Monthly Archives: maio 2013

Vive la France
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 29, 2013 às 9:07 pm

Há exatos 30 anos os franceses não comemoram um título de Roland Garros. A última conquista veio com um personagem e tanto, Yannick Noah, em vitória sobre Mats Wilander na final de 1983. Desde então, em especial nos últimos tempos, a pressão para os tenistas franceses tem sido forte. Este ano chegou ao auge. O presidente da FFT Jean Gachassin, na cerimônia de sorteio das chaves, pediu desculpas a Rafael Nadal (que estava presente) falou em fechar os olhos e contou que o seu sonho seria de entregar a Copa dos Mosqueteiros em 2013 a um tenista da casa.

Richard Gasquet já esperneou. Jo-Wilfried Tsonga confessou que quando joga em Roland Garros sente uma pressão enorme. Gael Monfils não tem o que falar. Ganhou wild card, passou por Tomas Berdych e fez a festa da torcida ao vencer Ernests Gulbis, de virada. Quase uma vingança ao que o tenista letão falou em entrevista ao L’Equipe. Correndo por fora está Benoit Paire, jogador de grande talento que pode surpreender. Mas falar em título com Nadal e Djokovic na chave parece ser mesmo um pedido a se fazer de olhos fechados.

Os investimentos da Federação Francesa de Tênis -FFT – são consideráveis. A entidade é bem organizada e se preocupa inclusive em manter alto o interesse pela modalidade. Tanto é que promove o dia das crianças, dando ingressos para as escolas da cidade e colocar o futuro em Roland Garros. Despertar o gosto pelo esporte. Mas um título mantém-se no patamar de um sonho. A torcida para se concretizar é grande.

Os investimentos da FFT deverão agora ser dirigidos para as reformas no complexo de Roland Garros, aliás, o menor espaço físico de todos os Grand Slams. O plano era construir uma nova quadra no Bois de Bologne. Mas nem prefeitura, nem vizinhos deixaram.

A solução será praticamente derrubar a Philippe Chatrier, melhorar as instalações e colocar um teto retratil para evitar os atrasos provocados pelas chuvas.

E a chuva neste quinto dia de Roland Garros promete ser um problema. A rodada deve sofrer atrasos e muitos jogos podem ser adiados. E nesse caso, até mesmo a torcida francesa, que sabe como ninguém incentivar os seus tenistas, vai abrir a boca para reclamações.

Dkokovic supera a tensão da estreia
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 28, 2013 às 8:28 pm

O dia não estava nada agradavel para se jogar tênis. Pior ainda para se fazer uma estreia no único Grand Slam que ainda não ganhou e sonha em vencer. Para Novak Djokovic a chuva, o frio, as horas de espera no vestiários, as cinco sessões de aquecimento foram crueis.

Djokovic venceu o belga David Goffin. Mas para vencer o torneio vai ter de melhorar e muito o nível de seu jogo. Dá para entender que o nervosismo da estreia tenha comprometido sua atuação. Aliás, o sérvio está tenso desde sua chegada a Paris. Apesar da vitória em Monte Carlo não fez uma preparação ideal para Roland Garros.

No chamado ‘media day’ em Roland Garros, sábado, em que os principais tenistas conversam com a imprensa tive a oportunidade de fazer ‘one on one’ (entrevistas exclusivas) com Nadal, Federer, Djokovic, Serena e Azarenka. O sérvio foi o único que apareceu com pedido especial. Mandou avisar que não falaria do provável encontro com Nadal nas semifinais.

Nadal foi mais tranquilo, como não poderia deixar de ser após sete títulos em Paris. Comentou o assunto com naturalidade, falando que não há nada que se possa fazer. Teve também a simpatia de ñão confiermar que teria sido melhor se tivesse caido no lado de baixo do quadro, com Roger Federer.

Djokovic tem suas faces. Ao mesmo tempo em que demonstra simpatia e carisma, ora com boas palavras, ora com as antigas imitações de outros tenistas, ele também provoca a ira. Nos bastidores tem a fama de ser exigente.

