O ano mágico de Guga, sob outro olhar
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 19, 2017 às 8:29 pm

Antes tarde do que nunca. Aliás este texto já estava escrito em minha mente desde o dia 8, data do 20º aniversário da primeira conquista de Gustavo Kuerten em Roland Garros. Faltava apenas ‘put down in words’ como diz a música Your Song de Elton John. Já li, ouvi muitas histórias sobre este ano mágico de Guga em Paris. Mas decidi contar sob meu olhar, de repórter especializado em tênis.

Desde 1985 já frequentava Roland Garros, como enviado especial do jornal O Estado de S. Paulo. A cobertura ‘in loco’ de um torneio tão importante era revelada em histórias diárias, sempre com traços marcantes, diferente do que era feito por ‘telex’ ou hoje em dia pela Internet. As reportagens eram assinadas pela cor local, a visão direta e aguçadas por curiosidades de bastidores. Um bom produto, sem dúvida nenhuma.

A cobertura de 1997 começou com um detalhe dos mais interessantes contado carinhosamente no livro ‘Saibro Suor e Glória’ de autoria de Renato Maurício Prado, jornalista que também estava em Roland Garros naquele ano. Ele apareceu no complexo no dia da estreia de Guga. Só que Fernando Meligeni também estava em ação, diante de Javier Frana, justamente na quadra ao lado. Renato estranhou o fato de eu não estar acompanhando o jogo do Fininho, na época, o melhor brasileiro. Expliquei que Betão (ex-tenista brasileiro, Roberto Jábali) havia me contado que Kuerten estava jogando excepcionalmente bem. Solto e com fortes golpes de direita e esquerda. E, por isso, fiquei de olho nele. Era um desafio e tanto contra Slava Dosedel. Este adversário apresentava um estilo que complicava a vida do brasileiro, com golpes retos, pouco efeito e bons saques. Só que – nunca ninguém falou – mas sem tirar os méritos da vitória, Dosedel parece ter entrado em quadra apenas pelo ‘prize money’. Com nítido problema físico, não conseguia sacar direito e quis o destino que abrisse então as portas para a épica campanha de Guga Kuerten em 1997.

Enfim, Guga havia conseguido a primeira vitória em Roland Garros. No ano anterior, ele também tinha jogado a chave principal, mas não havia passado por Wayne Ferreira, em um jogo bastante equilibrado. Conheci Kuerten anos antes, em Wimbledon. Era um meninote e fui entrevistá-lo para boletins da Rádio Eldorado. Fiquei impressionado com sua desenvoltura ao falar. Sua mãe, Dona Alice, que também estava em Londres neste ano explicou-me que Larri Passos já o treinava e também o ensinava a como se comportar diante de um microfone. E não é que o meninote transformou-se num grande jogador e muito comunicativo!

A saga de Guga em Roland Garros daria um livro. Numa rápida passagem, a segunda rodada de 1997 foi para a quadra 3, que fez Larri chorar com as lembranças de quando treinava Andrea ‘Dadá’ Vieira. Veio uma vitória chave também, diante do sueco Jonas Bjorkmann. Na sequência Thomas Musters. Na manhã do jogo, cruzei com Pardal (Ricardo Acioly) na saída do hotel e ele disse categoricamente: “Guga vai ganhar”.

Depois veio Andrey Medvedev, num jogo que começou num dia e terminou no outro. Foi na quadra A, hoje Suzanne Lenglen. E Guga não poderia imaginar que tinha uma “falsa namorada” dele sentada ao meu lado e de Armando Nogueira. Várias histórias curiosas  marcaram os encontros com Evgeny Kafelnikov – na época conhecido como a metralhadora Kalashikov – com Filip Dewulf, hoje meu colega, e a final com Sergi Brugera. Ventava tanto naquele 8 de junho de 1997, que minha lente de contato saiu do olho e não vi o match point.

