Author Archives: Chiquinho Leite Moreira

Federer revela o segredo do bh matador
Por Chiquinho Leite Moreira
março 16, 2017 às 3:26 pm

É claro que por trás do backhand matador de Roger Federer, em seu duelo com Rafael Nadal, existe um talento enorme e incrível genialidade. Mas, após o jogo, em Indian Wells, o tenista suíço revelou muita humildade ao comentar a eficiência de sua esquerda, que nas partidas contra o espanhol era seu calcanhar de Aquiles. Ele creditou a atual eficiência à troca de raquete. Passou a usar um modelo maior e praticamente eliminou as ‘madeiradas’ de outros tempos.

O próprio Federer mostrou-se surpreso com a precisão de seu backhand. Admitiu que nunca tinha conseguido tamanha eficiência, deixando transparecer que a melhora neste golpe veio de forma natural.

Acrescido a tudo isso, existiu sim uma atitude de coragem de Federer neste jogo diante de Nadal. O suíço praticamente não usou o seu eficiente slice e partiu para a bola de forma franca e decidida. Portanto, não se pode dar – como fez Federer – todos os créditos ao equipamento pela excepcional performance do suíço.

A mudança de raquete de Federer foi quase uma novela. Fez inúmeros testes e chegou a jogar com o modelo maior. Só que os resultados não vieram a contento. E então o tenista voltou ao equipamento antigo.

Assim, o período em que ficou em recuperação de cirurgia, contou-me um jornalista suíço, foi decisivo para o ex-número um do mundo convencer-se de que poderia e deveria ter em mãos uma ferramenta com maior “forgiveness”, ou seja, que aceita pequenos erros e imprecisões no golpe.

Para alguns tenistas existe uma relação de amor com a  raquete. Em outros tempos, o norte-americano Jimmy Connors fez da T-2000  sua Excalibur. Quando o equipamento saiu de linha nos anos 80, Jimbo, como era conhecido o tenista, fez campanha mundial e ofereceu grana alta para quem tivesse uma raquete igual. Mas de nada adiantou o estoque. Connors logo passou a usar um modelo de grafite.

Não há dúvidas de que equipamentos cada vez mais sofisticados são importantes para o bom desempenho de um tenista. Mas também não são decisivos. O atual bom momento de Federer está ligado a uma série de ingredientes. Um deles é a forma solta e descontraída que vem demonstrando em quadra. Outro é como o suíço está olhando sua carreira, no alto de seus 35 anos.

Murray agora só nas duplas
Por Chiquinho Leite Moreira
março 12, 2017 às 5:47 pm

Incrível, mas Andy Murray, o tenista número um do mundo, voltou a cair diante de um voleador. Assim como já havia acontecido no jogo com Mischa Zverev, agora o escocês é eliminado na sua estreia em Indian Wells  para o canadense com nome de remédio Vasek Pospisil. Jogador ágil junto à rede, veio do qualifying e conquistou a maior vitória de sua vida no Masters 1000 da Califórnia. Talvez os voleios sejam o caminho mais rápido para acabar com a soberania de Murray. Só que entre os grandes só vejo condições em Roger Federer e Tomas Berdych em assumirem esta postura. Dificilmente Rafael Nadal, ou mesmo Novak Djokovic tenham ‘cacoete’ para jogarem desta maneira.

A derrota de Andy Murray só aguçou um tema que já tinha em mente. Com sua eliminação nas simples, ele agora só joga a chave de duplas… só isso e tudo isso, não é mesmo? Afinal, o milionário torneio de Indian Wells, com suas belíssimas instalações, conseguiu o que nenhum Grand Slam tem alcançado nos últimos anos, ou seja, levar os grandes nomes do tênis a disputarem também a chave de duplas.

