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Felipe Meligeni inicia primeiro ano como profissional
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 6, 2017 às 3:15 pm

Em reta final de pré-temporada, Felipe Meligeni Alves inicia seu primeiro ano como tenista profissional. O paulista de 18 anos vem se preparando em São José dos Campos, onde já treina há dois anos, e deverá encarar uma rotina muito diferente da que estava acostumado.

Atual campeão juvenil de duplas no US Open ao lado do boliviano Juan Carlos Aguilar, Felipe priorizou as competições de base até o ano passado. Suas poucas experiências no circuito profissional foram convites para torneios de nível challenger em São Paulo, Santos e Campinas ao longo da última temporada e uma série de cinco torneios future no saibro tunisiano de Hammamet entre novembro e dezembro.

São muitas as diferenças entre os calendários entre um tenista juvenil e um profissional e elas ficam visíveis já no começo da temporada. Ele não precisará disputar mais a gira sul-americana e precisa buscar torneios onde há possibilidade de entrar na chave e lutar por pontos. Há ainda um inevitável aumento de custos, já que os eventos de nível future não costumam oferecer hospedagem, e são necessárias mudanças no plano de jogo por exigência de um circuito cada vez mais físico.

Em entrevista ao TenisBrasil, Felipe falou sobre sua transição ao circuito profissional e os preparativos para a próxima temporada.

Felipe Meligeni Alves disputará três torneios no saibro antes de Roland Garros (Foto: João Pires)

Felipe Meligeni Alves inicia a temporada jogando na Turquia (Foto: João Pires)

Conte um pouco sobre como foi sua pré-temporada. Há quanto tempo você está treinando e em que está trabalhando mais?
Eu comecei a pré-temporada no dia 4 de janeiro e estou fazendo até agora. Ainda tem mais umas duas semanas até a gente viajar de novo. A gente vai viajar para a Turquia e ficar seis semanas. A gente está treinando muito plano de jogo, comigo tentando jogar no meu estilo que é mais agressivo, mas tendo um plano B sempre.

Estou trabalhando no meu mental também, que era uma coisa que eu pecava antes e já melhorei bastante e a movimentação de pernas. A gente está fazendo um treino bem pesado com saque também, então está sendo um trabalho muito completo, estou jogando bem e confiante. Sinto que estou preparado para viajar de novo.

Qual a diferença entre a pré-temporada de um profissional para um juvenil? Isso vale para os treinos e na preparação do calendário, agora que você não precisa viajar para jogar Cosat.
A diferença é que você tem que pensar muito bem no calendário porque no profissional o dinheiro sai mais da gente. Você tem que praticamente se bancar. No juvenil você ia para os torneios mais importantes e não pagava hotel, nem alimentação enquanto você estava jogando, mas agora você que arcar com tudo.

A pré-temporada a gente fez visando o estilo de jogo que vimos lá na Tunísia dos caras mais velhos, analisando o jogo deles. É muito diferente do juvenil porque os caras são mais experientes e mais sólidos. As vezes no juvenil, você poderia bater três bolas e já acabar o ponto, agora vai voltar sempre uma bola a mais. Tem que ter bastante paciência e trabalhar bem duro.

A gente vai ficar seis semanas na Turquia, volta para treinar mais um pouco, mas ainda não tenho ideia do calendário. Tem que conversar com o treinador.

Seu tio te dá uns toques sobre calendário, fala onde tem um torneio melhor, com uma estrutura melhor e tal?
Ele não fala muito sobre para onde eu tenho que viajar. Eu tô indo bastante para São Paulo treinar com ele, dois dias da semana pelo menos, ele me dá uns toques importantes junto com a galera daqui. Ele é fundamental na minha carreira pela ajuda que está me dando, mas nem fala muito de calendário, ele pega mais na parte de treino, dentro de quadra.

A ideia de terminar o ano passado jogando na Tunísia partiu de quem?
A minha irmã estava lá e viu como estava o nível do torneio e do quali. A gente foi a maioria sem ponto, só o Igor que tinha ponto. Até estava um pouco mais forte do que a gente esperava. Nas primeiras semanas o quali estava mais tranquilo e dava para passar, passei quatro qualis e joguei quatro chaves. Foi uma experiência boa para a minha primeira viagem para torneio profissional. A gente voltou e conversou bastante sobre como os caras jogavam e a gente pensou em fazer de novo. Mas agora vamos fazer na quadra dura. Estamos trabalhando para tentar de novo e somar mais pontos.

