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Muitos degraus acima
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 7, 2017 às 9:56 pm

A cada semana fica cada vez mais evidente a diferença de Alexander Zverev para os demais jogadores de mesma faixa etária. O título no ATP 500 de Washington ajuda o alemão de 20 anos a se consolidar entre os principais nomes do circuito. Já são quatro conquistas no ano, incluindo um Masters 1000, e cinco finais disputadas, além de uma evolução notável em todos os pisos e o melhor ranking da carreira ao atingir o oitavo lugar. Não dá para chamar Zverev de Next Gen mais. O alemão é uma realidade.

Tamanha diferença fica bem clara no ranking de jogadores com até 21 anos, que a ATP criou a partir desta temporada para estabelecer os jogadores classificados para o Next Gen Finals. Zverev já acumula 3.165 pontos na temporada e tem 2.285 pontos de vantagem para o segundo colocado, o russo Karen Khachanov, que somou 880 pontos desde janeiro. Ainda para efeito de comparação, com o mais próximo perseguidor, Khachanov é o 30º na lista da ATP e o 33º da temporada.

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Ainda com base na corrida para Milão, dá para destacar que Zverev fez mais pontos no ranking que Karen Khachanov, Andrey Rublev, Daniil Medvedev e Borna Coric somados. Os três russos e o croata acumularam juntos 2.967 pontos no ano. Ele também tem mais títulos de ATP que os quatro primeiros concorrentes somados, 5 a 3. Até mesmo o número de vitórias no ano é desigual, com 41 para o alemão, contra 21 de Khachanov, 10 de Rublev, 20 de Medvedev e 14 de Coric.

Desde Juan Martin Del Potro em 2008 que um jogador com menos de 21 anos conquistava quatro torneios na mesma temporada. Zverev é o quarto jogador que mais pontuou em 2017, que não terá mais Novak Djokovic nem Stan Wawrinka em quadra até o fim do ano. Nesse cenário, é bastante possível que o alemão se classifique para ATP Finals, em Londres, a partir do dia 12 de novembro.

Durante a campanha para o título do Masters de Roma, Zverev havia dito que tentaria jogar as duas competições no fim do ano. O fato de o evento de Milão ter um caráter mais de exibição e de teste de novas regras pode até aumentar as chances de ele entrar em quadra, mas não acho que um tenista entre os oito melhores do mundo abriria mão da semana de treinos logo antes do Finals. Madison+Keys+Bank+West+Classic+Day+7+8qgy3wv_J_jl Outro título para a nova geração veio com Madison Keys. A norte-americana de 22 anos conquistou o WTA Premier de Stanford ao vencer uma final caseira contra CoCo Vandeweghe. O terceiro título da carreira de Keys foi o primeiro desde as duas cirurgias que fez no punho esquerdo. Ela operou em novembro do ano passado e perdeu os dois primeiros meses da temporada para voltar em Indian Wells, mas precisou de mais uma cirurgia depois de Roland Garros para corrigir os efeitos da primeira.

Chamou atenção a evolução incrível da americana ao longo da semana. Em seu primeiro set no torneio, contra a pouco conhecida Caroline Dolehide, de 18 anos, Keys anotou apenas um winner e fez 11 erros, tendo bastante dificuldade com backhand e parecia que pensar primeiro em não sentir dor que construir os pontos. Aos poucos, ela foi retomando o nível e confiança, chegando à atuação de gala contra Garbiñe Muguruza na semi e o jogo sólido e sem ter o serviço quebrado contra Vandeweghe na final.

