Monthly Archives: março 2014

Federer vs Nadal completa dez anos
Por Chiquinho Leite Moreira
março 27, 2014 às 10:48 pm

Numa sexta feira em Miami teve início a hoje lendária rivalidade entre Roger Federer e Rafael Nadal. O tenista suíço vinha de título em Indian Wells, com vitória sobre Tim Henman. Não estava no melhor de seu físico por conta de problemas de saúde e alguns dias de cama. Perdeu por 63 e 63, mas não buscou desculpas. Na entrevista confessou que pouco sabia sobre o adversário. E a informação de que se tratava de um ‘clay couter’ não conferiu. Mostrou, já na época, a versatilidade que levou o espanhol a vencer Slams em todos os pisos.

Federer sabia que estava nascendo um outro grande campeão. Capaz de ameaçar a sua soberania, pois neste primeiro encontro o suíço já ostentava dois troféus de Grand Slam.

Hoje o retrospecto de 33 jogos mostra 23 vitórias de Nadal. Recentemente pediram-me para selecionar os dez melhores encontros, nestes dez anos de intensa e bela rivalidade.

É claro que o primeiro encontro, com a vitória de Nadal entra nesta seleção, em minha opinião, é obvio. Cada um pode fazer sua lista se quiser. O segundo encontro defino como o da vingança. Um ano depois, no mesmo torneio de Miami, Federer venceu por 26, 67(4), 76(5), 63 e 61. Na época, as partidas finais do Masters eram jogadas em melhor de cinco sets.

Depois veio Roland Garros 2005. Nadal mostraria que a Philippe Chatrier se transformaria no seu palco preferido. O encontro de 2006 em Monte Carlo também foi marcante. O ano de 2008 foi marcante com a final de Wimbledon de 2008 com título do espanhol no que, até então, se tratava do palco preferido do suíço. Na mesma grama, outra final em 2007, só que ainda com supremacia de Federer.

De volta a Roland Garros, àquela final de 2008  que deu vitória fácil para Nadal e fez Federer chorar. É claro que não se pode computar como um jogão, mas pelo que aconteceu, com impressionante supremacia do espanhol vale entrar na lista.

Adiciono a decisão do Australian Open de 2009, com mais uma vitória de Nadal. Meses depois a vingança de Federer que bateu o espanhol em sua casa, Madri. Encerro com final do Masters de 2010.

Bola dentro ou bola fora de Bellucci?
Por Chiquinho Leite Moreira
março 25, 2014 às 3:35 pm

Difícil a situação de Thomaz Bellucci. Se não aguenta jogos de três sets, como em Miami, o que ele iria fazer na quente e úmida Guayaquil em confrontos em melhor de cinco sets? Por isso, resolvi plagiar o quadro Challenger do Ace e deixar que analisem se foi uma bola dentro ou uma bola fora do tenista desistir de defender o Brasil na Copa Davis, diante do Equador de 4 a 6 de abril.

Pelo menos nos press releases, que não costumo acreditar e apenas uso como referência, Bellucci tem esperanças de manter o calendário já anunciado. Pretende disputar Monte Carlo, Barcelona – onde tem 90 pontos para defender – Munique, Roma e Roland Garros. Oxalá… as coisas deem certo. Afinal, são planos ousados. Aliás, como deve ser para um tenista de seu potencial.

Por falar em ousadia promover a estreia de um tenista, como Guillerme Clezar, em jogos fora de casa trata-se também de um arrojo. Mas João Zwetsch não tem muitas opções. Mas nunca é demais lembrar que jogos da Davis são sempre complicados, ainda mais com torcida contra e diante de jogadores que estão em sua Copa do Mundo. O atual time do Equador não conta com tenistas em grandes torneios do tour e deverão estar com a motivação lá em cima. Enfim, Clezar tem potencial e a experiência pode ser fundamental para sua carreira. Oxalá – e recorro novamente aos deuses – não se transforme num trauma.

Não vi na lista dos convocados o nome de João Souza, o Feijão. Ele segue se recuperando de lesão e só deve voltar em algumas semanas. Rogerinho Dutra Silva carregará nas costas o peso da responsabilidade. Afinal, é o mais experiente do grupo e espera-se dele dois pontos nas simples. O Clezar é estreante e não se sabe como irá se comportar numa situação de pressão e ostentando pela primeira vez as cores do Brasil na camisa.

Para tranquilizar a torcida, Bruno Soares e Marcelo Melo seguem em bom momento. A dupla é um ponto chave da Copa Davis e esta é uma vitória dada como certa. Oxalá… eu esteja certo.

