Tag Archives: Madison Keys

Keys pode ser a próxima a transcender o esporte
Por Mario Sérgio Cruz
abril 12, 2017 às 7:00 pm

Há duas semanas, quando Nick Kyrgios e Alexander Zverev protagonizaram um grande jogo em Miami, houve uma sensação de alívio e expectativa entre os fãs. Foi uma partida que simbolizava que o circuito masculino poderia continuar atrativo e popular, mesmo quando a brilhante geração do Big Four (e é Big Four, não Three e nem Five) pare de jogar.

A nova geração feminina também teve um momento de destaque para o duelo entre as jovens de 19 anos Daria Kasatkina e Jelena Ostapenko na final Charleston. Kasatkina esbanjou disciplina tática e firmeza do fundo de quadra para vencer por 6/3 e 6/1 aquela que foi a primeira final de WTA entre duas atletas com menos de 20 anos desde outubro de 2009, na cidade austríaca de Linz, quando Petra Kvitova venceu Yanina Wickmayer. Tcheca e belga já estão com 27 anos.

Mas o futuro do circuito feminino passa obrigatoriamente pela construção de ídolos. E hoje, há um nome claro para se firmar como estrela: Madison Keys. A jovem americana de 22 anos chegou rapidamente ao top 10. Mas grande parte desse ganho de popularidade pode vir de fora das quadras. Keys é uma jogadora que fala o que pensa e luta por aquilo que defende. A WTA e também a imprensa americana já identificaram o enorme potencial de liderança que ela tem e a repercussão de suas declarações tem sido cada vez maior.

Desde o fim do ano passado, quando recebeu ofensas de conteúdo racista por suas redes sociais (Twitter e Instagram) após uma derrota, Keys assumiu para si a luta contra as mensagens abusivas. O tema ficou recorrente nas entrevistas coletivas que ela dá a cada torneio e outras jogadoras têm demonstrado apoio a cada vez que o assunto entra em pauta. No último sábado, foi ao ar uma entrevista de Keys ao canal americano Tennis Channel falando exclusivamente sobre isso.

“Para mim, o cyberbullying acontece porque as pessoas acham que, por estarem atrás de uma tela de computador ou celular, podem dizer o que quiserem sobre você. Eles não pensam que existe outra pessoa recebendo aquilo”, comentou Keys, que também leu em voz alta alguns dos comentários ofensivos que recebe. (confira o vídeo acima)

Para a americana, não é possível traçar um perfil dos trolls, pessoas de todos os tipos assumem esse tipo de comportamento. “Muitas vezes depois dos jogos, especialmente quando eu perco, eles são mais extremos e agressivos. E quando eu clico para ver as páginas deles, alguns são adolescentes, mas outros são pais de família. Não há um tipo específico de pessoa que pratique isso”.

Embaixadora desde o ano passado da organização Fearlessly Girl, que visa desenvolver lideranças jovens entre as meninas em suas escolas e comunidades, Keys já realizou duas palestras em colégios americanos. A primeira foi no fim de dezembro, em sua cidade natal, Rock Island, no estado de Illinois, e a mais recente aconteceu no mês passado, para as alunas da sétima série da Young Women’s Preparatory Academy, em Miami.

“Eu me lembro de ter ligado para minha mãe e meus agentes e dizer ‘eu preciso fazer uma coisa positiva'”, comentou, ainda ao Tennis Channel. “Vou às escolas e converso com as adolescentes sobre o mundo delas e os problemas que elas enfrentam”, comentou a tenista que tem duas irmãs mais novas.

CzfRs4XUsAAQWz8

“Eu adoraria ouvir das meninas sobre os temas que importam para elas e com os quais elas se preocupam para poder ajudá-las e influenciá-las a tratar desses assuntos de uma maneira positiva”, falou ao site da WTA, depois da palestra para as adolescentes em Miami.