– E aí vocês conseguem se manter no mesmo hotel, sem fazer tanto deslocamento
É melhor porque você não precisa ficar mudando de lugar, você fica no mesmo local, se acostuma, fica direto, é resort. Foi boa a experiencia na Tunísia e acho que na Turquia será assim também.

Além de você e do Igor (Marcondes) quem mais costuma viajar para os torneios da sua equipe?
Tem o Gustavo Cruz e Alexandre Girotto. Agora vão dois meninos um ano mais novos, que são o Charles Junior e o Antonio Pruner Neto. E o treinador que é o Ricardo Siggia  que vai com a gente pra lá também.

– Ele jogou bastante future. Conhece bem esse meio de dentro do circuito…
Ricardo jogou. Ele é experiente, vai ajudar bastante.

Este ano tivemos uma redução grande no patrocínio dos Correios e a teve mudança de Prefeitura na cidade, como está a sua situação com seus parceiros?
Então eu tenho apoio da Prefeitura, que ajuda com o LIF (Lei de Incentivo Fiscal) que dá um dinheiro bom pra gente, tenho patrocínio de raquete e de roupa, Wilson e Fila, mas acho que os Correios talvez volte a entrar com alguma coisa. Tive uma ajuda ano passado para viajar para os Grand Slam e torneios mais importantes e espero que eles voltem a ajudar porque o tênis brasileiro precisa.

Felipe é atual campeão de duplas na chave juvenil do US Open

Felipe é atual campeão de duplas na chave juvenil do US Open

Você ganhou o título de duplas no US Open juvenil do ano passado. O que isso trouxe para você em termos de confiança, de oportunidades ou de os caras olharem seu nome na chave e já te conhecerem, saberem sobre seu jogo?
Confiança sempre dá. Ganhei convite para dois challengers de simples e duplas, então acho que é uma experiência bem válida. Meu nome apareceu mais, começou a vir mais ajuda e dei mais entrevistas. Nas chaves, os caras não vão se intimidar, mas já têm um respeito maior.

Seu plano principal para o momento é fazer a transição para o profissional em torneios challenger e future ou você pensa na possibilidade de ir, por exemplo, fazer faculdade nos Estados Unidos como outros jogadores fizeram?
Convite eu tenho desde o ano passado e retrasado. Nos torneios que eu joguei nos Estados Unidos eu recebi bastante convite de faculdades, mas agora estou pensando só no circuito profissional mesmo. Estou trabalhando duro nisso porque é um caminho difícil, mas se no futuro eu não estiver bem e não conseguir estar onde eu quero, faculdade não é um problema. Eu faria nos Estados Unidos e depois voltaria sem problemas.

Você tem alguma meta de ranking para a temporada ou algum outro objetivo, como ganhar o primeiro título profissional, por exemplo, que é sempre um marco importante:
Na dupla, eu e o Igor já conseguimos fazer final duas vezes. Este ano eu tenho meta de ganhar future em simples e duplas também, mas ranking… Eu não sei bem, para poder entrar já em quali de challenger uns 700 ou 600 mais ou menos o final do ano, ou quem sabe até mais de repente como eu estiver indo.

Tem outros jovens jogadores no Brasil como o Orlando, o Zormann e o Menezes que treinam lá no Sul. Você consegue ir bater bola com eles de vez em quando, para um puxar o outro, ou você os encontra só em semana de torneio mesmo?
É mais em época de torneio que eu consigo treinar junto com eles. Porque é muito longe para ir pra lá e a gente não consegue fazer muito. Só quando eles vem jogar torneios em Sâo Paulo ou a gente vai pra lá que a gente consegue marcar os treinos juntos.

Raio-X dos juvenis brasileiros em Grand Slam
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 10, 2016 às 12:44 pm

A participação brasileira nas chaves juvenis de Grand Slam na temporada termina neste sábado, quando Felipe Meligeni Alves disputa a final de duplas masculinas no US Open. O paulista de 18 anos joga ao lado do boliviano Juan Carlos Aguilar enfrenta os canadenses Felix Auger-Aliassime e Benjamin Sigouin na quadra 17 do complexo Billie Jean King em Flushing Meadows.

