Tag Archives: Borna Coric

Jovens campeões com histórias parecidas
Por Mario Sérgio Cruz
abril 17, 2017 às 7:25 pm

Os títulos de Borna Coric no ATP 250 de Marrakech e de Marketa Vondrousova no WTA de Bienne têm um outro fator em comum além da pouca idade entre os jovens campeões. Tanto o croata de 20 anos como a canhota tcheca de apenas 17 tiveram lesões graves na última temporada.

Coric encerrou a temporada passada precocemente em setembro, após o duelo contra a França pela semifinal da Copa Davis. O croata teve uma lesão no joelho direito, que já havia feito com que ele abandonasse na primeira rodada do US Open e passou por cirurgia em 27 de setembro. Já em 2017, ele perdeu três estreias seguidas antes da primeira vitória da temporada em Roterdã, já em fevereiro. Antes de jogar em Marrakech, ele acumulava só cinco vitórias no ano.

Durante a campanha para sua terceira final de ATP, sendo a segunda seguida no saibro marroquino, e o primeiro título na elite do circuito, Coric teve um jogo duríssimo contra o convidado local Reda El Amrani (667º do mundo), decidido apenas no tiebreak do terceiro set após 2h42 de disputa pelas oitavas de final. Já na decisão do último domingo, o croata salvou cinco match points no segundo set antes de conseguir a virada sobre o veterano alemão de 33 anos Philipp Kohlschreiber.

Corrida para Milão – A conquista do primeiro título de ATP não apenas fez com que Coric saltasse trinta posições no ranking mundial como também o coloca na segunda posição da corrida para o ATP Next Gen Finals, que acontece entre os dias 7 e 11 de novembro em Milão.

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Na lista que conta com atletas de 21 anos, o croata tem agora 435 pontos. O croata só fica atrás do alemão Alexander Zverev, que acumulou 565 pontos nos primeiros torneios que disputou na temporada. Em comum entre eles, está o fato de serem os únicos da nova geração que conquistaram títulos de ATP este ano.

Quem também subiu na corrida foi o americano Ernesto Escobedo, jovem de 20 anos e que foi semifinalista do ATP 250 de Houston. Escobedo ganhou três posições nesta lista e aparece agora no quarto lugar, atrás de Zverev, Coric e do russo Daniil Medvedev que não joga desde Indian Wells.

Ainda aparecem no grupo dos sete que se classificariam diretamente para a Milão o noruguês Casper Ruud, que não jogou na semana e recebeu convite para o Masters 1000 de Monte Carlo, o russo Andrey Rublev, que parou ainda na primeira rodada dos qualificatórios de Marrakech e Monte Carlo, e o americano Jared Donaldson, que foi eliminado na estreia em Houston.

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Vondrousova ficou sem jogar entre maio do ano passado e janeiro de 2017 por lesão no cotovelo esquerdo (Foto: Ladies Open Biel Bienne)

Já Vondrousova escreveu uma história espetacular nas quadras e cobertas do torneio suíço de Bienne. Vinda do qualificatório, Vondrousova venceu oito jogos seguidos durante a semana e não perdeu sets durante a campanha na chave principal do WTA, que foi apenas o segundo que ela disputou na carreira.

A jovem tcheca encerrou a temporada passada ainda no mês de maio por lesão no cotovelo esquerdo e só voltou a jogar em janeiro deste ano. Ela já vinha fazendo um começo de ano muito consistente nos torneios de nível ITF, com dois títulos em quatro finais disputadas. Depois de iniciar a temporada apenas no 374º lugar, a jovem tcheca já aparece na 117ª posição e praticamente não defende mais pontos até o fim do ano.

Curiosidade – Vondrousova já havia jogado um WTA em Praga no ano passado, quando recebeu convite e até avançou uma rodada. Caso isso não tivesse acontecido e a conquista viesse logo na primeira chave principal de WTA que ela tivesse disputado na carreira, a tcheca poderia entrar numa lista que conta com apenas seis nomes e foi atualizada pela última vez em 2001 com o título de Angelique Widjaja, em Bali.

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(Fonte: WTA Official Guide)

 

Top 100 tem só dois com menos de 20 anos
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 28, 2016 às 4:53 pm

O ranking da ATP divulgado nesta segunda-feira é considerado o Year-End pela entidade que comanda o circuito masculino. Isso porque não há mais competições da ATP e nem mesmo de torneios de nível challenger até o final do ano. No máximo, acontecerão alguns futures que afetam jogadores abaixo dos cem melhores. Com isso, já é possível traçar alguns dados da nova geração.

