Monthly Archives: agosto 2013

No US Open, 2a. feira é dia de branco
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 30, 2013 às 5:22 pm

Enfim parece que os jogadores começaram a discutir – e reclamar – da final masculina na segunda feira. No US Open é dia de branco, dia de ganhar dinheiro. A expressão não tem conotação racista como muitos possam pensar. Tem origem na Marinha, vestir-se de branco para trabalhar, entre outras interpretações. Tudo bem… mas transformar o mais longo dos dias, em data para festas, grandes shows, não sei se pega.

Rafael Nada já esperneou. Esperto fez questão de enfatizar que jogar semifinal no sábado e decidir o torneio no domingo não dá. Por isso, até aceita o jogo na segunda, mas afirmou que no ‘domingo é mais legal’.

Está na hora dos espertos da USTA anteciparem a chave masculina por inteira e resolveram de vez a questão. Afinal, como mandou por twitter um assinante do Ace Bandsports imagine se chove na segunda… a final vai para terça-feira? Complicado não é mesmo?

A origem do problema está no fato de no US Open a primeira rodada contar com três dias. Só termina na quarta-feira. A ideia é legal, mas acaba empurrando toda a chave masculina p’ra frente, colocando as semifinais no sábado. E aí não dá mesmo para os jogadores aceitarem uma decisão em cinco sets com menos de 24 horas de descanso. É desumano para os dias de hoje, com jogos normalmente superando quatro horas de duração.

A solução seria o US Open copiar Roland Garros. Começar o torneio no domingo, levando a primeira rodada até terça-feira. Assim, as semifinais masculinas voltariam a ser jogadas na sexta-feira, sábado estaria reservado para a decisão feminina e domingo a grande final masculina. É claro que se não chover. Mas não é isso o que os jogadores estão discutindo.

A princípio a maior resistência da USTA originou-se do ‘super-saturday’. O segundo sábado do torneio reunia numa só rodada as duas semifinais masculinas na sessão diurna e depois, no chamado prime time, horário nobre para nós, viria a final feminina, à noite, com uma segunda bilheteria. Só que este ano este super sábado já não existe mais. Pois as mulheres irão decidir o título no domingo, quando haverá também a final de duplas masculinas.

Agora, esperar até 2016, quando a cobertura do Arthur Ashe provavelmente já estiver pronta, parece que é aumentar o risco. Não só de reclamações, como também das condições climáticas. Na necessidade de um adiamento a terça-feira estaria ainda bem pior que a segunda. Se é que existe algo pior do que uma segunda-feira.

 

Só… dá Nadal
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 19, 2013 às 2:15 pm

O líder do ranking, Novak Djokovic, esteve aquém de seu potencial. Roger Federer não aguentou três sets. Andy Murray ainda está fazendo festa. E até mesmo no feminino Serena Williams saiu de cena neste fim de semana. Por isso, em todos os lugares só dá Rafael Nadal.

O seu incrível retorno continua. Afinal, quem poderia imaginar que reinaria de forma tão absoluta, depois de longo período de recuperação e muitas dúvidas na sua volta. Não canso de repetir que quando o espanhol esteve em São Paulo sentia-se tão inseguro que foi difícil arrancar uma declaração sua sobre Roland Garros. O tempo tratou de mostrar que sua recuperação foi acima do esperado, acredito que para ele próprio.

Bem, pelo menos, foi esta a impressão que ficou em suas declarações. Afirmou estar surpreso em vencer dois Masters 1000 seguidos nas quadras duras. Ostenta agora um retrospecto de 15 vitórias contra zero derrotas nesta superfície, computando também, é lógico, o Masters de Indian Wells.

Vejo com bons olhos esta performance de Rafael Nadal. E, por isso, resolvi colocar abaixo um comentário de uma torcedora internacional fã do espanhol. Faço isso pelo fato de estar notando que este espaço vem se transformando em local de provocações e radicalismos dignos de um perigoso fanatismo. Torcer e ser fã não deve ultrapassar os limites de que o nosso direito vai até onde começa o do outro.

No comentário abaixo, a fã revela que se sentiu ofendida com diversos comentários maldosos feitos a Nadal. Entre eles, de que após a temporada de saibro, o espanhol não teria mais chances. Ela também se sente feliz com o fato de o tenista espanhol ter provado que as diversas conjecturas estavam erradas. Mas ao meu ver chegou o momento de todos torcerem pelos seus ídolos, com respeito as todas as cores. Afinal, o que seria do vermelho se todos gostassem do amarelo?

“I hope that the Djokovic fans and Federer fans can be understanding if they read the slightly bitter remarks we Rafa fans are making.     It’s not that most of us do not appreciate Djokovic and Federer, in my case I surely do.    But the plethora of smirks and unkind remarks here when the clay court season ended to wit; “Clay court season is over so Rafa is done).    Well those remarks were unfair and  unkind, and a lot of us are tremendously glad that Rafa did the talking for us and proved how wrong any conjecture was that Rafa would fold after Clay Court Season or even not  play the hard court season..”

Nadal número 3, quase 1
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 12, 2013 às 2:38 pm

Rafael Nadal não usa mais a bandagem de proteção no joelho (aliás alguém se lembra se é no esquerdo ou no direito?). A essa altura do campeonato não dá nem mesmo para se falar mais em lesão. O assunto agora é liderança do ranking. Com a conquista do Masters 1000 de Montreal, Canadá, com vitória sobre Novak Djokovic nas semifinais e um passeio na decisão, com Milos Raonic, o espanhol coloca-se como forte candidato a terminar o ano na liderança do ranking da ATP..

