Campeã juvenil do Australian Open tem apenas 14 anos
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 30, 2017 às 9:40 pm
O húngaro Zsombot Piros e a ucraniana Marta Kostyuk foram campeões juvenis em Melbourne (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

O húngaro Zsombot Piros e a ucraniana Marta Kostyuk foram campeões juvenis em Melbourne (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

O término da chave juvenil do Australian Open coroou uma de suas campeãs mais precoces. A ucraniana Marta Kostyuk conquistou o título aos 14 anos e sete meses depois da vitória por 7/5, 1/6 e 6/4 sobre a cabeça 1 suíça de 17 anos Rebeka Masarova no último sábado.

Por muito pouco, a jogadora é nascida em 28 de junho de 2002 não se tornou a mais jovem campeã da história do torneio. O feito cabe à russa Anastasia Pavyluchenkova, que tinha 14 anos, seis meses e 27 dias quando foi campeã juvenil em Melbourne em 2006. A russa, aliás, é uma das raras bicampeãs de um Grand Slam juvenil já que voltaria a vencer o torneio no ano seguinte.

Kostyuk teve um desempenho impressionante em competições de base. Em 2015, ela venceu a categoria 14 anos do Eddie Herr e do Orange Bowl. Já no ano passado, ela fez parte da equipe ucraniana campeã do World Junior Tennis (mundial de 14 anos por equipes na cidade tcheca de Prostejov) e já chegou às quartas da categoria principal do Eddie Herr e Orange Bowl, o que a levaram para a Austrália já em boa situação no ranking.

Fora de quadra, a jovem ucraniana tem a carreira agenciada por Ivan Ljubicic, ex-número 3 do mundo e que atua na equipe técnica de Roger Federer, outro campeão do fim de semana em Melbourne.”Eu finalmente conheci o Roger hoje” disse, sorrindo na entrevista coletiva. “Ele me cumprimentou. E tirei uma foto com ele, então fiquei muito animada”, acrescentou a jogadora que é treinada pela mãe e divide sua base entre Kiev e a cidade francesa de Cannes.

Histórico – A Ucrânia agora tem quatro títulos juvenis de Grand Slam em simples. O primeiro foi de Andrei Medvedev, no ano de 1991 em Roland Garros. Depois, triunfaram Kateryna Bondarenko em Wimbledon-2004 e Elina Svitolina em Roland Garros-2010.

O título masculino do Australian Open juvenil ficou com o húngaro  Zsombor Piros, que venceu a final contra o israelense Yshai Oliel por 4/6, 6/4 e 6/3. Piros repete o feito de Aniko Kapros, campeão em Melbourne no ano 2000. Outros três húngaros foram campeões juvenis de Grand Slam: Agnes Szavay em Roland Garros-2005, Marton Fucsovics em Wimbledon-2010 e Dalma Galfi no US Open de 2015.

Entrevistas – A quem interessar, o Australian Open disponibiliza as transcrições completas das entrevistas coletivas de Kostyuk e Piros após as finais do último sábado.

Les Petits As – Há pouco mais de um ano, Kostyuk estava na cidade francesa de Tarbes e foi campeã do tradicional torneio Les Petis As, que é considerado um mundial da categoria 14 anos. Promovido pela fornecedora de material esportivo Lacoste, o evento teve sua 35ª edição também na última semana de janeiro. Este ano, os títulos ficaram com a russa Maria Timofeeva e o italiano Luca Nardi.

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O italiano Luca Nardi e a russa Maria Timofeeva venceram um importante torneio de 14 anos na França

O Brasil teve o catarinense Pedro Boscardin Dias na chave masculina. Ele venceu o francês Sean Cenin por 6/2 e 7/5 na estreia e depois perdeu para o cabeça 5 norte-americano Toby Kodat na segunda rodada por 6/3 e 6/1.

Nos últimos anos, o Les Petits As antecipou algumas jogadoras que viriam ganhar um Grand Slam juvenil, já que além da própria Kostyuk, vale citar a russa Anastasia Potapova (vencedora do torneio em 2015 e campeã júnior de Wimbledon ano passado) e jogadoras que entrariam no top 100, casos de Jelena Ostapenko e Catherine Bellis (que triunfaram na França em 2011 e 2013, respectivamente).

O quadro de campeões do torneio francês tem nomes como Rafael Nadal, Richard Gasquet, Martina Hingis, Kim Clijsters e Timea Bacsinszky. A lista de grandes nomes que passaram pelo evento também inclui Roger Federer, Juan Martin del Potro, Novak Djokovic, Andy Murray, Agnieszka Radwanska, Caroline Wozniacki, Angelique Kerber e Justine Henin.

As corridas – Ao término do primeiro mês de competições no circuito da ATP, o russo de 20 anos Daniil Medvedev lidera a corrida para a edição inaugural do Next Gen ATP Finals, que será disputado entre os dias 7 e 11 de novembro na cidade italiana de Milão. Atual 63º do mundo, Medvedev recebeu 150 pontos quando foi finalista do ATP de Chennai e outros 10 por ter entrado diretamente na chave do Australian Open, onde perdeu na estreia.

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O segundo colocado nesta lista é o sul-coreano Hyeon Chung que havia vencido um jogo em Chennai (onde veio do quali) e outro no Australian Open. Já na última semana, ele foi campeão do challenger de Maui, no Havaí. Com apenas 20 anos, o atual 73º do mundo já acumula oito títulos de challenger.

Os nomes de Andrey Rublev, Alexander Zverev, Ernesto Escobedo, Noah Rubin, Alex De Minaur e Frances Tiafoe completam o top 8 após quatro semanas de competições. O evento terá os sete melhores jogadores de até 21 anos e um convidado. Confira o ranking completo neste link.

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Já a corrida para o ITF Junior Masters ainda é fortemente influenciada pelos resultados do fim do ano passado. Exemplo disso é a liderança do sérvio Miomir Kecmanovic, destaque nos torneios americanos de novembro e dezembro. Ainda assim, Piros já é o terceiro colocado e Kostyuk assumiu a ponta da lista feminina. A terceira edição do torneio com os oito melhores juvenis do mundo acontecerá em outubro, na cidade chinesa de Chengdu.

Nova geração não brilha em Melbourne. E cadê os sul-americanos no juvenil?
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 27, 2017 às 8:20 pm

Em um Grand Slam marcado por vitórias de veteranos, a nova geração do tênis teve pouquíssimo brilho neste Australian Open. Além das poucas campanhas realmente expressivas, não houve sequer uma grande vitória dos atletas mais jovens no primeiro Slam da temporada. O que restou foram boas apresentações contra grandes nomes do circuito.

É o caso de Alexander Zverev, único entre os vinte jogadores com até 21 anos da chave masculina que conseguiu à terceira rodada. O alemão de 19 anos passou pelo holandês Robin Haase e pelo também jovem americano Frances Tiafoe antes de cair diante de Rafael Nadal em duelo de cinco sets.

