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Cinco jovens que podem surpreender em Roland Garros
Por Mario Sérgio Cruz
maio 27, 2017 às 9:11 pm

Roland Garros começa amanhã com várias jovens promessas na chave principal. Apresentarei no blog alguns nomes que podem surpreender e fazer boas campanhas. Não falarei aqui de realidades como Dominic Thiem, Alexander Zverev ou Madison Keys, mas sim de convidados, nomes vindos do quali ou mesmo escondidos na chave principal, dispostos a tirar uma casquinha dos favoritos.

Beatriz Haddad Maia (20 anos, 101ª do ranking, Brasil)f_AG_2305_HADDAD_01O primeiro nome da lista não poderia ser outro que não o de Beatriz Haddad Maia, que disputará uma chave principal de Grand Slam pela primeira vez na carreira depois de ter passado por três rodadas do qualificatório em Paris.

Bia vem de uma série de bons resultados nas últimas três semanas. Ela já acumula oito vitórias seguidas e venceu treze dos últimos 14 jogos que fez pelo circuito. Sua estreia será contra a russa Elena Vesnina, número 15 do mundo e que foi campeã de Indian Wells em março, mas depois venceu apenas dois jogos no saibro.

Se vencer, pode encarar a americana Varvara Lepchenko ou a ex-top 10 alemã Andrea Petkovic. Para eventual terceira rodada, pode pintar uma especialista no piso, a espanhola Carla Suárez Navarro, que já esteve entre as dez melhores e é cabeça 21 em Paris.

Marketa Vondrousova (17 anos, 94ª do ranking, República Tcheca)

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Tal como Bia Haddad Maia, Vondrousova vem de oito vitórias consecutivas. Ela debutou no top 100 na última segunda-feira após conquistar o ITF de US$ 100 mil no saibro eslovaco de Trnava, antes de furar o quali de Roland Garros para disputar seu primeiro Grand Slam. Em abril, a canhota tcheca conquistou seu primeiro WTA na carreira, nas quadras duras e cobertas de Bienne, na Suíça.

A estreia de Vondrousova será contra a convidada francesa Amandine Hesse, apenas 215ª do ranking. Caso vença seu primeiro jogo, há chance de um duelo de jovens contra a russa de 20 anos e 28ª do ranking Daria Kasatkina, que tem uma estreia dura diante da ex-top 15 belga Yanina Wickmayer.

Amanda Anisimova (15 anos, 267ª do ranking, Estados Unidos)

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Jogadora mais jovem da chave principal em Paris, a americana Amanda Anisimova tem apenas 15 anos e recebeu convite por meio do acordo entre as federações francesa e americana. Entretanto, o critério para a indicação da USTA é a melhor pontuação em uma série torneios realizados nos Estados Unidos em quadras de saibro no mês de abril. Anisimova fez duas finais, nos ITFs de Dothan e Indian Harbour Beach.

Sua estreia será contra a japonesa Kurumi Nara e ela pode cruzar o caminho de Venus Williams na rodada seguinte. Vice-campeã juvenil de Roland Garros no ano passado, ela também está inscrita na chave para meninas com menos de 18 anos.

Stefanos Tsitsipas (18 anos, 202º do ranking, Grécia)

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Ex-líder do ranking mundial juvenil, o grego Stefanos Tsitsipas é mais um para a lista de atletas que vão disputar um Grand Slam pela primeira vez. Ele passou pelo quali em Paris e atingiu o melhor ranking da carreira no último dia 15 de maio. Apesar da pouca idade, o grego já acumula cinco títulos de future e dois vice-campeonatos em challengers.

Tsitsipas que ainda busca sua primeira vitória em nível ATP terá um duelo de gerações contra o gigante croata de 2,11m Ivo Karlovic, veterano de 38 anos e um dos melhores sacadores do circuito, mas que não é nenhum bicho-papão no saibro. Se vencer, o grego enfrentará o vencedor do duelo de canhotos entre o francês Adrian Mannarino e o argentino Horacio Zebllaos.