Federer, a entrevista
Por Chiquinho Leite Moreira
março 17, 2014 às 8:09 pm

De volta ao top 5 e com um dos melhores inícios de temporada de sua carreira, Roger Federer deu uma interessante entrevista em Indian Wells. Falou com o jornalista suíço René Stauffer, autor da biografia do tenista. O encontro aconteceu no players lounge, depois de vencer a semifinal, mas antes de ter perdido a decisão para Novak Djokovic. Entendo que o resultado do jogo não invalida o conteúdo, repleto de declarações reveladoras e esclarecedoras.

A princípio, Federer deixou claro de que está no caminho certo. Depois de um ano ruim, conta que levantar todas as manhãs sem dores é um alívio. É claro que admite contratempos e lesões, num calendário tão exigente como o do tênis.

Mesmo antes de disputar a final, já previa dificuldades, embora tenha se mostrado contente com o que fez em Indian Wells. Contou que em Brisbane o piso era muito rápido. Em Dubai e Aberto da Austrália rápido e na Califórnia mais lento. Por isso, revelou que não subiu tanto à rede. Disse que os adversários teriam mais tempo para buscar as passadas.

Está também satisfeito com a parceria com Stefan Edberg. Revelou um detalhe importante. Melhorou muito o seu footwork. Com o bom trabalho de pernas, ele conta, que seu jogo está fluindo ainda melhor e lhe dá confiança. “Não poderia estar mais feliz”, afirmou na entrevista.

A mudança de raquete, aumentando o tamanho para 98 polegadas, ele define como significativa e uma opção que não deve ser subestimada. Ficou surpreso com a facilidade para jogar. E diz que já se sente tão bem adaptado que nem lembra mais da mudança.

Perto dos 33 anos, faz aniversário em agosto, Roger Federer não confirmou que pretenda se aposentar depois da Olimpíada no Rio. Acha que sua despedida irá ocorrer no tour. Mas não sabe quando. “Seria bom se soubesse, pois assim poderia planejar”. Sua esperança é de seguir em quadra por um bom tempo ainda.

Também não fará como Pete Sampras, que ficou a espera de um Slam para dizer adeus. Disse que vencer mais um major está dentro de seus objetivos, mas considerou importante ganhar também os outros torneios.

Ele reservou muitos elogios ao parceiro Stanislas Wawrinka. E fez uma curiosa comparação sobre a Copa Davis. Definiu que no começo da carreira foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Depois a pior… e agora acha ‘bonito’. Com Federer e Wawrinka a Suíça é uma das fortes favoritas à conquista do título.

Discreto, como sempre, preferiu não comentar a notícia veiculada pelo Daily News, de que sua esposa estaria esperando gêmeos, novamente. “Isso eu não falo. Sei que há rumores. Mas este é um assunto meu e da Mika”, concluiu.

 

Nadal: só uma derrota?
Por Chiquinho Leite Moreira
março 11, 2014 às 3:06 pm

Rafael Nadal mandou em seu twitter que teve um dia para esquecer em Indian Wells. Está claro que na sua opinião esta derrota para Alexandr Dolgopolov foi apenas um acidente de percurso. Coisas que acontecem. Mas este resultado não teria sido um aviso? Um sintoma de que se encontrou a fórmula de superar o espanhol e seu estilo?

O tempo vai responder. Senti que muita gente entusiasmou-se com a vitória do ucraniano. Não pelo momento em que seu país atravessa, mas pela forma como conquistou este resultado. Esteve agressivo e ousado em quadra e duelou com coragem, além, é claro, de muita habilidade.

Este toque de bola de Dolgopolov já era conhecido. Ele inclusive demonstrou esta habilidade já há alguns anos quando esteve no Brasil Open, ainda quando era disputado na Costa do Sauipe. Faltava a ele acrescentar agressividade. E conseguiu.

Esta ‘festejada’ fórmula de superar o estilo do espanhol, em sendo agressivo, invadindo a quadra deu certo em Indian Wells. Mas será que realmente descobriram a pólvora? Um dado interessante apareceu na transmissão do jogo. O da rotação do efeito na bolinha. A do espanhol gira de forma impressionante. Rebater um spin destes é para poucos em seus melhores dias.

Enfim, está claro que Nadal não é imbatível, ninguém o é. Mas o surgimento de novas caras com capacidade de ameaçar as estrelas do tênis é sempre interessante. Faz bem ao esporte, a competição e ao desenvolvimento. Novas técnicas e táticas de ataque e defesa estão surgindo.

Indian Wells rouba fama de Miami
Por Chiquinho Leite Moreira
março 7, 2014 às 7:09 pm

A fama de 5. Grand Slam do ano pode estar mudando de endereço. Deixa Key Biscayne, na Flórida, cruza os Estados Unidos e desembarca em Palm Springs, na Califórnia, mais precisamente no Indian Wells Tennis Garden.