Com engajamento e comentários pertinentes sobre um tema que faz parte do universo jovem, Keys pode trazer o tênis para um outro grupo de pessoas. Muitas dessas meninas para as quais ela discursou em escolas talvez nem se interessassem antes por tênis ou pelo esporte de um modo geral, e podem ter pensado: “Vou começar torcer por ela” ou ainda “Quero ser como ela”. É possível que estejamos vendo o crescimento uma atleta extremamente representativa para para uma comunidade, tal como as irmãs Williams foram e são até hoje para as mulheres negras americanas. Keys pode ser a próxima jogadora a transcender o esporte.

“Estou mais confortável comigo mesma e acho que parte disso vem de poder falar abertamente. Acho que se nós nos calarmos e não falarmos sobre certos assuntos, as coisas não vão melhorar. É por isso que eu tomei uma posição em que nós podemos ter opiniões diferentes enquanto pudermos falar respeitosamente e conversar sem que isso se transforme em uma disputa. Acho isso muito importante e é o que eu vou tentar fazer”, comentou após a partida contra a americana Shelby Rogers em Charleston.

Mas para que atingir um patamar de importância que supere o âmbito esportivo, ela vai precisar de conquistas. O nome de Keys ainda é desconhecido fora do tênis, por mais relevantes que sejam suas opiniões. Há jogadoras da nova geração americana bastante articuladas, como Nicole Gibbs e Grace Min, mas que estão distante das posições de destaque para chamar os holofotes para si.

Keys joga os maiores torneios do calendário, e quase sempre é escalada para atuar nas quadras principais. Ela dá entrevistas toda semana e tem a ex-número 1 do mundo Lindsay Davenport como treinadora. Acima de tudo, tem o jogo. Seu saque já é um dos mais eficientes do tênis feminino e a velocidade média* de seus golpes também é uma das altas entre as mulheres. Em um circuito cada vez mais físico, a jovem de 22 anos pode se tornar a próxima jogadora dominante e atrair um fã clube em cada torneio que disputar e ser a mais icônica de sua geração.

* Da velocidade – Um estudo publicado pelo New York Times mediu as velocidades médias do forehand e do backhand de homens e mulheres nas últimas edições do Australian Open. Keys teve destaque nas duas listas, mas isso também pode ser explicado por seu estilo de jogo. Por bater muito reto e usar poucos slices e variações, é natural que o cálculo seja feito apenas em cima de golpes muito potentes.

Jovens jogadoras se posicionam após ameaças na web
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 21, 2016 às 10:41 pm

Logo após a derrota para Svetlana Kuznetsova na semifinal do WTA Premier de Moscou, Elina Svitolina deu declarações fortes a respeito das ofensas que recebe nas redes sociais. A ucraniana de 22 anos e número 15 do mundo, disse que foi ameaçada por russos antes de enfrentar a jogadora da casa nesta sexta-feira.

Temendo por sua integridade física, ela ainda afirmou que dificilmente voltará a disputar a disputar o torneio. O cenário na Rússia é hostil aos ucranianos em meio às tensões políticas entre os dois países que se estendem há quase três anos, desde os protestos em Kiev no fim de 2013 que pediam maior integração à União Europeia.

A ucraniana Elina Svitolina foi ameaçada por russos antes de enfrentar a anfitriã Kuznetsova em Moscou (Foto: Kremlin Cup)

A ucraniana Elina Svitolina foi ameaçada por russos antes de enfrentar a anfitriã Kuznetsova em Moscou (Foto: Kremlin Cup)

“Foi um torneio muito duro e acho que não voltarei para cá, porque nunca senti tanta pressão. Recebi muitas mensagens negativas antes mesmo do jogo. Eram ameaças. A pessoa que lida com isso não pode simplesmente apagar isso da mente”, disse Svitolina após a derrota para Kuznetsova por 6/1, 6/7 (2-7) e 6/4 nesta sexta-feira, em relato do jornalista russo Dmitry Shakhov.