O número de jogadores com menos de 20 anos terminaram a temporada dentro do top 100 foi reduzido de quatro para dois atletas. Os únicos nesta faixa etária ao final de 2016 são Alexander Zverev e Taylor Fritz, ambos com 19 anos. O alemão encerra a segunda temporada seguida entre os cem melhores e saltou do 81º para o 24º lugar, enquanto o americano entrou no top 100 em janeiro e hoje é o 76º colocado.

Dos outros três teenagers/adolescentes que terminaram 2015 no top 100, apenas Borna Coric continua. O croata que completou 20 anos neste mês de novembro teve uma leve queda do 45º para o 48º lugar, mas está sem jogar desde setembro por uma lesão no joelho direito, operado no mesmo mês.

Menos sorte ainda tiveram Hyeon Chung e Thanasi Kokkinakis. O sul-coreano ficou os meses de junho, julho e agosto sem jogar por lesão abdominal e mesmo com dois títulos de challenger no fim do ano, caiu do 51º para o 104º lugar. Já o australiano, que operou o ombro em dezembro de 2015, só disputou uma partida este ano (nas Olimpíadas) e está atualmente sem ranking. Ex-número 69, Kokkinakis era o 78º colocado no fim do ano passado.

Dois jovens americanos Frances Tiafoe e Jared Donaldson, entraram no top 100 durante a temporada, mas não sustentaram as posições, enquanto dois jovens russos chegaram à essa faixa já com 20 anos completos, Karen Khachanov e Daniil Medvedev e conseguem fechar a temporada entre os melhores.

Outro parâmetro que a ATP tem usado para medir sua renovação é  a NextGen/Nova Geração, que engloba os jogadores com menos de 21 anos que aparecem entre os 200 melhores do mundo. Nessa lista, são 22 atletas com potencial para ficar entre os cem melhores em pouco tempo, além da inclusão do próprio Kokkinakis.

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Dados: ATP Media Information

Adolescentes venceram 13 challengers

Se o número de jogadores com menos de 20 anos no top 100 diminuiu, os títulos de chalenger se mantiveram. Assim como em 2015, foram treze conquistas para ateltas nesta faixa etária. Para efeito de comparação, foram apenas seis em 2014.

Esses treze títulos foram conquistados por 12 jogadores diferentes, já que o americano de 18 anos Frances Tiafoe venceu dois torneios. Também triunfaram Casper Ruud, Taylor Fritz, Max Purcell, Andrey Rublev, Stefan Kozlov, Michael Mmoh, Reilly Opelka, Quentin Halys, Blake Mott, Karen Khachanov, Maxime Janvier.
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A ATP também levantou o número de títulos de challenger da Nova Geração. Nessa conta, foram doze jogadores conquistando dezessete torneios: Taylor Fritz, Andrey Rublev, Frances Tiafoe (dois títulos), Stefan Kozlov, Quentin Halys, Karen Khachanov, Samarkand, Elias Ymer, Ernesto Escobedo (dois títulos), Hyeon Chung (dois títulos), Daniil Medvedev, Yoshihito Nishioka (dois títulos) e Kyle Edmund (dois títulos).

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CiCi Bellis subindo

CiCi Bellis venceu torneio no Havaí e já 75ª colocada na WTA aos 17 anos

CiCi Bellis venceu torneio no Havaí e já 75ª colocada na WTA aos 17 anos

A WTA adota como Year-End Ranking o do dia 7 de novembro, logo após o Elite Trophy em Zhuhai. Seis atletas com menos de vinte anos apereciam entre as cem melhores daquela lista: Naomi Osaka, Ana Konjuh, Jelena Ostapenko, Belinda Bencic, Daria Kasatkina e Catherine Bellis.

Destaque para o caso de Bellis, que há três semanas tinha acabado de entrar no top 100 e ocupava o 90º lugar. Como ela continuou jogando competições menores, e neste domingo venceu um torneio de US$ 115 mil dólares no Havaí, a jovem jogadora de 17 anos deu novo salto no ranking e vai começar 2017 na 75ª posição.