Confesso que não sei como isso foi possível, mas acredito que tem muita grana rolando por aí. Há tempos não via uma arquibancada lotada para um jogo de duplas – nem mesmo em final de Grand Slam – como na partida entre Andy Murray e Daniel Evans diante dos Lopez espanhóis, Feliciano e Marc. Achei bem bacana e acredito que deu Ibope.

Com a derrota de Andy Murray a chave de simples de Indian Wells ganhou uma característica peculiar. Na parte de baixo é de um Grand Slam, na de cima de um ATP qualquer.

Neste aspecto a estratégia de investir em grandes nomes nas duplas dá uma sobrevida ao torneio. Imagine um torcedor que gostaria de ver em ação o número um do mundo e só comprou ingressos para as rodadas finais? Mesmo com a eliminação de Murray ainda terá a chance de vê-lo em ação se seguir em duplas. Ou seja: duas oportunidades de compensar o valor pago pelas entradas.

Nem só Murray entrou nessa de simples e duplas. Novak Djokovic está com Victor Troicki, Rafael Nadal com Bernard Tomic, Nick Kyrgios com Nenad Zimonjic. Aliás, estes últimos eliminaram a dupla mais vencedora da história do tênis, os irmãos Bob e Mike Bryan. Isso comprova a tese de que um simplista tem nível e potencial superior aos duplistas.

Antes que os amantes das duplas comecem a reclamar Stan Wawrinka e Grigor Dimitrov fizeram um péssimo match tie break e perderam para Treat Hyet e Max Mirnyi. Aliás, o bielo russo é um exemplo de como a dupla pode dar uma sobrevida ao tenista. Nada contra seguir trabalhando e ganhando a vida. Mirnyi, para quem não lembra, iniciou o calvário de Guga Kuerten. Em jogo do US Open, que terminou na madrugada, só perdeu para o brasileiro em cinco sets. Exigiu tanto que os problemas de quadril, até então sob controle, passaram a limitar as ações do brasileiro. Bem, o resto da história todos já estão cansados de saber e, de certa forma, só enriquece ainda mais a brilhante carreira do querido catarinense.

De volta às duplas de Indian Wells, a ideia de colocar grandes nomes na chave é elogiável e a fórmula é antiga. Djoko está com Troicki, Nadal com Tomic, e, em especial Kyrgios com Zimonijic, ou seja, um grande talento ao lado de um tenista cheio de malícias e que conhece os segredos das duplas.

Um dos times mais famosos de todos os tempos também tinha esta formação. John McEnroe jogava com Peter Fleming. McEnroe todos conhecem, Fleming, nem tanto, mas  sempre abria o caminho para o mais famoso brilhar. E assim que sol brilha na Califórnia.

Agora o desafio é em Indian Wells
Por Chiquinho Leite Moreira
março 8, 2017 às 3:25 pm

 

IWells

Os melhores jogadores do mundo têm agora encontro marcado em Indian Wells. O complexo em Palm Springs, na Califórnia, é digno de ganhar de Miami o título de 5. Grand Slam. Sua quadra central é a segunda maior do planeta, só perdendo para o Arthur Ashe, em Flushing Meadows, do US Open.

Por ironia do destino, ou até mesmo como uma atração à parte, a chave masculina terá um torneio extra. O quadrante de baixo reúne um grupo incrível de bons jogadores. Só para se ter uma ideia, Novak Djokovic para defender o título do ano passado teria um caminho árduo: R-2 Kyle Edmund ou Gastão Elias, R-3 Juan Martin Del Potro, R-4 Nick Kyrgios ou Alexander Zverev, QF Rafael Nadal ou Roger Federer, Final – Andy Murray ou Stan Wawrinka.

Claro que isso é apenas uma projeção, com muitas possibilidades de falhar. A começar pelo fato de Djokovic não estar no seu melhor. É claro que recentemente bateu Delpo. Só que o sérvio entrou naquela fase em que está saturado de tênis. Afinal não há físico e mente que resistam a tanto tempo de dedicação, empenho e domínio.