“Nós sempre recebemos mensagens negativas, mas isso é diferente. Eles disseram que sabiam até o mesmo o hotel onde estou hospedada. Obviamente, isso está ligado à política, mas não tenho nada a ver com isso. Sou uma jogadora de tênis tentando vencer jogos”, acrescentou a jovem jogadora, que também havia disputado o torneio em 2012 e 2013 e evitado a capital russa nos últimos dois anos.

A tensão foi tanta que até mesmo uma torcedora de Svitolina se sentiu intimidada por torcedores locais no estádio e temia sofrer represálias por aquilo que poderia ser entendido como “propaganda pró-Ucrânia” em território russo.

Ofensas e ameaças por meio de redes sociais são uma questão muito recente e por isso as próprias entidades que comandam o tênis têm dificuldade de encontrar meios de lidar com o assunto. A nova geração do tênis é a primeira a conviver com as redes desde o início da carreira e neste caso, não há sequer a possibilidade de pode procurar um espelho nos colegas mais experientes.

Isso porque, até mesmo atletas consagrados da atualidade não tiveram que lidar com pressão vinda de redes durante a juventude ou fase de transição. Nomes como Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic e Maria Sharapova aderiram tardiamente ao Twitter e já tendo com suas bases de fãs mais do que consolidadas. Tanto que os quatro ultrapassaram naturalmente a marca de um milhão de seguidores dias depois de criarem seus perfis, que são altamente filtrados.

Com os mais novos, por mais que estejam acostumados com o ambiente da rede social e que sempre tenham administrado seus próprios perfis, é um mundo novo. Se eles antes utilizavam as redes apenas dentro de um círculo de contatos, a exposição aumenta exponencialmente a cada vitória e então gratificante chegada dos primeiros fãs e admiradores vem acompanhada também de um batalhão de haters e também de apostadores, que vão “cobrar” das atletas quando o resultado em quadra acarreta em perda financeira.

No começo do ano, fiz uma entrevista com a romena Sorana Cirstea, que já foi 21ª do mundo (hoje é 83ª) Então com 25 anos, ela já se mostrava acostumada (e de certa forma conformada) com esse tipo de tratamento bastante que negativo. “Todos os tenistas temos que lidar com esse bullying. Recebo tuítes maldosos e mensagens ofensivas todos os dias. Acho que quanto melhor você é, mais é agredido. Todo jogador recebe e o melhor a fazer é não dar atenção”

Mas não são todas as jogadoras que defendem que ignorar seja a solução. Pelo contrário, cada vez mais elas se posicionam e apontam que se ficarem caladas o problema só irá continuar. A americana Madison Keys tem sido uma voz forte nessa questão e defende que o assunto entre no debate público.

A americana de 21 anos decidiu se posicionar depois de ler uma série de ofensas, inclusive de teor racista, após derrotas nos torneios de Tóquio e Pequim. Quando perdeu para Yulia Putintseva no tiebreak do terceiro set na capital japonesa, Keys decidiu responder aos agressores. Já após a queda para Johanna Konta na China, ela compilou algumas mensagens recebidas e as expôs aos seus seguidores.

2016-10-21

Na semana passada, durante o WTA de Linz, Keys comentou o ocorrido durante uma de suas entrevistas coletivas. O jornalista italiano Giulio Gasparin relatou as contundentes declarações da norte-americana a respeito das ofensas que recebe, especialmente de apostadores, e reiterou a ideia de que é preciso vir a público e tratar do problema.

“Você pode ignorá-los 99% das vezes, mas naquele dia eu saí da quadra e haviam 45 mensagens negativas. Eu pensei ‘Quer saber, não vou ignorá-los hoje’. Eles escrevem coisas terríveis para mim e sobre minha família e isso é certo. Foi o momento de eu me posicionar e tentar chamar alguma atenção à questão, para que talvez tenhamos algumas mudanças”.

