Monthly Archives: maio 2016

RG tem dia decisivo
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 31, 2016 às 9:02 pm

Se a fórmula apresentada der certo, isto é, se não chover muito, Roland Garros terá nesta quarta feira um dia decisivo. É que para as mulheres serão necessários quatro jogos em quatro dias. Para os homens quatro em cinco dias. Assim, se nesta quarta-feira em diante São Pedro for bondoso joga-se as oitavas, quartas no dia seguinte e as semifinais na sexta-feira. Sábado livre para os finalistas do masculino e a decisão do feminino. Portanto tudo vai depender do que acontecer na atual rodada.

É claro que os tenistas, especialmente do masculino, irão espernear por terem de fazer jogos seguidos em melhor de cinco sets. Mas o atual diretor do torneio, Guy Forget, deixou bem claro que os jogadores não serão consultados a respeito da programação e que a decisão de se fazer jogos seguidos é exclusiva da organização.

Não lembro de Roland Garros ter um período tão longo de chuvas. Para mim sempre estava mais frio numa semana e sol e calor em outra, nem sempre nesta ordem. Mas, desta vez, choveu desde o começo.

Apesar disso, os organizadores se mostram otimistas. Pelo menos é o que demonstra a programação desta quarta feira. Afinal, pensei que iriam colocar no primeiro horário os jogos do masculino espalhados em diversas quadras. Mas não é isso que foi programado. A PC começa com Serena e Svitolina, a seguir a continuação da partida de Djokovic e Bautista Agut. E o jogo mais esperado pelos franceses não começaria antes das duas da tarde de Paris, com Gasquet diante de Murray.

Não vejo tantos problemas nas mulheres terem de fazer jogos seguidos. Mas a coisa pega no masculino. O desgaste pode provocar uma queda de rendimento e a competição entra naquela da lei do mais forte.

 

Chuvas em RG causam prejuízos estimados em 100 mi Euros
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 30, 2016 às 9:28 pm

O problema não é novo. Só esta semana, as chuvas já interromperam diversas partidas. Só que a solução pode ser definida como um sonho distante. O atual diretor do torneio, Guy Forget, em seu primeiro ano na função, já pegou de imediato um assunto espinhoso. Reconheceu que o complexo de Roland Garros precisa de urgentes modernizações. Além do teto na Philippe Chatrier, planeja-se remodelar a Suzanne Lengle e construir um novo estádio para cinco mil pessoas.

Só que todos os planos esbarram na “democracia francesa”. Afinal, diversas associações impedem qualquer obra, com argumentos que a atual arquitetura é intocável. Se nos outros Slams, como no US Open, Wimbledon e Australian Open já se solucionou o problema, na França talvez isso chegue apenas em 2020.

Este prazo, porém, pode ser estendido. A desconfiança veio do ex-tenista e hoje empresário de sucesso, o romeno Ion Tiriac. Ele construiu em Madri o complexo da Caixa Mágica, com três quadras cobertas. E numa conversa em Paris com jornalistas confessou que se aparentemente todos querem as modernizações, há muitos que são contra. A situação é que o governo francês aprova a ideia, a prefeitura de Paris também, a Federação Francesa tem o dinheiro suficiente, mas parte da população diz não.

O projeto de construção do teto retrátil prevê uma altura de 18 metros acima do limite das arquibancadas. Vizinhos já pararam por diversas vezes qualquer iniciativa da Federação Francesa. Quem mora ao lado do complexo não quer ter sua vista alterada. Comprou a propriedade com um horizonte e não quer perder.

Roland Garros é hoje o maior evento esportivo de Paris, a parte da prova de ciclismo do Tour de France, que passa por diversas regiões. A cidade arrecada de forma direta certa de 400 milhões de euros e muitas vezes mais em outras fontes. E, por isso, haveria o que se chama de ‘interesse nacional’ para as reformas em Roland Garros. Na França se existe a necessidade de se construir uma estrada, o governo pode desapropriar, pagando o valor devido. Mas se o proprietário não ficou contente, pode ir aos tribunais e se ganhar a causa receberá dez vezes mais o que lhe foi pago. Só que a estrada será construída. Não é o caso de Roland Garros.

Sem quadras cobertas, Roland Garros nesta segunda feira não teve sequer uma hora de jogo. Isto significa que a organização deve reembolsar os valores pagos pelos ingressos. Mas, segundo avalia o bem informado Ion Tiriac os prejuízos devem alcançar a casa dos cem milhões de euros. São 210 países transmitindo os jogos, com impressionantes perdas de publicidades, entre tantos outros transtornos.