Enfim, apesar da surpreendente atuação de David Goffin, Djoko deixou a desejar em sua partida de estreia. Nadal também viveu uma situação parecida, ao pegar o alemão Daniel Brands. Jogador que como o belga resolveu ‘fechar o olho’ e bater na bola. É terrível ter um adversário assim pela frente, arriscando tudo pelo fato de não ter nada a perder. Mas para o espanhol, o nível de dificuldades foi maior. E ele mostrou estar pronto para vencer o oitavo Roland Garros.

Sol esquenta a segunda em RG
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 26, 2013 às 10:00 pm

Sei que é difícil acreditar no serviço de previsão do tempo. Mas o sol promete brilhar nesta segunda feira em Roland Garros, depois de vários dias de chuva e muito frio. Vai esquentar a rodada. Não só por causa do tempo, mas especialmente em razão de uma peculiaridade dos tenistas: a superstição.

Acredite: há tenistas que não pisam na linha, mesmo em quadra de cimento  – onde não há como apagar as marcas – . Outros procuram a bola que aplicaram ace para dar novo serviço. Se jantou num restaurante na noite anterior… volta até perder. Existe até um caso famoso e não muito agradável. O tenista eslovaco Miloslav Mecir tinha a mania de não trocar a camisa enquanto estivesse ganhando jogos. E olha que o ‘Gato’ como era chamado, vencia muitos e muitos adversários..

Roland Garros há alguns anos o primeiro domingo de partidas de exibições pelo dia da abertura oficial do torneio. A ideia é ganhar uma rodada e diminuir as possibilidades de a competição não terminar na data determinada. Se ganhou em maior tranquilidade na expectativa de encerrar o evento num domingo, e também em mais um dia de bilheteria, perdeu a possibilidade de manter uma tradição. A Federação Francesa de Tênis gostaria de ver no dia de abertura a estreia dos campeões do ano anterior. Mas, muito provavelmente por superstição, ninguém gosta de estrear no domingo. Assim,. além do esperado sol, Roland Garros terá as estreias de Maria Sharapova e Rafael Nadal, os campeões do ano passado.

Neste domingo de abertura, jogos que não comprometiam. Roger Federer e Serena Williams aproveitaram o domingo para passear. Mas não foram a nenhum parque da cidade. Sim no palco mais charmoso do tênis mundial, a quadra Philippe Chatrier. Seus jogos foram tão fáceis que deram de ombro para a superstição. Encararam a verdade e agora, cada um deles tem ‘apenas’ mais seis jogos para conquistar o título. Os outros…. sete. Poxa… será que ‘sete’ é o número da sorte?

Sharapova tem a mão fria
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 24, 2013 às 5:47 pm

Roland Garros inovou este ano ao realizar o sorteio de forma eletrônica. Um soft coloca aleatoriamente os jogadores nas chaves e a seguir uma comissão técnica analisa e dá o aval, oficializando o quadro. Este procedimento alterou a ordem das coisas. Antes, quando a gente entrava para a cerimônia do sorteio, os 32 cabeças de chave já estavam nos seus lugares. As bolinhas num globo determinavam os adversário nos 128 lugares.

Agora, com os não cabeças já colocados na chave, os favoritos são sorteados. O número um sempre é colocado na primeira linha. O dois sempre na última linha. O sorteio dos cabeças três e quatro determina quem pode encontrar-se numa semifinal ou final.

A torcida era para que Rafael Nadal fosse sorteado na parte de baixo da chave, com Roger Federer, podendo assim realizar a final mais esperada, que seria do espanhol diante de Novak Djokovic. Mas, como campeã do ano passado, Maria Sharapova foi convidada para este importante momento. Com a mão fria de uma siberiana, ela determinou que Nadal ficasse do mesmo lado de Djokovic.

Este possível – e provavel encontro das semififinas – foi o assunto do dia. Nadal procurou disfarçar sua preocupação. Disse que essas coisas acontecem, não há nada que se possa fazer. Já Novak Djokovic deve ter franzido a testa. Afinal, antes de ir para a entrevista mandou avisar que não iria comentar a chave. Só falaria de seu primeiro encontro, diante do belga David Goffin. Mas deste assunto, ninguém queria falar.