“Acho que a maioria das pessoas dizem para apenas ignorar, porque pensam que se você responder, vai fazê-los [os agressores] ganhar”, apontou, respeitando o ponto de vista contrário. “Mas ao mesmo tempo, você tem que fazer que essas pessoas se sintam responsáveis por aquilo que dizem. Às vezes nós temos que fazer com que todos fiquem cientes de que isso está acontecendo e que se ignorarmos, o problema só vai continuar”.

“Nem me veio à mente a ideia de expor aquelas pessoas, eu pensava mais em mostrar o que acontece a cada dia”, afirmou. “Há muitos aspectos positivos nas mídias sociais. Assim que mostrei as 40 mensagens negativas, já recebi umas 500 positivas, então você vê que as pessoas boas são maioria. Eu nunca deixaria de me conectar com meus verdadeiros fãs por causa das ofensas. Na minha cabeça, isso seria deixá-los ganhar”.

Outra integrante da nova geração americana que decidiu expor publicamente as ameaças que recebe é Nicole Gibbs, de 23 anos. Uma das razões para que Gibbs seja alvo é o engajamento político da jogadora que é voluntária na campanha de Hillary Clinton à presidência dos Estados Unidos.

E antes mesmo de se tornar tenista profissional, a atual 74ª colocada, já havia militado com sucesso contrária às mudanças no tênis universitário americano que eram voltadas apenas ao interesse da TV. A própria WTA já tem identificado o potencial de liderança da jovem tenista, que pode em breve assumir uma vaga no Conselho das Jogadoras.

A WTA estuda meios de coibir as ofensas e ameaças que suas jogadoras recebem, mas até agora não houve nenhuma medida concreta. Talvez o teor das mensagens recebidas por Svitolina tornem a pauta mais urgente para entidade. Por ora, é importante que algumas atletas se sintam livres para se posicionar e lutar para que isso seja coibido. Se elas se calarem, o problema apenas vai continuar.

Sí, se puede
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 16, 2016 às 5:03 pm

Monica Puig fez história. Conquistou o primeiro ouro olímpico de Porto Rico, tornou-se a primeira mulher medalhista para seu país e conseguiu apenas a nona medalha olímpica da ilha. Mas mais que isso, Puig mostrou que é possível.

Amparada pelos gritos de “Sí, se puede” das arquibancadas do Centro Olímpico de Tênis, enquanto desafiava a número 2 do mundo Angelique Kerber na decisão, Puig sempre se orgulhou de defender as cores de Porto Rico, tanto que já recusou convites para se naturalizar americana. Ela disse depois do jogo que espera inspirar mulheres latinas a alcançarem seus objetivos. E o exemplo também pode servir para inspirar suas colegas de circuito.

Puig superou as campeãs de Slam Kerber e Kvitova nas fases finais, além de ter derrotado Muguruza durante a semana

Puig superou as campeãs de Slam Kerber e Kvitova nas fases finais, além de ter derrotado Muguruza durante a semana

Puig, de 22 anos e 35ª do ranking, venceu um torneio olímpico que tinha praticamente todas as estrelas do circuito feminino (apenas Simona Halep e Victoria Azarenka não jogaram). Sequer pode ser dito que ela se aproveitou de uma chave favorável, como às vezes acontecem nessas surpresas. A semana no Rio foi impecável, com vitórias sobre três campeãs de Grand Slam, Garbiñe Muguruza, Petra Kvitova e Angelique Kerber.

Fica uma ótima lição para as jogadoras jovens e para as de ranking mais baixo, exatamente um ano depois de Belinda Bencic ser campeã de Toronto aos 18 anos derrubando cinco top 10 pelo caminho. É possível vencer grandes nomes em sequência e conquistar títulos importantes.

Puig teve uma ótima carreira como juvenil, com direito a duas finais de Grand Slam na Austrália e em Roland Garros em 2011. Menos de dois anos depois, em maio de 2013, já estava entre as cem melhores para vencer seu primeiro WTA no ano seguinte em Estrasburgo.