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Na duríssima partida contra Nadal, dois momentos pesaram: Uma breve queda de intensidade no início do quarto set, quando o alemão liderava por 2 sets 1 e viu o espanhol largar com uma vantagem confortável na parcial e um rali de 37 trocas de bola disputado quando o último set estava empatado por 2/2. Zverev até venceu o ponto, mas sentiu o desgaste, sofreu a quebra e ainda viu Nadal confirmar facilmente o saque antes da virada de lado. Pouco pôde fazer depois que já perdia o último set por 4/2 e viu Nadal prevalecer por 4/6, 6/3, 6/7 (5-7), 6/3 e 6/2.

Alexander Zverev foi o melhor nome da nova geração masculina (Foto: Ben Solomon/Tennis Australia)

Alexander Zverev foi o melhor nome da nova geração masculina (Foto: Ben Solomon/Tennis Australia)

“Tive câimbras depois daquele longo rali. Cheguei a ter um game-point para fazer 3/2, mas acabei perdendo o game um pouco por causa disso. Então, sim, essa foi uma grande razão para o jogo ter mudado”, reconheceu o alemão após a partida com Nadal. Ainda assim, ele tirou vários aspectos positivos.

“Não sou do tipo de pessoa que pensa apenas no presente. Eu amo o tênis absolutamente, e amo o processo de aprendizado. É emocionante para mim”, afirmou o jovem de 19 anos. “Eu posso ver como estou ficando melhor. E posso ver como estou ficando melhor para jogos de cinco sets. Isso é emocionante. Acho que este vai ser um ano incrível para mim”,

No feminino, a melhor campanha foi de Jennifer Brady, americana que disputou seu primeiro Grand Slam da carreira aos 21 anos e já chegou às oitavas de final. Depois de entrar em Melbourne como 116ª do mundo, a norte-americana furou o quali e ainda venceu mais três jogos na chave principal, campanha que certamente a levará ao top 100.

Jelena Ostapenko esteve perto de eliminar Pliskova na terceira rodada

Jelena Ostapenko esteve perto de eliminar Pliskova na terceira rodada

Mas foi na terceira rodada, o jogo mais expressivo de uma atleta da nova geração feminina. A letã de 19 anos Jelena Ostapenko, que já é 38ª do mundo e tem duas vitórias contra top 10 no currículo, enfrentou Karolina Pliskova. A estratégia de deslocar Pliskova lateralmente, especialmente nos pontos jogados no segundo saque da adversária, funcionou durante a maior parte da partida e a letã herdou muitos pontos de erros da top 5 tcheca.

Mas a ansiedade falou mais alto na hora de fechar o jogo e Ostapenko deixou escapar uma vantagem por 5/2 no último set, depois de ter sacado duas vezes para o jogo e acabou perdendo por 4/6, 6/0 e 10/8 em 2h05.

 

CADÊ OS SUL-AMERICANOS? 

Pelo segundo ano seguido, nenhum brasileiro disputou a chave juvenil do Australian Open. Mas mais que isso, dos 21 tenistas do sul-amricanos no top 100 do ranking, nenhum foi a Melbourne. Ao mesmo tempo que o alto custo da viagem e a diminuição dos recursos vindos do patrocínio dos Correios são fatores conhecidos, houve uma reestruturação do calendário da ITF que afetou os torneios no saibro sul-americano.

Em junho a ITF aprovou o calendário 2017 com mudanças importantes na Gira Cosat, que passou a ter parte dos torneios acontecendo em janeiro e fevereiro, enquanto o restante da gira entre setembro e novembro. Com isso, os maiores torneios do Brasil, o Banana Bowl e o Campeonato Internacional de Porto Alegre foram para fevereiro e não mais em março, como acontecia nos últimos anos.

O que motivou a mudança na COSAT foi a dificuldade que o calendário anterior causava para os jogadores participarem de torneios consecutivos de alto nível na América do Sul por estarem todos juntos, mas a contrapartida foi a coincidência de datas com o primeiro Grand Slam do ano. Como para muitos garotos a prioridade é a Gira Europeia de 2017, eles preferiram somar pontos no próprio continente.

Finais do Juvenil – As finais do juvenil acontecem neste sábado em Melbourne. A masculina será na quadra 7 entre o israelense Yshai Oliel e o húngaro Zsombor Piros. Já a feminina acontece na Rod Laver Arena a partir da meia-noite (de Brasília) entre a suíça Rebeka Masarova e a ucraniana Marta Kostyuk. Terão transmissão no site do Autralian Open e pelo WatchESPN.

 

Números da nova geração em Melbourne
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 15, 2017 às 10:38 pm

A nova geração do tênis marca presença no Australian Open, que começa na noite deste domingo. Entre adolescentes, estreantes, NextGen‘s e inúmeros outros rótulos, são muitas as caras novas estão dispostas a roubar a cena em Melbourne.

A chave masculina do Australian Open tem nove jogadores com menos de 20 anos, dos quais o convidado Alex De Minaur é o mais jovem com 17 anos. Deste grupo apenas dois entraram diretamente pelo ranking, o cabeça 24 alemão Alexander Zverev e o 91º colocado norte-americano Taylor Fritz.

Além do supracitado De Minaur outros dois “adolescentes”/teenagers obtiveram convites, o norte-americano de 19 anos Michael Mmoh por ser o americano que mais somou pontos em uma série de challengers nos Estados Unidos no fim do ano passado e o australiano de 19 anos Omar Jasika que venceu um playoff nacional entre jogadores profissionais em dezembro. Três atletas nesta faixa etária furaram o quali: O norte-americano Reilly Opelka, o russo Andrey Rublev e o ex-russo Alexander Bublik (que defende o Cazaquistão a partir deste ano).

Entre os 20 jogadores com menos de 21 anos na chave do Australian Open, 15 são da chamada #NextGen/Nova Geração, nomenclatura que a ATP utiliza para determinar jogadores desta faixa etária que estejam no top 200 no ranking.

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Estreantes – Cinco desses jovens jogadores disputam o primeiro Grand Slam da carreira: Alexander Bublik, Alex De Minaur, Daniil Medvedev, Blake Mott e Reilly Opelka. Ao todo, nove tenistas estarão em seu primeiro Grand Slam, numa lista que ainda conta com o cearense de 22 anos Thiago Monteiro.

Renovação/Longevidade – O italiano Luca Brancher publicou alguns dados interessantes em seu perfil no Twitter. Ele levantou dados desde 1988 da chave do Australian Open e constatou dois extremos: O número de adolescentes na chave principal cresceu em relação ao ano passado e mais do que dobrou se comparado ao quadro de 2015. Por outro lado, aumentou também o número de atletas com mais de 30 anos e até mesmo com mais de 35 anos (com 10 na chave). O aumento nos veteranos contribui para que o torneio de 2017 tenha a maior média de idade no período pesquisado por ele.