Roland Garros já viveu situação semelhante. Também durante a segunda semana de 2013 nenhum jogo chegou a ser completado. Porém, houve bate bola por mais de uma hora, sem a necessidade de se reembolsar ingressos. Em 30 de maio de 2000 aconteceu a mesma coisa. Nem sequer os jogos foram iniciados. Portanto, o problema vem de longe, mas a solução também parece estar longe.

 

O adeus de Nadal
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 27, 2016 às 3:18 pm

A notícia pegou todo mundo de surpresa: Rafael Nadal, nove vezes campeão de Roland Garros, abandonou o torneio deste ano, em pleno andamento, por causa de uma lesão no punho. Desde Madri já sentia o problema. Mas chegou em Paris com o discurso de buscar mais um troféu.

Só que ao longo do caminho o problema agravou-se, segundo revelou em entrevista coletiva. Afirmou que seu médico não garantia a possibilidade de jogar mais cinco partidas, que seria o número necessário para chegar ao título. Com o perigo de ter de ficar por muito tempo fora das quadras.

Sem dúvida nenhuma uma difícil decisão do tenista espanhol. Mas para ele chegar a este ponto é que a situação está mesmo muito complicada e comprometedora. É claro também que esta situação irá gerar especulações. Mas nunca é demais lembrar que num torneio do Grand Slam, ainda mais realizado na França são tomados todos os cuidados para se manter a integridade do esporte.

TELIANA: MAIS UM SONHO REALIZADO – De causar emoção o sorriso aberto e sincero de Teliana Pereira ao cumprimentar Serena Williams ao final da partida, em Roland Garros. Li no seu twitter que em 2010 ela estava há um ano sem jogar, machucada, e seu pai a incentivou. Disse para a filha não ficar triste, levantar a cabeça, pois um dia ainda iria enfrentar Serena.

O sonho se realizou agora em Paris, num torneio sempre muito especial para Teliana, assim como para os brasileiros. Sinto apenas que Serena Williams, dentro de seu profissionalismo e respeito às adversárias, não esteve nada amistosa. Comemorou seus pontos com intensidade e intimidação. Mas, pelo menos, fiquei feliz, quando a americana aplaudiu em gesto típico dos tenistas, com a raquete, uma bela passada da brasileira.

Teliana com sua humildade e simpatia acostumou-se a fazer história no tênis brasileiro. Antes dela estivemos por mais de 20 anos sem tenistas em chave principal de Grand Slam, e sem ninguém entre as cem primeiras do ranking. Ela acabou com esse jejum, com muita determinação e glórias, por que não? Afinal dentro de suas possibilidades até que fez um bom jogo contra Serena. Mas há de se considerar que a americana esteve forte, concentrada

Sinal de alerta para Djokovic em RG
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 17, 2016 às 4:49 pm

A poucos dias do que se chama de o mais charmoso torneio do planeta, o sinal de alerta está aceso para Novak Djokovic em Roland Garros. Não que se possa duvidar da capacidade do atual número um do mundo, mas os desafios são enormes e a pressão pelo primeiro título parece pesar mais do que nunca. O Grand Slam francês é o único dos quatro disputado na superfície de  ‘terre bauttue’, um terreno de um ‘savoir-faire’ bem característico.

Este alerta nasce nos próprios fatos recentes de Novak Djokovic. A derrota em Monte Carlo pode ser considerado apenas um ‘escorregão” no saibro. Em Roma, seus nervos estiveram a flor da pele. E o pior: reclamou da exigente semana, por causa de jogos muito equilibrados e duros, como os três sets contra Kei Nishikori, ou mesmo a difícil batalha diante de Rafael Nadal. Sem contar os 6 a 0, que tomou de Thomaz Bellucci.

Ora, não se pode duvidar da invejável condição física de Novak Djokovic. Só que um Grand Slam no saibro é como uma prova de resistência. Não dá para esperar por momentos fáceis ao longo das duas semanas. Ainda mais em partidas decididas em melhor de cinco sets.

Outro difícil desafio em Paris está na instabilidade. Fala-se muito do tempo em Londres, mas a capital francesa tem lá suas variações. Ora com sol quente, ora com frio e chuva. O próprio Roger Federer chegou uma vez a declarar em entrevista coletiva que o Grand Slam francês é disputado em situações distintas. Disse que quando está com sol forte, seco, estas condições favoreciam seu estilo. Mas na terra pesada…

O momento colocar ainda outros obstáculos para o sonho da primeira Taça dos Mosqueteiros para Djokovic. Há tempos que Rafael Nadal não jogava tão bem, como agora. Até mesmo Andy Murray entra na lista de candidatos e, é claro, não gostaria de ter outro duelo com Stan Wawrinka. Aliado a estas forças, surgem os novos talentos. São muitos os jogadores que podem ameaçar o favoritismo de Novak Djokovic em Paris.

A partir de domingo tudo começa a ficar mais claro.