A porto-riquenha quase saiu do top 100 no ano passado, por não repetir os bons resultados da temporada anterior. No início de 2016, a porto-riquenha aparecia apenas no 92º lugar, mas ganhou quase sessenta posições para atingir o melhor ranking da carreira em julho, duas posições acima do atual 35º lugar.

Se os Jogos Olímpicos dessem pontos, ela já estaria próxima do top 20. Caso ela consiga manter o embalo nas próximas semanas, o US Open começa em 15 dias por exemplo, será um caminho natural para uma jogadora que vive seu melhor momento.

Outra possibilidade de medalha para a nova geração era a de Madison Keys, que entrou como cabeça 7 no feminino e tinha um caminho favorável. Não que as rivais fossem fracas, mas porque o encaixe do jogo era ideal para o estilo agressivo da americana.

A jovem de 21 anos chegou à semifinal, mas nas duas últimas partidas sofreu com o alto número de erros e o baixo aproveitamento de break points. Contra Kerber na semi foram 41 erros e nenhuma quebra em dez chances, já disputa do 3º lugar diante de Petra Kvitova ela cometeu 49 erros e quebrou duas vezes em dez oportunidades.

Keys lidera nova geração no Rio e luta por medalha
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 5, 2016 às 9:15 pm

Expoentes da nomes da nova geração do tênis mundial estão no Rio de Janeiro para o Torneio Olímpico de Tênis, que começa neste sábado. Todos disputam as Olimpíadas pela primeira vez. Se a maioria aparece longe da briga por medalhas, Madison Keys é exceção e tem boas chances de ficar nos primeiros lugares.

De volta ao top 10, Keys tem chave boa na luta por medalhas.

De volta ao top 10, Keys (à direita) tem chave boa na luta por medalhas. (Foro: ITF)

De volta ao top 10 depois do vice-campeonato no WTA Premier de Montréal, Keys entrou como cabeça 7 no Rio, já que Victoria Azarenka e Simona Halep estarão ausentes. A americana de 21 anos estreia contra a montenegrina Danka Kovinic à 11h (de Brasília) deste sábado, mas ainda assim pretende desfilar na Cerimônia de Abertura no Maracanã. Para segunda fase, ela pode ter pela frente a ucraniana Lesia Tsurenko ou a francesa Kristina Mladenovic.

O bom saque e a potência nos golpes da americana a deixam na posição de favorita em possíveis oitavas contra Carla Suárez Navarro, ou mesmo na troca de pancadas de fundo com Ana Ivanovic. Já na reta final da disputa por medalhas, Agnieszka Radwanska é o nome mais forte para as quartas e Angelique Kerber em possível semi.

Entre as jovens que podem se destacar no Rio também está Jelena Ostapenko, letã de 19 anos e 41ª do mundo que desafia Samantha Stosur na estreia e aparece como possível rival de Kerber nas oitavas. Já a russa de 19 anos Daria Kasatkina, 27ª colocada, é favorita na estreia contra a tunisiana Ons Jabeur e pode enfrentar Radwanska já na segunda rodada.

A estreia de Serena Williams também promete um jogo difícil. A melhor tenista do mundo será desafiada pela australiana de 22 anos Daria Gavrilova, 46ª do ranking e que já acumula seis vitórias contra top 10. Outro destaque fica para o duelo entre Eugenie Bouchard e Sloane Stephens neste sábado, na quadra 3, que definirá a adversária de Kerber na segunda fase.

Desfalques e retorno no torneio masculino

Thanasi Kokkinakis volta às quadras depois de dez meses parado por lesão no ombro direito (Foto Paul Zimmer/ITF)

Thanasi Kokkinakis volta às quadras depois de dez meses parado por lesão no ombro direito (Foto Paul Zimmer/ITF)

Com as ausências de Nick Kyrgios, Dominic Thiem, Alexander Zverev e Taylor Fritz, a nova geração masculina conta com Kyle Edmund, Borna Coric e Thanasi Kokkinakis no Torneio Olímpico de Tênis.