Sempre quando a gente entrevista algum jogador mais experiente, o André Ghem e o Rogerinho são bons exemplos aqui no Brasil, eles citam que a possibilidade que o tenista tem de prolongar a carreira é muito maior que num passado recente. Há muito mais informação sobre meios que garantem a longevidade do atleta.

Por mais talentosa que seja a nova geração, o “envelhecimento” do circuito é real e não é uma coisa negativa e veremos cada vez mais jogadores permanecendo mais tempo em alto e nível e chegando ao auge perto dos trinta anos. Quem sabe até depois…

 

Feminino –  A WTA trabalha mais com o mote das teenagers para tratar de sua renovação. Da lista de atletas com menos de 20 anos, a australiana de 16 anos Destanee Aiava é a mais jovem na chave. Também disputam duas atletas de 17 anos, a americana  Kayla Day e a australiana Jaimee Fourlis, além de cinco jogadoras de 19 anos, a croata Ana Konjuh, a australiana Lizette Cabrera, a japonesa Naomi Osaka, a letã Jelena Ostapenko, a russa Daria Kasatkina e a suíça Belinda Bencic.

Kasatkina é a única cabeça de chave deste grupo. A russa é a 23ª favorita e vem de uma expressiva vitória sobre a número 1 do mundo Angelique Kerber no WTA Premier de Sydney. Já a suíça Belinda Bencic, que foi até top 10, está atualmente no 48o. lugar depois de um ano com muitas lesões na região lombar. Sua primeira missão em Melbourne é voltar a vencer Serena Williams, a quem já derrotou na fantástica campanha para o título de Toronto em 2015.

Kasatkina, enfim, aproveitou o match point
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 10, 2017 às 8:59 pm

“A primeira coisa que eu pensei foi: ‘Venci o match point’ (risos). Eu perdi alguns jogos que tive match point no ano passado, e neste ano, então essa partida foi muito importante para mim”, assim afirmou aliviada a russa Daria Kasatkina na entrevista coletiva após superar Angelique Kerber por 7/6 (7-5) e 6/2 pelas oitavas de final do WTA Premier de Sydney.

Não é por acaso, a jovem de 19 anos e já 26ª do ranking carregava um incômodo histórico de viradas sofridas após não aproveitar os match points que teve. “Eu tive match points em três jogos contra top 10. E hoje eu venci a número 1 do mundo”.

A trajetória começou na edição passada do WTA de Doha, em fevereiro de 2016, quando teve três chances de despachar a então décima colocada Roberta Vinci. No mês de outubro, em Pequim, ela teve a bola do jogo contra a número 5 do ranking Karolina Pliskova. Já na semana passada, atuando em Brisbane, a jovem russa poderia eliminar a sétima do mundo Garbiñe Muguruza, mas novamente não aproveitou a chance.

“Eu estava muito triste depois daqueles jogos. Ficava chorando e tudo mais”, contou a russa que também no ano passado, foi eliminada de Roland Garros e Wimbledon em partidas que perdeu a última parcial por 10/8 para Kiki Bertens e Venus Williams, respectivamente. Ela também perdeu um match point no jogo contra Sloane Stephens em Charleston.

“Mas, depois, analisamos todos estes jogos, e eu sentia que, mais cedo ou mais tarde, eu ia começar a ganhar uma partida assim. Eu esperava que este momento chegasse logo. Por isso, este jogo foi tão importante para mim”, acrescentou a jogadora que é treinada por Vladimir Platenik.

Aproveitando-se de um dia ruim de Kerber, que não encontrou um bom ritmo no jogo e cometeu seis duplas-faltas e 41 erros, Kasatkina venceu os oito primeiros pontos da partida e liderou o set inicial por 4/1, quando ainda perdeu dois break points. A russa ainda teria um set point no saque da adversária, mas só definiria a parcial após um erro de devolução da alemã no tiebreak. Já no segundo set, a jovem de 19 anos minou o saque da líder do ranking e ainda contou com a sorte para conseguir a última de suas três quebras na parcial.

Ciente de que ainda restam três rodadas para o fim do torneio, Kasatkina foi moderada na comemoração da vitória sobre a número 1 do mundo. É só o meio do torneio. Se eu ficar em choque ou feliz demais, as coisas podem piorar. Então, estou calma, feliz porque ganhei hoje e já pensando nas quartas de final.

A promessa russa deverá ser cabeça de chave 23 no Australian Open, por conta das desistências de Madison Keys, Petra Kvitova e Victoria Azarenka. Isso a impedirá de cruzar o caminho de praticamente todas as top 10 antes das oitavas de final, exceção feita à britânica Johanna Konta, que aliás, será sua próxima adversária em Sydney.

“Ela tem um bom saque, um bom backhand e não tem tantos pontos fracos. Será bom jogo e, novamente, contra uma top 10. Fico feliz, porque é bom começar a temporada jogando contra as melhores para que você possa ver qual é o seu nível, além de ser uma boa preparação para o Australian Open”.

As vitórias de jovens jogadoras sobre as líderes do ranking têm se tornado cada vez mais raras nos últimos anos. As estrelas do circuito têm prolongado suas carreiras e atuado em alto nível por mais tempo, fazendo com que as promessas demorem um pouco mais para explodirem no circuito. Desde 2009, foram apenas seis atletas com menos de 20 anos que derrubaram uma número 1 do mundo. 2017-01-10 (2)

Logo após a vitória mais importante da carreira, Kasatkina respondeu à inevitável pergunta sobre como se sentia após vencer a melhor jogadora do mundo e destacou o quanto isso pode trazer de confiança para o restante da temporada, em especial para o Australian Open na semana que vem.

“É difícil explicar [como eu me sinto] porque eu acabei de derrotar a número 1 do mundo e isso não acontece todo dia”, disse ainda dentro de quadra. “Este é o segundo torneio seguido que eu enfrento uma das melhores jogadoras do mundo [lembrando da partida contra Muguruza em Brisbane]. Na minha estreia aqui eu já havia jogado muito bem e venci um jogo de três sets (contra a húngara Timea Babos) e agora fiz uma partida incrível e venci a número 1 do mundo, então isso dá bastante confiança”.

Com mais calma, a jovem russa falou à WTA sobre a experiência que adquiriu enfrentando adversárias de peso durante o ano passado e que intensificou a pré-temporada para dar o próximo passo. “Trabalhei duro na pré-temporada, foram sete ou oito semanas de preparação, mas é claro que tudo isso compensou. Estou me sentindo melhor, em melhor forma e mais confiante. Isso me ajudou muito”.

“Nessas partidas você pode ficar nervosa às vezes, especialmente se estiver enfrentando uma adversária muito boa, e em um dia muito quente”, avaliou a jovem russa que já tinha vitória contra top 10 sobre Venus Williams, há pouco mais de um ano, na edição de 2016 do WTA de Auckland. “Ganhei experiência no ano passado e no começo deste ano e sabia o que fazer para jogar nesse tempo e o que fazer quando estava nervosa”.