Depois do título e da recuperação de posições no ranking, Keys fez uma escolha inteligente de pular o Premier de Toronto. A americana não tem pontos a defender na semana e como não seria cabeça de chave teria que atuar já na terça-feira, só dois dias depois da final. O melhor a fazer agora é se prevenir de novas lesões para jogar sem dor e voltar ao melhor nível. Mais destaques da nova geração DGhOJYyUMAE2p57 Outro jovem destaque da última semana foi Thanasi Kokkikanis, australiano de 21 anos que foi finalista do ATP 250 de Los Cabos. A campanha de 150 pontos o fez subir do 454º para o 220º lugar do ranking, ainda distante da 69ª colocação que atingiu em junho de 2015, antes de sofrer com uma série de lesões. Kokkinakis operou o ombro direito em 29 de dezembro de 2015. Ele só voltaria às quadras em agosto do ano seguinte, nas Olimpíadas, onde disputou sua única partida no ano e desistiu do US Open e de torneios subsequentes por lesão muscular no peitoral. Já em 2017, o australiano começou o ano sendo campeão de duplas no ATP de Brisbane ao lado de Jordan Thompson, mas sentiu uma lesão no músculo abdominal durante a partida decisiva e só voltou a competir em maio, no challenger de Bordeaux. Desde então, ele já recuperou mais de setecentas posições.  

No feminino, quem brilhou foi Bianca Andreescu. A canadense de 17 anos subiu 23 posições depois de chegar às quartas de final em Washington e já aparece no 144º lugar, a melhor marca de sua carreira. A vitória mais expressiva da semana foi sobre a número 13 do mundo Kristina Mladenovic. Isso faz dela a primeira jogadora nascida em 2000 a ganhar de uma top 20. Andreescu, como o próprio nome sugere, é filha de imigrantes romenos, mas já nasceu no Canadá e é treinada pela francesa Nathalie Tauziat, ex-número 3 do mundo.

Já no circuito challenger, o espanhol de 20 anos Jaume Munar conquistou seu primeiro título no piso duro de Segovia. O resultado o fez subir mais de cem posições no ranking até o 200º lugar, sua marca mais alta na carreira. A cidade é especial para o tênis espanhol, já que foi lá que Rafael Nadal venceu seu primeiro challenger.

Nova geração brasileira 

A nova geração brasileira teve como destaque na última semana. O paranaense de 17 anos Thiago Wild fez sua melhor campanha em um torneio profissional ao chegar à semifinal do future de Piestany, na Eslováquia, chegando a derrotar o húngaro Mate Valkusz, ex-líder do ranking juvenil.

A parceria de Marcelo Zormann e Rafael Matos ficou com o vice-campeonato de duplas em future na Cidade do Porto, enquanto a paulista que treina nos Estados Unidos Luisa Stefani foi campeã de duplas na cidade espahola de Segovia, conquistando o terceiro título seguido. Quem atua nesta semana é a turma de 14 anos, que disputa o Mundial da categoria em Prostejov, na República Tcheca

Top 100 tem só dois com menos de 20 anos
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 28, 2016 às 4:53 pm

O ranking da ATP divulgado nesta segunda-feira é considerado o Year-End pela entidade que comanda o circuito masculino. Isso porque não há mais competições da ATP e nem mesmo de torneios de nível challenger até o final do ano. No máximo, acontecerão alguns futures que afetam jogadores abaixo dos cem melhores. Com isso, já é possível traçar alguns dados da nova geração.

O número de jogadores com menos de 20 anos terminaram a temporada dentro do top 100 foi reduzido de quatro para dois atletas. Os únicos nesta faixa etária ao final de 2016 são Alexander Zverev e Taylor Fritz, ambos com 19 anos. O alemão encerra a segunda temporada seguida entre os cem melhores e saltou do 81º para o 24º lugar, enquanto o americano entrou no top 100 em janeiro e hoje é o 76º colocado.

Dos outros três teenagers/adolescentes que terminaram 2015 no top 100, apenas Borna Coric continua. O croata que completou 20 anos neste mês de novembro teve uma leve queda do 45º para o 48º lugar, mas está sem jogar desde setembro por uma lesão no joelho direito, operado no mesmo mês.

Menos sorte ainda tiveram Hyeon Chung e Thanasi Kokkinakis. O sul-coreano ficou os meses de junho, julho e agosto sem jogar por lesão abdominal e mesmo com dois títulos de challenger no fim do ano, caiu do 51º para o 104º lugar. Já o australiano, que operou o ombro em dezembro de 2015, só disputou uma partida este ano (nas Olimpíadas) e está atualmente sem ranking. Ex-número 69, Kokkinakis era o 78º colocado no fim do ano passado.