Entre os três, Edmund é quem tem um começo de torneio menos ingrato. O britânico de 21 anos e 83º do ranking estreia contra o australiano Jordan Thompson por volta de 12h30 (de Brasília) neste sábado na quadra 8, e pode enfrentar Jack Sock ou Taro Daniel na segunda fase, antes de ter Novak Djokovic ou Juan Martin Del Potro pela frente.

Borna Coric, 51º do ranking aos 19 anos, encara o cabeça 15 francês Gilles Simon, por volta de 15h30 (de Brasília) na quadra 1. Jogo duríssimo, mas “ganhável” e depois seria favorito contra Brian Baker ou Yuichi Sugita. Em possíveis oitavas, Rafael Nadal é o principal concorrente.

Já Kokkinakis volta a competir depois de dez meses parado para operar o ombro direito e enfentará o português Gastão Elias, que provavelmente passará tranquilo pela estreia no Rio.

O que os jovens jogadores disseram em Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
julho 2, 2016 às 11:22 am

Cinco dias de Wimbledon já se passaram. O que para um torneio em condições normais representaria metade das terceiras rodadas masculina e feminina já concluídas, a chuvosa edição de 2016 atrasou bastante a programação a ponto de a organização do evento realizar jogos no tradicional Middle Sunday pela quarta vez na história.

Vários jovens jogadores estiveram em quadra nos primeiros dias do britânico e disseram coisas interessantes, que muitas vezes acabam passando batidas no noticiário pela necessidade de destacar tudo o que acontece no torneio. Busquei algumas declarações de Taylor Fritz, Nick Kyrgios, Dominic Thiem, Madison Keys e Eugenie Bouchard sobre as primeiras partidas da semana na grama do All England Club.

Fritz não reclamou da sorte por enfrentar Wawrinka na estreia (Foto: Joel Marklund/AELTC)

Fritz não reclamou da sorte por enfrentar Wawrinka na estreia (Foto: Joel Marklund/AELTC)

Fritz não reclamou da sorte. Logo em sua primeira participação em Wimbledon, deu de cara com Stan Wawrinka, mas o americano de 18 anos preferiu destacar a experiência de enfrentar um grande jogador e não se intimidou por jogar em uma quadra tão grande pela primeira vez.

“É claro que você sempre quer a melhor chave possível, mas eu estava animado por ter a chance de jogar contra um dos melhores do mundo. Quando vi a chave, eu realmente não reclamei. Tentei apenas ser positivo quanto a isso”, disse o americano após a derrota por 7/6 (7-4), 6/1, 6/7 (2-7) e 6/4. “Vejo que eu não posso me dar ao luxo de me descuidar em alguns pontos e games contra esses grandes jogadores. Eles realmente tiram proveito disso e não te deixam voltar para o set depois que você faz alguns erros”.

“Foi muito bom entrar em quadra e sentir a atmosfera. Fiquei muito feliz com o fato de que isso não me incomodou. Eu não estava nervoso”, avaliou o ex-número 1 juvenil. “Isso era algo que me preocupava, mas não foi o caso. Eu estava bastante confortável e foi uma grande experiência”.

Thiem foi eliminado ainda na segunda rodada (Foto: Jed Leicester/AELTC)

Thiem foi eliminado ainda na segunda rodada (Foto: Jed Leicester/AELTC)

O precocemente eliminado Dominic Thiem, número 8 do mundo, citou a perda da quebra de vantagem que tinha no primeiro set e a postura defensiva nos três tiebreaks contra Jiri Vesely como decisivos para sua derrota na segunda rodada. “O maior erro em todo o jogo foi a quebra [sofrida] no primeiro set. Joguei muito na defensiva nos tiebreaks e cometi erros não-forçados. Tive muitos problemas com o saque dele e mesmo quando conseguia devolver a bola em quadra, joguei mal nos ralis”.