Karen Khachanov (21 anos, 54º do ranking, Rússia)

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Dos jogadores apresentados, Khachanov é o único que entrou na chave diretamente pelo ranking. O jovem russo já tem até título de ATP, conquistado no ano passado em Chengdu, na China. Formado como tenista em Barcelona, Khachanov anotou sua primeira vitória contra top 10 exatamente no saibro catalão, ao derrotar o belga David Goffin em abril.

A estreia de Khachanov será em um duelo de jovens contra o chileno de 21 anos Nicolas Jarry, 204º do ranking e vindo do qualificatório. Confirmando seu favoritistmo, o russo pode desafiar o cabeça 13 tcheco Tomas Berdych, que estreia contra o alemão Jan-Lennard Struff.

A maior vitória de Bia Haddad Maia
Por Mario Sérgio Cruz
maio 3, 2017 às 9:00 pm
Beatriz Haddad Maia celebrou a vitória mais expressiva de sua carreira nesta quarta-feira (Foto: TK Sparta Praha/Pavel Lebeda)

Beatriz Haddad Maia celebrou a vitória mais expressiva de sua carreira nesta quarta-feira (Foto: TK Sparta Praha/Pavel Lebeda)

Não há dúvidas de que a vitória de Beatriz Haddad Maia sobre Samantha Stosur nesta quarta-feira foi a mais expressiva de sua carreira. Mais do que a boa vitória por 6/3 e 6/2 diante da ex-top 5, Bia teve uma atuação consistente e teve disciplina tática durante a partida válida pelas oitavas de final do WTA de Praga.

A paulistana soube se aproveitar da inconsistência da australiana e não quis bater na bola a qualquer custo. Ainda que Bia seja uma jogadora agressiva, ela se manteve firme do fundo de quadra e esperou o momento certo para dominar e definir os pontos. “Joguei muito sólida e tranquila, buscando ponto a ponto. Não deixei ela (Stosur) jogar”.

Outro destaque fica para o desempenho de Bia no saque. Ela colocou 69% de primeiros serviços em quadra e venceu 31 dos 38 pontos jogados nessas condições. Depois de ter sofrido uma quebra no set incial, ela fez uma segunda parcial bastante eficiente com apenas cinco pontos perdidos em seus games de serviço e enfrentando break points apenas no momento de sacar para o jogo.

Como já havia mostrado no fim do ano passado, quando venceu dois torneios ITF nas quadras duras americanas de Scottsdale e Waco, Bia tem lidado bem com os pontos importantes de seus jogos e saído de situações adversas, como na virada sobre a croata Donna Vekic na última rodada do quali na capital tcheca. Em recente entrevista ao TenisBrasil, ela destacou o fortalecimento no lado mental e o trabalho de meditação que tem feito.

“Introduzi aos poucos meditação sim desde o início do ano [passado] e com certeza, isso reflete dentro e e fora de quadra”, explicou. “Esse poder mental de poder jogar cada ponto é incrível! Estou buscando apenas isso, competir melhor, independente de estar 4/0 acima ou abaixo. São apenas pontos e isso acontece todo dia, em todos os torneios. Isso tem que ser normal para nós que jogamos tênis”.

Bia já venceu um WTA de duplas este ano, no saibro de Bogotá, ao lado da argentina Nadia Podoroska.

Bia já venceu um WTA de duplas este ano, no saibro de Bogotá, ao lado da argentina Nadia Podoroska.

Novidades na chave – Bia já igualou sua melhor campanha na WTA, que foram as quartas no Rio Open de 2015, quando ela esteve perto de eliminar a favorita Sara Errani. Ela vai enfrentar nesta quinta-feira a tcheca Kristyna Pliskova, que é a única com mais de 20 anos restante na parte de baixo da chave em Praga. A croata Ana Konjuh e a letã Jelena Ostapenko, ambas de apenas 19 anos, seriam possíveis rivais em eventual semifinal.