O atual perfil do torneio nasceu de um sonho empreendedor de Charlie Pasarell. Nascido em Porto Rico, o ex-tenista foi um dos grandes incentivadores para a construção do atual complexo. Trabalhou com dedicação para erguer um gigante complexo de tênis, no que chegou a ser chamado – assim como Cincinnati – in the middle of nowhere. – ou seja, no meio do nada. Na época contou com apoio de muitos jogadores. Lembro bem da força que a americana Lindsay Davenport deu para a realização do projeto. Hoje, o Indian Wells Tennis Garden conta também com uma nova quadra 1, além do estádio, dizem que linda, com capacidade para oito mil pessoas. E olha que a Olimpíada não será lá.

Atualmente, Pasarell não é mais o diretor do torneio, cargo que deixou em 2012. Mas o evento ganha apoio de muitos jogadores. Vários deles se derretem em elogios à estrutura, ao tratamento, às condições.

O local chegou a ser conhecido como paraíso dos aposentados. Está repleto de condomínios, rodeados por belos campos de golfe. Alguns lugares revelam todo o estilo exuberante dos americanos. O lounge do Hyatt Hotel, por exemplo, é uma espécie de lago, em que se chega a recepção em gôndolas, iguais as de Veneza. A boite do hotel é agitada. Assim como são os vários restaurantes japoneses da região. Palm Springs, porém, não fica assim tão perto de Los Angeles. Mas no caminho tem outlet premium para quem gosta de compras. No outro sentido, não muito distante, está Las Vegas.

É crescente o número de brasileiros em Indian Wells. Sei de uma mineirada boa que está por lá. E, certamente, eles estarão agitando as arquibancadas nos jogos de Marcelo Melo e Bruno Soares.

Diante deste cenário, Miami promete reagir. Nunca é demais lembrar que ano passado Key Biscayne não contou com Rafael Nadal e Roger Federer. Na Flórida os planos, já em execução, são de grandes melhorias. Nada contra Miami, mas Indian Wells está cada ano melhor.

Na Califórnia, pelas notícias que venho recebendo, a batata do alemão Boris Becker está assando. Afinal, por que tanta ênfase a informação de que Marian Vajda está de volta ao ‘corner’ de Novak Djokovic? O acordo já previa que Becker não estaria em todas as competições, com calendário amplamente divulgado. A pressão é grande e começa com um tom geral de felicidade de gente ligada ao sérvio.

Daddy e Baby Federer + Brasil Open
Por Chiquinho Leite Moreira
março 2, 2014 às 9:39 pm

Enquanto Rafael Nadal pratica mergulho em Cozumel, Roger Federer e Grigor Dimitrov, conhecido como Baby Federer, brilharam nos dois principais torneios da semana. No blog do tênis, o José Nilton já analisou os resultados e seus significados. mas gostaria de destacar algumas coincidências.

Federer, o Roger, enfatizou a adaptação à nova raquete. Fez final em Brisbane, semifinal no Aberto da Austrália e agora o troféu em Dubai. Li e concordo que houve uma boa influência do novo treinador Stefan Edberg.

Grigor Dimitrov, apelidado de Baby Federer pela semelhança de estilo com o suíço, também está com novo técnico, o australiano Roger Rasheed. Usa também a esquerda com uma mão e ambos campeões passaram por adversários muito fortes de backhand de duas mãos. Coincidência interessante no meu ponto de vista.

Também de técnico novo, Thomaz Bellucci fez as pazes com o Brasil Open. Perdeu um jogo equilibrado diante de Federico Delbonis, salvou um segundo set de forma brilhante e poderia ter vencido. Mas, não resta dúvidas, de que deixa São Paulo com um bom saldo. A melhor é a de que nesta segunda feira irá aparecer novamente entre os cem primeiros do ranking mundial.

O torneio Brasil Open, apesar das reclamações quanto aos ingressos, também sai com um bom saldo. Em virtude da minha ligação não vou me estender no comentário, mas a transmissão das finais de duplas e simples na Band aberta leva-me a repetir uma frase do técnico João Zwetsch “o nosso esporte agradece”.

Este deve ser também um bom argumento para a decisão que a ATP irá anunciar nos próximos dias: a data do Brasil Open em 2015. A organizadora do evento, a Koch Tavares fez as melhorias necessárias no complexo do Ginásio do Ibirapuera. A empresa já trouxe nomes como Nadal, Federer, Tsonga, Serena, Maria Sharapova entre tantas outras estrelas, mas precisa de uma semana melhor para atender as expectativas do público.

Na quadra, mais um argentino de grande potencial acabou ficando com o título. Na final derrotou o surpreendente italiano Paolo Lorenzi. Uma decisão que mesmo sem tenistas da casa contou com um bom público.