Kyrgios comentou sobre o imprevisível estilo de jogo de Dustin Brown, que foi seu adversário nesta sexta-feira pela segunda rodada e teceu muitos elogios ao show-man alemão. “Ele deu um drop-shot por entre as pernas que fez eu me sentir horrível. Tem horas que você literalmente não quer jogar, apenas guardar a raquete”.

“Ele pode bater um backhand saltando que vai parar na lona, ou então conseguir um dos melhores voleios que você já viu. Acho importante ter um cara como ele jogando. É um jogo totalmente diferente do meu, ou do Gael Monfils. É um grande atleta, muito talentoso e ótima pessoa”.

AELTC/Joel Marklund . 01 July 2016

Kyrgios e Brown fizeram duelo de cinco sets e pontos bonitos pela segunda rodada (Foto: Joel Marklund/AELTC)

Nova integrante do top 10 feminino e responsável por quebrar um incômodo jejum do tênis americano, Madison Keys já foi perguntada sobre chances de assumir a liderança do ranking. “Acho que eu posso. Estou aqui, obviamente, para trabalhar a cada dia. Não acho que vai ser fácil e nem que vá acontecer só porque as pessoas estão dizendo que vai”, comentou a jovem de 21 anos.

“É por isso que sempre que ouço isso, eu só quero ir para quadra de treino e tentar ficar melhor”, acrescentou Keys. “É uma coisa boa de se ouvir e aumenta a confiança ver que as pessoas pensam isso de mim. Mas, mais do que qualquer coisa, o que apenas realmente vai me faz chegar lá é continuar trabalhando e manter minha cabeça um pouco para baixo ainda”.

AELTC/Jon Buckle . 27 June 2016

Keys já é perguntada sobre chances de ser número 1 (Foto Jon Buckle/AELTC)

Eugenie Bouchard, 22, já foi finalista em Wimbledon e tem um fã clube em cada canto do sistema solar. Mas na segunda rodada, passou pelo teste de jogar como “visitante” diante do público britânico que empurrou bastante a anfitriã Johanna Konta. “Ela é a favorita da casa, então eu não esperava nada diferente. Ainda assim era uma grande atmosfera para jogar, mesmo com toda a torcida contra mim. Eu vejo isso como um desafio e aproveitei a atmosfera, não importa qual seja, porque os fãs estão curtindo o tênis e é isso o que importa”.

Juvenil vai começar – A chave juvenil de Wimbledon dá a largada neste sábado. Os paulistas Gabriel Décamps e Felipe Meligeni Alves serão os dois representantes brasileiros na competição. Houve apenas uma grande torneio preparatório na grama, disputado na semana passada, em Roehampton.

No masculino, o canhoto canadense Denis Shapovalov derrotou o japonês Yosuke Watanuki na decisão -não esperava ver o Watanuki tão bem na grama, aliás- e o americano Ulises Blanch teve uma grande semana com semi de simples e título de duplas ao lado de Vasil Kirkov. No feminino, final russa e título de Anastasia Potapova diante da cabeça 1 Olesya Pervushina.

Grande semana de Orlando Luz – O jovem gaúcho fez sua melhor semana do ano ao furar o quali e conquistar o future de US$ 25 mil de Pardubice, na República Tcheca. Foi o primeiro título profissional de simples na terceira vez em que disputou uma final.

Orlando chegou a vencer adversários com mais de 300 posições à frente dele no ranking nesta semana. Três desses rivais, inclusive, têm ranking melhor que o alemão Peter Torebko, adversário da final deste sábado. Os 27 pontos conquistados garantem um salto de mais de cem posições e o aproximam do melhor ranking. Ele agora segue para o saibro italiano de Nápoles.

A mistura que deu certo com Keys
Por Mario Sérgio Cruz
junho 22, 2016 às 12:06 pm

Novidade no top 10 do ranking feminino, Madison Keys teve uma evolução trabalhada a várias mãos. Em curto espaço de tempo, a jovem americana de 21 anos trocou várias vezes de técnico. O que para muita gente é um processo caótico e confuso não afetou o trabalho para Keys, que em nenhum momento mudou a essência de seu jogo.