Duas gratas surpresas em Brisbane
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 3, 2017 às 8:59 pm

Duas jovens promessas do tênis australiano chamaram atenção do público logo na primeira semana da temporada em Brisbane. Alex De Minaur, de 17 anos, passou por duas rodadas do qualificatório e participou pela primeira vez de um ATP. Mas o principal destaque foi Destanee Aiava, que aos 16 anos, passou por uma três fases no quali e ainda venceu um jogo da chave principal.

A vitória de Aiava sobre a experiente norte-americana de 31 anos Bethanie Mattek-Sands por 2/6, 6/3 e 6/4, em jogo que começou na madrugada de segunda-feira e foi concluído só nesta terça por conta do mau tempo, fez com que a jovem australiana se tornasse a primeira jogadora nascida nos anos 2000 a vencer um jogo válido pela chave principal de um WTA.

A promessa do tênis feminino australiano vem de uma família de esportistas imigrantes de Samoa, mas de modalidades bem distantes do tênis. O pai é técnico de MMA, enquanto a mãe jogou rúgbi e precisou aprender tênis para treinar a filha, um processo parecido com o vivido por Piotr Wozniacki, ex-jogador de futebol.

“Eu tinha cinco anos e estava assistindo o Australian Open pela TV, quando eu vi a Serena e pensei ‘Eu quero me tornar número 1 do mundo. Então os meus pais só pensaram: ‘Oh! Tênis? Mas nós não sabemos nada sobre tênis'”, disse Aiava na entrevista coletiva após a vitória por duplo 6/1 sobre a 86ª colocada alemã Carina Witthoeft na última rodada do quali em 1º de janeiro. Nos dias anteriores, ela havia vencido a experiente espanhola de 34 anos María José Martinez e a americana Samantha Crawford, 114ª do mundo.

Ainda sobre sua admiração por Serena, Aiava diz que a atitude da americana americana foi o que mais despertou mais seu interesse. “Acho que foi a vibração dela. Eu não poderia senti-la pelo outro lado da TV, mas foi a energia dela me trouxe para o esporte”, comentou a atual 345ª do ranking, mas que deverá ganhar muitas posições após a grande semana em Brisbane.

A jogadora, que tem chamado atenção por seus bons saques e golpes potentes do fundo de quadra, se descreve como uma atleta agressiva e falou de suas principais virtudes.”Estou com muita confiança no meu jogo agora. Isso me deu a oportunidade de chegar onde estou agora. Acho que meu saque e meu forehand melhoraram muito e estou muito confiante com eles também”.

Seu próximo compromisso em Brisbane será o primeiro jogo contra uma top 10 na carreira. Ela enfrenta a russa Svetlana Kuznetsova, número 9 do mundo e dona de dois títulos de Grand Slam, na madrugada desta quarta-feira. “É uma loucura. Eu caminho por aqui e vejo as pessoas que assistia pela TV antes. Uau!”

Enquanto o número 1 está muito distante, Aiava estabeleceu metas interessantes a curto prazo. “Eu realmente gostaria de tentar passar da primeira rodada do Australian Open. Esse é o meu principal objetivo para depois tentar chegar o mais longe que puder no torneio”, disse a australiana, que quando perguntada pela WTA sobre seu objetivo para o ano de 2017 foi direto ao assunto. “Entrar no top 100″.

Pioneira – Aiava, que prefere ser chamada apenas por ‘Des’,  foi primeira jogadora nascida nos anos 2000 a figurar em um ranking da WTA, quando apareceu na lista de duplas, em 9 de fevereiro do ano passado e, em duas semanas, será a primeira a disputar a chave principal de um Grand Slam. Ela garantiu a vaga graças ao título da categoria 18 anos feminino do Australian Championships, torneio nacional juvenil disputado durante em dezembro no Melbourne Park. Quando furou o quali no último domingo, já seria também a primeira atleta nascida depois do ano 2000 a disputar uma chave principal de WTA.

De Minaur surpreende –  No masculino, o destaque ficou por conta de Alex De Minaur. Já falamos dele aqui no ano passado, quando foi finalista da chave juvenil de Wimbledon. Filho pai uruguaio e mãe espanhola, ele viveu em Sydney até os cinco anos e depois foi com a família para a Espanha. Sua formação no tênis foi dividida entre as duas bases.

Atual 351º colocado na ATP, De Minaur passou pelo 89º do ranking Mikhail Kukushkin logo na primeira rodada do quali e depois venceu o 108º colocado americano Frances Tiafoe, outro nome da nova geração, mas que já esteve entre os cem melhores. Já no primeiro jogo da chave principal, ele foi derrotado pelo alemão Mischa Zverev por duplo 6/3.

As boas apresentações em Brisbane chamaram a atenção do ex-número 1 do mundo Lleyton Hewitt, que acompanhou de perto as partidas do jovem australiano. “Estou feliz pelo Alex, por ele ter a oportunidade de jogar a chave principal de um ATP”, disse Hewitt, em entrevista ao site da entidade que comanda o tênis masculino.

“Que maneira de começar o ano novo! Ele é muito habilidoso e quer trabalhar duro. O treinamento que ele fez em novembro e dezembro é a principal razão pela qual eu confiava que ele poderia vencer ontem e hoje”, revelou o agora ex-jogador e agora capitão do time australiano na Copa Davis.

Definidos os números 1 da temporada juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 8, 2016 às 8:41 pm

O sérvio Miomir Kecmanovic e a russa Anastasia Potapova irão terminar o ano como líderes dos rankings juvenis masculino e feminino no circuito de 18 anos da ITF e serão considerados pela Federação Internacional os campeões mundiais juvenis de 2016.

Kecmanovic foi finalista de cinco dos últimos seis torneios que disputou (Foto: Hiromasa Mano)

Kecmanovic foi finalista de cinco dos últimos seis torneios que disputou (Foto: Hiromasa Mano)

Kecmanovic, de 17 anos, alcançou a liderança em 21 de novembro com título do Aberto Juvenil Mexicano, competição de nível GA. O sérvio que treina na IMG Academy de Nick Bollettieri assegurou a permanência no topo do ranking até o final do ano com mais duas conquistas na última semana, exatamente na mesma academia, ao ser campeão de simples e duplas do tradicional torneio Eddie Herr (ITF G1)

Vice-campeão do US Open e da Osaka Mayor’s Cup (ITF GA) entre setembro e outubro, Kecmanovic foi finalista em cinco dos últimos seis torneios juvenis que disputou. A única derrota prévia aconteceu para na Yucatan Cup (ITF G1) no saibro mexicano de Mérida, em que perdeu nas quartas para o paulista Gabriel Décamps, que se tornaria o campeão do torneio.

