Monthly Archives: março 2015

Vitória à brasileira de Bellucci aqui em Miami
Por Chiquinho Leite Moreira
março 29, 2015 às 4:07 am

Key Biscayne – O torneio de Miami vem estabelecendo recordes de público dia a dia. Apenas ao término da primeira rodada já foram mais de 110 mil torcedores que cruzaram o novo portal alaranjado do complexo de tênis de Crandon Park. E acredite se quiser, eu ouso dizer que isto se deve a presença dos brasileiros.

E neste clima à brasileira, Thomaz Bellucci fez talvez a sua melhor exibição desde os jogos da Copa Davis contra a Espanha no ano passado. Perdeu o primeiro set. Estava sofrendo com o saque. Começou instável o segundo, mas reagiu logo. No terceiro muito equilíbrio até definir sua vitória sobre Pablo Cuevas.

É curioso que Bellucci mesmo ‘jogando em casa’ aqui em Miami contou, é claro, com apoio da torcida, mas carregando junto a desconfiança. Ao sentir uma leve lesão no pé, os mais descrentes já esperavam pelo pior. “Ah! não vai dar.”  Mas a seu estilo o tenista brasileiro soube superar as dificuldades para festejar um grande resultado em Key Biscayne, sede do Grand Slam do Brasil.

Melo e Soares bem-vindos à Miami
Por Chiquinho Leite Moreira
março 22, 2015 às 1:15 am

A ideia de Marcelo Melo e Bruno Soares formarem duplas é sempre bem-vinda, seja lá onde for. Mas em se tratando de Miami é especial. A caminho dos Estados unidos já recebi a informação que Key Biscayne recebeu novas cores este ano. Não são exatamente as da bandeira do Brasil, mas são bem brasileiras.

Acostumados a jogarem juntos na Copa Davis, Melo e Soares poderão se sentir praticamente em casa nas quadras de Crandon Park. Não há torneio internacional que seja tão brasileiro como o de Miami. Acho que este fato poderá levar esta dupla a atuar na quadra central. Por que não? Torcida não faltaria e com a qualidade destes dois tenistas seria, sem dúvida, um grande espetáculo.

Há dez jogos sem perder Melo e Soares podem tirar proveito deste atual momento e do clima do torneio. Jogar com incentivo do público é sempre agradável e motiva muito mais.

A formação da parceria surgiu por circunstâncias. Melo ficou sem Ivan Dodig e Soares em Alexander Peya. Agora esta união poderia sim tornar-se mais frequente. Ainda mais às vésperas dos Jogos Olímpicos em que esta dupla é uma das fortes candidatas e medalha no Rio 2016.

Tênis brasileiro vive sua realidade
Por Chiquinho Leite Moreira
março 9, 2015 às 8:22 pm

O Brasil esteve muito perto de ver o fim do jejum de 14 anos de conquistas no Grupo Mundial da Davis. Mesmo jogando fora de casa, onde são raras as vitórias nesta competição, a equipe liderada por João Zwetsch alimentou fortes esperanças. E sem um otimismo exagerado não acredito que seja hora de atirar pedras. A Argentina, na verdade, era favorita e confirmou.

O cenário do tênis brasileiro leva a esta realidade: a de jogar playoffs, segunda divisão e algumas aparições no Grupo Mundial. As esperanças cresceram com a vitória, ano passado, sobre a Espanha. Thomaz Bellucci foi o herói no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, com atuações brilhantes. Mas a sua realidade é esta demonstrada na partida diante de Federico Delbonis. Cobrar mais o quê?

Sem olhos otimistas, mas buscando um fato real, João Souza, o Feijão, surpreendeu. Revelou estar num outro patamar. E, o mais legal, é que os brasileiros ganharam um tenista para torcer. Afinal, mesmo com sua derrota em jogo épico, acredito que o público tenha ficado satisfeito com sua atuação, luta, determinação e carisma.