 

 

Roland Garros reserva grandes duelos para a segunda semana
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 4, 2017 às 8:00 pm

Nada se compara ao clima eletrizante da primeira semana de um Grand Slam. Muita agitação em todas as quadras, jogos emocionantes por todos os lados e um agito gostoso. Agora, as maiores emoções se fecham nos palcos principais, para um público mais limitado, porém, com duelos que deixam enormes expectativas,

Na chave masculina de Roland Garros o quadro inferior colocou alguns dos principais favoritos em rota de colisão. E chegou o momento destes duelos acontecerem. Rafa Nadal pelo que vem mostrando não deve encontrar muitos problemas para superar mais um espanhol. Terá pela frente Pablo Carreno Busta, fugindo dos tiros e saques violentos de Milos Raonic, que caiu na última rodada. Em busca do décimo troféu dos Mosqueteiros nem mesmo terá de desafiar Grigor Dimitrov, que também não parece ser páreo par o rei do saibro em Roland Garros.

É claro que as maiores expectativas ficam para o encontro de Novak Djokovic com Dominic Thiem. Enquanto o atual campeão, número dois do ranking, vive momentos de instabilidade, o jovem austríaco esbanja tênis e um preparo físico impressionante no alto de seus 23 anos. Chega em todas as bolas com incrível eficiência.

A tentativa de uma parceria com Andre Agassi não rolou como Djokovic gostaria. Voltou a ter nas arquibancadas o guru espiritual Pepe Imez, que na minha opinião deve estar mais complicando sua cabeça do que ajudando, e a família. Seu pai, Srdan, era enérgico e exigente com Novak nos seus tempos de formação. Pelos bastidores do mundo do tênis dizem que a ida do tenista para a Alemanha, para treinar com Niki Pilic, também foi uma forma de fugir das broncas e tabefes. Essas lembranças nunca são boas. Vide o exemplo de Andre Agassi, que também tinha um pais enérgico, e admitiu que, por um momento, chegou a odiar a ideia de jogar tênis.

O lado de cima da chave ainda mostra um número 1 sem muita confiança como está atualmente Andy Murray. Sua vantagem, em relação à Djokovic, é que ele conseguiu reunir uma força tarefa para auxiliá-lo em Roland Garros. Mas em seu jogo contra Juan Martin Del Potro estava nítida sua irritação com Jamie Delgado. Pelo menos, ainda tem os conselho de Ivan Lendl.

O próximo desafio de Murray é contra o russo Karen Khachanov, de 21 anos, que é treinado pelo espanhol Galo Branco. O jogo também promete. Stan Wawrinka vem correndo por fora, e muito rápido. Pega Gael Monfils, que não jogou no saibro este ano, por conta de lesão no joelho esquerdo, mas sempre é um adversário difícil. Ainda há um duelo de “big guns” entre Kevin Anderson e Marin Cilic. E o espanhol Fernando Verdasco, cheio de confiança após eliminar Alexnader Zverev, contra Kei Nishikori.

A semana promete e começa intensa já nesta segunda feira.

As novas perspectivas para Roland Garros
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 23, 2017 às 6:07 pm

Os resultados do Masters 1000 de Roma mudaram as perspectivas para Roland Garros. Até então, Rafael Nadal era  “o favorito”. Agora segue como forte candidato, mas passa a ser um dos prováveis vencedores em Paris.

Um Grand Slam tem características próprias. Ninguém vence por acaso. E acredito nisso até mesmo no já antigo caso de Gaston Gaudio superando Guillermo Coria numa final. O jogo em melhor de cinco sets, no saibro, é uma constante provação. Nada se revolve facilmente e especificamente em Paris exige uma boa adaptação. Nos 15 dias do torneio, normalmente uma semana chove – quadras pesadas – e na outra bate sol – superfície mais rápida -.

Este parágrafo acima aparece apenas como uma advertência. O fato de Alexander Zverev ter conquistado Roma, com vitória sobre Novak Djokovic na final, não quer dizer que possa repetir a mesma atuação em Paris. Nem mesmo Dominic Thiem pode ser apontado como rei do saibro, só porque (e por tudo isso) derrotou Rafael Nadal, nas quartas de final do Foro Itálico. A experiência num Grand Slam é importante. São raros os casos como os de Gustavo ‘Guga’ Kuerten ou Michael Chang.

