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Rolando Garra forma campeões da vida
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 24, 2017 às 4:34 pm

Tudo começou com um grupo de empresários amantes do ténis com objetivo de usar o esporte como ferramenta de integração social. Tirar das ruas e usar as quadras como o caminho para um futuro melhor. Mas como fazer isso? O projeto começou  a se concretizar com a participação do ex-profissional de tênis Luís Carlos Enck, o conhecido Biba. Ele também tinha em mente abrir oportunidades através do esporte e emprestou seus conhecimentos para ensinar os mais carentes. A sua experiência nos circuitos da ATP e WTA foi importante para dar início ao sonho destes empresários. E tudo isso deu origem ao que é hoje a Fundação Tênis, um programa grandioso, não só nos números, mas, especialmente, nas ideias e abrangência.

Semana passada tive a emocionante oportunidade de conhecer o torneio Rolando Garra. É uma competição ao estilo dos grandes ideais. Reúne os vários núcleos da Fundação Tênis no Brasil, com força para a região de Porto Alegre, também com ações em São Paulo e até mesmo no Uruguai.

O programa realiza sonhos, transforma vidas. São cerca de 900 crianças e adolescentes que participam de uma competição em quadras improvisadas, ou mesmo de tênis, com o propósito de conhecer e obedecer os princípios Olímpicos. Todos jogam com respeito, amizade e excelência. Não há juízes e as questões são resolvidas entre os jogadores com serenidade e honestidade. Lembra muito o criador das Olimpíadas modernas, o barão Pierre de Coubertin, que dizia “o importante é competir”.

Aliás, o torneio Rolando Garra serve também de cenário para os prêmios de excelência. Todos os anos atletas olímpicos são convidados para entregar o troféu Pierre de Coubertin. E nesta edição a participação foi do campeão de vôlei Gustavo Endres. Ele também se contagiou com o programa e dedicou toda atenção a este dia tão especial na vida de tanta gente. É que envolve muito mais do tênis, simplesmente. Traz o social, o educacional e, é claro, o esportivo.

Como diz o diretor presidente da Fundação Tênis, Paulo Roberto Leke, trata-se de um resgate social de crianças em situação de risco. Mesmo em tempos difíceis ele tem planos de crescer em mais 100 o alcance do programa.

A Fundação conta com grandes empresas mantenedoras. E o mais legal que dá para perceber que não se trata apenas de um apoio financeiro. Senão Klaus Gerdau Johannpeter não estaria pessoalmente participando do evento. Isso mostra que há um cuidado especial com a excelência do programa.

Apesar de ter o tênis como personagem principal, o programa não tem como objetivo principal o de descobrir talentos. Mas sim dar oportunidades. E funciona com tanta eficiência e solidariedade que alguns dos participantes recebem na adolescência apoio para o estudo universitário e voltam ao programa na condição de instrutores, coordenadores. Buscam devolver um pouco tudo que ganharam.

O fato de a Fundação Tênis existir há muitos anos e o torneio Rolando Garra já estar na sua 10a.edição e não ter revelado grandes nomes para o tênis brasileiro leva Luís Carlos Enck a se sentir de certa forma cobrado, embora esse não seja o objetivo.  Mas Biba sinta-se tranquilo, pois o Rolando Garra revela sim campeões… são campeões da vida.

 

RF: um privilégio ser contemporâneo
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 16, 2017 às 5:12 pm

Imagino como tenha sido incrível ser contemporâneo do gênio da música Wolfgang Amadeus Mozart. Não tenho dúvidas de que para os amantes do tênis é um privilégio estar diante do gênio da raquete Roger Federer. Independente de preferências, torcida é momento de reconhecer de que estamos diante de um dos maiores da história, se não for o maior de todos os tempos.

O estilo impecável de Roger Federer em quadra é compartilhado em todas suas ações. Revelou seu lado humano ao chorar de emoção após mais uma conquista. A presença da família revela toda importância do bem estar com a vida.