Décamps campeão

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Gabriel Décamps venceu ITF G1 no México e terá o melhor ranking juvenil da carreira

O paulista de 17 anos e 1,93m Gabriel Décamps teve uma grande semana no México e foi campeão da Yucatan Cup, torneio ITF G1. Com o título, ele somou 150 pontos (e tinha apenas 30 a descartar), que foram suficientes para bater o melhor ranking da carreira e aparecer pela primeira vez entre os 30 melhores juvenis do mundo.

Hoje, Décamps é o 27º de sua categoria e também aparece no sétimo lugar entre os que mais pontuaram na corrida para o ITF Junior Masters de 2017, que será disputado na China.

Durante a semana, o paulistano treinado por William Kyriakos bateu os dois principais nomes do torneio, com destaque para a vitória nas quartas de final sobre o sérvio Miomir Kecmanovic, que havia assumido o primeiro lugar no ranking juvenil há uma semana.

Dados da ATP: Os dados utilizados na primeira parte do post sobre o número de jovens com títulos de challenger e a lista de jogadores com até 21 anos no top 200 são do Media Guide do circuito challenger, que é atualizado semanalmente (durante a temporada) e tem uma série de outras informações interessantes. Vale a pena conferir.

Keys lidera nova geração no Rio e luta por medalha
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 5, 2016 às 9:15 pm

Expoentes da nomes da nova geração do tênis mundial estão no Rio de Janeiro para o Torneio Olímpico de Tênis, que começa neste sábado. Todos disputam as Olimpíadas pela primeira vez. Se a maioria aparece longe da briga por medalhas, Madison Keys é exceção e tem boas chances de ficar nos primeiros lugares.

De volta ao top 10, Keys tem chave boa na luta por medalhas.

De volta ao top 10, Keys (à direita) tem chave boa na luta por medalhas. (Foro: ITF)

De volta ao top 10 depois do vice-campeonato no WTA Premier de Montréal, Keys entrou como cabeça 7 no Rio, já que Victoria Azarenka e Simona Halep estarão ausentes. A americana de 21 anos estreia contra a montenegrina Danka Kovinic à 11h (de Brasília) deste sábado, mas ainda assim pretende desfilar na Cerimônia de Abertura no Maracanã. Para segunda fase, ela pode ter pela frente a ucraniana Lesia Tsurenko ou a francesa Kristina Mladenovic.

O bom saque e a potência nos golpes da americana a deixam na posição de favorita em possíveis oitavas contra Carla Suárez Navarro, ou mesmo na troca de pancadas de fundo com Ana Ivanovic. Já na reta final da disputa por medalhas, Agnieszka Radwanska é o nome mais forte para as quartas e Angelique Kerber em possível semi.

Entre as jovens que podem se destacar no Rio também está Jelena Ostapenko, letã de 19 anos e 41ª do mundo que desafia Samantha Stosur na estreia e aparece como possível rival de Kerber nas oitavas. Já a russa de 19 anos Daria Kasatkina, 27ª colocada, é favorita na estreia contra a tunisiana Ons Jabeur e pode enfrentar Radwanska já na segunda rodada.

A estreia de Serena Williams também promete um jogo difícil. A melhor tenista do mundo será desafiada pela australiana de 22 anos Daria Gavrilova, 46ª do ranking e que já acumula seis vitórias contra top 10. Outro destaque fica para o duelo entre Eugenie Bouchard e Sloane Stephens neste sábado, na quadra 3, que definirá a adversária de Kerber na segunda fase.

Desfalques e retorno no torneio masculino

Thanasi Kokkinakis volta às quadras depois de dez meses parado por lesão no ombro direito (Foto Paul Zimmer/ITF)

Thanasi Kokkinakis volta às quadras depois de dez meses parado por lesão no ombro direito (Foto Paul Zimmer/ITF)

Com as ausências de Nick Kyrgios, Dominic Thiem, Alexander Zverev e Taylor Fritz, a nova geração masculina conta com Kyle Edmund, Borna Coric e Thanasi Kokkinakis no Torneio Olímpico de Tênis.

Entre os três, Edmund é quem tem um começo de torneio menos ingrato. O britânico de 21 anos e 83º do ranking estreia contra o australiano Jordan Thompson por volta de 12h30 (de Brasília) neste sábado na quadra 8, e pode enfrentar Jack Sock ou Taro Daniel na segunda fase, antes de ter Novak Djokovic ou Juan Martin Del Potro pela frente.