O Brasil agora vai, mais uma vez, para a repescagem. O adversário ainda é desconhecido. Mas já é sabido que o time brasileiro ganhou respeito, com a vitória sobre a Espanha e o equilíbrio diante da Argentina. Mas para muitos o que vale mesmo é o resultado atual. O tênis é isso… como diria John McEnroe um esporte para perdedores. Afinal, na semana em que não se perde torna-se campeão.

Um feijão para encher os olhos
Por Chiquinho Leite Moreira
março 8, 2015 às 9:37 pm

O brasileiro ganhou mais um tenista para torcer. É legal estar na emoção do jogo do Feijão, o João Souza da equipe brasileira da Copa Davis. É de encher os olhos assistir e vibrar com um jogador como ele. Salvar dez match points em mais de seis horas de jogo não é para qualquer um. É sim para o carismático Feijão, que desde os tempos de juvenil já espalhava seu espírito e simpatia.

É claro que o Brasil ganhou um jogador de Copa Davis. Já falamos disso antes por aqui. Mas outra virtude apresentada no jogo contra Leo Mayer foi sua personalidade nos momentos mais difíceis e de maior emoção. Não dá para se jogar tênis sem coragem. E o brasileiro não teve medo nas horas em que mais precisava demonstrar competência.

Preciso deixar claro que acredito que a confiança vem com o melhor desempenho técnico. Sair de situações difíceis exige maior versatilidade e um arsenal de golpes completo. Neste aspecto volto a lembrar da importante participação do Pardal, o Ricardo Acioly. No início da carreira deste tenista de Mogi das Cruzes, ele acreditou que poderia transformá-lo num grande jogador. Na época, os comentários eram de que Feijão não tinha uma boa esquerda, nem mesmo devolvia bem os saques. Ora, nem é preciso comentar mais sobre este assunto.

Para muitos é uma pena que Feijão tenha entrado para a história da Copa Davis com uma derrota. Seu jogo foi o mais longo até hoje na competição, mas tenho certeza de que todos devem estar orgulhosos do que se viu neste domingo no desafio de João Souza com Leonardo Mayer.

 

Feijão Show de Bola
Por Chiquinho Leite Moreira
março 6, 2015 às 7:29 pm

Em outro patamar na carreira, tanto no aspecto técnico, físico e mental, João Souza, o Feijão, não merecia perder este jogo. Não fosse este seu novo momento, talvez tivesse deixado escapar o resultado quando vencia por 5 a 2 e acabou perdendo o set. Soube reagir, eliminar as provocações da torcida, a catimba de Carlos Berlocq e teve a virtude de ‘zerar’ o que deu de errado nos set points perdidos e seguir rumo à vitória.

Feijão esteve sereno no clima quente do estádio não muito cheio em Buenos Aires. Viveu um drama e encontrou saídas. Mentalmente foi mais forte que o adversário. Saiu de quadra aliviado, feliz e experiente após 5 horas e 5 sets.

Ao final do jogo fez questão de abraçar todos os integrantes da equipe brasileira da Copa Davis. Este episódio logo fez me lembrar de seus tempos de juvenil. Carismático sempre cumprimentada um por um dos pegadores de bola, antes de deixar a quadra.

Este novo João Souza, com a cara do Brasil e espírito da Copa Davis, não seria o Feijão tenista não fosse o árduo e longo trabalho de seu treinador Ricardo Acioly. O conhecido Pardal há tempos vem investindo na carreira deste então menino, a ponto de fazê-lo trocar Mogi das Cruzes pelo Rio de Janeiro.

Pardal deu novo padrão de jogo ao Feijão. Ele tinha alguns pontos vulneráveis, como, por exemplo, a devolução de saque. Diante de Berlocq marcou pontos importantes com este fundamento. Sua esquerda de duas mãos hoje é segura e regular, embora não se possa deixar elogiar a sua infernal direita..

Por tudo isso fica claro que o Brasil ganhou mais um jogador de Copa Davis e alguém para quem é gostoso torcer.