O seu comportamento também nos enche de emoção. No discurso da cerimônia de entrega dos troféus antes de celebrar a histórica conquista fez sincera menção a Marin Cilic, enfatizando sua heroica participação na final, em respeito a todos.

A elegância de Roger Federer está refletida em diversas cenas e situações. Vou abrir um parêntese: aprendi nos tempos de Estadão, sob a chefia do excelente editor Fran Augusti (que neste domingo comemora mais um aniversário) de que se “está em dúvida não escreva”.  E confesso de que pensei até em ligar para o Zé Nilton para saber se deveria ou não incluir-me neste post. Mas, enfim, aconteceu e está registrado o episódio.

No torneio Gilette, disputado no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, Roger Federer não tinha o compromisso, mas se dispôs a participar ao vivo do programa Ace Bandsports. Ficou o tempo necessário, sem demonstrar qualquer desinteresse ou apressar as coisas. Esteve fantástico para delírio da apresentadora Renatinha Saporito.

Já tinha vivido uma experiência inesquecível com o gentil tenista suíço. Em certo ano no torneio de Indian Wells, Federer perdeu para Gustavo Kuerten. E com a grande diferença de fuso horário deu tempo neste dia para bater uma bolinha. Convidei o amigo francês George Homsi. Como ele estava sem raquete ele disse que iria ver com um tenista que tivesse perdido o jogo naquele dia para pedir uma emprestada. Quando chegou em quadra perguntei de quem era a raquete. Respondeu: do Roger Federer e ainda acrescentou, não sei se por ironia ou verdade, de que ainda tinha um recado: como iria enfrentar um brasileiro queria que George se vingasse do resultado do torneio.

Peço desculpas de num texto para falar de Roger Federer tenha me incluído tanto. Mas julguei, com dificuldades, de que estes episódios revelem um pouco mais do que é este gênio da raquete.

SONHO REALIZADO  – Além de mais um título de Federer este torneio de Wimbledon realiza outros sonhos. Um deles é a memorável conquista de Marcelo Melo. O mineiro leva o sabor do pão de queijo para a mais tradicional competição do tênis. Sem contar ainda que nesta segunda feita teremos um brasileiro no topo do ranking.

O sonho também se concretizou para Garbine Muguruza. Conquista seu segundo Grand Slam  numa verdadeira ‘remontada’. Afinal, desde a decisão de Roland Garros do ano passado, a espanhola jamais havia chegado a uma final de torneio. E agora celebra o regresso em grande estilo.

 

Federer segue implacável em Wimbledon
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 14, 2017 às 7:22 pm

Apesar de todas as dificuldades no jogo com Tomas Berdych, Roger Federer conseguiu manter o favoritismo e segue implacável em Wimbledon. Chega a final sem ter cedido um set sequer na competição e pode premiar esta espetacular campanha com o 8.o título no All England Club.

Não há dúvidas de que Federer é o favorito. As famosas casas de apostas de Londres confirmam este fato, como a William Hill pagando 1/5 para o caso de vitória do suíço. Essa proporção tende a ganhar ainda maior dimensão.

Todo esse clima celebra um momento mágico da carreira de Roger Federer. Do alto de seus 35 anos, ele retornou ao circuito no início da temporada com o título do Aberto da Austrália. Optou por não jogar em Roland Garros e agora está prestes a conquistar o 19.o  troféu de Grand Slam.

Mas a pergunta que fica é: será que Marin Cilic pode se transformar em vilão? Pode ele acabar com as expectativas da torcida de todo mundo? Difícil, mas não impossível. Afinal, se existe um jogador que pode ameaçar a vitória de Roger Federer neste torneio, este parece ser mesmo o croata.