Esse torneio extra de Indian Wells pode repetir a emocionante final do Aberto da Austrália, já nas oitavas de final em Palm Springs. É neste aspecto que disse que surgiu uma atração extra na competição. Um ingresso para esta rodada pode ser mais legal do que uma final, por exemplo, com o detalhe de custar muito menos.

Indian Wells proporciona grandes emoções. O complexo é amplo, com fácil acesso. Nas quadras secundárias, assim como no US Open, dá para acompanhar jogos incríveis, muito próximo dos jogadores, também sem a necessidade de ingressos caros.

Não há muita tradição de brasileiros nesta competição. Mas vale a pena conhecer. Palm Springs reserva um cenário maravilhoso, entre montanhas, algumas ainda com pico nevado, e o deserto. Mas diferente de Miami, fica distante de grandes centros, São horas de viagem de carro desde Los Angeles. Mas, por outro lado, dá para esticar a viagem até Las Vegas.

De volta à competição é de se lamentar a ausência para Serena Williams. Fora de Indian Wells e Miami, a americana irá perder novamente a liderança para Angelike Kerber, que cá entre nós, não está muito bem.

Pelo menos, Serena, desta vez, não deixa de jogar na Califórnia pelo boicote que promoveu ao torneio por vários anos. Felizmente parece que esta fase já passou.

Ainda assim, a chave feminina também promete ser interessante, num torneio da categoria Premier, ou seja, de alta premiação.

De colherada – A decisão do Brasil Open, no clube Pinheiros ficou para uma segunda feira chuvosa em São Paulo. O título foi para o uruguaio Pablo Cuevas, que no match point sacou por baixo. Difícil interpretar até que ponto pode-se usar de todos os recursos para vencer. O campeão alegou que tinha perdido a confiança no saque. Pelo que vi, o adversário Albert Vinolas não fez reclamações ou cobrou respeito.

A colherada mais famosa do tênis aconteceu em Roland Garros. Michael Chang surpreendeu Ivan Lendl, que defendia o saque muito recuado. O chinesinho ganhou o jogo e conquistou o seu único Grand Slam. Entrou para a história.

 

Paixão pelo tênis no Brasil Open
Por Chiquinho Leite Moreira
março 3, 2017 às 5:32 pm

Muito se falou das dificuldades para realizar o Brasil Open deste ano. Não é novidade para ninguém que a crise atinge todas as áreas. Mas a paixão pelo tênis do organizador do evento fez o torneio acontecer. E longe de se notar qualquer precariedade. Pelo contrário tudo está como sempre marcou a história desta tradicional competição, que nasceu na Costa do Sauípe, passou pelo Ginásio do Ibirapuera e agora instalou-se no Clube Pinheiros, em São Paulo.

Esta mesma paixão pelo tênis ficou clara no ambiente do Brasil Open. Mesmo sem brasileiros na disputa do título de simples, as arquibancadas revelam o amor do torcedor pelo esporte. Cruzei com gente de todo Brasil. Desde cidades do Interior de São Paulo até mesmo grupos de Estados distantes como o Piauí.

Vejo que o brasileiro criou uma cultura pelo tênis. Não se trata apenas de torcer para um ídolo como nos tempos de Guga Kuerten. Ou ainda vibrar com atuações de Roger Federer, com a rivalidade com Rafael Nadal, ou admirar o jogo dos líderes Andy Murray e Novak Djokovic. O que existe hoje é o conhecimento e o gosto por um bom tênis.

As arquibancadas do Pinheiros revelam este sentimento. O público sabe reconhecer uma boa jogada, um talento e arte mesmo diante de jogadores que não estão lá na ponta da lista de classificação. Afinal, num esporte com tanta concorrência estar num ATP 250 já revela um nível invejável.