Borna Coric, 51º do ranking aos 19 anos, encara o cabeça 15 francês Gilles Simon, por volta de 15h30 (de Brasília) na quadra 1. Jogo duríssimo, mas “ganhável” e depois seria favorito contra Brian Baker ou Yuichi Sugita. Em possíveis oitavas, Rafael Nadal é o principal concorrente.

Já Kokkinakis volta a competir depois de dez meses parado para operar o ombro direito e enfentará o português Gastão Elias, que provavelmente passará tranquilo pela estreia no Rio.

As jovens promessas em Roland Garros
Por Mario Sérgio Cruz
maio 20, 2016 às 11:34 pm

O sorteio que definiu as chaves de Roland Garros traçou o roteiro das jovens promessas que estarão em quadra nas próximas duas semanas no saibro parisiense. Há quatro bons duelos de novatos, sendo dois no masculino e dois no feminino. Outros nomes de destaque da badalada nova geração do circuito da ATP conheceram não apenas os primeiros rivais, como também o caminho até eventuais duelos contra rivais de renome.

Coric é favorito para duelo da nova geração com Fritz

Coric é favorito para duelo da nova geração com Fritz

Coric x Fritz – Um confronto interessante envolve Borna Coric e Taylor Fritz. Quem passar, deve pegar Bernard Tomic e entra na rota para encontrar Novak Djokovic nas oitavas. Há um contraste de estilos eles e a proposta de jogo do croata, que prolonga mais trocas e é firme do fundo de quadra, tende a prevalecer no saibro. Um ano mais velho, o 44º colocado Coric já disputou seis chaves principais de Grand Slam contra apenas uma do americano, que é 72º do mundo aos 18 anos. Nessa faixa etária é uma diferença considerável.

Chung x Halys – Outra partida que chama atenção conta com o sul-coreano de 20 anos Hyeon Chung, 112º colocado, e o convidado local de 19 anos Quentin Halys, 154º. O vencedor estará no caminho de Pablo Cuevas para a segunda fase e Tomas Berdych na terceira rodada. Chung tem um bom jogo para o saibro, mas vem em queda no ranking, depois de ter ocupado o 51º lugar. Isso se explica pelo calendário mais ousado ao priorizar ATPs e a não-defesa de challengers vencidos em 2015. Por sua vez, Halys está com o melhor ranking da carreira e ganhou seu primeiro challenger no mês passado.

Zverev estreia contra Herbert e pode rever Thiem na 3ª rodada

Zverev estreia contra Herbert e pode rever Thiem na 3ª rodada em Paris.

Finalista de ATP pela primeira vez na carreira nesta semana, Alexander Zverev também tem uma estreia interessante. Com 1,98m aos 19 anos, o jovem alemão testará a potência de seu saque e golpes contra Pierre Hugues-Herbert, que não chega a ser nenhum novato aos 25 anos, mas está em franca ascenção e desenvolveu muito seu tênis pela experiência em alto nível. Caso Zverev passe por essa difícil estreia e vença mais uma, pode até rever Dominic Thiem, adversário deste sábado na final de Nice.

O jovem com a melhor condição entre os cabeças de chave é o australiano de 21 anos Nick Kyrgios, 17º favorito em Paris. Ele vai estrear contra o italiano Marco Cecchinato e tem o quali Adrian Ungur ou lucky loser Igor Sijsling para a segunda fase. Ainda que Richard Gasquet e John Isner tenham rankings melhores, não seria nenhum absurdo ver Kyrgios dominar este setor da chave até encontrar Andy Murray nas oitavas de final.

O torneio feminino perdeu Belinda Bencic, que não jogou na temporada europeia de saibro por conta de uma rachadura no cóccix. A suíça de 19 anos e número 8 do mundo vinha reclamando de dores na região lombar desde março, durante Indian Wells e Miami. Ainda assim, a nova geração tem outros bons nomes no torneio.

A letã Ostapenko enfrentará o bom saque da também jovem Naomi Osaka

A letã Ostapenko enfrentará o bom saque da também jovem Naomi Osaka

Duas das três mais jovens integrantes do top 100, a letã de 18 anos Jelena Ostapenko e a russa de 19 anos Daria Kasatkina entraram como cabeças de chave em Paris e também enfrentam rivais promissoras. Ostapenko será desafiada pela boa sacadora japonesa Naomi Osaka, jogadora de 1,80m aos 18 anos. Já Kasatkina tem pela frenta a alemã de 22 anos Anna-Lena Friedsam, que na temporada passada tirou set de Serena Williams em Paris.