Ainda assim, a nova geração é bem vinda e deixa o Aberto da França com perspectivas de maiores emoções. A chave fica ainda mais importante e gostaria de ver o mais rápido possível o sorteio, marcado apenas para sexta-feira. Esta ansiedade já não pega muito pelo lado feminino. Afinal, sem Serena Williams o torneio está mais aberto do que nunca.

Existe uma verdade no tênis. Os grandes jogadores são vulneráveis em rodadas iniciais. Mas a partir das quartas de final – segunda semana do Slam – tudo fica bem mais complicado. E, por isso, acredito que teremos uma primeira semana das mais emocionantes e talvez surpreendente.

As condições climáticas causam grande interferência em Roland Garros. Ano passado tivemos um torneio dos mais chuvosos. Mas vale lembrar que a quadra central em Paris não tem o nome de Philippe Chatrier por acaso. Ele foi o responsável por uma mudança revolucionária ha história dos quatro Grand Slams. Ex-tenista e como presidente da Federação Francesa por 20 anos foi importante na modernização e no maior interesse mundial por estas competições.

Nos meus primeiros anos de cobertura de Roland Garros, em Paris, testemunhei o interesse de Chatrier em popularizar o esporte. Para isso, precisaria abrir espaço e tirar das mãos de uma elite – que, de certa forma, ainda existe – o acesso a estas competições. Teve uma ideia ousada: dividir o brilho da central. Assim Roland Garros foi o primeiro torneio ater um segundo palco importante, imponente, como a quadra A, rebatizada anos depois como Suzanne Lenglen.

Logo depois os outros Slams seguiram o exemplo e alcançaram a modernidade que, por questões sociais e políticas, ainda não permitiram que Paris tivesse uma quadra central com teto retrátil. Assim, para os mais conservadores, Roland Garros seguirá sendo o desafio a céu aberto.

O intrigante caso de Sharapova com a FFT
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 17, 2017 às 6:24 pm

Um dia depois de a Federação Francesa de Tênis negar wild card para Maria Sharapova deu para reunir um número maior de informações, que colocam em dúvida o acerto ou erro na determinação. Um dos fatos mais intrigantes do recente anúncio refere-se ao discurso do presidente da entidade francesa. Se Bernard Giudicelli estava tão convicto de sua decisão, por que demorou tanto para tempo para divulgar? Criou suspense e expectativa por semanas e semanas. Disse estar embasado na opinião de que os convites podem ser dados para jogadores que estão voltando de lesões, nunca para quem veio de punição por doping. Ele também falou em “valores”. E neste aspecto surge, ao meu ver, uma contradição. O tenista francês Constant Lestienne ganhou WC para o qualifying de Roland Garros, depois de ter cumprido pena de sete meses por corrupção em apostas comprovadamente ilegais em 20 partidas. O dirigente afirmou que Lestienne pagou pelo seu erro. E Maria não pagou?

Há uma obscura situação para esta contradição. Bernard Giudicelli, nascido na Córsega (berço de Napoleão Bonaparte), ilha do Mediterrâneo a oeste da Itália, o que explica seu sobrenome, assumiu o cargo na Federação Francesa, em fevereiro, com a missão de apagar um incêndio. Seu antecessor, Jean Gachassin, não foi reeleito por estar envolvido na máfia dos ingressos para Roland Garros. O antigo dirigente está respondendo a processo. Casos de corrupção já vem de longe na entidade francesa. O ex-presidente Christian Bimes chegou a ser preso em fevereiro de 2009. Mais recentemente, o diretor do torneio Gilbert Ysen também foi afastado, sendo substituído por Guy Forget. O escândalo provocou outras mudanças como a troca de Arnauld Clement por Yannick Noah no comando da equipe da Copa Davis. E pelo que notei em alguns contatos com Paris muitos outros funcionários da Federação também foram afastados.