Em 2016, os principais resultados foram obtidos nas duplas, já que além do resultado de Meligeni, o gaúcho Orlando Luz foi vice-campeão em Roland Garros. Em simples foram apenas duas vitórias em chaves principais, exatamente com Orlando e Felipe.

Em número de jogadores, houve queda na representação. Somente quatro meninos participaram de chaves principais na temporada: Gabriel Décamps, Orlando Luz, Felipe Meligeni Alves e Rafael Wagner. Outros dois jogaram qualis: Lucas Koelle e Thiago Wild.

Infelizmente nenhuma menina conseguiu entrar em chave de Grand Slam na temporada. Quem esteve mais perto foi a paulista Marcelle Cirino, que venceu a etapa brasileira do Rendez-Vous à Roland Garros e disputou uma seletiva mundial em Paris.

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A menos que alguém suba muito no ranking, o quadro mais provável é que de novo apenas três meninos disputem os Grand Slam juvenis no ano que vem. Décamps ainda tem mais um ano na categoria, enquanto o pernambucano João Lucas Reis e o paranaense Thiago Wild estão com 16 anos e entre os 200 no ranking da ITF. O paulista Mateus Alves, de apenas 15 anos, tem potencial para ganhar terreno, mas apostaria nele mais para 2018.

No feminino, a situação está ainda mais difícil depois que as ex-top 15 Bia Haddad Maia e Luisa Stefani deixaram as competições juvenis. Nenhuma menina brasileira disputou um Grand Slam juvenil, cenário bem diferente dos quatro anos anteriores que tiveram no mínimo uma brasileira em cada torneio.

Nossas cinco primeiras jogadoras no ranking da categoria vão para o último ano de juvenil em 2017 e apenas a paulista Thaísa Pedretti está próxima do top 100 e podendo projetar um quali de Slam, a menos que alguém ganhe muitas posições. A possibilidade de mudar o quadro seria acumular bons resultados na Gira Cosat entre janeiro e fevereiro do ano que vem, além de aproveitar bastante os valiosos pontos em disputa do Campeonato Sul-Americano Individual, marcado para 20 de fevereiro do ano que vem.

ÚLTIMOS ANOS

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Australian Open – Nenhum jogador brasileiro participou da competição, que já teve o alagoano Tiago Fernandes campeão de simples há seis anos. De fato é uma viagem cara e o calendário é difícil de encaixar com uma série maior de torneios, o que afugenta alguns jogadores mesmo que eles tenham ranking para entrar diretamente. Fato é que o Brasil chegou a colocar quatro jogadores no Australian Open há dois anos e em 2016 não houve representação.

Os principais resultados nos últimos cinco anos foi a campanha do paulista Marcelo Zormann até às oitavas de final de simples em 2014, além das presenças de Thiago Monteiro e Orlando Luz nas quartas de duplas.

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ROLAND GARROS – Tradicionalmente o Grand Slam de maior sucesso brasileiro, Roland Garros teve seis representantes. Desde o ano passado, o Rendez-Vous à Roland Garros levou jogadores nacionais à seletiva de Paris. Foi assim que Rafael Wagner conseguiu uma vaga na chave principal, mas a paulista Marcelle Cirino não conseguiu avançar.

Nos últimos anos, tivemos três vice-campeonatos de duplas, dois deles com a canhota Beatriz Haddad Maia. Bia, que já está com 19 anos, ainda fez oitavas em Paris em duas ocasiões e perdeu apenas para as campeãs Annika Beck em 2012 e Belinda Bencic no ano seguinte.

A temporada de 2014 foi a mais promissora para os juvenis brasileiros nos últimos anos e teve três bons resultados em Paris, as semis de simples e duplas para Orlando Luz, as quartas de Marcelo Zormann e a semi de duplas de Luisa Stefani, que foi 10 do mundo em sua categoria.

