Monthly Archives: setembro 2013

Clezar para renovar
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 23, 2013 às 2:17 pm

“Clezar para renovar” pode até parecer um slogan para uma campanha política. Mas por que não fazer uma campanha em nome da renovação da equipe brasileira da Copa Davis?  Abrir as portas para o surgimento de novos valores. O momento é propício. O Brasil terá pela frente Equador ou Venezuela e o resultado é o que menos importa no atual cenário. Afinal, para contribuir com o aparecimento de novos jogadores não se pode cobrar resultados imediatos. Sim proporcionar a experiência, os jogos em cinco sets, num verdadeiro laboratório para uma vida profissional com boas perspectivas.

A renovação exige uma certa dose de ousadia. Não dá para colocar o óbvio em quadra. Existe uma possibilidade para derrota. Mas de que adianta ganhar do Equador ou da Venezuela se no próximo e eventual playoff vamos estar novamente capengas, contando apenas com uma boa dupla.

A Davis ensina diversas coisas. Esta história de defender as cores do País acrescenta uma grande responsabilidade. Dá experiência e ajuda a enfrentar pressões. Ingredientes que serão sim muito úteis no futuro a jogadores como Guilherme Clezar ou Thiago Monteiro, entre outros.

Não há nenhuma intenção em se desprezar nomes como o de Rogerinho. Digno merecedor de todos os elogios, pelo seu empenho, dedicação e espírito de luta. Mas no caso de Thomaz Bellucci seria interessante ele ter uma sombra. Talvez acorde e mostre o seu verdadeiro tênis. Chega de tapar o sol com a peneira e distribuir desculpas, justificativas e mensagens ufanistas no twitter. É hora de encarar a realidade e pensar no futuro do tênis brasileiro. A Confederação Brasileira de Tênis coloca todos os seus esforços e condições para a formação de uma boa equipe. Tudo o que os jogadores pedem são plenamente atendidos.

Clezar é um destes nomes que merecem atenção. Mas – novamente não só para rimar – sem empolgação. É um tenista em formação, com talento e condições de chegar longe. Só que é claro, longe de colocá-lo como salvador da pátria, de compará-lo a outros astros de nosso País. É preciso dar tempo ao tempo, mas também aproveitar os seus 20 anos.

Bellucci no sacrifício… de quem?
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 16, 2013 às 3:22 pm

A Copa Davis é marcada pela emoção. Pela participação da torcida, pelo clima eletrizante. É hora de colocar o coração na raquete e defender as cores de seu país. Outra característica é favorecer os times da casa, por escolher as condições, como quadra bola, etc e tal. Não só por isso, mas por ter uma equipe mais forte, a Alemanha não teve dificuldades de confirmar seu favoritismo. Enfim, como contestar o resultado, apesar do excelente momento dos duplistas Marcelo Melo e Bruno Soares. Tudo estaria certo, sem problemas, com os brasileiros voltando p’ra casa a espera do sorteio e de um novo caminho à repescagem. Só que surgiu o ponto da discórdia. Um desencontro de informações, situações mal explicadas. Tudo por causa dessa história de que Thomaz Bellucci foi para o sacrifício. Uma tendinite diagnosticada, não se sabe quando, tirou suas totais condições de lutar pela vitória. Isto num momento em que vê-lo perder não seria mais nenhuma novidade, infelizmente.

Nesta vâ tentativa de se salvar a pele de Bellucci criou-se um erro estratégico. Se ele iria mesmo jogar, por que então anunciar sua lesão? Ora, há bem pouco tempo Bruno Soares entrou em quadra para disputar o título de duplas do US Open com seu parceiro Alexandr Peya lesionado. Não vi no twitter do jogador, nem de sua assessoria de imprensa qualquer informação a respeito. Afinal, avisar o adversário de que está com dificuldades aqui ou ali, é como pedir para perder.

Sou um dos maiores defensores de Bellucci. Gosto de seu jogo e acredito no seu potencial. Mas já na primeira partida da sexta feira, ele jogou mal, errado, cometendo muitas falhas, enquanto seu adversário apenas tocava com inteligência, pois sabia que mais cedo ou mais tarde o brasileiro entregaria o ponto. Não vi Bellucci colocar a mão no ombro. Na cabeça talvez.

Tem gente que ainda pensa que eu jogo tênis. Já deixei bem claro neste espaço que a minha formação é acadêmica. E na minha escola de jornalismo era proibido veicular releases, servia apenas como referência. Hoje o jornalismo mudou. Perdeu a alma, ou seja, a reportagem, a investigação dos fatos reais, em nome da opinião pública. Também aprendi na escola, que pela lei de imprensa ninguém é obrigado a dar entrevistas. Mas a notoriedade muda esta situação. Li que o capitão João Zwetsch não quis dar entrevistas sobre o caso. Esta amparado por lei, mas não pelo cargo.

E por tudo isso acho que se pode mesmo dizer que Bellucci jogou no sacrifício… mas pergunto de quem?