Os atuais dirigentes estão com um discurso afinado. Guy Forget ao ser perguntado sobre as ausências de Serena Williams e, agora, Maria Sharapova, disse que o torneio é maior do que os interesses das jogadoras.

Em meio a este cenário, Maria Sharapova parece ter sido vítima destes novos tempos da Federação Francesa. Mas a jogadora preferiu não criticar Roland Garros e escreveu no seu twitter : “If this is it takes to rise up again, then I am in it all the way, everyday. No words, games, or actions will ever stop me from reaching my own dream. And I have many”, disse a cinco vezes campeã de Grand Slam, sendo dois em Paris, com 30 anos de idade.

O outro lado da vida de Maria
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 4, 2017 às 6:47 pm

Debaixo de críticas, em razão do wild card concedido a Maria Sharapova, o diretor do torneio de Madri, Gerard Tsobanian, justificou o convite com declarações contundentes. Disse que a tenista russa não é só uma jogadora, mas sim uma campeã. E que se trata de uma grande estrela com títulos importantes e, por isso, merece atenção especial. Concluiu afirmando que ela nasceu para competir e vencer.

Tsobanian fala com a autoridade de quem conhece o outro lado da história de Maria Sharapova. É um caminho diferente dos inúmeros títulos, dos fortes patrocínios e da glamorosa vida da beldade russa.

Particularmente já escrevi sobre estes detalhes pouco falados da vida de Sharapova no Estadão. Há muitos anos no torneio de Miami, comovida pelo seu sucesso na Flórida, ela abriu o coração e revelou como foram seus primeiros dias nos Estados Unidos. Um desafio e tanto, numa luta solitária e com  episódios quase diários de perseguição e  discriminação. O assunto rendeu uma reportagem de enorme repercussão na época. Foi uma surpresa ao público saber que ela tinha passado por tantas agruras na sua infância.

Voltei ao assunto no site do Bandsports, sob o título de a “vida de sacrifícios de Maria”. Segundo o então diretor do canal, Evandro Figueira, também uma reportagem com particular repercussão e interesse. Além, é claro, de muita gente boquiaberta com os fatos que envolveram a formação da tenista russa.

Vale a pena voltar ao tema, não para justificar os wild cards que Maria Sharapova recebeu em Stuttgart, ganhou em Madri e receberá em Roma. Isso já foi bem argumentado por Gerard Tsobania. Mas sim pelo lançamento do livro intitulado Unstoppable, em que a tenista revela fatos jamais respondidos em entrevistas, mas, sem dúvida, já bastante especulados pela mídia.

A figura que mais me marcou nos primeiros anos de Sharapova e que expus nas reportagens já divulgadas no Estadão e Bandsports foi dramática ao meu ver. Disse que assim como uma criança é abandonada em um cesto à porta de uma residência de uma família para ser criada, refletia a situação em que Sharapova foi levada a treinar na Academia de Nick Bollettieri. Mas o tom é ainda mais forte.

A cena descreve um pai e uma garota de apenas sete anos buscando um sonho. Os dois descem de um ônibus da famosa empresa americana Greyhound à porta da Academia de Nick Bollettieri na Flórida. Tocaram a campainha… ambos não falavam  inglês e tinham apenas 700 dólares no bolso. E assim deram início a louca aventura de Maria Sharapova, uma das maiores estrelas do tênis.

É muito intrigante como estas coisas acontecem no tênis feminino. A ex-número um do mundo, Martina Hingis, recebeu este nome em homenagem a Martina Navratilova. Da então Tchecoslováquia sua mãe mudou-se para a Suíça e transformou a filha numa grande estrela. Mais incrível ainda com Jennifer Capriati. Seu pai, Stefano, viajou com a esposa grávida para os Estados Unidos. A filha nasceu em solo americano e foi treinar com o pai de Chris Evert, como planejado, e Capriati também transformou-se numa excelente jogadora.