Dissimulado como sempre, Nadal procurou esquivar-se do assunto. Mas suas declarações deixam evidentes o seu objetivo para este segundo semestre. Disse que não fez conta, mas fez. Fala que a temporada é favorável para o estilo de Novak Djokovic, em torneios com superfície sintética. É sempre assim. Os principais tenistas do tour procuram tirar o peso da responsabilidade das costas. Afinal, quem acredita que eles não analisam a chave? Chegam ao ponto de declarar que nem mesmo viram qual foi o resultado do sorteio.

Se Nadal diz que não está na briga, a situação revela que está… e com grande potencial de realmente terminar o ano como líder. A diferença hoje com Djokovic ainda é significativa. O espanhol chegou esta semana a terceira colocação, com um detalhe dos mais importantes: não tem pontos para defender. Enquanto isso, o sérvio terá desafios intensos pela frente, como 1,2 mil pontos do US Open, 1,5 mil de Xangai e Pequim, sem contar ainda 1,5 mil do Finals.

É claro que o melhor já passou para o espanhol. Mas, se por um lado tinha a vantagem de jogar no saibro, por outro revelava ainda a falta de confiança no joelho. Foi assim em Viña del Mar, quando perdeu para Horácio Zeballos. Depois, em São Paulo, andou escorregando mas levou o título do Brasil Open. Em Acapulco atropelou David Ferrer. O mais incrível aconteceu em Indian Wells: campeão no cimento, em torneios que muitos duvidavam que sequer jogaria. Em Monte Carlo perdeu para Djokovic. Ganhou Barcelona, Roma, Madri e deu show em Roland Garros. Tropeçou em Wimbledon, mas ergueu-se de forma esplêndida em Montreal.

É o número três do mundo, com aquela cara de quase um.

ACE BANDSPORTS EM CINCO SETS – Assim como nos torneios do Grand Slam e também nos confrontos da Copa Davis, o Ace Bandsports, programa exclusivo de tênis no canal Bandsports, passou de meia hora de duração para uma hora inteira. Vejo isso como uma vitória do tênis. É isso mesmo a audiência impulsionou esta nova era.

Para não ficar arrastado, como se diz, criamos novos quadros. Um deles chama-se Challenger. O assinante tem participação decisiva. No programa de abertura do novo Ace, semana passada, discutimos uma possível aposentadoria de Roger Federer. Se o assinante considera que o suíço deveria sim pensar em preparar sua saída das quadras votou em ‘bola boa’ para a ideia de buscar o melhor caminho para a aposentadoria. Mas se achou que este negócio dele pendurar a raquete é bola fora, deu seu voto como ‘bola fora’. A maioria, como era mesmo de se esperar, quer continuar vendo Federer em ação, mesmo que ele tenha se afastado dos bons resultados.

Na próxima edição do Ace, o Challenger discutirá a bolada de Nadal em Djokovic nas semifinais de Montreal. O assinante vota em ‘bola boa’ se considerar que Nadal deu uma bola boa, jogou como deveria e não teve intenção de acertar o adversário. Pode votar em ‘bola fora’ se achar que o espanhol jogou errado e poderia ter evitado a bolada em cima do rival.

Importante: o Ace Bandsports agora é nas quartas feiras das 20 hs a 21 hs e não mais nas terças às 20h30.

No Canadá diversidade e mudanças
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 5, 2013 às 12:42 am

O Canadá marca o início dos grandes torneios de quadras duras no verão na América do Norte. São competições em complexos de fazer inveja ao país da próxima olimpíada. Todas com estádios gigantescos, conforto e diversão. É a temporada da Disney dos amantes do tênis, que culmina com o US Open, em Flushing Meadows.

Para a chave masculina, Montreal é a sede do Masters 1000 deste ano. A cidade tem um gostoso acento francês. A população fala com fluência dois idiomas. Ao mesmo tempo em que se pode observar um comportamento bem europeu, com o gostoso hábito de um demorado café em mesinhas na calçada, embalado pela leitura de um livro, também está nítido os costumes americanos. Um passeio pela Crescent Street revelará estes dois cenários.

Na quadra, a diversidade também promete imperar entre os homens. Roger Federer, infelizmente, está fora. Talvez a lesão nas costas seja bem mais grave do que as informações dizem. Ou será que o suíço está pensando em outros planos? Não sei, mas há algo de estranho no ar. O melhor é aguardar sem especulações.

O período é favorável a Rafael Nadal. Não há dúvidas que os nadalistas estarão atentos e, como sempre, fervorosos na torcida pelo espanhol. Como de hábito ele chega tirando responsabilidade de suas costas. Diz que não está muito preparado, de que as quadras duras são exigentes e justifica que em Indian Wells, as condições são diferentes e bem mais favoráveis ao seu estilo. Favorável também é sua perspectiva de ranking. Sem pontos para defender até o final da temporada caminha comodamente para cima.

A liderança de Novak Djokovic está sim ameaçada, especialmente por Andy Murray, apesar da enorme diferença de pontos que ostenta diante dos outros. O tenista sérvio passa por uma fase curiosa. Segue jogando bem, mas parece faltar algo que ele tinha de sobra no ano passado: a forte perseverança e a recusa pela derrota. Sem contar ainda o seu tom de constrangimento, depois das tolas declarações de seu pai. Poxa que situação difícil ele colocou o seu filho hein?

Esbanjando confiança, Andy Murray já ganhou algumas vezes no Canadá. O argentino Juan Martin Del Potro, sempre perigoso, vem de título de Washington e a lista da ATP desta segunda feira dever confirmar que ele rouba a posição de Federer no ranking.

É um momento interessante. Até mesmo os ‘saibreiros’ de carteirinha despediram-se da Europa na exuberante Kitzbuehel. O sonho americano está mais reluzente do que nunca. Afinal, o US Open irá distribuir a premiação recorde de US$ 34,5 milhões. Nada mal para quem diz estar em crise.