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Duas gratas surpresas em Brisbane
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 3, 2017 às 8:59 pm

Duas jovens promessas do tênis australiano chamaram atenção do público logo na primeira semana da temporada em Brisbane. Alex De Minaur, de 17 anos, passou por duas rodadas do qualificatório e participou pela primeira vez de um ATP. Mas o principal destaque foi Destanee Aiava, que aos 16 anos, passou por uma três fases no quali e ainda venceu um jogo da chave principal.

A vitória de Aiava sobre a experiente norte-americana de 31 anos Bethanie Mattek-Sands por 2/6, 6/3 e 6/4, em jogo que começou na madrugada de segunda-feira e foi concluído só nesta terça por conta do mau tempo, fez com que a jovem australiana se tornasse a primeira jogadora nascida nos anos 2000 a vencer um jogo válido pela chave principal de um WTA.

A promessa do tênis feminino australiano vem de uma família de esportistas imigrantes de Samoa, mas de modalidades bem distantes do tênis. O pai é técnico de MMA, enquanto a mãe jogou rúgbi e precisou aprender tênis para treinar a filha, um processo parecido com o vivido por Piotr Wozniacki, ex-jogador de futebol.

“Eu tinha cinco anos e estava assistindo o Australian Open pela TV, quando eu vi a Serena e pensei ‘Eu quero me tornar número 1 do mundo. Então os meus pais só pensaram: ‘Oh! Tênis? Mas nós não sabemos nada sobre tênis'”, disse Aiava na entrevista coletiva após a vitória por duplo 6/1 sobre a 86ª colocada alemã Carina Witthoeft na última rodada do quali em 1º de janeiro. Nos dias anteriores, ela havia vencido a experiente espanhola de 34 anos María José Martinez e a americana Samantha Crawford, 114ª do mundo.

Ainda sobre sua admiração por Serena, Aiava diz que a atitude da americana americana foi o que mais despertou mais seu interesse. “Acho que foi a vibração dela. Eu não poderia senti-la pelo outro lado da TV, mas foi a energia dela me trouxe para o esporte”, comentou a atual 345ª do ranking, mas que deverá ganhar muitas posições após a grande semana em Brisbane.

A jogadora, que tem chamado atenção por seus bons saques e golpes potentes do fundo de quadra, se descreve como uma atleta agressiva e falou de suas principais virtudes.”Estou com muita confiança no meu jogo agora. Isso me deu a oportunidade de chegar onde estou agora. Acho que meu saque e meu forehand melhoraram muito e estou muito confiante com eles também”.

Seu próximo compromisso em Brisbane será o primeiro jogo contra uma top 10 na carreira. Ela enfrenta a russa Svetlana Kuznetsova, número 9 do mundo e dona de dois títulos de Grand Slam, na madrugada desta quarta-feira. “É uma loucura. Eu caminho por aqui e vejo as pessoas que assistia pela TV antes. Uau!”

Enquanto o número 1 está muito distante, Aiava estabeleceu metas interessantes a curto prazo. “Eu realmente gostaria de tentar passar da primeira rodada do Australian Open. Esse é o meu principal objetivo para depois tentar chegar o mais longe que puder no torneio”, disse a australiana, que quando perguntada pela WTA sobre seu objetivo para o ano de 2017 foi direto ao assunto. “Entrar no top 100″.

Pioneira – Aiava, que prefere ser chamada apenas por ‘Des’,  foi primeira jogadora nascida nos anos 2000 a figurar em um ranking da WTA, quando apareceu na lista de duplas, em 9 de fevereiro do ano passado e, em duas semanas, será a primeira a disputar a chave principal de um Grand Slam. Ela garantiu a vaga graças ao título da categoria 18 anos feminino do Australian Championships, torneio nacional juvenil disputado durante em dezembro no Melbourne Park. Quando furou o quali no último domingo, já seria também a primeira atleta nascida depois do ano 2000 a disputar uma chave principal de WTA.

De Minaur surpreende –  No masculino, o destaque ficou por conta de Alex De Minaur. Já falamos dele aqui no ano passado, quando foi finalista da chave juvenil de Wimbledon. Filho pai uruguaio e mãe espanhola, ele viveu em Sydney até os cinco anos e depois foi com a família para a Espanha. Sua formação no tênis foi dividida entre as duas bases.

Atual 351º colocado na ATP, De Minaur passou pelo 89º do ranking Mikhail Kukushkin logo na primeira rodada do quali e depois venceu o 108º colocado americano Frances Tiafoe, outro nome da nova geração, mas que já esteve entre os cem melhores. Já no primeiro jogo da chave principal, ele foi derrotado pelo alemão Mischa Zverev por duplo 6/3.

As boas apresentações em Brisbane chamaram a atenção do ex-número 1 do mundo Lleyton Hewitt, que acompanhou de perto as partidas do jovem australiano. “Estou feliz pelo Alex, por ele ter a oportunidade de jogar a chave principal de um ATP”, disse Hewitt, em entrevista ao site da entidade que comanda o tênis masculino.