Keys trabalhou com três técnicos diferentes só este ano.

Keys trabalhou com três técnicos diferentes só este ano.

Formada pela academia de Chris Evert, na Flórida, Keys trabalhou anteriormente com dois técnicos da USTA Juan Todero e Jay Gooding. Ela ficou toda a temporada passada trabalhando ao lado da ex-número 1 do mundo Lindsay Davenport, com quem saltou do 31º para o 18º lugar. A realação terminou amigavelmente ao fim do ano.

Ainda em dezembro de 2015, Keys anunciou o recém-aposentado Jesse Levine, que saiu do time em maio. Antes disso, em março, ela passou a contar com a colaboração do sueco Mats Wilander durante o WTA Premier de Miami, mas o ex-número 1 sequer ficou com ela até o final do torneio. No final de abril, chegou o também sueco Thomas Hogstedt. E logo no primeiro torneio da parceria, já uma vaga na final de Roma, no saibro. Posteriormente, oitavas em Paris e título na grama de Birmigham.

Se o cargo de treinador tem sido difícil de manter, o segredo pode estar na preparação física. Keys está há praticamente um ano com o renomado Scott Byrnes, que já trabalhou com Ana Ivanovic, Maria Sharapova e Victoria Azarenka. Em entrevista à jornalista Courtney Nguyen para o site da WTA, Keys explicou sobre o quanto o trabalho com Byrnes é decisivo.

“Uma peça-chave no trabalho com Scott Byrnes é que ele me ajudou a ficar muito mais forte e isso é muito importante para mim. Quando digo ficar mais forte, falo no sentido de ser capaz de aguentar mais tempo e sentir que posso dar tudo em quadra. Então eu sei que estou fisicamente pronta para jogar o tempo que for preciso”.

“Trabalhamos em coisas diferentes para cada fase da temporada. Antes de jogar no saibro, focamos muito na aeróbica. Antes da temporada de grama, vamos trabalhar muito mais na parte de força, porque jogamos muito mais no primeiro ataque. Essas pequenas coisas me ajudaram muito”.

Keys é a sétima tenista mais jovem a ter vencido um jogo de WTA, por ter avançado uma rodada no torneio de Ponte Vedra Beach em 2009, com apenas 14 anos. A entrada no top 100 aconteceu em janeiro de 2013 e a vaga no top 50 veio seis meses depois. Em junho de 2014, o primeiro título de WTA na grama inglesa de Eastbourne e seu nome ganhou o grande público com a semifinal do Australian Open do ano passado.

Desde o começo, Keys chamou atenção pela velocidade e percentual de acerto de saque, além da potência dos golpes, especialmente com o forehand, recursos que sempre à ela ter iniciativa nos pontos. A americana tenista que faz com que o jogo esteja sempre “nas mãos dela” e mão é raro em suas vitórias ver um banho de winners.

stats_keys

Americana costuma aplicar diferenças consideráveis em números de winners (Reprodução/TennisTv)

Curiosidade – Desde que Serena Williams entrou no top 10 pela primeira vez em 1999, nenhuma outra americana havia rompido a barreira das dez melhores. Mais que isso, nos últimos 25 anos, somente cinco americanas conseguiram entrar no top 10: Lindsay Davenport em 1994, Chanda Rubin em 1996, Venus Williams em 1998, além das já citadas Serena e Keys.

Molecada sobe no ranking – A atualização do ranking masculino desta segunda-feira foi bastante positiva para a nova geração do circuito, já que seis jogadores atingiram suas melhores marcas na carreira. Dentro do top 100, Nick Kyrgios é 18º, Alexander Zverev ocupa o 28º lugar e Kyle Edmund aparece na 68ª posição. Abaixo, Quentin Halys é o 142º, Frances Tiafoe é o 166º e Stefan Kozlov é o 176º. Além de todos estes, Taylor Fritz manteve o 63º lugar, que era o recorde pessoal alcançado na semana anterior.