Os dois já se enfrentaram por sete vezes. Federer leva uma nítida vantagem de 6 a 1. A única derrota que sofreu foi no US Open de 2014, justamente no título de Cilic, em Nova York. Mas há um jogo de Wimbledon de 2016, que só foi decidido no 5.o set.

O duelo promete ser emocionante. E embora Roger Federer tenha declarado após o jogo que ‘vê vida após o tênis’, o desejo seria de “vida longa ao rei do tênis”.

RF segue como estrela solitária
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 12, 2017 às 9:02 pm

Sem Andy Murray, Novak Djokovic, Rafael Nadal e até mesmo Stan Wawrinka coloca Roger Federer como uma estrela solitária nas semifinais do Torneio de Wimbledon. Será uma decisão diferente, com novos nomes nesta fase da competição, mas não menos perigosos e capazes de levantar o troféu de campeão no All England Club.

As surpresas estão voando alto pelo subúrbio do SW-19. Mas duro ver que favoritos como Murray e Djokovic sucumbiram por problemas físicos. O britânico ainda conseguiu se manter em quadra. Só que longe de exibir sua conhecida movimentação, chegou a perder nove games seguidos. Como Sam Querrey não tem nada a ver com isso, o americano cumpriu seu papel. Impôs o seu jogo agressivo e pela primeira vez na carreira vai a uma semifinal de Grand Slam; Faz agora um duelo de ‘big guns’ diante de Marin Cilic. Este sim deve estar num ponto de destaque entre os possíveis campeões do torneio. Fez uma quartas de final com excelência diante de Gilles Muller. Viu sua vitória ameaçada, mas apresentou recursos de um vencedor de Slam para garantir vaga nas semis.

No caminho para o seu 19. troféu de Slam, Roger Federer brilhou mais uma vez. Teve a capacidade de fazer parecer as coisas fáceis diante de Milos Raonic. Chega as semifinais com pouco desgaste físico, sem ter cedido um set sequer e vai encontrar outro bom sacador. Tomas Berdych será seu adversário, com a missão de impedir o 8. troféu de Wimbledon do suíço.

Enquanto Djokovic deixe em aberto seu futuro próximo. Embora Federer tenha declarado que espera ver ele e Murray recuperados para a temporada norte-americana de quadras rápidas, o sérvio não se mostrou muito otimista.

Começa um novo torneio com as 4as em Wimbledon
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 11, 2017 às 4:21 pm

Sem Rafael Nadal, eliminado em dramática partida com Gilles Muller, praticamente um novo torneio começa agora em Wimbledon, com as quartas de final do masculino. Será que ainda pode-se dizer que existem fortes favoritos? Os jogos tendem a ser mais disputados, com resultados imprevisíveis.

Andy Murray defende título e liderança diante de Sam Querrey. O tenista norte-americano certa vez pensou em abandonar a carreira e pular para o golfe. Por sorte manteve-se ao lado da bolinha amarela. E na grama do All England Club promete ser um adversário perigoso para o campeão do ano passado.

Roger Federer chega pela 50a vez às quartas de final de Slam. Supera a marca de 41 de Jimmy Connors, 38 de Noval Djokovic, 36 de Andre Agassi e 34 de Ivan Lendl. Na última rodada deu mais uma ‘masterclass’. Já diante de Milos Raonic deve enfrentar problemas para devolver o saque do canadense. Mas, em se falando do suíço, ele provavelmente irá encontrar geniais alternativas para neutralizar o canhão adversário.

Com dificuldades, mas superando bem todos os obstáculos, Novak Djokovic alcançou as quartas de final, com mais uma vitória sem ceder set. Seu próximo desafio será com Tomas Berdych. O tenista tcheco tem bom histórico nos Slams, mas costuma parar antes do segundo final de semana da competição.

Os ‘big guns’ Gilles Muller e Marin Cilic tem encontro marcado nestas quartas de final. Li vários twitters de colegas em Londres mencionando o potencial de Muller e que seria merecedor de um troféu de Grand Slam. Mas um forte candidato estará a sua frente. Cilic já venceu um e da maneira como vem jogando pode ganhar a outro.

