Monthly Archives: outubro 2015

Daniel e Marcelo a dupla # 1
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 27, 2015 às 7:29 pm

Com conquistas como as de Roland Garros, ou do Masters 1000 de Xangai, entre outras tantas vitórias, Marcelo Melo irá aparecer na liderança do ranking mundial de duplas no próximo dia 2. Mas seu caminho para o topo não foi construído apenas com parcerias como as de Ivan Dodig, Raven Klaasen ou Lukasz Kubot. Mas sim quando decidiu ter seu irmão, Daniel, que também foi um bom tenista, como seu treinador.

Não é segredo para ninguém que as duplas hoje são formadas por especialistas. É um jogo completamente diferente das simples. São jogadas novas, outras opções daquelas em que um defendia a direita e outro cobria a esquerda. Nem mesmo àquela de ‘vou cruzar no segundo serviço’. Um treinador de olho nestas novas alternativas é imprescindível.

Em outras épocas as duplas contavam com jogadores de simples. Uma das mais famosas parcerias era formada pelos americanos John McEnroe e Peter Fleming. O primeiro usava todo o seu talento e genialidade para os toques de bolas. O outro distribuía pancadas… só dava tiro. Os espanhóis Emílio Sanchez e Sergio Casal também fizeram uma ótima parceria. Só que hoje em dia um duplista não se daria bem nas simples e nem mesmo um jogador de simples teria condições de disputar todas as duplas. É necessário ter prioridades.

O trabalho de Daniel foi o de entender e colocar em prática esta nova linguagem. Certa vez conversei com ele nos corredores do Rio Open, mas mineiramente revelou-se discreto. Não quis falar muito sobre si, seu trabalho, preferindo elogiar o esforço, dedicação e talento do caçula.

A interferência de um bom treinador numa dupla não é privilégio do brasileiro. Há um certo tempo os colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah contrataram o sul africano Jeff Coetzee e fizeram estrondoso sucesso. Só aqui no Brasil conquistaram tanto o título do Brasil Open, em São Paulo, como do Rio Open.

Para Marcelo Melo falta este tipo de reconhecimento ao trabalho dos treinadores de duplas. Certa vez na entrega do prêmio dos melhores do ano, na Costa do Sauipe, colocou-me na parede, pois acredita que se a mídia não dá atenção, seu irmão jamais seria indicado. Confesso que realmente votei no Daniel Melo para treinador do ano, no lugar de nomes como Larri Passos ou João Zwetsch. Mas a valorização dos técnicos especialistas em duplas vai além.

 

Sem Serena, Europa domina o WTA Finals
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 24, 2015 às 8:21 pm

Sem Serena Williams o WTA Finals transforma-se num torneio bem mais disputado. Tanto é que para apontar uma favorita o risco é grande. Tenho colegas viajando para Cingapura pedindo palpites para, dependendo das citações, criar uma referência. Eu coloquei o nome de Garbine Muguruza. Mas, sim sei, que estou correndo grande risco.

Na briga pelo prêmio recorde, de mais de dois milhões de dólares para a campeã, de um total de sete milhões estão Simona Halep, Garbine Muguruza, Maria Sharapova, Petra Kvitova, Agnieszka Radwanska, Angelike Kerber, Lucie Safarova e Flávia Pennetta. Deu para notar que todas são europeias, não é mesmo? Nem americanas, asiáticas ou da Oceânia.

Entendo a dificuldade em apontar favoritismo. Simona Halep não está no seu melhor neste ano, muito menos neste final de temporada. Porém, fez uma estreia brilhante diante de Flávia Pennetta.  Muguruza já vejo com fase ascendente. Esteve na final de Wimbledon, mas ainda sofre com o arrojo de seu jogo. Arrisca muito e, é claro, comete muitos erros. Mas gosto de vê-la em ação e penso que a tendência é dela melhorar cada vez mais.

A seguir vem Sharapova. A tenista russa quase não jogou neste semestre. Deve sofrer com a falta de ritmo e recentemente disputou apenas dois sets, em Wuhan, antes de abandonar a quadra diante de Barbora Strycova. Tanto é que alternou altos e baixos em sua vitória sobre Radwanska, de virada. Petra Kvitova pode sim entrar na lista – bem, pelo menos, a minha – de fortes candidatas. A tenista tcheca tem um estilo lindo e bem adaptado às condições de jogo de Cingapura.

Outra jogadora também em boa fase é Radwanska. Ganhou um bom torneio recentemente e depois de bater a cabeça no primeiro semestre conseguiu bons resultados neste últimos meses. Mas não teve intensidade para superar Sharapova na primeira partida, pois optou por uma tática muito defensiva. Mais esperou erros da adversária do que propriamente investiu em vencer.

A alemã Angelike Kerber também vem forte, mas não conseguiu jogar bem na final de Hong Kong com Jelena Jankovic, muito em função de problemas na região lombar. Poupou-se esta semana não jogando Moscou. Lucie Safarova depois do vice de Roland Garros parece ter caído um pouco de produção e ficou com a última vaga no Finals. Para fechar o grupo aparece Flávia Pennetta, que deverá jogar muito mais com o coração, no que será o último torneio oficial de sua vida. Sentiu, sem dúvida, esta pressão na partida de estreia, permitindo um pneu.

