slam de maior sucesso brasileiro, Roland Garros teve seis representantes. Desde o ano passado, o Rendez-Vous à Roland Garros levou jogadores nacionais à seletiva de Paris. Foi assim que Rafael Wagner conseguiu uma vaga na chave principal, mas a paulista Marcelle Cirino não conseguiu avançar.

Nos últimos anos, tivemos três vice-campeonatos de duplas, dois deles com a canhota Beatriz Haddad Maia. Bia, que já está com 19 anos, ainda fez oitavas em Paris em duas ocasiões e perdeu apenas para as campeãs Annika Beck em 2012 e Belinda Bencic no ano seguinte.

A temporada de 2014 foi a mais promissora para os juvenis brasileiros nos últimos anos e teve três bons resultados em Paris, as semis de simples e duplas para Orlando Luz, as quartas de Marcelo Zormann e a semi de duplas de Luisa Stefani, que foi 10 do mundo em sua categoria.

Encerrando seu ciclo juvenil com apenas três torneios no ano, Orlando Luz encaixou o Grand Slam francês no meio de uma gira de torneios profissionais no saibro europeu. Semanas depois de ser vice-campeão de duplas em Paris, ele venceu seu primeiro título future na República Tcheca. A escolha pelo US Open agora em setembro não foi tão produtiva no calendário, já que ele vinha de uma boa semana no saibro polonês e mudou repentinamente de piso. Pode ter valer apenas pelo intercâmbio e menos para a confiança e possibilidade de pontuar na ATP.


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Wimbledon – Na grama londrina, o Brasil conseguiu seu último título de Grand Slam juvenil há dois anos com Orlando Luz e Marcelo Zormann. No mesmo ano, o canhoto gaúcho Rafael Matos e o mineiro João Menezes foram às quartas de duplas.

Em simples, novamente destaque para Bia Haddad Maia, que há três anos esteve nas oitavas. Sua algoz na ocasião foi a cabeça 2 croata Ana Konjuh, a mesma que nesta semana chegou às quartas de final na chave principal do US Open.

O ano passado foi atípico, porque os principais juvenis brasileiros foram convocados para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, mas o tênis saiu sem medalhas do Canadá. Já neste ano, apenas Felipe Meligeni Alves e Gabriel Décamps conseguiram entrar diretamente na chave.

2016-09-09 (9)

US Open – Os três brasileiros que estavam na chave de simples este ano caíram ainda na rodada de estreia. Orlando Luz e Gabriel Décamps enfrentaram os cabeças 3 e 4 Ulises Blanch e  Geoffrey Blancaneaux (campeão de Roland Garros). Felipe Meligeni Alves perdeu um jogo equilibrado de três sets para o australiano Blake Ellis, em duelo entre dois top 50 separados por apenas oito posições. Ainda assim, o setor na chave era duro e teria o líder do ranking Stefanos Tsitsipas na segunda rodada.

Nas duplas, o Brasil conseguiu recentemente as duas primeiras finais juvenis de US Open na história. Primeiro, o mineiro João Menezes e o gaúcho Rafael Matos foram vice-campeões em 2014 e caíram diante do australiano Omar Jasika e do japonês Naoki Nakagawa. Já em 2016, Felipe Meligeni Alves tenta o inédito título junto do boliviano Aguilar.

TÍTULOS E FINAIS

O tênis brasileiro tem três títulos juvenis de Grand Slam. O primeiro foi conquistado por Gustavo Kuerten nas duplas em Roland Garros em 1994, ao lado do equatoriano Nicolas Lapentti. Em 2010, o alagoano Tiago Fernandes foi campeão de simples no Australian Open. Infelizmente, ele deixou o tênis em 2014 com apenas 21 anos e se dedica aos estudos de engenharia civil. Já há dois anos, Orlando Luz e Marcelo Zormann foram campeões de Wimbledon nas duplas.

Outros brasileiros já estiveram em finais de Grand Slam juvenil. No saibro de Roland Garros, Edison Mandarino em 1959, Thomaz Koch em 1962 e 1963, além de Luis Felipe Tavares em 1967 decidiram o torneio individual. Já na grama inglesa de Wimbledon, Ivo Ribeiro foi vice em 1957 e Ronald Barnes fez o mesmo dois anos depois.

Nas duplas, Guilherme Clezar foi vice de Roland Garros em 2009, tal como Bia Haddad nas temporadas de 2012 e 2013 e Orlando Luz este ano. Antes disso, em 1994 foi a vez de Ricardo Schlachter ser finalista de duplas no juvenil de Wimbledon.