Números de Zverev impressionam
Por Mario Sérgio Cruz
abril 21, 2016 às 6:01 pm

No dia em que completa seu 19º aniversário, Alexander Zverev chegou à sua 31ª vitória em chaves principais de ATP ao eliminar Thomaz Bellucci na segunda rodada do ATP 500 de Barcelona. A expressiva marca do jovem alemão é mais uma que confirma sua posição entre os nomes mais promissores do circuito masculino.

Uma estatística divulgada nesta quarta-feira vem da equipe de comunicação e redes sociais de Wimbledon compara o ranking de Zverev com os dos atuais membros do top 5. Ocupando o 51º lugar no dia em que completa 19 anos, o alemão tem marca melhor que o 63º de Novak Djokovic na mesma idade e próximo do 46º posto de Andy Murray e do 39º lugar de Roger Federer na época. Só não dá para comparar com Rafael Nadal, que já era top 5.

Nadal foi extremamente precoce. O Touro Miúra já acumulava 44 vitórias na carreira ao fim de 2004, ainda aos 18 anos, e venceu outras 79 partidas só na temporada seguinte. Quando completou 19 anos, no meio da campanha para o primeiro título de Roland Garros, ele já havia vencido quase 90 partida em ATP. Um fenômeno que dificilmente será repetirá.

Chegar (e ultrapassar) a marca de 30 vitórias em ATP tão cedo chama atenção. Muito mais que tentar ver a que ponto da carreira outras lendas chegaram a esse número -Federer, Murray e Djokovic o fizeram na mesma idade- a comparação mais importante é com outros talentos da nova geração.

O australiano Nick Kyrgios que é 20º do mundo e está próximo de completar 21 anos já tem 50 triunfos, mas havia vencido apenas três partidas neste nível antes do 19º aniversário em abril de 2014. Até o fim da temporada passada, ele acumulava 36.

Já o agora top 15 aos 22 anos Dominic Thiem acumula 90 vitórias, sendo 26 somente na atual temproada. No entanto, os resultados positivos em ATP ficaram mais frequentes em 2014, quando completou 21 anos. Aos 19, o austríaco havia vencido só quatro partidas em primeira linha.

O único jovem com números melhores que os de Zverev é Borna Coric, que é cinco meses mais velho. Quando completou 19 anos em novembro, o croata já acumulava 33 resultados positivos e já teve ranking até melhor que o do alemão. Coric já foi 33º mundo com apenas 18 anos e hoje ocupa o 41º lugar.

Perigosas comparações
Por Mario Sérgio Cruz
abril 11, 2016 às 5:55 pm

Uma cena comum neste início de temporada masculina tem sido os duelos entre jovens promessas. Aconteceram nos três primeiros Masters 1000 de 2016 e também no ATP de Houston na semana passada. Neste cenário são feitas comparações com Orlando Luz, um jogador que rivalizava com muitos deles durante o circuito juvenil e chegou a liderar o ranking mundial da categoria. Comparar é um processo natural, mas perigoso.

A participação de Orlandinho no 2º ITF Junior Masters durante a última semana deu margem a alguns questionamentos. O gaúcho, que completou 18 anos em fevereiro, não disputava competições juvenis desde o US Open e venceu umas das três partidas que fez no evento, terminando em sétimo lugar.

Orlandinho optou por disputar Masters Juvenil pela segunda vez. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Orlandinho optou por disputar Junior Masters pela segunda vez. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Eu gosto da proposta do Masters, principalmente por aquilo que o torneio oferece aos jogadores. A ITF e os organizadores entendem que é um momento na carreira deles que pontos no ranking juvenil não são mais interessantes. Então, a premiação é oferecida em garantias de viagens (torneio juvenil não pode pagar em dinheiro) e prioridade de escolha em convites para torneios de alto nível. Campeão do ano passado, o russo Andrey Rublev já disputou 16 torneios ATP, sendo 13 por meio de convites diretamente para chaves principais.