Histórico de lesões – Muito dessa evolução se dá num momento em que ela não passa por lesões graves. Ela conseguiu jogar toda a temporada passada sem ter nenhuma pausa para tratar de problemas físicos. Já neste ano, ela chegou a adiar seu início de temporada para fevereiro por conta de um acidente em casa, mas nada que efetivamente comprometesse o ano.

Mas com apenas 20 anos, ela já precisou dar pausas significativas na carreira. Uma queda em quadra durante um ITF em Campinas em julho de 2013 causou uma fratura na cabeça do úmero no ombro direito. À época houve um pequeno descolamento na cápsula anterior e não havia necessidade de operar, mas isso se agravou no futuro.

Por ter ficado mais de três meses sem jogar ou realizar exercícios físicos, ela também não pôde tratar da hérnia de disco que tinha e sentiu muitas dores quando tentou voltar às competições, em outubro daquele ano. Bia estava nos Estados Unidos para disputar um ITF em Macon e voltou às pressas ao Brasil para realizar uma artroscopia na coluna lombar com o doutor Guilherme Meyer. Ela afirma que desde a intervenção, nunca mais foi incomodada pela hérnia.

Já em 2015, o problema no ombro voltaria a incomodá-la e a impediu de disputar a medalha de bronze durante os Jogos Pan-Americanos de Toronto, em agosto. Ela precisou passar por nova cirurgia para sanar de vez o problema causado pela queda em Campinas, dois anos antes, e só voltaria a jogar em janeiro do ano seguinte.

Campanha em Praga já garante o melhor ranking da carreira para Bia (Foto: TK Sparta Praha / Pavel Lebeda)

Campanha em Praga já garante o melhor ranking da carreira para Bia (Foto: TK Sparta Praha / Pavel Lebeda)

Melhor ranking da carreira – Nas últimas duas semanas, Bia vem superando seu recorde pessoal no ranking. Durante muito tempo, sua melhor marca foi o 148º lugar estabelecido em agosto de 2015, pouco antes de seu afastamento para operar o ombro. Há nove dias, ela apareceu na 146ª colocação e ganhou mais dois postos na última segunda-feira, beneficiada por descontos de suas adversárias diretas.

As cinco vitórias obtidas em Praga já garantiram 78 pontos para ela, sendo 60 na chave principal e outros 18 pelo quali. Com apenas cinco pontos a defender na semana, Bia já deve aparecer entre as 115 primeiras colocadas e uma eventual vaga na final pode dar-lhe uma vaga inédita no top 100.

Brasileiras no top 100 – Sete brasileiras já estiveram no top 100 do ranking feminino, que foi instituído em 1975: Vencedora de sete títulos de Grand Slam entre 1959 e 1966, Maria Esther Bueno foi nomeada número 1 antes da criação do ranking, e tem como melhor marca na Era Aberta o 29º lugar em 1976. A gaúcha Niege Dias foi 31ª do mundo em 1988, a pernambucana Teliana Pereira chegou à 43ª posição há dois anos, Patrícia Medrado foi 51ª em 1986, Cláudia Monteiro foi 72ª em 1982, Andrea Vieira foi 76ª em 1989 e Gisele Miró foi 99ª em 1988.

Desde 89 – Nos últimos anos, sempre que a gente ia pesquisar uma façanha do tênis feminino brasileiro, caímos em um “desde 1989″. Foi assim quando Teliana Pereira avançou uma rodada em Roland Garros em 2014, marcando a primeira vitória brasileira em um Grand Slam desde aquele ano. Ou ainda quando Teliana e Bia obtiveram duas vitórias brasileiras no WTA de Bogotá em 2015 (vencido por Teliana).

Como cita a matéria de hoje do Felipe Priante para o TenisBrasil, a vitória de Bia contra Stosur foi a primeira de uma brasileira contra uma top 20 desde 1989, quando Andrea Vieira passou por três jogadoras entre as vinte melhores: Conchita Martinez, Hana Mandlikova e Helena Sukova. A vitória sobre Conchita, aliás, é a última de uma brasileira contra top 10. Caso uma atleta nacional volte a repetir a façanha, teremos outro “desde 89″.

