Monthly Archives: janeiro 2015

Murray e Mauresmo… por que não?
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 29, 2015 às 10:18 pm

Não se pode negar que foi uma decisão ousada, a de fazer parceria com a francesa Amelie Mauresmo. Ainda mais depois de ter trabalhado com tremendo sucesso com o carrancudo Ivan Lendl. Mas por que não? Por se tratar de uma mulher? Por ser da vizinha e rival França? Enfim, críticas injustificáveis.

Lembro de Mauresmo ainda juvenil. Em Roland Garros apareceu como jovem promessa. Era uma menina ousada. Usava óculos estilosos. Sem dúvida muito talentosa e com um tênis dos mais admiráveis. Era fã de sua técnica. Não se pode negar que fez sucesso como profissional. E depois de encerrar a carreira na WTA passei a vê-la até mais. Vivia nos corredores das salas de imprensa prestando uma colaboração ao cotidiano esportivo francês L’Equipe. Meus colegas rasgavam elogios à sua simpatia e competência. Por isso, confesso, fiquei feliz quando li a notícia de que começaria a trabalhar com Andy Murray.

Sem dúvida uma parceria de sucesso. Mas ouso dizer que sei o motivo para tanta polêmica. Pelo menos na minha opinião tudo começou nos 61 e 60 que Murray levou de Roger Federer na O2. As críticas eram ferozes. Os britânicos colocaram para fora toda a secular rivalidade com os franceses. Coitada da Mauresmo… apanhou calada.

Com personalidade forte, Amelie – se me permitem chama-la assim – acabou com outro preconceito de que a mulher é frágil. Resistiu a tudo, em especial, às páginas dos tabloides com a cabeça erguida.

O fato de uma mulher treinar um homem não é inédito. Lembrem-se de Novak Djokovic, que chorou recentemente pela morte de sua primeira ‘professora’. Há muitos anos atrás, ainda nos tempos do exuberante torneio de Itaparica o russo Andrei Chesnokov apareceu na ilha com uma mulher como coach. Ele, entre uma e outra água de coco, espantou-se com a surpresa de todos de estar sendo treinado por uma mulher.

Ainda vivíamos os tempos da Cortina de Ferro, antes da Perestroika. E Chesnokov voltou a desfazer mais um preconceito. Em Itaparica ele iria enfrentar um tenista norte-americano, que, se não me falha a memória, era Tim Mayotte. Não sei como surgiu o assunto da guerra fria. Perguntaram ao tenista russo se ele teria uma motivação maior ao enfrentar um americano. Sem receios respondeu… mas vocês também não são americanos? Para ele a América se tratava apenas de um continente, não importando se do Norte do Sul ou Central.

Enfim, preconceitos não levam a lugar nenhum. E assim é de se esperar que os atuais elogios a Andy Murray e Amelie Mauresmo não se transformem em nova fonte de críticas, caso o britânico não vença em Melbourne.

AVISO AOS NAVEGANTES – Por problemas técnicos estivemos fora do ar por alguns dias. Tudo resolvido. Ou melhor… quase tudo: ainda não está dando para acessar os comentários… sorry

As zebras na terra dos marsupiais
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 19, 2015 às 8:34 pm

Calor intenso, fuso horário, início de temporada. Todos estes fatores por muito tempo sugeriram que o Aberto da Austrália fosse o torneio que mais favoreciam as zebras. Nada mudou no tempo, no horário e na data. Mas sim no profissionalismo dos tenistas. A ideia que seria o Slam mais fácil de se ganhar já não existe mais.

Os atuais tenistas espantaram as zebras, com preparações adequadas. Nos tempos românticos muitos chegavam a oceânia meio despreparados, para o que der e vier. Até que Stefan Edberg chamou a atenção ao investir numa forte pré-temporada ainda no período da festas de fim de ano.

Com ele seguiu-se uma tendência. Já nos primeiros jogos do Aberto da Austrália o nível é impressionante. Rafael Nadal tratou de desfazer dúvidas com vitória consistente. Roger Federer não deixou por menos. Ora, agora pensar que Ernerst Gulbis contraria esta tese é não levar em conta o seu comportamento. Ele, nos tempos de juvenil, não dava chances para Novak Djokovic. Mas enquanto um seguiu pelo caminho do profissionalismo, o outro foi pelo da vida boa.

