Monthly Archives: março 2013

Miami promete reação
Por Chiquinho Leite Moreira
março 31, 2013 às 9:56 pm

Sem Roger Federer e Rafael Nadal e com uma final feminina mais empolgante do que a masculina, o torneio de Miami promete reagir para não perder a condição de ‘o quinto Grand Slam’. Este ano, esteve longe de merecer este título. Ainda assim, os marqueteiros americanos contabilizam o sucesso. Sei lá, as vezes penso que o mkt é uma ferramenta para disfarçar a realidade e dar brilho ao cinza escuro.

Podem até dizer que ando meio irritado com a assessoria de imprensa de Miami. Mas está tudo no papel, ou melhor, nos e mails. Ao final do evento, a informação é de que o bom tempo, dias de sol, temperaturas agradáveis, deram origem ao sucesso, com a presença de grandes nomes da música, do entretenimento, numa atmosfera que proporcionou a lotação total em dez sessões durante a competição. Sei lá, se quero ver grandes astros da música não vou a um torneio de tênis.

O melhor é que a organização de Miami ‘assimilou o golpe’. Anunciou nos últimos dias um investimento de US$ 50 milhões para melhorias em Crandon Park. O local já um dos mais agradáveis do circuito mundial. Vai ficar melhor ainda. Serão construidas três quadras com arquibancadas permanentes, além de ampliação nas áreas de jogadores, media e ao público. O cenário promete ficar ainda mais bonito. Com certeza de fazer inveja a nos brasileiros que às vésperas de uma Olimpíada não temos um bom lugar sequer para os nossos torneios.

Faltará apenas garantir a presença dos grandes astros do tênis. Mas neste aspecto a força da grana fala alto e premiações ainda maiores irão assegurar a participação dos melhores do mundo.

Nada de ser muito exigente. As finais de Miami estiveram sim emocionantes. O jogo feminino foi um dos mais disputados dos últimos tempos. E não acho que força deva ser confundido com outros atributos. As mulheres estão em melhor forma física, com técnica mais apurada, além, é claro, de usarem bem os recursos dos atuais equipamentos. É mais do tênis força… é um tênis mais bem jogado. Ora, as meninas deram um bom espetáculo. Entre os homens muito bate bola e falta de condicionamento físico. Mas ainda assim interessante, embora no terceiro set tanto Andy Murray como David Ferrer praticamente se arrastavam em quadra. O que esperar para os torneios de Grand Slam, em melhor de cinco sets?

Miami off court
Por Chiquinho Leite Moreira
março 26, 2013 às 12:31 pm

As celebridades fazem parte dos grandes eventos esportivos nos Estados Unidos. É ferramenta de marketing dos americanos. Mas quando isso passa a ser o assunto de maior importância, algo de estranho está acontecendo. O Sony Open, auto batizado de quinto Grand Slam, e nesta edição sem Roger Federer e Rafael Nadal, os assuntos off court ganharam maior destaque.

Isto fica evidente nos press releases que recebo em várias edições diárias. Você, por exemplo, sabia que Bridget Maynoham é uma das mais frequentes nas quadras de Crandon Park? E que Greg Norman – este eu conheço e sou fã – assistiu a um jogo ao lado de Alex Rodriguez?

E o Bellucci hein? Perdeu jogando melhor… fazendo lembrar a célebre frase do ex-tenista boliviano Ramiro Benavides: “Joguei como nunca… perdi como sempre”.

Nas quadras, ou melhor nas arquibancadas vips, Dario Franchitti e o brasileiro Tony Kanaan também entraram na lista de celebridades que prestigiaram o evento em Key Biscayne. Legal, que eles tiraram alguns momentos de descontração antes de embarcarem para o Brasil, na próxima etapa da Formula Indy.

Mas uma coisa que ninguém pode deixar de saber é que Isabella Summers e Robert AcKroyd passaram o ‘dia curtindo tênis’. Poxa, será que isso é notícia que se mande para a imprensa internacional, para os especialistas em tênis?