Maria Sharapova teve o mesmo destino. Dez anos depois de tocar a campainha na Nick Bollettieri, ela, aos 17, conquistou o título de Wimbledon, com vitória na final de 2004 sobre Serena Williams. Assim que terminou o jogo, a jovem campeã pegou um celular e ligou para sua mãe, Yelena, que sem conseguir visto americano ficou vários anos sem ver a filha. Conversou emocionada. Mas não se safou das primeiras críticas. Disseram que a ligação foi uma jogada de marketing. Afinal, alguns dias depois recebeu patrocínio de uma marca de celulares, que entre os seus tons de chamadas tinha um com os gritinhos em quadra de Maria Sharapova. Esta é a vida de quem faz sucesso…

 

 

La decima de Nadal e a volta de Sharapova
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 24, 2017 às 7:57 pm

Admirável a 10a, conquista de Rafael Nadal em Monte Carlo e o 50. título no saibro. O espanhol espelha a tenacidade. Supera mais uma vez um obstáculo, como tantos outros em sua carreira. Mais uma história de superação desse jogador. Lembro que em uma de suas inúmeras paradas, ele esteve tão desanimado com o físico que chegou a cogitar a possibilidade de trocar de esporte. Disse que iria tentar o golfe, modalidade que pratica nas horas vagas e joga como destro.

O 10. troféu no Principado de Mônaco coloca Nadal naturalmente como o principal  favorito à Roland Garros. Mas, para surpresa de muitos, não vejo assim. Confesso que não sei se o espanhol passaria por David Goffin, em condições normais. O belga perdeu a cabeça e seu jogo foi embora.

Portanto, Rafael Nadal é um dos favoritos para Roland Garros, mas não o. O espanhol está jogando bem, mas não apresenta mais a superioridade de outros tempos. Enfim, essas semanas serão desgastantes na temporada europeia de saibro, com muitos detalhes a serem reveladas para o mais importante torneio da chamada terra batida.

Sharapova – Nesta quarta feira Maria Sharapova fará sua estreia no WTA de Stuttgart como wild card. Até este dia, a tenista russa cumpre a suspensão de 15 meses. E, por isso, não pode sequer entrar no local da competição. Treina fora.

Para que ela pudesse jogar na Alemanha, a organização do torneio teve de pedir uma autorização especial para a WTA permitir que só fizesse sua estreia um dia além, justamente na quarta feira. Ora, isso demonstra um aval da Associação Feminina de Tênis à sua volta. Além disso, a força da grana fala forte. Sharapova é embaixatriz da marca alemã Porsche, principal patrocinador do WTA de Stuttgart.

Sua volta ao circuito é festejada por muitos, mas sofre críticas especialmente de suas colegas. Aga Radwanska não deu boas vindas à russa. Muito pelo contrário disse que acha estranho o fato de uma jogadora punida por doping ganhar wild card. Acho curiosa essa patrulha.

Essas críticas fizeram a Federação Francesa de Tênis a tomar um comportamento discreto sobre um wild card para Roland Garros. Parece que só vai soltar a bomba mais pra frente. Atualizando: segundo a imprensa internacional Sharapova irá sim receber wild card, mas para o qualifying.

Challenger no saibro… Por que não?
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 22, 2017 às 4:14 pm

Impossível dizer se David Goffin ganharia o jogo. Mas, certamente, não teria perdido tão rápido, não fosse o terrível erro do juiz de cadeira Cedric Mourier. O episódio ainda no sexto game do primeiro set, transformou radicalmente o rumo da partida. Até então, o duelo estava equilibrado, com ambos jogadores proporcionando belas trocas de bola. Rafael Nadal foi beneficiado. Afinal, sua bola saiu sim pela linha de base e o placar iria apontar 4 a 2 para o belga. Com a determinação de se disputar o ponto novamente, o game, após muita luta, foi para o lado do espanhol: 3 a 3.

