Monthly Archives: julho 2015

Brasil pega a Croácia: será que é uma boa?
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 21, 2015 às 3:28 pm

O sorteio determinou que o Brasil vai encarar no playoff do Grupo Mundial da Copa Davis a Croácia, um adversário, antes de tudo, bastante perigoso. Se a repentina queda no ranking da ITF deixou o País fora dos cabeças de chave, pelo menos, haverá a vantagem de se jogar em casa. A CBT ainda tem alguns dias para definir o local do confronto, que será disputados de 18 a 20 de setembro. Mas tudo indica que o confronto será no saibro e ao nível do mar. São condições que ajudam os tenistas brasileiros e incomodam os adversários. Faz parte do regulamento, característica que transforma a Davis numa das mais emocionantes competições da modalidade.

A princípio o fato de se jogar em casa sugere uma euforia. Mas não é bem assim. Muito vai depender do time que a Croácia mandar ao Brasil. O principal jogador, Marin Cilic, número 9 do ranking da ATP e atual campeão do US Open, não participou da competição este ano. Mas agora a situação é outra. Se o seu país vier a perder o confronto será rebaixado e Cilic deve sofrer pressões.

Uma fato semelhante acontece com Ivo Karlovic, o gigante sacador. Só que a situação é outra. Ele não disputa a Davis desde 2012, portanto, acredito que não se sentiria pressionado a viajar ao Brasil para jogar, muito provavelmente, em condições que deteste: um saibro lento, ao nível do mar, além de uma bolinha que possa fazer com que seu poderoso serviço não funcione bem.

Há ainda uma outra dúvida no time croata. O duplista Ivan Dodig, bastante conhecido dos brasileiros por formar parceria com Marcelo Melo. No último confronto a dupla foi formada Marin Dragonja e Franco Skugar. Neste caso, as coisas teoricamente ficariam mais tranquilas para Melo e Bruno Soares.

O time adversário ainda tem uma das maiores revelações do tênis nos últimos tempos. É Borna Coric, de apenas 18 anos. Ele já  tem em seu currículo vitórias sobre Rafael Nadal e Andy Murray, além de ter sido campeão juvenil do US Open em 2013.

O cenário não deixa dúvidas de que a Croácia será um adversário difícil. Mas olhando pelo outro lado poderá trazer ao Brasil uma estrela do tênis, Marin Cilic. Afinal, o sorteio ainda poderia determinar a vinda da Suíça de Stan Wawrinka e Roger Federer. Ou mesmo a República Tcheca, de Tomas Berdych. As outras opções em se jogando em casa seriam Itália, Estados Unidos e Alemanha. Contra a Eslováquia seria fora e Japão outro sorteio. Enfim, será que a Croácia é uma boa?

Djokovic: o reconhecimento
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 13, 2015 às 2:54 pm

Por mais que ‘Federistas’ de todo mundo tenham lamentado a derrota de Roger Federer no que poderia ser o mais provável 18. troféu de Slam, senti um reconhecimento geral ao valor e merecimento no título de Novak Djokovic. O sérvio tem o seu carisma, faz bem ao tênis e jogou como digno número um.

O mais curioso nesta história toda é que ao mesmo tempo em que se comentou a derrota de Federer surgiu uma outra forma de lamentação e reconhecimento: tipo “uma pena que Djokovic tenha perdido a final de Roland Garros, pois mereceria completar o Grand Slam este ano.”

As esperanças para Roger Federer também não se encerram com Wimbledon. É claro que depois de exuberantes atuações no All England Club tinha na grama sua maior chance de conquistar mais um Slam. Só que o suíço pode ir bem também no US Open, torneio que tem fortes peculiaridades, como, por exemplo, jogar na sessão diurna ou na noturna. Muita coisa muda… para pior ou melhor, dependendo da característica de cada jogador.

Djokovic, além de comprovar seu espírito competitivo, jogou com inteligência. Não sei se deu para notar, mas a final de domingo foi o jogo em que Roger Federer menos alcançou a rede. Trocou bolas de fundo de quadra como em nenhuma outra partida do campeonato. A tática estabelecida pelo sérvio foi colocada em prática, com eficiência.

Outro detalhe também chamou atenção. Não há dúvidas de que o backhand de Djokovic é espetacular – dizem que ele tem ‘duas direitas’ – . Mas o seu forehand funcionou também de forma exemplar. Com este golpe aplicou 17 winners e cometeu apenas sete erros não forçados. Mais uma tática que deu certo.

Enfim, Novak Djokovic coroou o campeonato com uma atuação soberba. Um título merecido e não sem grandes esforços. Não se pode esquecer seu desafio diante de Kevin Anderson. Mas, como disse o próprio campeão, nada como um troféu de Grand Slam, para esquecer outro… Roland Garros está superado. E que venha o US Open.

O melhor vs o melhor competidor
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 11, 2015 às 2:38 pm

A final masculina de Wimbledon deste domingo é um destes jogos para entrar na história. De um lado, o que para muitos é o melhor tenista de todos os tempos, Roger Federer. De outro, o que pode ser definido como o melhor competidor da atualidade.

Não sei como andam as famosas casas de apostas londrinas, mas não acredito que exista um grande favorito. E, sinceramente, difícil mesmo apontar um. O que há é uma forte torcida de um lado ou de outro. Pelas mensagens que recebo os com mais de 30 (anos de idade) torcem e se encantam por Roger Federer. É quase uma súplica para que o suíço conquiste mais um Slam para coroar o seu momento e uma carreira que, na realidade, não precisa de mais nada para ser brilhante.

RF vem de uma semifinal sublime. Em outros tempos não teria dúvidas de que a mídia internacional teria lembrado seu antigo apelido de Fed Ex. A expectativa é a de que possa repetir neste domingo tudo o que apresentou durante estas duas semanas na chamada grama sagrada do All England Club.

Novak Djokovic também não tem nada mais a provar a ninguém. Mas a busca pelo tricampeonato soa como algo dos mais importantes para o tenista sérvio. Ainda mais depois da enorme decepção sofrida na recente final de Roland Garros, quando perdeu para outro suíço Stan Wawrinka.

O tenista sérvio se não é o mais talentoso dos jogadores da história do tênis é, sem dúvida, o que mais buscou aperfeiçoamento e melhoras. Acho difícil apontar um ponto fraco em Djokovic, assim como também é difícil definir qual é o seu melhor golpe. É o conjunto da obra. E uma formação construída através de seu espírito e força de vontade. Nestas horas costumo sempre lembrar um capítulo de sua história em seu livro. Ele, ainda menino, teve a oportunidade de ir para a Alemanha treinar com Niki Pilic, um famoso e competente treinador, que inclusive trabalhou com Boris Becker. E para não perder um segundo sequer da oportunidade de estar com um verdadeiro mestre, ele já entrava aquecido para o treino e corria como um louco para recolher as bolinhas. Tudo para não desperdiçar momentos de aprendizado.

Sem dúvida as expectativas para esta final são enormes. E numa informação de último minutos, um colega avisa que Djokovic treinou muito seu backhand, deixando claro que os problemas no ombro esquerdo não devem prejudicar seu rendimento diante de Federer.

Não deu Muguruza – Bem legal ver a jovem espanhola Garbine Muguruza mostrando um tênis de alta qualidade. Mas diante de Serena Williams não deu para ela. O jogo foi emocionante, digno de uma final de Wimbledon. E a americana segue soberana na WTA caminhando para um merecido ‘calendar Slam’.