Dois jovens americanos Frances Tiafoe e Jared Donaldson, entraram no top 100 durante a temporada, mas não sustentaram as posições, enquanto dois jovens russos chegaram à essa faixa já com 20 anos completos, Karen Khachanov e Daniil Medvedev e conseguem fechar a temporada entre os melhores.

Outro parâmetro que a ATP tem usado para medir sua renovação é  a NextGen/Nova Geração, que engloba os jogadores com menos de 21 anos que aparecem entre os 200 melhores do mundo. Nessa lista, são 22 atletas com potencial para ficar entre os cem melhores em pouco tempo, além da inclusão do próprio Kokkinakis.

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Dados: ATP Media Information

Adolescentes venceram 13 challengers

Se o número de jogadores com menos de 20 anos no top 100 diminuiu, os títulos de chalenger se mantiveram. Assim como em 2015, foram treze conquistas para ateltas nesta faixa etária. Para efeito de comparação, foram apenas seis em 2014.

Esses treze títulos foram conquistados por 12 jogadores diferentes, já que o americano de 18 anos Frances Tiafoe venceu dois torneios. Também triunfaram Casper Ruud, Taylor Fritz, Max Purcell, Andrey Rublev, Stefan Kozlov, Michael Mmoh, Reilly Opelka, Quentin Halys, Blake Mott, Karen Khachanov, Maxime Janvier.
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A ATP também levantou o número de títulos de challenger da Nova Geração. Nessa conta, foram doze jogadores conquistando dezessete torneios: Taylor Fritz, Andrey Rublev, Frances Tiafoe (dois títulos), Stefan Kozlov, Quentin Halys, Karen Khachanov, Samarkand, Elias Ymer, Ernesto Escobedo (dois títulos), Hyeon Chung (dois títulos), Daniil Medvedev, Yoshihito Nishioka (dois títulos) e Kyle Edmund (dois títulos).

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CiCi Bellis subindo

CiCi Bellis venceu torneio no Havaí e já 75ª colocada na WTA aos 17 anos

CiCi Bellis venceu torneio no Havaí e já 75ª colocada na WTA aos 17 anos

A WTA adota como Year-End Ranking o do dia 7 de novembro, logo após o Elite Trophy em Zhuhai. Seis atletas com menos de vinte anos apereciam entre as cem melhores daquela lista: Naomi Osaka, Ana Konjuh, Jelena Ostapenko, Belinda Bencic, Daria Kasatkina e Catherine Bellis.

Destaque para o caso de Bellis, que há três semanas tinha acabado de entrar no top 100 e ocupava o 90º lugar. Como ela continuou jogando competições menores, e neste domingo venceu um torneio de US$ 115 mil dólares no Havaí, a jovem jogadora de 17 anos deu novo salto no ranking e vai começar 2017 na 75ª posição.

Décamps campeão

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Gabriel Décamps venceu ITF G1 no México e terá o melhor ranking juvenil da carreira

O paulista de 17 anos e 1,93m Gabriel Décamps teve uma grande semana no México e foi campeão da Yucatan Cup, torneio ITF G1. Com o título, ele somou 150 pontos (e tinha apenas 30 a descartar), que foram suficientes para bater o melhor ranking da carreira e aparecer pela primeira vez entre os 30 melhores juvenis do mundo.

Hoje, Décamps é o 27º de sua categoria e também aparece no sétimo lugar entre os que mais pontuaram na corrida para o ITF Junior Masters de 2017, que será disputado na China.

Durante a semana, o paulistano treinado por William Kyriakos bateu os dois principais nomes do torneio, com destaque para a vitória nas quartas de final sobre o sérvio Miomir Kecmanovic, que havia assumido o primeiro lugar no ranking juvenil há uma semana.