Será a primeira vez que a Sérvia terá um jogador na liderança do ranking mundial juvenil ao final de uma temporada. Novak Djokovic foi apenas o 24º melhor do mundo em sua categoria em 2003, enquanto Janko Tipsarevic até liderou o ranking em 2001, mas terminou aquela temporada atrás do canhoto luxemburguês Gilles Muller.

Potapova tem apenas 15 anos e já lidera o ranking juvenil feminino (Foto: Hiromasa Mano)

Potapova tem apenas 15 anos e já lidera o ranking juvenil feminino (Foto: Hiromasa Mano)

Já Potapova, que tem apenas 15 anos, havia chegado ao topo pela primeira vez em julho, logo depois de ser campeã juvenil de Wimbledon. Ela chegou a perder o primeiro lugar em setembro para a campeã do US Open Kayla Day, mas retomou a ponta do ranking em outubro após o título em Osaka.

A confirmação da liderança até o final do ano veio na última segunda-feira com a desistência da americana Day do Orange Bowl, que acontece nesta semana. A canhota de 17 anos era a única jogadora que poderia ultrapassar a promissora russa, que é treinada por Irina Doronina na Alexander Ostrovsky Academy, localizada na cidade de Khimki.

A Rússia volta a ter uma número 1 ao final do ano no feminino cinco anos depois de a canhota Irina Khromacheva conseguir o feito em 2011. Na temporada anterior, Daria Gavrilova (que atualmente joga sob bandeira australiana) também fechou o ano na liderança. Anastasia Pavlyuchenkova (2006), Svetlana Kuznetsova (2001), Lina Krasnoroutskaia (1999) e Anna Kournikova (1995) foram outras russas a conquistarem o título de campeã mundial juvenil.

Top 100 tem só dois com menos de 20 anos
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 28, 2016 às 4:53 pm

O ranking da ATP divulgado nesta segunda-feira é considerado o Year-End pela entidade que comanda o circuito masculino. Isso porque não há mais competições da ATP e nem mesmo de torneios de nível challenger até o final do ano. No máximo, acontecerão alguns futures que afetam jogadores abaixo dos cem melhores. Com isso, já é possível traçar alguns dados da nova geração.

O número de jogadores com menos de 20 anos terminaram a temporada dentro do top 100 foi reduzido de quatro para dois atletas. Os únicos nesta faixa etária ao final de 2016 são Alexander Zverev e Taylor Fritz, ambos com 19 anos. O alemão encerra a segunda temporada seguida entre os cem melhores e saltou do 81º para o 24º lugar, enquanto o americano entrou no top 100 em janeiro e hoje é o 76º colocado.

Dos outros três teenagers/adolescentes que terminaram 2015 no top 100, apenas Borna Coric continua. O croata que completou 20 anos neste mês de novembro teve uma leve queda do 45º para o 48º lugar, mas está sem jogar desde setembro por uma lesão no joelho direito, operado no mesmo mês.

Menos sorte ainda tiveram Hyeon Chung e Thanasi Kokkinakis. O sul-coreano ficou os meses de junho, julho e agosto sem jogar por lesão abdominal e mesmo com dois títulos de challenger no fim do ano, caiu do 51º para o 104º lugar. Já o australiano, que operou o ombro em dezembro de 2015, só disputou uma partida este ano (nas Olimpíadas) e está atualmente sem ranking. Ex-número 69, Kokkinakis era o 78º colocado no fim do ano passado.

Dois jovens americanos Frances Tiafoe e Jared Donaldson, entraram no top 100 durante a temporada, mas não sustentaram as posições, enquanto dois jovens russos chegaram à essa faixa já com 20 anos completos, Karen Khachanov e Daniil Medvedev e conseguem fechar a temporada entre os melhores.

Outro parâmetro que a ATP tem usado para medir sua renovação é  a NextGen/Nova Geração, que engloba os jogadores com menos de 21 anos que aparecem entre os 200 melhores do mundo. Nessa lista, são 22 atletas com potencial para ficar entre os cem melhores em pouco tempo, além da inclusão do próprio Kokkinakis.

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Dados: ATP Media Information

Adolescentes venceram 13 challengers

Se o número de jogadores com menos de 20 anos no top 100 diminuiu, os títulos de chalenger se mantiveram. Assim como em 2015, foram treze conquistas para ateltas nesta faixa etária. Para efeito de comparação, foram apenas seis em 2014.

Esses treze títulos foram conquistados por 12 jogadores diferentes, já que o americano de 18 anos Frances Tiafoe venceu dois torneios. Também triunfaram Casper Ruud, Taylor Fritz, Max Purcell, Andrey Rublev, Stefan Kozlov, Michael Mmoh, Reilly Opelka, Quentin Halys, Blake Mott, Karen Khachanov, Maxime Janvier.
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A ATP também levantou o número de títulos de challenger da Nova Geração. Nessa conta, foram doze jogadores conquistando dezessete torneios: Taylor Fritz, Andrey Rublev, Frances Tiafoe (dois títulos), Stefan Kozlov, Quentin Halys, Karen Khachanov, Samarkand, Elias Ymer, Ernesto Escobedo (dois títulos), Hyeon Chung (dois títulos), Daniil Medvedev, Yoshihito Nishioka (dois títulos) e Kyle Edmund (dois títulos).

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CiCi Bellis subindo

CiCi Bellis venceu torneio no Havaí e já 75ª colocada na WTA aos 17 anos

CiCi Bellis venceu torneio no Havaí e já 75ª colocada na WTA aos 17 anos

A WTA adota como Year-End Ranking o do dia 7 de novembro, logo após o Elite Trophy em Zhuhai. Seis atletas com menos de vinte anos apereciam entre as cem melhores daquela lista: Naomi Osaka, Ana Konjuh, Jelena Ostapenko, Belinda Bencic, Daria Kasatkina e Catherine Bellis.

Destaque para o caso de Bellis, que há três semanas tinha acabado de entrar no top 100 e ocupava o 90º lugar. Como ela continuou jogando competições menores, e neste domingo venceu um torneio de US$ 115 mil dólares no Havaí, a jovem jogadora de 17 anos deu novo salto no ranking e vai começar 2017 na 75ª posição.

Décamps campeão

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Gabriel Décamps venceu ITF G1 no México e terá o melhor ranking juvenil da carreira

O paulista de 17 anos e 1,93m Gabriel Décamps teve uma grande semana no México e foi campeão da Yucatan Cup, torneio ITF G1. Com o título, ele somou 150 pontos (e tinha apenas 30 a descartar), que foram suficientes para bater o melhor ranking da carreira e aparecer pela primeira vez entre os 30 melhores juvenis do mundo.

Hoje, Décamps é o 27º de sua categoria e também aparece no sétimo lugar entre os que mais pontuaram na corrida para o ITF Junior Masters de 2017, que será disputado na China.