Tenho de reconhecer que muita gente reclama de um fato de difícil explicação: o de não se encontrar ingressos, mesmo em jogos em que as arquibancadas não estão lotadas. É que para se realizar uma competição como o Brasil Ope precisa-se de bons patrocinadores. E estes costumam receber cotas de entradas, nem sempre aproveitadas. Mas só assim que se consegue realizar um torneio deste nível.

Além das emoções nas quadras e a atmosfera gostosa de um torneio de tênis, o Brasil Open, através de seu organizador, encontrou uma forma de homenagear quem fez e ainda faz muito pelo esporte. Por isso, neste sábado das semifinais, um nome conhecido por muitos, o de Celso Sacomandi estará sendo lembrado, em cerimônia na quadra central.

Para quem não conhece, Celso foi um dos mais promissores jogadores brasileiros. Ganhou troféus como os de Orange Bowl, o mundial juvenil, entre muitos outros. Tem inclusive vitória sobre o ex-número um do mundo, John McEnroe, com quem cultiva amizade até os dias de hoje.

Acometido por uma doença degenerativa, Celso hoje enfrenta os desafios da limitação física. Mas nem assim deixa de fazer o que gosta. Ainda dá aulas no Bauru Tênis Clube formando novos jogadores e alimentando em muitos a paixão pelo tênis.

Cadê as duplas?
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 28, 2017 às 2:10 pm

O Rio Open terminou com sucesso e uma discussão. Na quadra Dominic Thiem confirmou o favoritismo e conquistou o título. A final foi digna de um ATP 500, com Pablo Carreña Busta exigindo um tênis de alto nível do campeão, num jogo que certamente agradou a boa platéia na quadra central do Jockey Club Brasileiro.

Fora da quadra, mas em certo aspecto ainda dentro dela, o Rio Open discute e possibilidade de deixar o saibro da Lagoa para ir ao cimento do Complexo Olímpico. Há muitos prós e contras. Uma decisão difícil e que certamente irá gerar muita polêmica.

Aliás, o assunto já está dando o que falar. Afinal, dois dos principais duplistas brasileiros seguiram para as quadras duras de Acapulco, no México, pulando o saibro do Brasil Open no clube Pinheiros, em São Paulo.

As decisões de Bruno Soares e Marcelo Melo, sem dúvida, estão bem sedimentadas. Ambos ocupam um lugar entre os dez primeiros do ranking e precisam dos pontos de um 500. Além disso, o México também deixou o saibro e foi para a rápida com intuito de preparar os jogadores para os 1000 de Indian Wells e Miami.

Tudo a meu ver muito claro e certo. Mas será que Soares e Melo deveriam sim abandonar o Brasil Open? Será que não estão matando ‘a galinha dos ovos de ouro?’ Afinal, a Koch Tavares é responsável pela organização do evento desde 2001. Esta mesma empresa (só para refrescar a memória) também trouxe nomes como Roger Federer, Rafael Nadal, Maria Sharapova, Serena Williams em um evento com muitas outras estrelas e que lotou as arquibancadas do Ginásio do Ibirapuera.

Nos dias de hoje está muito difícil organizar um ATP no Brasil. E devo relembrar um fato para esclarecer esta situação. Há muitos anos, o tenista brasileiro Luiz Mattar jamais deixava de disputar um torneio no Brasil. Sempre dava um jeito, mantendo viva as empresas que organizavam tênis no País. Sabia que sua presença era importante para o público e também para os organizadores. Competente e esperto, Nico Mattar ganhava praticamente todos os torneios em solo nacional e construiu uma carreira brilhante.

Na época o Brasil era um dos países que mais realizava torneios profissionais. Isto antes mesmo da era Guga Kuerten. Hoje estamos reduzidos a praticamente duas semanas: Rio e São Paulo. Se não houver apoio este número pode reduzir ainda mais…

Thiem garante um top 10 na final do Rio Open
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 26, 2017 às 12:35 am

Depois de perder a grande atração  Kei Nishikori, ainda na primeira rodada, ver brasileiros ficarem pelo caminho, o Rio Open pode festejar a presença de um top ten na final deste domingo no Jockey Club. O austríaco Dominic Thiem, número 8 da ATP, e jogador com potencial para sonhar com título de Slam, decide o título diante do espanhol Pablo Carreña Busta, 24..