A melhor semana de Bia e Sorgi
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 7, 2016 às 10:18 pm

Cinco jogos, cinco vitórias e nenhum set perdido. Assim foi a melhor semana da carreira de Beatriz Haddad Maia, que conquistou seu quinto e mais importante título profissional. A canhota de 20 anos foi campeã do ITF de US$ 50 mil nas quadras duras americanas de Scottsdale no último domingo, após vencer um jogo de dois tiebreaks contra a anfitriã Kristie Ahn.

Foi o primeiro torneio nos Estados Unidos para uma jogadora que vinha de boas campanhas durante sete semanas na Europa nos últimos meses. Com os oitenta pontos, Bia ganhou sessenta posições e saiu do 271º lugar para o 211º. Há dois meses, quando iniciou uma série de torneios europeus, que mesclou saibro e quadra dura, ela estava na 342ª posição.

Bia conquistou seu título mais importante na carreira em Scottsdale

Bia conquistou seu título mais importante na carreira em Scottsdale

Bia fica a apenas 26 pontos do top 200. A WTA considera o ranking de hoje como o “Year-End”, por ser a semana seguinte ao término dos torneios da entidade, mas a paulista ainda pode ganhar posições em 2016, jogando um ITF de US$ 50 mil de Waco e um de US$ 25 mil em Nashville.

“Estou muito feliz com a conquista desse meu primeiro título em um torneio de US$ 50 mil e com o meu desempenho esta semana”, disse Bia Haddad, por meio de sua assessoria de imprensa. “Consegui me manter firme e focada durante todas as partidas e evoluir a cada jogo, fazendo o meu melhor. Agora é curtir um pouquinho o título e já me preparar para o challenger de Waco”.

A posição atual no ranking já a coloca em condição de tentar o qualificatório do Australian Open, mas ainda não foi decidido se este será o plano dela. Ela vai terminar essa temporada tarde e precisaria de um período de descanso e pré-temporada para 2017. O melhor a fazer é aguardar o término da jornada americana da tenista.

Como a WTA sempre usa o segundo ranking de novembro como base para o final do ano, dá a entender que Bia caiu em relação 185º lugar que ocupava há exatamente um ano, mas não é bem assim. Ela perdeu todo o segundo semestre de 2015, quando operou o ombro direito e ainda tinha pontos a descontar no mês de dezembro último. Na prática, ela iniciou 2016 no 246ª lugar e ainda precisando defender quartas de final de um WTA logo em fevereiro. Conclusão: Bia passou a maior parte do ano fora do top 300 e vem se recuperando nos últimos meses.

Paulista ganhou mais de 130 posições nas últimas semanas e joga mais dois torneios nos EUA

Paulista ganhou mais de 130 posições nas últimas semanas e joga mais dois torneios nos EUA

Um dos pontos altos do título na última semana foi a vitória sobre a 76ª do ranking e cabeça 1 do torneio, a americana Nicole Gibbs, em dia com muito vento em quadra. “Entrei nesse jogo acreditando que poderia vencer, me impondo e jogando profundo. Sabia que eu tinha muito mais peso de bola do que ela”, comentou após ter vencido o jogo das oitavas no Arizona.

Aquela foi sua segunda vitória na carreira contra uma top 100, já que ela havia superado a eslovena Polona Hercog no Rio Open do ano passado. “Eu consegui, com respeito, sabendo que ela era 70 do mundo, fazer o meu melhor. Cheguei a abrir 4 a 0, ela buscou, é muito experiente, mudou um pouco o padrão de jogo, mas fiquei firme e controlar as minhas emoções”.

Como ela mesma pontuou, tão importante quanto a sequência de boas partidas foi a atitude positiva e a postura nos momentos decisivos. Mesmo nos momentos de vantagem para as adversárias, ou quando Bia perdia alguma oportunidade nos jogos, ela não permitiu que isso acarretasse numa queda de rendimento e a possibilidade deixar a rival assumisse o controle das partidas.