Quando a gente vê Fritz ou Zverev no top 100, Tiafoe vencer jogo de Masters 1000 ou Tommy Paul furar quali de ATP, fica a sensação no público de que Orlando teria “ficado para trás”. Mas essa comparação não leva em consideração uma série de variáveis. Por melhores que sejam suas condições aqui no Brasil – e estamos falando de um garoto que está em um excelente centro de treinamento e que tem um contrato com a Nike desde os 16 anos – as situações de um americano ou europeu são ainda mais favoráveis para que atinjam o alto nível mais cedo. Tem o lado econômico e o fato de poderem ser mais testados em competições. O mais importante é que o próprio Orlando Luz está ciente disso e já deu declarações anteriores nesse ponto.

É muito difícil comparar esse estágio de desenvolvimento com o de um sul-americano. Thiago Monteiro foi número 2 no juvenil e começa colher os frutos só agora aos 21 anos, poderia ser um espelho, mas ele não recebeu a mesma cobrança durante a transição ao profissionalismo. Saindo do Brasil, temos o exemplo do chileno Garin, que ganhou o juvenil de Roland Garros há alguns anos e ele ainda rema nos torneios future e challenger. Os novos argentinos têm um desenvolvimento até mais rápido que brasileiros, mas também se metem no top 100 na casa dos 24 anos. É preciso de tempo.

Impressões do Masters

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Hong e Blinkova venceram o Junior Masters (Foto: Susan Mullane/ITF)

Durante o Masters, pude ver uma das três partidas de Orlando Luz e justamente a mais peculiar. Na derrota por 6/4 e 6/1 para o americano William Blumberg, o jogo começou no sábado no estádio principal, foi interrompido por chuva, e terminou no domingo na Quadra 1, que me pareceu mais rápida.

Na primeira parte do jogo, vi Orlandinho fazer quatro bons games de saque -cedeu só dois pontos no serviço até o 4/4- mas tomou uma quebra pouco antes da interrupção. Chamou atenção também seu posicionamento para devolver saques no lado da vantagem, ficando à esquerda do corredor de duplas para tentar responder saques abertos com forehand. Já na segunda parcial, em condições de quadra bem diferentes, o gaúcho teve bem mais dificuldade de lidar com o saque do adversário.

O título masculino ficou com o sul-coreano Seong Chan Hong, com vitória por 7/5 e 6/3 contra o norueguês Casper Ruud. Acompanhei duas de suas partidas e me pareceu um tenista muito sólido do fundo de quadra (um pouco parecido com Hyeon Chung, mesmo sem a mesma estrutura física, e seu modelo é Kei Nishikori) e com bom jogo de transição e contra-ataque, que funcionaram muito contra o agressivo chileno Marcelo Barrios Vera na semi. Hong está fazendo um ano muito bom já no profissional. Venceu três futures seguidos na Turquia e tem 20 vitórias e apenas uma derrota na temporada, sem contar as três vitórias no juvenil.

Quem venceu o feminino foi a russa Anna Blinkova, com 6/4, 6/7 (1-7) e 7/6 (7-4) contra a britânica Katie Swan. A russa chegou a sacar para o jogo no segundo set e viu a adversária -a meu ver, favorita- ter a mesma chance na última parcial. Resultado importante para Blinkova, que havia sofrido uma derrota muito dura na final de Wimbledon no ano passado para outra russa, Sofya Zhuk.

Rendez Vous

No Rendez Vous à Roland Garros, em São Paulo, Lucas Koelle confirmou seu favoritismo. Próximo do top 50 no ranking mundial juvenil, ele já havia ficado perto da vaga direta em Paris. Já Marcelle Cirino, campeã do feminino, teve como destaque a virada incrível na semifinal contra Georgia Gulin, em que reverteu 6/3 e 5/1 para salvar três match points e vencer onze games seguidos. Impressionante reação para a jogadora de 17 anos e que executa um raro backhand de uma mão.

Pelo mundo

Watanuki, campeão do Juvenil de Porto Alegre, já venceu dois futures seguidos

Watanuki, campeão do Juvenil de Porto Alegre, já venceu dois futures seguidos

O destaque da nova geração da semana foi o vice-campeonato de Borna Coric no ATP de Marrakech. Nos challengers, Stefan Kozlov foi vice em Guadalupe com Taylor Fritz, e Yoshihito Nishioka nas semifinais, mas o título ficou com o veterano Malek Jaziri. Já pelo circuito future, o japonês Yosuke Watanuki (campeão da Copa Gerdau) venceu o segundo torneio seguido em seu país. Dois títulos profissionais também tem agora o canhoto canadense de 16 anos Denis Shapovalov, após vencer o future de Memphis.