Encerrando seu ciclo juvenil com apenas três torneios no ano, Orlando Luz encaixou o Grand Slam francês no meio de uma gira de torneios profissionais no saibro europeu. Semanas depois de ser vice-campeão de duplas em Paris, ele venceu seu primeiro título future na República Tcheca. A escolha pelo US Open agora em setembro não foi tão produtiva no calendário, já que ele vinha de uma boa semana no saibro polonês e mudou repentinamente de piso. Pode ter valer apenas pelo intercâmbio e menos para a confiança e possibilidade de pontuar na ATP.


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Wimbledon – Na grama londrina, o Brasil conseguiu seu último título de Grand Slam juvenil há dois anos com Orlando Luz e Marcelo Zormann. No mesmo ano, o canhoto gaúcho Rafael Matos e o mineiro João Menezes foram às quartas de duplas.

Em simples, novamente destaque para Bia Haddad Maia, que há três anos esteve nas oitavas. Sua algoz na ocasião foi a cabeça 2 croata Ana Konjuh, a mesma que nesta semana chegou às quartas de final na chave principal do US Open.

O ano passado foi atípico, porque os principais juvenis brasileiros foram convocados para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, mas o tênis saiu sem medalhas do Canadá. Já neste ano, apenas Felipe Meligeni Alves e Gabriel Décamps conseguiram entrar diretamente na chave.

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US Open – Os três brasileiros que estavam na chave de simples este ano caíram ainda na rodada de estreia. Orlando Luz e Gabriel Décamps enfrentaram os cabeças 3 e 4 Ulises Blanch e  Geoffrey Blancaneaux (campeão de Roland Garros). Felipe Meligeni Alves perdeu um jogo equilibrado de três sets para o australiano Blake Ellis, em duelo entre dois top 50 separados por apenas oito posições. Ainda assim, o setor na chave era duro e teria o líder do ranking Stefanos Tsitsipas na segunda rodada.

Nas duplas, o Brasil conseguiu recentemente as duas primeiras finais juvenis de US Open na história. Primeiro, o mineiro João Menezes e o gaúcho Rafael Matos foram vice-campeões em 2014 e caíram diante do australiano Omar Jasika e do japonês Naoki Nakagawa. Já em 2016, Felipe Meligeni Alves tenta o inédito título junto do boliviano Aguilar.

TÍTULOS E FINAIS

O tênis brasileiro tem três títulos juvenis de Grand Slam. O primeiro foi conquistado por Gustavo Kuerten nas duplas em Roland Garros em 1994, ao lado do equatoriano Nicolas Lapentti. Em 2010, o alagoano Tiago Fernandes foi campeão de simples no Australian Open. Infelizmente, ele deixou o tênis em 2014 com apenas 21 anos e se dedica aos estudos de engenharia civil. Já há dois anos, Orlando Luz e Marcelo Zormann foram campeões de Wimbledon nas duplas.

Outros brasileiros já estiveram em finais de Grand Slam juvenil. No saibro de Roland Garros, Edison Mandarino em 1959, Thomaz Koch em 1962 e 1963, além de Luis Felipe Tavares em 1967 decidiram o torneio individual. Já na grama inglesa de Wimbledon, Ivo Ribeiro foi vice em 1957 e Ronald Barnes fez o mesmo dois anos depois.

Nas duplas, Guilherme Clezar foi vice de Roland Garros em 2009, tal como Bia Haddad nas temporadas de 2012 e 2013 e Orlando Luz este ano. Antes disso, em 1994 foi a vez de Ricardo Schlachter ser finalista de duplas no juvenil de Wimbledon.

 

Começam os principais eventos da Gira Europeia Juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
maio 11, 2016 às 9:10 pm

Ao mesmo tempo em que os olhos do tênis mundial estão voltados para Roma nesta semana, com disputa de um Masters 1000 e um WTA Premier, o circuito juvenil também tem uma parada importante no saibro italiano. O tradicional torneio Città Di Santa Croce, que este ano chega à sua 38ª edição, dá início à série de competições mais importantes no saibro que vai até o término de Roland Garros.

O Santa Croce é um torneio nível G1 do circuito de 18 anos da ITF, que dá 150 pontos ao campeão. A Gira Europeia seguirá na Itália por mais uma semana, com a disputa do 57° Trofeo Bonfiglio em Milão. O evento vencido pelo gaúcho Orlando Luz em 2015 é da categoria GA com 250 pontos para o vencedor, além de um bônus na pontuação a partir de oitavas de final.