Bia não perdeu sets nas lentas condições de Scottsdale, mesmo lidando com uma série de situações complicadas. Ela havia deixado escapar uma vantagem por 4/0 escapar no set inicial contra Nicole Gibbs, mas conseguiu voltar rapidamente ao jogo para ter novamente quebra de vantagem. Soube jogar como favorita contra a jovem, porém embalada, Kayla Day na semi.

Já na final, a brasileira esteve com quebra abaixo nos dois sets e buscou a igualdade. Ela também “esqueceu” rápido o match point perdido de quando liderava o set por 5/4. Mesmo perdendo o saque no game seguinte, conseguiu devolver a quebra quando a rival sacava para o set e dominou o tiebreak.

No começo do ano, ela havia dito em entrevista para mim que a prioridade para este ano seria o trabalho físico e o controle emocional. Para ganhar cinco jogos seguidos em uma semana, sem perder sets, a parte física e emocional se mostrou mais do que em dia. Até por isso, ela dedicou a conquista ao fisioterapeuta Paulo Roberto Santos, aniversariante do último domingo. “Foi um presente para mim e para o Paulão que faz aniversário hoje”.

Melhor semana também para Sorgi 

Sorgi eliminou três jogadores de peso no Equador e saltou 103 no ranking da ATP

Sorgi eliminou três jogadores de peso no Equador e saltou 103 no ranking da ATP

Outra boa notícia para a nova geração brasileira veio com João Pedro Sorgi, que saiu do quali até as semifinais do challenger de Guayaquil, no saibro equatoriano. Com o resultado, o paulista de Sertãozinho saiu do 478ª para a 375ª colocação.

Passar pela fase de qualificação de torneios challenger já vinha sendo frequente para o paulista de 23 anos, que furou qualis em Campinas, Buenos Aires, Santiago e Lima antes de ir a Guyaquil. Mas na última semana, ele emendou três vitórias expressivas contra Victor Estrella Burgos, Leonardo Mayer e o então 68º do ranking Facundo Bagnis.

Sorgi poderia ter entrado diretamente na chave de Bogotá como “Special Exempt”, vaga que a ATP (WTA e ITF também) reserva para jogadores que disputariam o quali, mas disputavam uma semifinal de torneio de porte igual ou maior no fim de semana anterior. Ele preferiu ter um período a mais de descanso depois de jogar por sete dias seguidos no Equador. O paulista que treina na cidade catarinense de Itajaí voltou à sua terra natal, Sertãozinho, fica até quarta-feira e depois segue para um challenger e dois futures no Uruguai.

Orlando, Marina e Pedretti – O gaúcho de 18 anos Orlando Luz foi convidado pela ATP para uma semana de treinamentos em Londres durante o ATP Finals; A mineira de 16 anos Marina Figueiredo venceu seu primeiro título no circuito de 18 da ITF, na cidade boliviana de Santa Cruz; Já no saibro colombiano de Cúcuta, a paulista de 17 anos Thaísa Pedretti fez sua melhor campanha profissional na carreira ao vencer três jogos e parar na semifinal do ITF local de US$ 10 mil.

Mais títulos de novos americanos

CiCi Bellis ganhou um ITF em Toronto e terminará o ano como a mais jovem do top 100

CiCi Bellis ganhou um ITF em Toronto e terminará o ano como a mais jovem do top 100

Com apenas 17 anos, Catherine ‘CiCi’ Bellis entrou no top 100 e já passa a ser a mais jovem desta lista na temporada. Ela saltou do 101º para o 90º lugar com título do ITF de US$ 50 mil de Toronto. Também na última semana, o americano de 19 anos Reilly Opelka conquistou seu primeiro challenger em Charlottesville e saltou 68 posições no ranking da ATP para ter a melhor marca da carreira na 208ª posição.