Confesso que minha torcida era para ver Casper Rudd na decisão. O norueguês de apenas 18 anos entrou na competição como wild card e por pouco não se transforma em um convidado bem trapalhão. Eliminou dois brasileiros – Rogerinho Dutra Silva e Thiago Monteiro – e chegou a ter match point no segundo set de sua semifinal diante de Carreño Busta.

Mais do que desperdiçar uma chance incrível de fazer uma final de um ATP 500 com apenas 18 anos, Rudd é filho do tenista norueguês Christian Ruud. Lembrava sim deste nome. E Guga Kuerten refrescou minha memória. Ao cruzar com o tricampeão de Roland Garros no estacionamento do Jockey Club ele lembrou que no torneio de Umag, em 1996, portanto um ano antes de se consagrar campeão em Paris pela primeira vez, vinha super entusiasmado por uma vitória sobre Alberto Berasategui. Este espanhol tinha sido vice-campeão do Aberto da França, no ano anterior, tendo perdido o título para Sergui Bruguera. Nas quartas de final de Umag enfrentou Christian Rudd, que na época era um ‘devolvedor de bolas’. Quase não batia, mas não errava. Resultado: o brasileiro perdeu. E o final da conversa foi de que Casper joga um bolão. Bate forte e deve ser sim uma das novas estrelas da ATP.

Justificada toda a minha expectativa para ver uma final do jovem norueguês, fica a boa notícia de que um outro talento da nova geração está na decisão. Dominic Thiem não fez uma boa estreia. Avisou que sentiu o peso da diferença de horário e sofreu com adaptação às condições do Rio de Janeiro. Mas nas rodadas seguintes provou o motivo pelo qual é um top ten. Com boas exibições decide o título confirmando seu estilo de poucos erros. Seu back hand de apenas uma mão, não tem a genialidade de Roger Federer, nem a plástica de Stan Wawrinka, mas é preciso, consistente e eficiente.

A presença de um top ten na final do Rio Open é um prêmio aos organizadores. O torneio esbanja boa forma e muito charme. Mesmo com a concorrência do Carnaval viu um agito dos mais interessantes por suas quadras. E por todo este charme será sim um desafio encarar a possibilidade de no próximo ano levar esta competição para o Parque Olímpico. O Jockey Club está no coração da Cidade Maravilhosa e o sucesso do evento vem se repetindo a cada ano.

 

Rio Open discute a importância do # 1 do Brasil
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 24, 2017 às 2:24 pm

Sob as benções do Cristo Redendor, num dos cenários mais marcantes da Cidade Maravilhosa, o Rio Open viu o duelo entre os dois tenistas brasileiros mais bem colocados no ranking mundial. Thiago Monteiro venceu o jogo por 2 sets a 1 e mostrou que pode roubar a coroa de número um do Brasil de Thomas Bellucci. Mas qual a importância desse fato?

Há tempos que se discute este assunto. O que vale ser o número um de um País se não se alcança um bom ranking na ATP? Já vi tenistas festejarem esta condição e nem sequer se aproximavam dos cem primeiros da lista de classificação mundial.

Valei sim chegar a um bom lugar na ATP. E Thomaz Bellucci andou perto dos 20 primeiros do mundo. Aí ser número um do Brasil é apenas uma consequência.

Nessas últimas semanas, Monteiro e Bellucci andaram trocando esta condição. Mas enquanto um tenta alcançar uma melhor colocação, como o cearense, o outro não precisa provar mais nada, a não ser para ele mesmo, após ter derrotado um top 5 esta semana, como Kei Nishikori.