O último torneio preparatório para o segundo Grand Slam do ano será o Astrid Bowl, na cidade belga de Charlenoi. Ele acontece simultaneamente à primeira semana de Roland Garros, já que os torneios juvenis em Grand Slam acontecem a partir da segunda semana. Em Paris, os jovens lutam por 375 pontos, sendo 250 pelo nível do torneio (GA) e outros 125 em bônus.

Os brasileiros não foram bem no Santa Croce, já que Felipe Meligeni Alves e Lucas Koelle caíram logo na rodada de estreia e para jogadores da casa, além de Thiago Wild e Arion dos Reis que se despediram ainda durante o qualificatório. Nas próximas semanas, o paulista Gabriel Décamps deve se juntar à equipe brasileira na Europa.

A chave feminina do Santa Croce já começou com surpresas, com as eliminações da britânica Katie Swan e a canadense Charlotte Robillard-Millette. As cabeças 1 e 2 do torneio estiveram há pouco tempo no ITF Juniors Masters na China e resultados expressivos. A melhor cabeça de chave já nas quartas é a britânica Emily Appleton, finalista do Banana Bowl e sexta pré-classificada na Itália.

Bem no ranking, Felipe Meligeni prioriza o juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
abril 28, 2016 às 8:32 pm

No final de março, logo depois que Felipe Meligeni Alves conquistou do Sul-Americano Individual Juvenil, falamos aqui no blog sobre a situação do jovem paulista de 18 anos. O título no saibro argentino de Mar del Plata teve interferência direta no ranking e na definição do calendário para a temporada. A uma semana de viajar para as principais competições juvenis no saibro europeu, ele comemora o fato de já ter uma agenda pronta e passagem garantida para grandes torneios dos próximos meses, incluindo Roland Garros e Wimbledon.

Felipe Meligeni Alves disputará três torneios no saibro antes de Roland Garros (Foto: João Pires)

Felipe Meligeni Alves disputará três torneios no saibro antes de Roland Garros (Foto: João Pires)

“É um alívio saber que você já está garantido na chave principal e não tem que se preocupar com quali, igual aconteceu ano passado”, disse Alves, que aparece no 35º lugar no ranking mundial juvenil. “Estar no top 40 é incrível, vou estar convivendo com os caras no Grand Slam é sensacional”.

A boa situação no ranking e a inédita experiência em Grand Slam o fizeram priorizar as competições juvenis para esta temporada, ainda que já esteja com 18 anos. Felipe viaja na próxima quarta-feira, 4 de maio, para a Europa. Serão três torneios preparatórios para Roland Garros, a começar pelo Città Di Santa Croce e Trofeo Bonfiglio, na Itália, além do Astrid Bowl, na cidade belga de Charlenoi.

Com resultados negativos antes do título na Argentina, o paulista acredita que pôde jogar sem pressão no término da série sul-americana de torneios no saibro, o que o ajudou a vencer o Sul-Americano e atingir o melhor ranking da carreira. “Desde o começo do ano, eu não estava tendo boas campanhas. Durante a Gira Cosat eu comecei um pouco mal, perdendo duas primeiras rodadas”, contou Alves, que perdeu na estreia das etapas da Colômbia e Equador.

“Em geral, minha gira não foi tão boa, eu acabei conseguindo no sufoco jogar bem no último torneio e ser campeão. Consegui jogar solto, sem me preocupar com o resultado e acho que isso me ajudou bastante”, avalia. “Foi um alívio incrível. Quando eu ganhei o torneio, eu nem estava acreditando. Poderia ter caído na semifinal ou nas quartas, porque eu estava perdendo com uma quebra no terceiro set dos dois jogos e acabei lutando muito e levantando os jogos”.

Felipe vem da disputa de seu primeiro challenger como profissional, em São Paulo, onde recebeu convite e jogou contra o pernambucano José Pereira na rodada de estreia. “É uma experiência nova para mim. Eu já tinha jogado quali de challenger, mas nunca na chave principal. Fico muito feliz por estar com esses caras, sentir a bola deles. Manter o nível alto o jogo inteiro igual eles mantém ainda é um pouco complicado, mas isso só se consegue treinando”.