Raio-X dos juvenis brasileiros em Grand Slam
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 10, 2016 às 12:44 pm

A participação brasileira nas chaves juvenis de Grand Slam na temporada termina neste sábado, quando Felipe Meligeni Alves disputa a final de duplas masculinas no US Open. O paulista de 18 anos joga ao lado do boliviano Juan Carlos Aguilar enfrenta os canadenses Felix Auger-Aliassime e Benjamin Sigouin na quadra 17 do complexo Billie Jean King em Flushing Meadows.

Em 2016, os principais resultados foram obtidos nas duplas, já que além do resultado de Meligeni, o gaúcho Orlando Luz foi vice-campeão em Roland Garros. Em simples foram apenas duas vitórias em chaves principais, exatamente com Orlando e Felipe.

Em número de jogadores, houve queda na representação. Somente quatro meninos participaram de chaves principais na temporada: Gabriel Décamps, Orlando Luz, Felipe Meligeni Alves e Rafael Wagner. Outros dois jogaram qualis: Lucas Koelle e Thiago Wild.

Infelizmente nenhuma menina conseguiu entrar em chave de Grand Slam na temporada. Quem esteve mais perto foi a paulista Marcelle Cirino, que venceu a etapa brasileira do Rendez-Vous à Roland Garros e disputou uma seletiva mundial em Paris.

2016-09-09 (10)

A menos que alguém suba muito no ranking, o quadro mais provável é que de novo apenas três meninos disputem os Grand Slam juvenis no ano que vem. Décamps ainda tem mais um ano na categoria, enquanto o pernambucano João Lucas Reis e o paranaense Thiago Wild estão com 16 anos e entre os 200 no ranking da ITF. O paulista Mateus Alves, de apenas 15 anos, tem potencial para ganhar terreno, mas apostaria nele mais para 2018.

No feminino, a situação está ainda mais difícil depois que as ex-top 15 Bia Haddad Maia e Luisa Stefani deixaram as competições juvenis. Nenhuma menina brasileira disputou um Grand Slam juvenil, cenário bem diferente dos quatro anos anteriores que tiveram no mínimo uma brasileira em cada torneio.

Nossas cinco primeiras jogadoras no ranking da categoria vão para o último ano de juvenil em 2017 e apenas a paulista Thaísa Pedretti está próxima do top 100 e podendo projetar um quali de Slam, a menos que alguém ganhe muitas posições. A possibilidade de mudar o quadro seria acumular bons resultados na Gira Cosat entre janeiro e fevereiro do ano que vem, além de aproveitar bastante os valiosos pontos em disputa do Campeonato Sul-Americano Individual, marcado para 20 de fevereiro do ano que vem.

ÚLTIMOS ANOS

2016-09-09 (5)

Australian Open – Nenhum jogador brasileiro participou da competição, que já teve o alagoano Tiago Fernandes campeão de simples há seis anos. De fato é uma viagem cara e o calendário é difícil de encaixar com uma série maior de torneios, o que afugenta alguns jogadores mesmo que eles tenham ranking para entrar diretamente. Fato é que o Brasil chegou a colocar quatro jogadores no Australian Open há dois anos e em 2016 não houve representação.

Os principais resultados nos últimos cinco anos foi a campanha do paulista Marcelo Zormann até às oitavas de final de simples em 2014, além das presenças de Thiago Monteiro e Orlando Luz nas quartas de duplas.

2016-09-09 (4)

ROLAND GARROS – Tradicionalmente o Grand Slam de maior sucesso brasileiro, Roland Garros teve seis representantes. Desde o ano passado, o Rendez-Vous à Roland Garros levou jogadores nacionais à seletiva de Paris. Foi assim que Rafael Wagner conseguiu uma vaga na chave principal, mas a paulista Marcelle Cirino não conseguiu avançar.

Nos últimos anos, tivemos três vice-campeonatos de duplas, dois deles com a canhota Beatriz Haddad Maia. Bia, que já está com 19 anos, ainda fez oitavas em Paris em duas ocasiões e perdeu apenas para as campeãs Annika Beck em 2012 e Belinda Bencic no ano seguinte.