No sorteio dos grupos, em tese o vermelho estaria mais forte. Afinal, tem a número dois e número três do ranking mundial, respectivamente, Simona Halep e Maria Sharapova. Mas como já disse ambas não esbanjam confiança no atual momento. Radwanska e até mesmo Pennetta podem surpreender.

O grupo branco reúne três canhotas: Kvitova, Safarova e Kerber. Todas contra Muguruza. Se for para arriscar mais uma vez ficaria com a espanhola e a tcheca Kvitova.

Enfim, dá mesmo para entender a dificuldade de se encontrar uma grande favorita. Tudo por conta de Serena Williams. Uma pena que a número um esteja fora, mas, por outro lado, a competição ganha um outro tipo de emoção.

 

Um novo Nadal pode surgir em 2016
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 5, 2015 às 4:08 pm

Depois de um ano de algumas frustrações, como não ganhar o 10. troféu de Roland Garros e de nenhum outro Grand Slam. Ou mesmo de perder nesta semana a posição de número 1 da Espanha para David Ferrer, um novo Rafael Nadal poderá surgir na temporada de 2016. Pela primeira vez, seu tio e mentor, Toni, apresentou-se de forma condescendente. E admitiu que se o pupilo não conseguir resultados esperados no início da próxima temporada poderão surgir mudanças na equipe e no estilo de seu jogo.

Em Pequim, na China, Toni Nadal não descartou a ideia de Rafael Nadal seguir o exemplo de dois outros grandes tenistas. E procurar um ex-tenista para estar ao seu lado. Assim, como Stefan Edberg trabalha com Roger Federer e Boris Becker com Novak Djokovic.

Há tempos em que se discute a parceria de Toni e Rafael. É claro que o tio seguiria na equipe, mas na área de gerenciamento. A parte técnica iria para alguém que pudesse dar ao ex-número um do mundo melhores resultados do que conseguiu este ano. Ele ganhou três títulos: Buenos Aires, Stuttgart e Hamburgo, nada desprezível, mas muito pouco para um jogador do seu nível.

Para Roger Federer as mudanças foram boas. É claro que ele ainda busca outro Grand Slam. Não se pode negar, porém, que se reinventou, com novas jogadas e um estilo bem mais adaptado aos seus 34 anos.

A parceria de Djokovic com Becker começou um pouco lenta, ainda sob a influência de Marian Vajda. Só que agora não restam dúvidas de que o sérvio está em fase esplendorosa.

Acho que os fãs de Rafael Nadal merecem uma injeção de esperança. Talvez novas ideias, novas alternativas de jogo possam recolocar o espanhol perto de seu melhor nível. Só que se existe mesmo a intenção de mudanças, por que não aproveitar este final de ano? Uma nova parceria na pré-temporada poderia ser bem mais interessante e proveitosa. Ora, testar e realizar mudanças durante o circuito pode custar caro, exigir muito mais tempo.

Por que Serena parou?
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 1, 2015 às 6:31 pm

Difícil analisar o repentino anúncio de Serena Williams, de não jogar mais este ano. Abre mão de torneios fortes e milionários. Mas, sem dúvida nenhuma, pontos e dinheiro não fazem mais parte das prioridades da americana. Costumo dizer que atletas desse quilate jogam pela glória, recordes e história.

A temporada de 2015 de Serena é uma das mais brilhantes. Ganhou 53 partidas, perdeu apenas três – todas em semifinais – e ganhou cinco títulos. São três Grand Slams, mais os Premiers de Miami e Cincy.

Seu anúncio de fim de temporada puxou pela emoção. Em comunicado afirmou não ser segredo para ninguém todo o sacrifício dos últimos meses, com lesões no cotovelo, joelho, mas o que a teria machucado mais foi “um certo jogo” que afetou seu corarão, seus sentimentos.

Ora, perder faz parte do jogo. Não é fácil para ninguém, ainda mais para quem poucas vezes experimenta este gosto amargo. Compartilhei esta teoria com um tenista profissional, de grande experiência, vivência e vitórias marcantes em torneios importantes como os Slams. Contou-me que algumas derrotas machucam mais que as outras. Mas deixou claro que superar estes momentos fazem parte do perfil de um profissional.

Acredito que na decisão da tenista pesou a opinião do treinador Patrick Mouratoglou. Não é segredo para ninguém que seu envolvimento com a pupila ultrapassou a parte técnica. Ele já havia declarado que preferia ver Serena fora das quadras a jogar sem motivação. Ora, será que ele não deveria buscar formas de motiva-la? Existe uma verdade que não há combustível mais eficiente para os atletas do que as  vitórias. Ninguém inventou nada melhor para levantar o ânimo de jogadores com este alto grau de competitividade. Mas, enfim, Serena Williams terá de esperar até o próximo ano – passar Natal e Revellon – pensando em como é doce o gosto da vitória. Afinal, de alguma forma lhe foi tirada a oportunidade de recuperar o ânimo, mostrar sua arte e fazer o que gosta e, não há dúvidas, faz tão bem.