Natural de Campinas, Felipe Meligeni Alves treina há um ano com Leandro Afini em São José dos Campos. “Quando eu cheguei, eles pegavam muito no pé no lado psicológico. Era o que me atrapalhava bastante, acho que estou muito melhor hoje em dia. Só tenho a agradecer pelo apoio que estão me dando, eles me acolheram muito bem. Foi uma evolução incrível”.

Uma conquista em boa hora para Felipe Meligeni
Por Mario Sérgio Cruz
março 29, 2016 às 5:33 pm

Um título é sempre bem vindo, mas o momento e as circunstâncias que ele ocorre podem representar importância ainda maior. A conquista de Felipe Meligeni Alves no Campeonato Sul-Americano Individual Juvenil no último sábado é um bom exemplo para este caso.

Adição recente no calendário, o torneio foi criado em 2011 e teve cinco edições na Bolívia antes de mudar este ano para o saibro argentino de Mar Del Plata. Embora não seja um evento tradicional como as principais competições do circuito, é muito valioso em termos de pontuação.

Os melhores juvenis sul-americanos disputavam entre 180 pontos no ranking de 18 anos da ITF. Isso é mais que os 150 de um título de torneio G1 (como o Banana Bowl) e o mesmo que um vice-campeonato em torneio GA (caso do Campeonato Internacional de Porto Alegre). Sem a concorrência de escolas europeias, americanas e japonesas.

Felipe e demais brasileiros foram acompanhados pelo técnico William Kyriakos

Felipe e demais brasileiros foram acompanhados pelo técnico William Kyriakos

A conquista rendeu 57 posições e fez com que Felipe se tornasse o 35º no ranking mundial juvenil. Bater um recorde pessoal é muito bom, mas mais importante que isso é poder entrar diretamente nas chaves dos principais torneios na Europa, o que inclui Roland Garros e Wimbledon. No período entre maio e julho acontecem competições tradicionais no saibro e na grama, como Santa Croce, Milão, Charlenoi e Rohampton que distribuem muitos pontos e contam com os melhores juvenis do mundo, que estarão no Grand Slam semanas depois.

Para quem está com 18 anos e ainda em fase de transição do circuito juvenil para o profissional, faz uma diferença enorme saber com antecedência se você vai entrar diretamente nas chaves ou disputar os qualis. O primeiro fator é a gratuidade na hospedagem dos torneios ITF que for disputar. A redução nos gastos é considerável e há uma segurança maior para planejar as datas das viagens. Nesta fase da carreira qualquer incentivo extra-quadra é vital para a continuidade.

O pernambucano João Reis, que completou 16 anos na última semana, também se destacou no torneio.

O pernambucano João Reis, que completou 16 anos na última semana, também se destacou no torneio.

Além do título de Meligeni, o Brasil colocou Lucas Koelle e Thaísa Pedretti nas quartas de final de suas respectivas chaves, enquanto a paranaense Nathalia Gasparin foi finalista de duplas. Koelle que ganhou seis posições e agora é 57º deve se juntar a Meligeni e Gabriel Décamps nos torneios europeus.

Outro destaque fica para o pernambucano João Lucas Reis, que depois de disputar o Banana Bowl e o Internacional de Porto Alegre na categoria 16 anos, onde conseguiu um vice-campeonato e uma semi, chegou até as oitavas em um torneio de 18 e só perdeu para o campeão. Reis, que completou seu 16º aniversário no último sábado, já disputou até três qualis de future nos Estados Unidos, em janeiro.

Sinal amarelo para a participação das meninas, já que apenas Pedretti conseguiu avançar mais que uma rodada. Essa mesma geração, com Nathalia Gasparin e Marcelle Cirino, há menos de um ano foi campeã Sul-Americana por equipes na categoria 16 anos, vencendo quatro dos cinco confrontos por 3-0 e um por 2-1. As adversárias eram praticamente as mesas. As brasileiras também em nono lugar na última Fed Cup juvenil, sendo as melhores do continente. O trabalho está sendo feito, então chama atenção quando acontecem quedas precoces.