Nadal voando; Federer mira espelho em rodada empolgante
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 9, 2017 às 5:22 pm

Sem grandes surpresas e com os principais favoritos superando desafios com certa tranquilidade, Wimbledon chega a segunda semana com uma rodada empolgante, que deve valer cada shelling, da histórica moeda britânica, pago pelo ingresso. O dia promete ser emocionante. O número 1 do mundo, Andy Murray, é um dos poucos candidatos ao título que escorregou um pouco nestas primeiras partidas. Afinal, se Fabio Fognini tivesse uma cabeça tão boa quanto seu tênis poderia ter levado o jogo ao quinto set… e aí … só Deus sabe.

O proximo compromisso de Murray é diante de um dos mais talentosos tenistas franceses, Benoire Paire. Mas ele é tão latino quanto Foginini.

A expectativa é grande pelo duelo de Rafael Nadal diante de Gilles Muller. Os comentários são de que o espanhol agora sim irá pegar um adversário que sabe jogar na grama. Aliás, o jogador de Luxemburgo já eliminou Nadal certa vez no All England Club. Apesar de todo o perigo vejo o Touro voando, sem dar chance até agora para seus oponentes.

Na parte debaixo da chave, Roger Federer vai mirar no espelho Grigor Dimitrov. Há tempos o búlgaro era definido como “Baby Federer”, pela semelhança de estilo com o suíço. Embora seja realmente um astro, dono de um jogo bonito de ver, ainda não correspondeu todas as expectativas de quando surgiu no tour, levado pelas mãos do ‘marqueteiro’ treinador francês Patrick Mouratoglou.

Para Novak Djokovic, o desafio diante de Ernerst Gulbis foi um divisor de águas. Parece que reencontrou o seu bom jogo e parceria com Andre Agassi começa a mostrar seus resultados. Enfrenta Adrian Mannarino.

No feminino dois duelos merecem destaque: Angelique Kerber contra Garbine Muguruza e Victoria Azarenka diante de Simona Halep.

 

Muita agitação nos corredores do SW-19
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 6, 2017 às 9:47 pm

Se nas principais partidas do torneio de Wimbledon o clima anda ameno, o mesmo não se pode dizer dos bastidores do SW-19, subúrbio onde fica o All England Club. Novak Djokovic e Roger Federer passaram com tranquilidade para a terceira rodada. O suíço não deve ter problemas para superar o próximo rival, Mischa Zverev. Mas o sérvio terá um velho e perigoso conhecido: Ernest Gulbis. Os dois se conhecem desde os tempos de juvenil. Ambos treinaram juntos na Alemanha, na academia de Niki Pilic. Na época, o letão costumava vencer praticamente todos os duelos. Mas diz a lenda que Gulbis vem de uma família de milionários e não levou a carreira tão a sério.

Enquanto os duelos não esquentam, o assunto dominante é a grama. Aliás, a traiçoeira superfície fez uma vítima em tons dramáticos. Betannie Mattek Sands escorregou numa subida à rede, torceu o joelho e agonizou em dor. Cena forte na quadra 17, em que muitos já reclamavam de piso extremante escorregadio. Alguns colegas contaram que a agitação foi grande pelos bastidores. Uma reclamação geral foi a demora em dar atendimento em quadra para Sands.

A conclusão que se chega é que realmente a grama este ano está diferente. A tentativa de tornar o jogo mais lento pode ter se transformado em armadilha para vários jogadores. Revelou até o conto em que David vence Golias, com a vitória do baixinho Dudi Sela sobre o gigante John Isner.

Wimbledon sempre mostra momentos inusitados. Em certo ano, uma multidão de pardais paralisou um jogo na central. Nestes dias, formigas voadoras tiraram o conforto dos jogadores, especialmente nas quadras secundárias.