Nadal too strong for…
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 11, 2013 às 10:13 pm

Existe uma expressão comum nos textos em inglês que sempre me pareceu exagerada… “too strong for…”. Sempre hesitei em usá-la, de uma forma ou de outra. Mas depois do que se viu na final masculina do US Open não vejo outra forma de definir o título de Rafael Nadal… forte demais até mesmo para Novak Djokovic.E quando isso acontece diante do número um do mundo é que surgiu algo fora de série.

Nadal segue sua intensa rotina de vitórias desde seu retorno às quadras. Um detalhe pode explicar a sua exuberante forma e técnica cada vez mais refinada. A princípio, o espanhol voltaria ao circuito no Aberto da Austrália. Para isso, iniciou treinamentos em novembro. Portanto ficou sim sem jogar, mas não sem treinar por sete meses. Enquanto todos os outros tenistas não tiveram um período tão longo de preparação.

É claro que nestes treinamentos, ou podemos chamar de ampla pré temporada, Nadal não poderia se dar ao luxo de longas horas de exercícios. Afinal, passou por São Paulo, no Brasil Open reclamando de dores no joelho e rezando para ela ir embora. Não acredito que tenha feito isso como tática, forma de tirar o peso da responsabilidade. Não sei se é um artista capaz de tamanha interpretação.

A verdade é que o jogo de Nadal cresceu. Ganhou novos golpes, melhorou o saque, passou a usar o slice e sabe sim subir a rede para volear. Há quem diga que ele faça isso para apressar os pontos e poupar-se fisicamente. Ora, será que depois de um jogo com 54 trocas de bolas em um dos pontos e sem jamais acusar um golpe, Nadal estaria mesmo precisando poupar-se? Seu condicionamento está longe de revelar qualquer problema físico.

Com a sequência de 13 torneios, 12 finais e dez troféus, Nadal caminha rapidamente para recuperar a liderança do ranking mundial. Isso pode acontecer já no ATP 500 de Pequim. É uma coisa natural pelo seu desempenho, forma, técnica, tenacidade e concentração.

O que me intriga apenas é o atual conformismo de Novak Djokovic. Será que em outros tempos ele desperdiçaria a chance que teve no terceiro set. Com 3 a 0 e bolas de break? Parece que há algo de estranho no reino do sérvio…

 

Jogo de encher os olhos… quadras vazias
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 6, 2013 às 12:38 am

É uma pena que jogos tão bonitos como os de duplas atualmente revelem quadras vazias. Quase ninguém nas arquibancadas, mesmo nas semifinais de um Grand Slam tão popular como o US Open. Jogos de encher os olhos praticamente para ninguém ver.

Os brasileiros dominaram uma das semifinais. A vitória de Bruno Soares e Alexandr Peya sobre Marcelo Melo e Ivan Dodig determinou que Soares será o representante do Brasil  na final do último Grand Slam ano. E sem os irmão Bryan’s do outro lado da quadra. Em mais num destes jogos de encher os olhos, Radek Stepanek e Leander Paes acabaram com o sonho dos gêmeos americanos em fechar o ‘calendar Grand Slam’, ou seja, ganhar os quatro maiores torneios num mesmo ano. Paes e seus toques geniais, uma mão habilidosa, técnica inteligente e refinada, aliada à força de Stepanek fez com que ambos acabassem com uma série de 28 vitórias em Slams dos americanos.

Se hoje não temos muita gente nas arquibancadas, a história conta que nem sempre foi assim. O auge das duplas foi nos tempos em que os astros das simples também participavam das chaves de duplas. Um dos times mais famosos tinha o genial e explosivo John McEnroe em ação, quase sempre ao lado de Peter Fleming. Esta dupla até lembra o estilo de Paes e Stepanek. Fleming era um jogador mais rude. Batia forte na bola, estourava quem estava na rede. Algo como Stepanek. Enquanto McErnroe tinha a genialidade a seu favor. Toques raros, parecidos com os do veterano e sorridente Paes.

A participação de astros e estrelas nas partidas de simples aumenta sensivelmente o interesse do público. Lembro que certa vez os organizadores de Wimbledon colocaram Steffi Graf, acho que ao lado de Gabriela Sabatini, numa das quadras secundárias e, certamente, se arrependeram. Não havia um só lugar sobrando e filas imensas a espera de quem alguém saísse para tomar o seu lugar.

O mais curioso é que nos dias de hoje, com o alto grau de especialização, pode se dizer que as duplas estão jogando melhor.Antes, é claro, os grandes astros davam prioridade aos jogos de simples. Portanto, não buscavam muitas táticas para a parceria. Agora não. O número de opções de jogadas é incrível, algo a ser observado com atenção, pois revela encanto.

Por sorte, os brasileiros estão dando a devida atenção ao sucesso de nossos duplistas, como Soares, Melo. A repercussão promete ser honrosa se Soares vencer o título, assim como já foi na ocasião de seu troféu nas mistas do ano passado, em mesmo território.