Durante a semana, o paulistano treinado por William Kyriakos bateu os dois principais nomes do torneio, com destaque para a vitória nas quartas de final sobre o sérvio Miomir Kecmanovic, que havia assumido o primeiro lugar no ranking juvenil há uma semana.

Dados da ATP: Os dados utilizados na primeira parte do post sobre o número de jovens com títulos de challenger e a lista de jogadores com até 21 anos no top 200 são do Media Guide do circuito challenger, que é atualizado semanalmente (durante a temporada) e tem uma série de outras informações interessantes. Vale a pena conferir.

ATP lança Finals sub-21 e ITF remodela o Junior Masters
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 21, 2016 às 7:44 pm

A ATP anunciou no último sábado que a cidade italiana de Milão será o palco do Next Gen ATP Finals, novo evento no calendário para os melhores jogadores do mundo com até 21 anos. A edição inaugural acontece entre os dias 7 e 11 de novembro de 2017 e o evento permanece em Milão por cinco anos, até 2021.

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As cinco primeiras edições do evento acontecerão na Itália (Foto: Arte/ATP)

Para determinar os classificados, será criada uma “Corrida para Milão” a partir de janeiro, nos moldes do ranking qualificatório para o ATP Finals, a “Corrida para Londres”. Os sete melhores jogadores com essa faixa etária (nascidos até 1996) se classificam automaticamente, enquanto a oitava vaga será reservada para um convidado.

O evento vai distribuir premiação de US$ 1,25 milhões e seguirá um formato semelhante ao do ATP Finals, com uma fase de grupos seguida por semifinais e final. Ainda que o ranking sirva como critério de classificação, o torneio em si não vai oferecerá pontos.

Três comentários – Ainda não foi informado qual será a postura adotada para o caso de um jogador com menos de 21 anos esteja classificado para o ATP Finals, que acontece na semana seguinte, entre os dias 13 e 19 de novembro. Acredito que ele seja liberado.

Além disso, o fato de o torneio não oferecer pontos para o ranking também indica que ele não será de participação obrigatória. Isso pode dar margem para eventual debandada de jogadores que estejam de fato classificados, como aconteceu na maioria das cinco edições do Challenger Finals em São Paulo, que oferecia preciosos pontos no fim de cada ano.

Não deram detalhes ainda sobre os critérios para o jogador convidado: É alguém da mesma faixa etária? Será um juvenil? Melhor italiano na ATP (Bota a molecada para jogar com o Fognini, sou a favor!) ou melhor italiano com essa idade? Aguardemos…

ITF remodela o Junior Masters

O sul-coreano Hong Seong Chan e a russa Anna Blinkova foram campeões este ano (Foto: Susan Mullane)

O sul-coreano Hong Seong Chan e a russa Anna Blinkova foram campeões este ano (Foto: Susan Mullane)

Outra novidade recente foram as mudanças no ITF Juniors Masters, o Finals sub-18 organizado entre os oito melhores do circuito juvenil para meninos e meninas. Tal como nas duas primeiras edições, em 2015 e este ano, o torneio seguirá na China, mas muda deixa de acontecer em abril e muda para o final da temporada.

O torneio do ano que vem vai acontecer a partir do dia 23 de outubro e passará a contar pontos para o ranking mundial juvenil, ajudando a determinar o “Year-End Number 1″. O período de classificação está valendo desde 12 de setembro e vai até 10 de setembro do ano que vem.

A ITF disponibilizou as “Corridas para Chengdu” em seu site para que os fãs possam acompanhar a classificação para o torneio. Aqui estão os 20 primeiros colocados no masculino e feminino. (Obrigado ao Rubens Lisboa, da CBT, por ter localizado as listas no site da entidade).

Mais dois comentários – A semana do torneio coincide com a do WTA Finals, inclusive em termos de horários. E como a transmissão do evento costuma ser só pela internet, o engajamento em redes sociais junto ao público de tênis fica comprometido.

Quanto à distribuição pontos, até fica válido agora que o torneio terá os melhores do ano vigente e não mais os da temporada anterior, mas mantenho a posição de que na fase final transição o que menos interessa para eles é ranking juvenil, principalmente para as meninas cuja maioria já pontuou na WTA com essa idade.

Teste no circuito feminino

A agora campeã olímpica Monica Puig venceu um evento nestes moldes há dois anos, promovido pela WTA

A agora campeã olímpica Monica Puig venceu um evento nestes moldes há dois anos, promovido pela WTA

A WTA também testou criar um evento entre jovens promessas entre 2014 e 2015, acontecendo na semana anterior ao Finals de Cingapura, mas não levou a diante a ideia. Nos dois anos era disputado um quadrangular entre jovens jogadoras escolhidas por votação pela internet e, até por isso, não valia pontos para o ranking. Monica Puig e Naomi Osaka foram as vencedoras.

Novo número 1

Terminou no último domingo o Aberto Juvenil Mexicano, competição de nível GA no circuito de 18 anos da ITF. No masculino, deu a lógica e o cabeça 1 Miomir Kecmanovic foi campeão sem perder sets. Único top 10 inscrito e então número 2 do ranking, o sérvio de 17 anos venceu a final contra o português Duarte Vale por 6/3 e 6/0. Os 250 pontos conquistados no saibro mexicano o levarão à primeira posição no ranking.

Único top 10 no Aberto Juvenil Mexicano, Kecmanovic foi campeão sem perder sets e será número 1 do ranking

Único top 10 no Aberto Juvenil Mexicano, Kecmanovic não perdeu sets no torneio e será número 1

O torneio feminino foi dominado pelas americanas, que fizeram as quatro semifinalistas e tiveram seis das oito jogadoras nas quartas. A campeã foi a canhota de 16 anos Taylor Johnson, que derrotou Ellie Douglas na final por 6/2, 2/6 e 6/4. Johsnon subiu do 28º para o 11º lugar no ranking.

A melhor semana de Bia e Sorgi
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 7, 2016 às 10:18 pm

Cinco jogos, cinco vitórias e nenhum set perdido. Assim foi a melhor semana da carreira de Beatriz Haddad Maia, que conquistou seu quinto e mais importante título profissional. A canhota de 20 anos foi campeã do ITF de US$ 50 mil nas quadras duras americanas de Scottsdale no último domingo, após vencer um jogo de dois tiebreaks contra a anfitriã Kristie Ahn.

Foi o primeiro torneio nos Estados Unidos para uma jogadora que vinha de boas campanhas durante sete semanas na Europa nos últimos meses. Com os oitenta pontos, Bia ganhou sessenta posições e saiu do 271º lugar para o 211º. Há dois meses, quando iniciou uma série de torneios europeus, que mesclou saibro e quadra dura, ela estava na 342ª posição.

Bia conquistou seu título mais importante na carreira em Scottsdale

Bia conquistou seu título mais importante na carreira em Scottsdale

Bia fica a apenas 26 pontos do top 200. A WTA considera o ranking de hoje como o “Year-End”, por ser a semana seguinte ao término dos torneios da entidade, mas a paulista ainda pode ganhar posições em 2016, jogando um ITF de US$ 50 mil de Waco e um de US$ 25 mil em Nashville.