Antes de qualquer reclamação, no feminino a lista das chamadas zebras é considerável, sem dúvida. Mas isso revela que, ao contrário de outros tempos, as mulheres já não têm vida tão fácil nas primeiras rodadas. Olha só… Svetlana Kuztensova – jogadora campeã de Grand Slam – perdeu para a pouco conhecida Caroline Garcia. Mas esta francesa de nome espanhol tem um jogo dos mais eficientes. O mesmo acontece com Kristina Mladenovic, uma francesa com nome dos Balcãs. Forte e agressiva já não era sem tempo que começasse a mostrar seu talento. Bateu Sabine Lisicki. É para se admitir, porém, a surpresa na eliminação de Ana Ivanovic. Caiu diante da tcheca Lucie Hradecka. Mas os olhos do tênis feminino seguem para outras novidades, como Karolina Pliskova. Há uma geração de novas estrelas nascendo.

 

Um bom ano para o tênis
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 5, 2015 às 7:30 pm

Assim como nas melhores safras dos vinhos (un bon vintage), 2015 promete ser um bom ano para o tênis. Vários aspectos levam a acreditar nisso. As novas caras colocam perspectivas interessantes. Será que Simona Halep, Genie Bouchard, Carol Wozniacki, Grigor Dimitrov, Milos Raonic ou Kei Nishikori ganharão o primeiro Grand Slam? Entre os grandes astros há novos desafios. Será que Novak Djokovic vence em Roland Garros? E Roger Federer voltará a ganhar um Slam? Rafael Nadal conseguirá uma volta tão sensacional como em 2013? Serena encontrará adversárias mais fortes, do que as crises de virose declaradas no ano passado?

As respostas caminham entre realidade e sonhos. Difícil não acreditar em fortes emoções na atual temporada. Uma das dúvidas mais prontas enfoca a volta de Nadal. Em recente entrevista a Rafael Plaza, o tenista espanhol fez revelações interessantes. Tirei alguns pontos cruciais, como em que destaca o fato de seu atual retorno estar em diferentes condições ao sensacional ano de 2013, com seus dez títulos.

Nadal destacou que naquele ano sua volta estava ‘perfeita’. Em torneios no saibro, sem as quadras duras. Não concordo quando ele se refere a perfeição. Afinal, não esqueço suas reclamações no Brasil Open, quando dizia sofrer muito ainda com dores no joelho. Ora, jogar com dor está longe para mim de ser perfeito. Mas, apesar desse início irregular do espanhol, aprendi a não duvidar da capacidade do touro miura.

O sonho de fãs de todo mundo envolve mais uma conquista de Roger Federer. Recentemente Pete Sampras declarou que vê o suíço jogando com a mesma intensidade de outros anos. Ora, não dá também para duvidar das palavras de Sampras.

Djokovic deixa para mim certa insegurança. Ano passado chegou a Roland Garros esbanjando boa forma. Mas justamente na partida final perdeu intensidade, depois de vencer o primeiro set. É claro que se sentiu mal, vomitou em quadra. Mas sua linguagem corporal revelou-me conformismo.

Para o tênis brasileiro o ano chega também com desafios. Logo teremos o confronto contra a Argentina. Thomaz Bellucci mostrou uma bela atitude nos jogos contra a Espanha no Ibirapuera. Isso deve deixa-lo tranquilo e certo de que pode voltar a figurar próximo aos 20 primeiros do ranking. Ainda na Copa Davis João Souza, o Feijão, precisa de uma oportunidade. Afinal, se não for convocado sua participação na Olimpíada do próximo ano fica sem esperanças. Ele disse que irá se dedicar aos Slams nesta temporada. Acho que já é mesmo tempo de sonhar alto.

No tênis feminino, Teliana Pereira já alcançou enormes objetivos, mas ela não é de se conformar. A boa notícia vem com a volta de Bia Maia à equipe da Fed Cup. Se existe alguém que pode conseguir resultados surpreendentes um nome é o dela.