Nem tudo está afastado das celebridades do tênis. No mais recente release vem a informação de que Novak Djokovic depois de mais uma vitória deu autógrafos e posou para fotos. Que novidade hein? Ah, já ia esquecendo… o sérvio também encontrou-se com Hayden Panatheu, Dwyane Wade, assim como Chris Bosh…

Um sintoma preocupante é que no informativo de público algumas rodadas contaram com pouco mais de oito mil pessoas. Ora, no Brasil Open, com praticamente uma quadra e sem tantas atrações, tínhamos praticamente este número de pessoas todos os dias. Até agora, o recorde de público deste ano foi no dia 23 de março com 15.532 contra o recorde absoluto de 16.689 de 2007.

Bellucci faz a festa da torcida em Miami
Por Chiquinho Leite Moreira
março 23, 2013 às 8:25 pm

Num dia de céu azul, calor, muita descontração, o clima estava perfeito para uma festa brasileira na, mais do que nunca, verde amarela Miami. E com um festivo incentivo da torcida, Thomaz Bellucci alcançou, enfim, a terceira rodada de um torneio em 2013. Venceu o polonês Jerzy Janowicz por 76, 36 e 63. Para quem não se lembra, este jogador foi uma das sensações do final da temporada do ano passado. Época em que são disputadas as competições indoors, no outono inverno do hemisfério norte. Agora, com o termômetro mais alto, tanto dentro como fora da quadra, não resistiu. Mas Bellucci não tem culpa do ambiente que beirava ao de uma Copa Davis e, por isso, merecia um aperto de mão mais digno ao final da partida de seu oponente.

Não dá para cravar que a torcida levou Janowicz à derrota. Mas também não dá para se encher de entusiasmo com a atuação do tenista brasileiro. Calma. O polonês cometeu 53 erros não forçados e seu saque – uma de suas armas – não funcionou como de costume. Cometeu dez… isso mesmo… dez duplas faltas.

Não sou técnico, longe disso, mas se somar todo o tempo que conversei, e aprendi, com bons treinadores pode-se dizer que o resultado não serão apenas horas, talvez sim, anos. Não dá para se aceitar alguns erros do brasileiro. Seu jogo é moderno e eficiente, mas faltam ajustes na sintonia fina. Ele tem grande potencial e que de alguma forma precisa ser melhor explorado.

Talvez estas duas vitórias em Miami produzam o efeito que nem mesmo horas em quadra e nos ginásios sejam capazes de dar. Com uma maior confiança, Thomaz Bellucci pode, de repende, aproveitar melhor sua boa técnica e bom jogo. Não há nada mais animador na cabeça de um grande competidor do que uma vitória, mesmo que ela não tenha sido assim tão convincente. O efeito que isso produz é inacreditável. É hora de aproveitar o momento.

 

A Empolgação Nadalista
Por Chiquinho Leite Moreira
março 15, 2013 às 2:19 pm

Assim como no futebol, como Flamengo e Fluminense, Corinthians e Palmeiras, Bahia e Vitória, Cruzeiro e Atlético, Inter e Grêmio e por aí vai, no tênis também existe esta rivalidade. A mais famosa dos dias de hoje é entre Nadalistas e Federistas. Os fãs do espanhol são fervorosos, vibrantes, apaixonados. Incrível, e digna de se admirar, a empolgação demonstrada após o mais esperado duelo de Indian Wells. Nem bem terminou o jogo e passeando pelo FB as celebrações lembravam a conquista de um título, como o da Libertadores. Festa e comemorações nas mensagens.

Esta vibração coloca o tênis em alta. A rivalidade é saudável e mantém o nível de interesse. Ora quem não tinha um lado nos duelos entre Pete Sampras e Andre Agassi. Entre John McEnroe e Ivan Lendl, ou Gustavo Kuerten e Magnus Norman. Muitos outros duelos fizeram história no tênis. Mas, sinceramente, este entre Nadal e Federer é um dos mais marcantes. Afinal, é quase uma unanimidade que o suíço é o melhor tenista de todos os tempos. O próprio Nadal repete isso com frequência. Mas então como explicar a lavada no retrospecto diante do espanhol.