A temporada de 2014 foi a mais promissora para os juvenis brasileiros nos últimos anos e teve três bons resultados em Paris, as semis de simples e duplas para Orlando Luz, as quartas de Marcelo Zormann e a semi de duplas de Luisa Stefani, que foi 10 do mundo em sua categoria.

Encerrando seu ciclo juvenil com apenas três torneios no ano, Orlando Luz encaixou o Grand Slam francês no meio de uma gira de torneios profissionais no saibro europeu. Semanas depois de ser vice-campeão de duplas em Paris, ele venceu seu primeiro título future na República Tcheca. A escolha pelo US Open agora em setembro não foi tão produtiva no calendário, já que ele vinha de uma boa semana no saibro polonês e mudou repentinamente de piso. Pode ter valer apenas pelo intercâmbio e menos para a confiança e possibilidade de pontuar na ATP.


2016-09-09 (6)

Wimbledon – Na grama londrina, o Brasil conseguiu seu último título de Grand Slam juvenil há dois anos com Orlando Luz e Marcelo Zormann. No mesmo ano, o canhoto gaúcho Rafael Matos e o mineiro João Menezes foram às quartas de duplas.

Em simples, novamente destaque para Bia Haddad Maia, que há três anos esteve nas oitavas. Sua algoz na ocasião foi a cabeça 2 croata Ana Konjuh, a mesma que nesta semana chegou às quartas de final na chave principal do US Open.

O ano passado foi atípico, porque os principais juvenis brasileiros foram convocados para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, mas o tênis saiu sem medalhas do Canadá. Já neste ano, apenas Felipe Meligeni Alves e Gabriel Décamps conseguiram entrar diretamente na chave.

2016-09-09 (9)

US Open – Os três brasileiros que estavam na chave de simples este ano caíram ainda na rodada de estreia. Orlando Luz e Gabriel Décamps enfrentaram os cabeças 3 e 4 Ulises Blanch e  Geoffrey Blancaneaux (campeão de Roland Garros). Felipe Meligeni Alves perdeu um jogo equilibrado de três sets para o australiano Blake Ellis, em duelo entre dois top 50 separados por apenas oito posições. Ainda assim, o setor na chave era duro e teria o líder do ranking Stefanos Tsitsipas na segunda rodada.

Nas duplas, o Brasil conseguiu recentemente as duas primeiras finais juvenis de US Open na história. Primeiro, o mineiro João Menezes e o gaúcho Rafael Matos foram vice-campeões em 2014 e caíram diante do australiano Omar Jasika e do japonês Naoki Nakagawa. Já em 2016, Felipe Meligeni Alves tenta o inédito título junto do boliviano Aguilar.

TÍTULOS E FINAIS

O tênis brasileiro tem três títulos juvenis de Grand Slam. O primeiro foi conquistado por Gustavo Kuerten nas duplas em Roland Garros em 1994, ao lado do equatoriano Nicolas Lapentti. Em 2010, o alagoano Tiago Fernandes foi campeão de simples no Australian Open. Infelizmente, ele deixou o tênis em 2014 com apenas 21 anos e se dedica aos estudos de engenharia civil. Já há dois anos, Orlando Luz e Marcelo Zormann foram campeões de Wimbledon nas duplas.

Outros brasileiros já estiveram em finais de Grand Slam juvenil. No saibro de Roland Garros, Edison Mandarino em 1959, Thomaz Koch em 1962 e 1963, além de Luis Felipe Tavares em 1967 decidiram o torneio individual. Já na grama inglesa de Wimbledon, Ivo Ribeiro foi vice em 1957 e Ronald Barnes fez o mesmo dois anos depois.

Nas duplas, Guilherme Clezar foi vice de Roland Garros em 2009, tal como Bia Haddad nas temporadas de 2012 e 2013 e Orlando Luz este ano. Antes disso, em 1994 foi a vez de Ricardo Schlachter ser finalista de duplas no juvenil de Wimbledon.