“Que maneira de começar o ano novo! Ele é muito habilidoso e quer trabalhar duro. O treinamento que ele fez em novembro e dezembro é a principal razão pela qual eu confiava que ele poderia vencer ontem e hoje”, revelou o agora ex-jogador e agora capitão do time australiano na Copa Davis.

Canadá também tem um finalista no juvenil de Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
julho 9, 2016 às 1:04 am

O Canadá não terá apenas Milos Raonic na final de Wimbledon neste final de semana. O país também terá seu representante na decisão da chave juvenil, o canhoto Denis Shapovalov. Ele assegurou lugar na final ao vencer o líder do ranking da categoria, o grego Stefanos Tsitsipas, nesta sexta-feira por 4/6, 7/6 (7-5) e 6/2 em 1h52 de jogo.

“Ele estava jogando muito melhor do que eu”, disse Shapovalov em entrevista à ITF. “Ele estava sacando muito bem, mas eu continuei forte mentalmente e no final ele caiu um pouco. Essa foi a diferença”, avaliou canhoto de 17 anos.

O canhoto Denis Shapovalov faz boa temporada também como profissional (Foto: Susan Mullane/ITF)

O canhoto Denis Shapovalov faz boa temporada também como profissional (Foto: Susan Mullane/ITF)

Shapovalov tenta ser o segundo canadense a vencer um Grand Slam juvenil na chave masculina de simples. O outro caso é recente, com Filip Peliwo que teve uma grande temporada em 2012 com títulos em Wimbledon e US Open na categoria, além dos vice-campeonatos no Australian Open e Roland Garros.

Atual 13º no ranking mundial juvenil, Shapovalov faz uma boa temporada também no circuito profissional. O jogador de 17 anos já venceu três futures nos Estados Unidos em 2016, além de ter sido semifinalista no challenger de Drummondville em seu país, inclusive derrotando Peliwo pelo caminho.

No próximo domingo, Shapovalov jogará na Quadra Número 1 do All England Club, a segunda maior do complexo e tradicional palco das finais do juvenil. O jogo provavelmente coincidirá horário com a final masculina, o que impossibilitará um pouco da torcida por Raonic.

Alex De Minaur teve sua formação dividida entre Austrália e Espanha (Foto: Susan Mullane)

Alex De Minaur teve sua formação dividida entre Austrália e Espanha (Foto: Susan Mullane/ITF)

O adversário da final será o australiano Alex De Minaur, que precisou de só 49 minutos para despachar o americano Ulises Blanch. “É bom finalmente superar essa barreira das semifinais”, disse DeMinaur, que parou na penúltima rodada do US Open-2015 e Australian Open deste ano.

“Estou curtindo cada segundo disso. Acho que nas outras semifinais eu coloquei um pouco de pressão sobre mim mesmo ao pensar ‘Oh meu Deus, estou na semifinal e faltam só duas partidas para ganhar um Grand Slam'”, revelou o jovem de 17 anos.

De Minaur é filho de pai uruguaio e mãe espanhola. Ele viveu em Sydney até os cinco anos de idade e depois foi com a família para a Espanha. Reside hoje em Alicante, mas sua formação no tênis foi dividida entre as duas bases. O atleta disputou competições juvenis de 14 e 16 anos em solo australiano, inclusive na grama de Mildura, e seguiu para os primeiros futures como profissional já na Espanha a partir de 2015.

Final feminina no sábado –  A decisão da chave juvenil feminina acontece às 9h (de Brasília) deste sábado, na Quadra Número 1, e envolve duas jogadoras bastante precoces até mesmo para a categoria, a ucraniana Dayana Yastremska e a russa Anastasia Potapova.

Yastremska, que completou 16 anos em maio, ficou conhecida do público brasileiro no início da temporada ao vencer um ITF profissional de US$ 25 mil na cidade paulista de Campinas. Com o resultado, ela acabou desistindo do Banana Bowl e seguiu direto para Porto Alegre, onde foi semifinalista do Campeonato Internacional Juvenil (antiga Copa Gerdau).

A ucraniana Dayana Yastremska já venceu um título profissional em Campinas este ano (Foto: Eddie Keogh/AELTC)

A ucraniana Dayana Yastremska já venceu um título profissional em Campinas (Foto: Eddie Keogh/AELTC)

Potapova é ainda mais jovem, nasceu em 2001 e fez 15 anos em março. Apesar da pouca idade, a russa já tem um histórico considerável em competições de base, com destaque para a recente semifinal de Roland Garros e as quartas de Wimbledon do ano passado. Ela foi campeã do Eddie Herr de 12 e 14 anos em 2013 e 2014. Já no Orange Bowl, foi finalista nos 12 anos em 2013, campeã nos 14 em 2014 e foi às quartas na categoria principal no ano passado.