Monthly Archives: abril 2015

Nadal garante que a má fase é passageira
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 30, 2015 às 6:01 pm

Ás vésperas de defender um título importante no saibro de Madri, Rafael Nadal fez um balanço positivo de seu atual momento, apesar das derrotas em Monte Carlo e Barcelona. Ele não vê crise. Deixou claro que a atual fase é passageira e espera chegar a Paris renovado.

Em conversa com mídia espanhola – e que recebi os pontos mais destacáveis – o 14 vezes campeão de Grand Slam reconhece que perdeu ‘o frescor’ do seu físico, condição que revelou em outros tempos. É lógico que está longe de se considerar um veterano. Mas admite que as diversas lesões prejudicam e influenciam no seu atual momento. Afinal, não pode dedicar o tempo que gostaria aos treinamentos, justamente para recuperar-se e não ver seu problemas se tornaram crônicos.

Nadal já ganhou por cinco vezes o título do Masters de Madri (2005, 2010, 2013 e 2014). Lembrou, com emoção, do primeiro quando venceu Ivan Ljubicic, de virada. Ano passado, a situação foi bem diferente, com o japonês Kei Nishikori sendo forçado a retirar-se de quadra. O espanhol contestou a opinião de que não fosse o problema físico do adversário sua conquista estaria ameaçada. Ele foi veemente ao dizer que nunca perde uma partida até o último ponto. E realmente ninguém poderia prever o que aconteceria se os dois seguissem em quadra. Lembrou que estas coisas fazem parte do tênis e destacou que poucos meses antes o mesmo tinha acontecido com ele na final do Aberto da Austrália, vencido por Stan Wawrinka.

Pelo jeito, Rafael Nadal acredita que o ‘turning point’ será em Madri. Afinal joga em casa, chegou bem cedo ao evento e nem mesmo terá a concorrência de Novak Djokovic. Quem sabe não seja o início do caminho para o 10. título em Roland Garros.

 

É possível alguém vencer os 4 Slams?
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 23, 2015 às 6:01 pm

Vencer os quatro Grand Slams no mesmo ano é coisa do passado. Dos tempos de Don Budge e Rod Laver. Nem mesmo eu vi esses caras jogarem… rs rs . O assunto virou um polêmica com a declaração de Renatinha Saporito de que Novak Djokovic poderia levar todos este ano. Eu não acredito… com todo respeito a brilhante apresentadora do Ace e também aos que tiverem opinião diferente da minha.

O tênis hoje é um esporte muito exigente. Não acredito que seja humanamente possível alguém manter a intensidade, o físico e a técnica de janeiro a setembro, período dos Slams. Sem contar a fase de preparação e tudo mais que envolve colocar um tenista, ou qualquer atleta, em alto nível de competição. Todos podem ser vencidos pelas lesões.

É preciso lembrar que em outros tempos as superfícies dos Slams eram outras. Roland Garros e Wimbledon seguem, respectivamente, com o saibro e a grama. As diferenças são bem marcantes. Mas ainda acredito que o maior obstáculo seja mesmo o atual nível de exigência do tênis.

Tenho de concordar que Novak Djokovic está em fase esplendorosa. Ora como duvidar de alguém que venceu este ano o Aberto da Austrália e os três primeiros Masters, em Indian Wells, Miami e Monte Carlo? Superou todas as dificuldades como mudanças de superfície, clima, viagens, fuso horários e fortes adversários.

É claro que são excelentes as chances de Djokovic levar o seu primeiro Roland Garros. Rafael Nadal, não se pode negar, nunca atravessou um período tão longo sem muitas conquistas. Desde Paris, no ano passado, ganhou o ATP de Buenos Aires e não ergueu mais nenhum troféu. Só que duvidar do poder do espanhol não é para mim.

Os desafios para Djokovic alcançar a façanha de Budge e Laver não passam apenas por Nadal, nem por Roger Federer, que o venceu este ano. Há nos Slams verdadeiros fantasmas que vivem assombrando a vida dos favoritos. Mas seja qual for o argumento, ainda insisto: o mais forte obstáculo para alguém vencer os quatro Slams no mesmo ano está na atual exigência da modalidade, tanto física como mental.