 

Roland Garros nas medias sociais
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 22, 2013 às 8:56 pm

Vou direto ao assunto para poupar aqueles que não têm paciência de ler até o final: estou embarcando para o meu 27o. Roland Garros pelo Bandsports. Desde o primeiro em 1985 até hoje muita coisa mudou e os novos tempos mostram que as medias sociais fazem parte deste atual cenário. Então a ideia é dividir os tons da cobertura com todos os amantes do tênis. Assim, bastidores, notícias on line, as curiosidades da quadra 14, 18, podem fazer parte das imagens da central. A alternativa está no FB, Instagran ou Twitter. Para encontrar-me no Facebook o meu nome é Francisco Leite Moreira, no Instragran é Chiquinholmoreira ( não deixe de reparar o l entre o Chiquinho e o Moreira) e no twitter é Chiquinholm, claro com o tal do @ antes.

Para os quem tem paciência e gostam de história, lembro que em 1985 as transmissões de reportagem pareciam ‘sinais de fumaça’. O torneio de Roland Garros contava com poucos jornalistas, cerca de 120 a 150, perto dos dois mil de hoje. Ainda usava-se máquina de escrever. Para quem não sabe o é que isso, tratava-se do precursor do lap top. Em 85 não levei a Remigton 22. Acreditei que teria ‘várias’ por ali. Mas… nada. O teclado da máquina francesa troca o ‘a’ pelo ‘q’, portanto, um martírio para se escrever. Não sei por que cargas d’águas sentei-me perto de um jornalista sueco. Não sei por cargas d’águas, ele escrevia numa máquina com teclado muito parecido com o nosso. Emprestava-me ao final de seu trabalho. Por conta da diferença de fuso horário, não havia qualquer problema com o deadline.

Não havia mesas indivduais, ou os chamados work stations. Sim um tablado que  colocava lado a lado jornalista de todo o mundo. Sentava-me ao lado de um inglês. Ele era um ícone dos britânicos. Escrevia para The Times. Tinha o irritante hábito de fumar cachimbo. Bem… outros tempos. Em certo momento da relação, perguntou de onde era. Respondi do Brasil. Ele comentou: estive uma vez lá… em Buenos Aires… e vocês têm um bom bife.

Bem gente até Roland Garros…

 

 

Dimitrov ao estilo Federer
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 7, 2013 às 11:01 pm

Por volta dos 13 a 14 anos, Grigor Dimitrov ganhou destaque pela primeira vez ao receber proposta milionária de uma grande agência. Diziam que sua carreira já estaria dirigida, com patrocínios etc e tal. De repente, foi treinar na academia de Patric Mouratoglou, nos arredores de Paris, sem a mesma estrutura e gigantismo, mas com uma inacreditável ousadia de marketing e divulgação. Tudo o que fazia era uma suposta noticia. Mostrou potencial ao vencer os torneios juvenis de Wimbledon e US Open, em 2008. Aos poucos, porém, as coisas se encaixaram. E agora, justamente quando o deixaram um pouco mais tranquilo, ele estoura como a mais nova estrela do tênis mundial.

Não apareceu perigosamente sem avisos. Há apenas alguns dias, Rafael Nadal já havia advertido que o búlgaro logo se tornaria um top ten. Depois do que fez em Madri, ninguém tem dúvidas de seu potencial e brilhantismo.

Em 2012 a revista Deuce publicou reportagem em que Dimitrov era definido como o próximo Roger Federer. E não é que ele joga num estilo bem parecido. Reparem na sua esquerda. Lembra muito o tenista suíço. Também o saque. Só que ele nao faz isso como uma ferramente de marketing. Aprendeu que além da divulgação, mais importante é jogar tênis… e bem.

Nem mesmo quis aparecer quando andou ao lado de Maria Sharapova. Os dois foram vistos juntos, mas não foi flagrado em nenhuma foto ao lado da russa. Andava com alguns metros de distância para não dar chances ao paparazzis. Hoje não vai mais conseguir fugir do estrelismo.