“Estou muito feliz com a conquista desse meu primeiro título em um torneio de US$ 50 mil e com o meu desempenho esta semana”, disse Bia Haddad, por meio de sua assessoria de imprensa. “Consegui me manter firme e focada durante todas as partidas e evoluir a cada jogo, fazendo o meu melhor. Agora é curtir um pouquinho o título e já me preparar para o challenger de Waco”.

A posição atual no ranking já a coloca em condição de tentar o qualificatório do Australian Open, mas ainda não foi decidido se este será o plano dela. Ela vai terminar essa temporada tarde e precisaria de um período de descanso e pré-temporada para 2017. O melhor a fazer é aguardar o término da jornada americana da tenista.

Como a WTA sempre usa o segundo ranking de novembro como base para o final do ano, dá a entender que Bia caiu em relação 185º lugar que ocupava há exatamente um ano, mas não é bem assim. Ela perdeu todo o segundo semestre de 2015, quando operou o ombro direito e ainda tinha pontos a descontar no mês de dezembro último. Na prática, ela iniciou 2016 no 246ª lugar e ainda precisando defender quartas de final de um WTA logo em fevereiro. Conclusão: Bia passou a maior parte do ano fora do top 300 e vem se recuperando nos últimos meses.

Paulista ganhou mais de 130 posições nas últimas semanas e joga mais dois torneios nos EUA

Paulista ganhou mais de 130 posições nas últimas semanas e joga mais dois torneios nos EUA

Um dos pontos altos do título na última semana foi a vitória sobre a 76ª do ranking e cabeça 1 do torneio, a americana Nicole Gibbs, em dia com muito vento em quadra. “Entrei nesse jogo acreditando que poderia vencer, me impondo e jogando profundo. Sabia que eu tinha muito mais peso de bola do que ela”, comentou após ter vencido o jogo das oitavas no Arizona.

Aquela foi sua segunda vitória na carreira contra uma top 100, já que ela havia superado a eslovena Polona Hercog no Rio Open do ano passado. “Eu consegui, com respeito, sabendo que ela era 70 do mundo, fazer o meu melhor. Cheguei a abrir 4 a 0, ela buscou, é muito experiente, mudou um pouco o padrão de jogo, mas fiquei firme e controlar as minhas emoções”.

Como ela mesma pontuou, tão importante quanto a sequência de boas partidas foi a atitude positiva e a postura nos momentos decisivos. Mesmo nos momentos de vantagem para as adversárias, ou quando Bia perdia alguma oportunidade nos jogos, ela não permitiu que isso acarretasse numa queda de rendimento e a possibilidade deixar a rival assumisse o controle das partidas.

Bia não perdeu sets nas lentas condições de Scottsdale, mesmo lidando com uma série de situações complicadas. Ela havia deixado escapar uma vantagem por 4/0 escapar no set inicial contra Nicole Gibbs, mas conseguiu voltar rapidamente ao jogo para ter novamente quebra de vantagem. Soube jogar como favorita contra a jovem, porém embalada, Kayla Day na semi.

Já na final, a brasileira esteve com quebra abaixo nos dois sets e buscou a igualdade. Ela também “esqueceu” rápido o match point perdido de quando liderava o set por 5/4. Mesmo perdendo o saque no game seguinte, conseguiu devolver a quebra quando a rival sacava para o set e dominou o tiebreak.

No começo do ano, ela havia dito em entrevista para mim que a prioridade para este ano seria o trabalho físico e o controle emocional. Para ganhar cinco jogos seguidos em uma semana, sem perder sets, a parte física e emocional se mostrou mais do que em dia. Até por isso, ela dedicou a conquista ao fisioterapeuta Paulo Roberto Santos, aniversariante do último domingo. “Foi um presente para mim e para o Paulão que faz aniversário hoje”.

Melhor semana também para Sorgi 

Sorgi eliminou três jogadores de peso no Equador e saltou 103 no ranking da ATP

Sorgi eliminou três jogadores de peso no Equador e saltou 103 no ranking da ATP

Outra boa notícia para a nova geração brasileira veio com João Pedro Sorgi, que saiu do quali até as semifinais do challenger de Guayaquil, no saibro equatoriano. Com o resultado, o paulista de Sertãozinho saiu do 478ª para a 375ª colocação.

Passar pela fase de qualificação de torneios challenger já vinha sendo frequente para o paulista de 23 anos, que furou qualis em Campinas, Buenos Aires, Santiago e Lima antes de ir a Guyaquil. Mas na última semana, ele emendou três vitórias expressivas contra Victor Estrella Burgos, Leonardo Mayer e o então 68º do ranking Facundo Bagnis.

Sorgi poderia ter entrado diretamente na chave de Bogotá como “Special Exempt”, vaga que a ATP (WTA e ITF também) reserva para jogadores que disputariam o quali, mas disputavam uma semifinal de torneio de porte igual ou maior no fim de semana anterior. Ele preferiu ter um período a mais de descanso depois de jogar por sete dias seguidos no Equador. O paulista que treina na cidade catarinense de Itajaí voltou à sua terra natal, Sertãozinho, fica até quarta-feira e depois segue para um challenger e dois futures no Uruguai.

Orlando, Marina e Pedretti – O gaúcho de 18 anos Orlando Luz foi convidado pela ATP para uma semana de treinamentos em Londres durante o ATP Finals; A mineira de 16 anos Marina Figueiredo venceu seu primeiro título no circuito de 18 da ITF, na cidade boliviana de Santa Cruz; Já no saibro colombiano de Cúcuta, a paulista de 17 anos Thaísa Pedretti fez sua melhor campanha profissional na carreira ao vencer três jogos e parar na semifinal do ITF local de US$ 10 mil.

Mais títulos de novos americanos

CiCi Bellis ganhou um ITF em Toronto e terminará o ano como a mais jovem do top 100

CiCi Bellis ganhou um ITF em Toronto e terminará o ano como a mais jovem do top 100

Com apenas 17 anos, Catherine ‘CiCi’ Bellis entrou no top 100 e já passa a ser a mais jovem desta lista na temporada. Ela saltou do 101º para o 90º lugar com título do ITF de US$ 50 mil de Toronto. Também na última semana, o americano de 19 anos Reilly Opelka conquistou seu primeiro challenger em Charlottesville e saltou 68 posições no ranking da ATP para ter a melhor marca da carreira na 208ª posição.

Jovens jogadoras se posicionam após ameaças na web
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 21, 2016 às 10:41 pm

Logo após a derrota para Svetlana Kuznetsova na semifinal do WTA Premier de Moscou, Elina Svitolina deu declarações fortes a respeito das ofensas que recebe nas redes sociais. A ucraniana de 22 anos e número 15 do mundo, disse que foi ameaçada por russos antes de enfrentar a jogadora da casa nesta sexta-feira.