Pode-se dizer que o duelo de Indian Wells não esteve dentro do nível técnico esperado. Dizem que Federer estava com lesão nas costas. Na entrevista, após a derrota, afirmou que o nível de incômodo era igual ao da partida diante de Stanislas Wawrinka. Ora, se não está em boas condições, ele poderia ter desistido do jogo. Mas como o mundo do tênis iria interpretar essa atitude?

Para Nadal isso tem apenas uma importância relavia, já que ele mesmo não está 100% ainda. Há quanto tempo não jogava numa quadra dura, não vivia essa pressão? Na verdade, todos esses ingredientes fazem parte do caminho de volta. E não resta dúvida de que o touro Miura está de volta.

O momento pede o fim ao preconceito
Por Chiquinho Leite Moreira
março 13, 2013 às 8:46 pm

Temos um Papa argentino, Francisco 1. Barak Obama já entrou em sua segunda gestão. Penso que o mundo de hoje pede um fim ao preconceito. No tênis, já é hora de Indian Wells ter as irmãs Williams de volta. O boicote precisa acabar. Os organizadores e a família das tenistas devem buscar um acordo e recolocar a paz no lugar da intolerância.

Para quem não se lembra, um triste episódio em 2001 marcou o início do boicote. A apenas quatro minutos do início de uma das semifinais, Venus Williams retirou-se do jogo e deu a vitória para Serena. O público que esperava pelo duelo vaiou a decisão.

Na época os rumores de manipulação de resultados, pelo pai das tenistas, Richard, eram fortes. As duas se encontravam frequentemente em momentos decisivos e as coincidências de diversos fatos aumentavam a desconfiança.

Em Indian Wells de 2001, o comentário era de que Serena chegaria para a final diante de Kim Clijsters descansada. Muita gente indignou-se com a situação. Não se tratava de de uma atitude digna e justa.

No momento em que as duas tenistas estavam na fase de aquecimento, Richard e Venus entraram em quadra. O público os recebeu com sonora vaia. Dizem que houve xingamentos. Serena jogou o tempo todo sob vaias. Venceu o torneio e as Williams nunca mais pisaram no Indian Wells Tennis Garden alegando racismo.

Confesso que nos Estados Unidos a discriminação é forte. Ainda hoje cidades como Chicago são marcadas pelas diferenças de raças. Cruzar os limites pode ser perigoso. Em Nova York já se pode frequentar as igrejas do Harlem, sem problemas. Aliás, um belo programa para quem curte Gospel. Em Indian Wells, não se vê limites tão demarcados. Mas ainda que existam, o esporte tem ferramentas para superar preconceitos. Basta que as partes tenham boa vontade. E o momento é bom para isso…

Tênis intensifica luta contra doping
Por Chiquinho Leite Moreira
março 7, 2013 às 2:28 pm

O tênis mundial deu um grande passo na luta contra o doping. A partir de 2013 a modalidade, certamente, vai se tornar ainda mais clara e transparente, com uma decisão recentemente anunciada. É uma nova era que surge com o Athlete Biological Passport.

A partir de agora o Tennis Anti Doping Programme, conhecido pela sigla TADP, ganhou um forte aliado. Um instrumento poderoso e eficiente no controle de substâncias proibidas. O novo sistema será capaz de analisar inclusive a variação do nível de desempenho de cada atleta, tenista, e assim sugerir o uso de doping, levando-o a novos testes.

O Athlete Biological Passport é uma espécie de documento eletrônico em que registra continuamente as ações, desempenhos, desgaste e atividades dos jogadores. Para sua elaboração vai exigir um número maior de exames de sangue e até mesmo testes frequentes em ‘out of competition’. O atleta estará ‘vigiado’ 24 horas por dia, 360 dias por ano.

O anúncio desse novo instrumento foi feito pela ITF, a Federação Internacional de Tênis. Contou com a apoio incondicional de todas as outras entidades do esporte, como a ATP, a WTA e os Grand Slams. Todos fizeram grandes elogios ao surgimento desse importante passaporte, que deve colocar fim as suspeitas que rondam a modalidade.