A atitude de Monteiro ao comemorar a vitória no Rio Open sobre Bellucci com parcimônia, deixa claro que vencer um amigo, um colega de treinos, faz parte do jogo. Não há uma rivalidade fermentada pela torcida ou pelos assessores. Mas sim um passo importante na sua caminhada.

Pela reação da torcida no Jockey Club do Rio de Janeiro deu para notar uma certa preferência por Monteiro. Nada muito acentuado. Mas acredito que apenas o desejo do público de ver caras novas e premiar seu estilo mais lutador. Deu para ouvir também alguns gritos por Bellucci. Afinal, vinha de uma vitória brilhante na estreia, tem mais volume de tênis, mas sempre alguma coisa estraga seus planos. Nesta última vez foi o terceiro set, em que ele admitiu ter sentido cansaço.

Monteiro está ainda em formação. Tem muitas coisas a melhorar, mas seu estilo agrada. Só que para seguir em frente precisa de ferramentas. Terá um bom teste no Rio Open.

Carnaval invade o nosso tênis
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 14, 2017 às 2:04 pm

No país do Carnaval os dois principais torneios do Brasil serão disputados durante do reinado de Momo. Pode parecer estranho querer concorrer com a alegria compulsória deste período, mas não acredito que as competições possam vir a ser  prejudicadas. Até pelo contrário: muita gente deve aproveitar o feriado para curtir o tênis.

O Rio Open já deu uma bola dentro anunciando antecipadamente a estreia de Kei Nishikori para terça feira, dia 21. A data ainda não pega o auge do Carnaval carioca, em que os hotéis do Rio prometem estar a preços de Olimpíada. E a propósito: sei de muita gente da colônia japonesa que estará no Rio para acompanhar Nishikori, que, por ironia, a mídia do Japão o define como ‘made in USA’, pelo fato de estar há muitos anos nos Estados Unidos.

O clima do Carnaval também deve dar um tom alegre ao torneio. Acredito que muitos  gostariam de ver a competição no Parque Olímpico. Sem dúvida seria legal e contemplaria o chamado legado. Mas no País do Carnaval nem tudo corre do jeito que a gente gostaria. Realizar o evento na Barra seria um risco, que o simpático Jockey Club na  sua elegante localização não precisaria correr.

O Rio Open este ano também ganhou uma série de atrativos, com diversas promoções que devem fazer a alegria da torcida. A organização também prometeu aumentar as áreas cobertas e de alimentação para o público, atendendo a uma demanda de reclamações.

O Carnaval também pega o Brasil Open. Curiosamente, segundo pesquisa, a cidade de São Paulo será o segundo destino mais procurado por turistas de todo o País, ficando apenas atrás do Rio. O chamado ‘túmulo do samba’ ressuscitou nas ruas da Vila Madalena e, acredito eu, lá pela região da 25 de março, para quem viaja pensando no carnaval de compras.

Estou curioso para saber como será a logística este ano no Clube Pinheiros. Sinceramente gostei muito do esquema de 2016. O torneio em si ficava isolado das instalações do clube. Isso evita constrangimentos, deixa o torcedor mais a vontade e o associado dentro de sua privacidade.

Além disso, tenho muito respeito pela organização do Brasil Open. O tênis está na veia do presidente da Koch Tavares, Luiz Felipe. Às vezes temos memória curta. Mas este evento nasceu na Bahia, com chaves masculina e feminina e estupenda estrutura. Também não se pode esquecer que a Koch, de muita tradição,  trouxe recentemente ao Brasil nomes como Roger Federer, Rafael Nadal, Serena Williams, Maria Sharapova e por aí vai. Manter a competição, não tenho dúvidas, de que é fruto de um esforço muito grande. E diria eu, sem medo de exageros, de uma enorme paixão pelo tênis.