Temendo por sua integridade física, ela ainda afirmou que dificilmente voltará a disputar a disputar o torneio. O cenário na Rússia é hostil aos ucranianos em meio às tensões políticas entre os dois países que se estendem há quase três anos, desde os protestos em Kiev no fim de 2013 que pediam maior integração à União Europeia.

A ucraniana Elina Svitolina foi ameaçada por russos antes de enfrentar a anfitriã Kuznetsova em Moscou (Foto: Kremlin Cup)

A ucraniana Elina Svitolina foi ameaçada por russos antes de enfrentar a anfitriã Kuznetsova em Moscou (Foto: Kremlin Cup)

“Foi um torneio muito duro e acho que não voltarei para cá, porque nunca senti tanta pressão. Recebi muitas mensagens negativas antes mesmo do jogo. Eram ameaças. A pessoa que lida com isso não pode simplesmente apagar isso da mente”, disse Svitolina após a derrota para Kuznetsova por 6/1, 6/7 (2-7) e 6/4 nesta sexta-feira, em relato do jornalista russo Dmitry Shakhov.

“Nós sempre recebemos mensagens negativas, mas isso é diferente. Eles disseram que sabiam até o mesmo o hotel onde estou hospedada. Obviamente, isso está ligado à política, mas não tenho nada a ver com isso. Sou uma jogadora de tênis tentando vencer jogos”, acrescentou a jovem jogadora, que também havia disputado o torneio em 2012 e 2013 e evitado a capital russa nos últimos dois anos.

A tensão foi tanta que até mesmo uma torcedora de Svitolina se sentiu intimidada por torcedores locais no estádio e temia sofrer represálias por aquilo que poderia ser entendido como “propaganda pró-Ucrânia” em território russo.

Ofensas e ameaças por meio de redes sociais são uma questão muito recente e por isso as próprias entidades que comandam o tênis têm dificuldade de encontrar meios de lidar com o assunto. A nova geração do tênis é a primeira a conviver com as redes desde o início da carreira e neste caso, não há sequer a possibilidade de pode procurar um espelho nos colegas mais experientes.

Isso porque, até mesmo atletas consagrados da atualidade não tiveram que lidar com pressão vinda de redes durante a juventude ou fase de transição. Nomes como Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic e Maria Sharapova aderiram tardiamente ao Twitter e já tendo com suas bases de fãs mais do que consolidadas. Tanto que os quatro ultrapassaram naturalmente a marca de um milhão de seguidores dias depois de criarem seus perfis, que são altamente filtrados.

Com os mais novos, por mais que estejam acostumados com o ambiente da rede social e que sempre tenham administrado seus próprios perfis, é um mundo novo. Se eles antes utilizavam as redes apenas dentro de um círculo de contatos, a exposição aumenta exponencialmente a cada vitória e então gratificante chegada dos primeiros fãs e admiradores vem acompanhada também de um batalhão de haters e também de apostadores, que vão “cobrar” das atletas quando o resultado em quadra acarreta em perda financeira.

No começo do ano, fiz uma entrevista com a romena Sorana Cirstea, que já foi 21ª do mundo (hoje é 83ª) Então com 25 anos, ela já se mostrava acostumada (e de certa forma conformada) com esse tipo de tratamento bastante que negativo. “Todos os tenistas temos que lidar com esse bullying. Recebo tuítes maldosos e mensagens ofensivas todos os dias. Acho que quanto melhor você é, mais é agredido. Todo jogador recebe e o melhor a fazer é não dar atenção”

Mas não são todas as jogadoras que defendem que ignorar seja a solução. Pelo contrário, cada vez mais elas se posicionam e apontam que se ficarem caladas o problema só irá continuar. A americana Madison Keys tem sido uma voz forte nessa questão e defende que o assunto entre no debate público.

A americana de 21 anos decidiu se posicionar depois de ler uma série de ofensas, inclusive de teor racista, após derrotas nos torneios de Tóquio e Pequim. Quando perdeu para Yulia Putintseva no tiebreak do terceiro set na capital japonesa, Keys decidiu responder aos agressores. Já após a queda para Johanna Konta na China, ela compilou algumas mensagens recebidas e as expôs aos seus seguidores.

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Na semana passada, durante o WTA de Linz, Keys comentou o ocorrido durante uma de suas entrevistas coletivas. O jornalista italiano Giulio Gasparin relatou as contundentes declarações da norte-americana a respeito das ofensas que recebe, especialmente de apostadores, e reiterou a ideia de que é preciso vir a público e tratar do problema.

“Você pode ignorá-los 99% das vezes, mas naquele dia eu saí da quadra e haviam 45 mensagens negativas. Eu pensei ‘Quer saber, não vou ignorá-los hoje’. Eles escrevem coisas terríveis para mim e sobre minha família e isso é certo. Foi o momento de eu me posicionar e tentar chamar alguma atenção à questão, para que talvez tenhamos algumas mudanças”.

“Acho que a maioria das pessoas dizem para apenas ignorar, porque pensam que se você responder, vai fazê-los [os agressores] ganhar”, apontou, respeitando o ponto de vista contrário. “Mas ao mesmo tempo, você tem que fazer que essas pessoas se sintam responsáveis por aquilo que dizem. Às vezes nós temos que fazer com que todos fiquem cientes de que isso está acontecendo e que se ignorarmos, o problema só vai continuar”.

“Nem me veio à mente a ideia de expor aquelas pessoas, eu pensava mais em mostrar o que acontece a cada dia”, afirmou. “Há muitos aspectos positivos nas mídias sociais. Assim que mostrei as 40 mensagens negativas, já recebi umas 500 positivas, então você vê que as pessoas boas são maioria. Eu nunca deixaria de me conectar com meus verdadeiros fãs por causa das ofensas. Na minha cabeça, isso seria deixá-los ganhar”.

Outra integrante da nova geração americana que decidiu expor publicamente as ameaças que recebe é Nicole Gibbs, de 23 anos. Uma das razões para que Gibbs seja alvo é o engajamento político da jogadora que é voluntária na campanha de Hillary Clinton à presidência dos Estados Unidos.

E antes mesmo de se tornar tenista profissional, a atual 74ª colocada, já havia militado com sucesso contrária às mudanças no tênis universitário americano que eram voltadas apenas ao interesse da TV. A própria WTA já tem identificado o potencial de liderança da jovem tenista, que pode em breve assumir uma vaga no Conselho das Jogadoras.

A WTA estuda meios de coibir as ofensas e ameaças que suas jogadoras recebem, mas até agora não houve nenhuma medida concreta. Talvez o teor das mensagens recebidas por Svitolina tornem a pauta mais urgente para entidade. Por ora, é importante que algumas atletas se sintam livres para se posicionar e lutar para que isso seja coibido. Se elas se calarem, o problema apenas vai continuar.