TELIANA É BRASILEIRA – A história de Teliana Pereira confunde-se com as de muitos brasileiros. Especialmente aqueles que buscaram o ‘sul maravilha’ a espera de uma vida melhor. Acho que nem é preciso lembrar a trajetória desta lutadora. Sua superação está clara em cada raquetada e no sucesso alcançado. Escreveu com muito esforço capítulos importantes do tênis feminino brasileiro.

Não gostaria de deixar passar em branco o título de Teliana em Bogotá. Mas apenas explicando a algumas perguntas, apesar de sua boa colocação na WTA, na 81a. colocação, ela terá de disputar o qualifying de Roland Garros. O Aberto da França e todos os outros torneios fecham suas listas de inscrição cerca de 40 dias antes. E na época, o ranking da Teliana estava por volta dos 130. Mas não há dúvidas de que ela tem todas as chances de furar o quali em Paris. Além disso, sua vaga em Wimbledon já está garantida.

 

Djokovic faz história em Miami, mas sonha com RG
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 5, 2015 às 10:05 pm

Novak Djokovic não deixou dúvidas de sua imensa capacidade em Miami. Mesmo sem mostrar o seu melhor conseguiu um grande feito. Conquistou Indian Wells e Key Biscayne seguidos por três anos, 2011, 1014 e agora. Estes títulos consagram um início de ano excepcional, que começou com o Aberto da Austrália, em Melbourne.

É curioso que mesmo em meio a esta celebração, o assunto seja Roland Garros. A mídia internacional lembra que o grande objetivo é o troféu de Paris, no único Grand Slam que o sérvio ainda não levou. O tema, por enquanto, é tratado com discrição. Em Indian Wells, Marian Vajda nem quis comentar o fato para uma reportagem do L’Equipe. Nada de colocar pressão. Afinal, estamos apenas as portas da temporada europeia de quadras de saibro e muita coisa pode acontecer nas semanas que antecede o grande evento.

Alguns jogadores carregam esta sina. Pete Sampras nunca ganhou Roland Garros. Ivan Lendl jamais venceu em Wimbledon. Não acredito que isto possa acontecer com Novak Djokovic. O tenista sérvio sabe como poucos enfrentar dificuldades e sair ileso de buracos. Afinal, mesmo com a vitória sobre Andy Murray, o jogo mais comentado é o de Alexander Dolgopolov. Ainda estava em Miami neste dia. Assisti de perto o sofrimento do sérvio. Mas, sinceramente, quando ele levou a decisão para o terceiro set e vi o ucraniano chamar por atendimento médico, não tive dúvidas. Deixei a quadra central e fui ver os brasileiros Marcelo Melo e Bruno Soares nas duplas.

Há um detalhe no comportamento de Djokovic que me chama atenção e justifica o fato dele ser um campeão. Seu foco. Nos seus tempos de juvenil teve a oportunidade de treinar na Alemanha com Niki Pilic. É um ex-tenista do Leste que trabalhou com Boris Becker e possui enorme experiência e comprovada competência. Mesmo muito jovem, o sérvio já sabia desta importância. Por isso, no pouco tempo que tinha com o treinador aproveitava ao máximo. Já entrava aquecido em quadra e ele mesmo tratava de pegar as bolinhas para não desperdiçar os preciosos minutos que teria de aprendizado. São detalhes como este que diferenciam um grande jogador de um vencedor.

E com este espírito não duvidaria que Novak Djokovic consiga realizar o sonho de ter na prateleira de sua casa os troféus dos quatro Grand Slams. Mas os passos mais importantes deste caminho começam a ser dados agora… no saibro europeu, e, por favor, sem querer parecer esnobe, mas com a licença de todos, para mim a parte mais charmosa e gostosa do circuito internacional. Na chamada terra batida, onde o tenista tem de mostrar todos os seus recursos, Novak Djokovic pode começar a desenhar seu futuro para Paris.