Nole e Serena reabrem borracharia de Queen’s
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 3, 2013 às 2:25 pm

Por motivos óbvios e atendendo aos pedidos, alterei o título da coluna. Depois de uma primeira semana sem muitos atrativos, até com alguns pneus inesperados para um torneio masculino de um Grand Slam, a última rodada do US Open determinou o fim da borracharia instalada no subúrbio de Queen’s, onde fica o Corona Park e o complexo de tênis. Os motivos para as maiores emoções, é claro, ficaram com Roger Federer e Rafael Nadal. O suíço disse adeus, mas não sem demonstrar condições de vencer, enquanto o espanhol, pela primeira vez, suou literalmente a camisa para chegar as quartas de final.

Só não dava para esperar que em plena segunda semana de um Grand Slam, Serena Williams e Novak Djokovic resolvessem reabrir a borracharia. Enfim, o negócio de ‘tire fitter’ pode ser bom, especialmente num subúrbio como Queen1s. Volto em breve sem ironias e com uma coluna completa.

Os resultados de Federer não são mesmo animadores. Está na sua pior temporada nos últimos dez anos. Mas diante de Tommy Robredo não sei se merecia perder em três sets. O suíço fez escolhas erradas em momentos importantes. Os números mostram isso. Foram 16 chances de break para o aproveitamento de apenas duas. Além disso, somou incríveis 43 erros não forçados. Se considerar que um set tem 24 pontos corridos, Federer deu praticamente dois de graça para Robredo.

Vejo clara a declaração de Federer em dizer que se destruiu. Errou em contrapés fora de hora, assim como considero errada a sua ideia de parar por um período para treinar. Deve seguir jogando, superar desafios, manter ritmo e até mesmo lutar por uma vaga, ainda não garantida no ATP Finals. Os pontos deste torneio dos oito melhores em Londres são valiosos. Pois este grupo soma o 19.o resultado, enquanto quem ficou fora só tem direito a 18. Uma injustiça, mas este é um outro assunto.

Com o adeus de Federer não se verá o esperado duelo com Nadal. Aliás, o tenista espanhol pela primeira vez no torneio perdeu um set e teve um duro adversário como o alemão Philipp Kohlschreiber. O jogo confirmou a tenacidade do atual vice líder do ranking e como é difícil derrota-lo. Caminha como grande favorito ao título e, dependendo de resultados, também para o topo da lista da ATP já após este US Open.

Ao ver o jogo diante de Kohlschreiber ainda não sei o motivo pelo qual se fala das ‘limitações físicas’ do espanhol. Quando ele esteve em São Paulo o joelho era sim um problema. Mas agora não acusou nenhum golpe. Nem acredito também que ele tenha se tornado mais agressivo por causa desta falada ‘limitação’. Está sim melhor a cada ano, com novos golpes e versatilidade. Afinal, quem se lembra de seu serviço no início da carreira? E agora os estragos que faz com seu saque, assim como sabe usar voleios nas horas certas. Dizer também que deveria ir mais a rede é contrariar a verdade do tênis atual. Ninguém é louco de subir sem uma chance verdadeiramente boa. Só mesmo Federer fez isso diante de Robredo por duas ou três vezes, mas viu no que deu.

Os pneus de Nova York
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 2, 2013 às 12:54 pm

Pelo menos nesta primeira semana (sem contar os jogos desta segunda-feira) o US Open ficou devendo em grandes emoções. Uma característica que sempre marcou as chaves femininas do Grand Slam agora também toma conta do lado masculino, ou seja, o degrau cada vez mais alto que separa os favoritos dos outros jogadores.

Esta nada agradável tendência fica clara nos pneus aplicados nas três primeiras rodadas em Nova York. O número um do mundo, Novak Djokovic, até agora perdeu apenas 19 games e não cedeu sets. Aplicou pneu no português João Souza. Roger Federer, pelo menos até esta segunda-feira, também fez sua vida ficar fácil nos Estados Unidos. Perdeu 21 games, não cedeu set e também aplicou pneu. Rafael Nadal ceceu o mesmo número de games, aplicou pneu e não parece ter sido incomodado até agora. Do chamado quarteto fantástico, apenas o campeão do ano passado, Andy Murray, não deu pneu e cedeu set. Mas como disse John McEnroe antes do início da competição, o britânico não teria vida fácil este ano em Nova York.

No feminino esta diferença é normal. Serena Williams já deu dois pneus e Victoria Azarenka, apesar de um susto, estreou no torneio com 12 a zero.

Este ano, o Grand Slam masculino contou com três diferentes campeões. Djokovic na Austrália, Rafael Nadal, em Roland Garros, e Murray em Wimbledon. Para o US Open, diante do atual cenário, fica difícil apostar em alguma surpresa, ou que o título possa escapar das garras do quarteto fantástico.

Esta expectativa começa a ser testada nesta segunda semana, quando os favoritos pegam adversários perigosos. Ou será que as maiores emoções ficarão por conta dos jogos do esquadrão intermediário?