E como o tema é o que acontece pelos corredores, colegas comentaram que a brasileira Bia Haddad Maia vem sendo assediada por agentes. Quem sabe ela saia de Londres com algum bom contrato para financiar sua promissora carreira.

Um bom começo para o Brasil, por que não?
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 3, 2017 às 9:11 pm

O tênis brasileiro começou o Torneio de Wimbledon com um saldo bem interessante. Duas vitórias e uma derrota. Vale destacar o êxito de Bia Haddad Maia. Ela conseguiu igualar o feito de Gisele Miró, que também esteve na segunda rodada do Grand Slam inglês em 1989. Miró, até hoje, é uma excelente atleta e foi uma das melhores tenistas que já tivemos. Era dona de um jogo agressivo e bem adaptado a uma superfície que praticamente não existe em nosso País. Características semelhantes vejo em Bia, com a vantagem dela ter um saque poderoso, arma das mais eficientes para os jogos no All England Club.

Na próxima rodada enfrenta uma das favoritas: Simona Halep, que joga ainda mais motivada pela possibilidade de roubar de Angelique Kerber a liderança do ranking mundial. Apesar do favoritismo da romena, existe sim a possibilidade de um bom jogo para Bia. Se não sentir o nervosismo de possivelmente jogar numa das shows courts, tem pela frente uma adversária que joga bem, mas deixa jogar.

A vitória de Tiago Monteiro passou por momento delicado. Depois de sair perdendo por 1 set a 0, ainda precisou superar uma paralisação em momento dramático. Havia desperdiçado match points e vencia o tie break do quarto set, quando a chuva interrompeu a partida. Difícil superar tamanha ansiedade. Mas esteve sempre muito disciplinado e mentalmente forte para confirmar a vitória sobre Andrew Wittington.

Também Rogerinho Dutra Silva lutou, mas depois de arrancar um set de Benoire Paire disse adeus a competição de simples e segue motivado para tentar repetir a boa campanha nas duplas de Roland Garros.

O polêmico ranking da grama
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 26, 2017 às 3:27 pm

IMG_3339Não é de hoje que os critérios usados pelo torneio de Wimbledon para determinar os cabeças de chave são polêmicos. O All England Club ainda não divulgou oficialmente os pré-classificados deste ano, mas o assunto promete ser controverso, mais uma vez. Tirar Rafael Nadal de número dois e subir Roger Federer de cinco para três pode dar muita chiadeira.

Não dá para dizer que Roger Federer não mereça estar entre os quatro melhores jogadores da grama. Mas também fica difícil dizer que o duas vezes campeão de Wimbledon, Rafael Nadal, não saiba jogar nessa superfície.

Sem contar ainda que, em se confirmando o ranking da grama, Stan Wawrinka pularia de três para cinco, o que o obrigaria a cruzar com os principais favoritos uma rodada antes.

Pelos critérios anunciados, Andy Murray sairia como número um, Novak Djokovic, dois, Federer três e Nadal quatro. Isto levando-se em consideração os resultados obtidos pelos tenistas em competições na grama nos últimos dois anos.

Tenistas especialistas no saibro sempre foram prejudicados pelos critérios únicos de Wimbledon. Há muitos anos, jogadores como Albert Costa e Alex Corretja boicotaram a competição por não concordarem com o fato de terem sido rebaixados nas suas colocações como cabeças de chave. O assunto incendiou a media por um período, mas quando o torneio começou caiu no esquecimento. O brasileiro Gustavo Kuerten também liderou um boicote em 2001. A princípio também estava inconformado com o fato de não ser o cabeça um, mas logo anunciou que sua desistência do Grand Slam inglês estava ligada a necessidade de descansar.

Não sei o que o torneio ganha com um critério exclusivo para determinar os cabeças de chave. Acho que seria muito mais interessante obedecer o ranking da ATP e WTA e deixar que os tenistas mostrem suas qualidades em quadra.