Dados da ATP: Os dados utilizados na primeira parte do post sobre o número de jovens com títulos de challenger e a lista de jogadores com até 21 anos no top 200 são do Media Guide do circuito challenger, que é atualizado semanalmente (durante a temporada) e tem uma série de outras informações interessantes. Vale a pena conferir.

Keys lidera nova geração no Rio e luta por medalha
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 5, 2016 às 9:15 pm

Expoentes da nomes da nova geração do tênis mundial estão no Rio de Janeiro para o Torneio Olímpico de Tênis, que começa neste sábado. Todos disputam as Olimpíadas pela primeira vez. Se a maioria aparece longe da briga por medalhas, Madison Keys é exceção e tem boas chances de ficar nos primeiros lugares.

De volta ao top 10, Keys tem chave boa na luta por medalhas.

De volta ao top 10, Keys (à direita) tem chave boa na luta por medalhas. (Foro: ITF)

De volta ao top 10 depois do vice-campeonato no WTA Premier de Montréal, Keys entrou como cabeça 7 no Rio, já que Victoria Azarenka e Simona Halep estarão ausentes. A americana de 21 anos estreia contra a montenegrina Danka Kovinic à 11h (de Brasília) deste sábado, mas ainda assim pretende desfilar na Cerimônia de Abertura no Maracanã. Para segunda fase, ela pode ter pela frente a ucraniana Lesia Tsurenko ou a francesa Kristina Mladenovic.

O bom saque e a potência nos golpes da americana a deixam na posição de favorita em possíveis oitavas contra Carla Suárez Navarro, ou mesmo na troca de pancadas de fundo com Ana Ivanovic. Já na reta final da disputa por medalhas, Agnieszka Radwanska é o nome mais forte para as quartas e Angelique Kerber em possível semi.

Entre as jovens que podem se destacar no Rio também está Jelena Ostapenko, letã de 19 anos e 41ª do mundo que desafia Samantha Stosur na estreia e aparece como possível rival de Kerber nas oitavas. Já a russa de 19 anos Daria Kasatkina, 27ª colocada, é favorita na estreia contra a tunisiana Ons Jabeur e pode enfrentar Radwanska já na segunda rodada.

A estreia de Serena Williams também promete um jogo difícil. A melhor tenista do mundo será desafiada pela australiana de 22 anos Daria Gavrilova, 46ª do ranking e que já acumula seis vitórias contra top 10. Outro destaque fica para o duelo entre Eugenie Bouchard e Sloane Stephens neste sábado, na quadra 3, que definirá a adversária de Kerber na segunda fase.

Desfalques e retorno no torneio masculino

Thanasi Kokkinakis volta às quadras depois de dez meses parado por lesão no ombro direito (Foto Paul Zimmer/ITF)

Thanasi Kokkinakis volta às quadras depois de dez meses parado por lesão no ombro direito (Foto Paul Zimmer/ITF)

Com as ausências de Nick Kyrgios, Dominic Thiem, Alexander Zverev e Taylor Fritz, a nova geração masculina conta com Kyle Edmund, Borna Coric e Thanasi Kokkinakis no Torneio Olímpico de Tênis.

Entre os três, Edmund é quem tem um começo de torneio menos ingrato. O britânico de 21 anos e 83º do ranking estreia contra o australiano Jordan Thompson por volta de 12h30 (de Brasília) neste sábado na quadra 8, e pode enfrentar Jack Sock ou Taro Daniel na segunda fase, antes de ter Novak Djokovic ou Juan Martin Del Potro pela frente.

Borna Coric, 51º do ranking aos 19 anos, encara o cabeça 15 francês Gilles Simon, por volta de 15h30 (de Brasília) na quadra 1. Jogo duríssimo, mas “ganhável” e depois seria favorito contra Brian Baker ou Yuichi Sugita. Em possíveis oitavas, Rafael Nadal é o principal concorrente.

Já Kokkinakis volta a competir depois de dez meses parado para operar o ombro direito e enfentará o português Gastão Elias, que provavelmente passará tranquilo pela estreia no Rio.