RF : O campeão voltou…
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 29, 2017 às 1:13 pm

Se o mundo do mundo do tênis já havia celebrado com entusiasmo a participação Roger Federer e Rafael Nadal na decisão do Aberto da Austrália de 2017, agora a emoção toma conta de todos que apreciam a arte desenhada com raquetes. Com dois jogadores genais em quadra, não há como negar que esta final correspondeu plenamente as expectativas.

Qualquer um que vencesse o título deste ano em Melbourne Park já contemplaria uma façanha incrível, pelo recente passado de ambos os jogadores. Mas no caso de Roger Federer trata-se de de uma volta triunfal aos grandes momentos. Afinal, desde Wimbledon 2012, o tenista suíço não erguia um troféu de tamanha importância. E, segundo sua própria esposa Mirka, ele pensou sim em abandonar a carreira. Mas felicidade geral da nação do tênis, o campeão voltou…

Em seu discurso de agradecimento, Roger Federer voltou a relembrar o encontro com Rafael Nadal, na Espanha, na inauguração da academia do tenista espanhol. Falaram que não alimentavam muitas esperanças de estarem novamente na final de um Grand Slam. E o que parecia impossível aconteceu: fruto da genialidade destes dois contemporâneos.

Um detalhe, porém, chamou minha atenção. Entre os agradecimentos, Federer voltou-se para o staff de Nadal e pediu que sigam trabalhando com afinco para manter o espanhol em forma e em ação. Terminou com uma linda mensagem: “o mundo do tênis precisa dele”.

E esta é a grande verdade. O campeão voltou, Nadal voltou e os amantes do tênis viram o que há de melhor na modalidade neste Australian Open. E que venha Roland Garros…

 

AO: pura emoção com a final dos sonhos
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 27, 2017 às 7:23 pm

A atmosfera da Rod Laver nestes últimos dias traduziu com fidelidade o desejo da maioria dos amantes do tênis: uma decisão de Grand Slam, como o Aberto da Austrália, entre dois dos maiores nomes da história do esporte: Roger Federer e Rafael Nadal.

Esta decisão, ao meu ver, não satisfaz apenas a torcida. Mas sim é a final do sonhos para estes dois extraordinários tenistas. Tanto Federer como Nadal revelaram em interessantes e descontraídas entrevistas em quadra que não imaginavam mais viver estes momentos. Ambos lembraram das ironias trocadas na inauguração da academia do espanhol, de que se reencontrariam apenas em jogos exibição, ou em bate bolas com crianças.

Fenomenal é o adjetivo indicado para estes dois incríveis jogadores. Se a atuação de Federer diante de Stan Wawrinka já foi o máximo que se tinha visto no torneio, Nadal superou em emoção, técnica, luta, garra e físico em suas quase cinco horas diante de Grigor Dimitrov.

A final dos sonhos está repleta de números, de recordes e feitos invejáveis. O retrospecto entre estes dois astros mostra uma ampla vantagem do espanhol. Eles irão se enfrentar pela 35a. vez. Nadal tem 23 vitórias contra 11 derrotas, com 14 a 7 em finais, 3 a 0 no AO, 9 a 2 em Grand Slam, sendo 6 a 2 em decisões deste nível. E plagiando o Tadeu Schmidt, do Fantástico, sabe o que isso quer dizer? Nada… é isso mesmo. A esta altura da vida destes dois gênios da raquete estar preso a estatísticas, a meu ver, não quer dizer muita coisa.

O importante agora é uma final repleta de emoções, com dois tenistas que dividem os corações dos amantes do tênis. E que vença o melhor.

Ainda em tempo: se Nadal ganhar será 4, perdendo 6. Federer está em 14 e se for campeão será top ten. Confesso que ao ver isso no informativo da ITF voltei a ficar com vontade de plagiar o Tadeu Schmidt. Afinal, o que importa isso agora? Vale mesmo a emoção deste expressivo reencontro de dois artistas para mais um dia de histórico no tênis.