Goffin não conseguiu superar o trauma. E acabou se transformando em presa fácil para Rafael Nadal, que na realidade também não tem culpa pelo acontecido. A bola fora foi do outro lado da quadra, longe de seus olhos.

É curioso que para as tevês exista o gráfico determinando exatamente o local da bola. E pelo que foi mostrado, saiu bastante. Mas tudo poderia sim ser resolvido com uma solução já existente: o challenger.

Até hoje não se usa este recurso nas quadras de saibro, pois a marca da bola é determinante. Ao contrário do que acontece no cimento em que a marca da bolinha não fica por inteiro, portanto, não serve para determinar se foi boa ou não.

Além da marca da bola no saibro já gerar discussões, se existe ou não espaço com a linha, uma outra questão é qual marca foi deixada no último lance? Com o decorrer do jogo o saibro fica cheia delas. E, por isso, o tenista passa o pé nas bolinhas que encostaram na linha – boa – para que no futuro não venha a ser confundida com outra. E esta foi justamente o problema com Cedric Mourier. Ele apontou uma marca, quando outra é que tinha sido mandada por Nadal no ponto.

Por que não usar o challenger no saibro? O recurso é um sucesso, dá um novo tom ao jogo, e o tenista acaba se conformando com o gráfico, embora exista sim possibilidade de erro. Mas não lembro de nenhum jogador que tenha se irritado com isso a ponto de perder a concentração, como aconteceu com David Goffin.

Nadal: o sobrevivente
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 21, 2017 às 7:49 pm

Motivado pelo deca campeonato em Monte Carlo, Rafael Nadal sobreviveu a ‘station de sorcières à Monaco”, como diria a maioria dos monegascos ao se referirem que as bruxas andaram soltas no Principado. Ele é o único dos grandes favoritos que permanecem na competição. E não sem motivo. Afinal, o tenista espanhol tem nesta competição um desafio e tanto: o de conquistar o primeiro título da temporada e anunciar ao mundo do tênis que está pronto para chegar a Paris e também buscar o 10a. Copa dos Mosqueteiros.

Seu caminho até agora foi traçado por uma de suas marcas registradas: a tenacidade. Diante de Diego Schwartzman por pouco não experimentou de seu próprio veneno. O tenista argentino esteve duro, regular e proporcionando trocas de bolas de alto nível. Mas nos momentos decisivos, Nadal mostrou o motivo pelo qual já venceu nove vezes em Monte Carlo.

Agora, nas semifinais, outro duelo e tanto. David Goffin vem em excelente fase. E derrotou Novak Djokovic merecidamente. Aliás, o tenista sérvio vive uma fase instável. O seu recorde de vitórias e derrotas dos últimos anos deixa clara esta situação. Em 2015 ganhou 30 jogos e perdeu dois, de janeiro a abril. No mesmo período em 2016 foram 28 a 2 e agora 14 a 4 Nadal viu assim um obstáculo caído com a derrota de Djokovic. Mas terá certamente muito trabalho à frente diante de Goffin.

A outra semifinal em Monte Carlo por pouco não repetiu a do Brasil Open. Pablo Cuevas esteve a um game de enfrentar Albert Ramos Vinolas, assim como aconteceu em São Paulo. O espanhol, porém,  irá duelar com o francês Lucas Pouille.

É de certa forma compreensível o número de surpresas em Monte Carlo. É muito difícil jogar no Principado, especialmente para as grandes estrelas. Em alguns momentos as arquibancadas estão praticamente vazias. A luz solar também interfere em diversos aspectos. Sinceramente faço o testemunho de quem já esteve neste torneio por diversos anos. Não o vejo como um Masters 1000, mas Mônaco tem dessas coisas e, por isso, mantém também uma etapa da Fórmula-1. Um detalhe, porém, chamou atenção. O jogo de Nadal e Schwartzman terminou com luz artificial. Será que isso não seria uma boa para Roland Garros, enquanto o Grand Slam francês não cobre a quadra central?