O ano mágico de Guga, sob outro olhar
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 19, 2017 às 8:29 pm

Antes tarde do que nunca. Aliás este texto já estava escrito em minha mente desde o dia 8, data do 20º aniversário da primeira conquista de Gustavo Kuerten em Roland Garros. Faltava apenas ‘put down in words’ como diz a música Your Song de Elton John. Já li, ouvi muitas histórias sobre este ano mágico de Guga em Paris. Mas decidi contar sob meu olhar, de repórter especializado em tênis.

Desde 1985 já frequentava Roland Garros, como enviado especial do jornal O Estado de S. Paulo. A cobertura ‘in loco’ de um torneio tão importante era revelada em histórias diárias, sempre com traços marcantes, diferente do que era feito por ‘telex’ ou hoje em dia pela Internet. As reportagens eram assinadas pela cor local, a visão direta e aguçadas por curiosidades de bastidores. Um bom produto, sem dúvida nenhuma.

A cobertura de 1997 começou com um detalhe dos mais interessantes contado carinhosamente no livro ‘Saibro Suor e Glória’ de autoria de Renato Maurício Prado, jornalista que também estava em Roland Garros naquele ano. Ele apareceu no complexo no dia da estreia de Guga. Só que Fernando Meligeni também estava em ação, diante de Javier Frana, justamente na quadra ao lado. Renato estranhou o fato de eu não estar acompanhando o jogo do Fininho, na época, o melhor brasileiro. Expliquei que Betão (ex-tenista brasileiro, Roberto Jábali) havia me contado que Kuerten estava jogando excepcionalmente bem. Solto e com fortes golpes de direita e esquerda. E, por isso, fiquei de olho nele. Era um desafio e tanto contra Slava Dosedel. Este adversário apresentava um estilo que complicava a vida do brasileiro, com golpes retos, pouco efeito e bons saques. Só que – nunca ninguém falou – mas sem tirar os méritos da vitória, Dosedel parece ter entrado em quadra apenas pelo ‘prize money’. Com nítido problema físico, não conseguia sacar direito e quis o destino que abrisse então as portas para a épica campanha de Guga Kuerten em 1997.

Enfim, Guga havia conseguido a primeira vitória em Roland Garros. No ano anterior, ele também tinha jogado a chave principal, mas não havia passado por Wayne Ferreira, em um jogo bastante equilibrado. Conheci Kuerten anos antes, em Wimbledon. Era um meninote e fui entrevistá-lo para boletins da Rádio Eldorado. Fiquei impressionado com sua desenvoltura ao falar. Sua mãe, Dona Alice, que também estava em Londres neste ano explicou-me que Larri Passos já o treinava e também o ensinava a como se comportar diante de um microfone. E não é que o meninote transformou-se num grande jogador e muito comunicativo!

A saga de Guga em Roland Garros daria um livro. Numa rápida passagem, a segunda rodada de 1997 foi para a quadra 3, que fez Larri chorar com as lembranças de quando treinava Andrea ‘Dadá’ Vieira. Veio uma vitória chave também, diante do sueco Jonas Bjorkmann. Na sequência Thomas Musters. Na manhã do jogo, cruzei com Pardal (Ricardo Acioly) na saída do hotel e ele disse categoricamente: “Guga vai ganhar”.

Depois veio Andrey Medvedev, num jogo que começou num dia e terminou no outro. Foi na quadra A, hoje Suzanne Lenglen. E Guga não poderia imaginar que tinha uma “falsa namorada” dele sentada ao meu lado e de Armando Nogueira. Várias histórias curiosas  marcaram os encontros com Evgeny Kafelnikov – na época conhecido como a metralhadora Kalashikov – com Filip Dewulf, hoje meu colega, e a final com Sergi Brugera. Ventava tanto naquele 8 de junho de 1997, que minha lente de contato saiu do olho e não vi o match point.