O mundo encantado de Nadal
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 20, 2017 às 6:19 pm

Alguns lugares são mágicos especiais para diversos jogadores. Fico imaginando o que não passa pela cabeça de Gustavo Kuerten toda vez que cruza os portões da Avenida Gordon Bennet, em Paris, e caminha para Roland Garros. Vejo que o ‘mundo encantado’ de Rafael Nadal está em Monte Carlo. Ele mesmo declarou esta semana sua paixão pelo torneio, que marcou uma de suas primeiras grandes conquistas. Agora, em 2017 segue com esperanças de realizar uma verdadeira façanha para celebrar o 10. troféu no Principado de Mônaco.

Estes lugares são tão especiais que podem exercer uma força maior no espírito do jogador. Monte Carlo e Roland Garros – também Barcelona –  provavelmente fazem Rafael Nadal chegar a superação. É fato que o espanhol não está no seu melhor. Longe ainda do seu mais alto nível de seu tênis. Mas, enquanto outros favoritos escorregaram na terra batida de Monte Carlo, ele passou, sem problemas, por um adversário difícil como Alexander Zverev. Foram dois sets por 6 a 1, quando em outros dois encontros o tenista espanhol chegou até mesmo a salvar match point em um deles.

É claro que as condições de Monte Carlo são favoráveis ao espanhol. Saibro pesado, nível do mar. Mas existem fatos que comprovam uma força maior. Derrotar Rafael Nadal é uma coisa, vencê-lo em torneios como Monte Carlo e Roland Garros é outra.

Salve Serena – Agora já é oficial: Serena Williams está grávida de 20 semanas e apareceu em alegre foto ao lado de Alexis Ohanian, o futuro pai. Segundo anunciou a assessora da tenista, Kelly Buch Novak, Serena está fora da temporada de 2017, mas pretende voltar às quadras em 2018.

Um detalhe chamou minha atenção. Mas antes de qualquer especulação vou plagiar o Tadeu Schmidt no “sabe o que isso quer dizer… nada”. Serena postou foto grávida no dia 19 de abril, dia de aniversário de Maria Sharapova. Aliás, a Federação Francesa de Tênis deverá anunciar no dia 15 de maio, um wild card para a tenista russa disputar o Aberto da França.

 

A caminho de Roland Garros
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 17, 2017 às 5:52 pm

É muito grande a expectativa pela campanha de Rafael Nadal no Masters de Monte Carlo. O tenista espanhol não ganhou títulos este ano, mas também não se pode dizer que esteja jogando mal. Chega agora ao seu ‘ganha pão’, ou seja, a charmosa temporada europeia de quadras de saibro que culmina em Roland Garros.

Rafa Nadal tem nove títulos de Monte Carlo, nove de Roland Garros e nove de Barcelona. Pode sim chegar ao décimo em todos. Não se deve  jamais duvidar da atuação do espanhol nas quadras da chamada terra batida.

Aliado a incontestável performance de Nadal no saibro, ainda existe dúvidas sobre o momento dos líderes do ranking. Tanto Andy Murray, como Novak Djokovic não repetem as atuações do ano passado. Ambos retornam às quadras no Principado de Mônaco sem grandes perspectivas. Porém, dois jogadores dessa categoria jogando sem pressão, tornam-se ainda mais perigosos.

O suíço Roger Federer está fora de ação. Vive um impasse. Por ele, acho que não jogaria Roland Garros. Seu foco está nas quadras de grama. Mas não jogando em Paris ficaria muito tempo longe das competições, o que poderia comprometer seus objetivos.

O terreno está preparado para Nadal. Mas não se pode descartar que o caminho ainda é longo para o espanhol. A competição reúne outros grandes talentos, que podem sim atrapalhar os planos do rei do saibro..

Enfim, a temporada mais charmosa do tênis está apenas começando. São apenas os primeiros passos no caminho até Roland Garros. A expectativa é grande para o saibro europeu, em cenários dos mais atraentes e alguns dos mais tradicionais do tênis.