Monthly Archives: junho 2017

O polêmico ranking da grama
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 26, 2017 às 3:27 pm

IMG_3339Não é de hoje que os critérios usados pelo torneio de Wimbledon para determinar os cabeças de chave são polêmicos. O All England Club ainda não divulgou oficialmente os pré-classificados deste ano, mas o assunto promete ser controverso, mais uma vez. Tirar Rafael Nadal de número dois e subir Roger Federer de cinco para três pode dar muita chiadeira.

Não dá para dizer que Roger Federer não mereça estar entre os quatro melhores jogadores da grama. Mas também fica difícil dizer que o duas vezes campeão de Wimbledon, Rafael Nadal, não saiba jogar nessa superfície.

Sem contar ainda que, em se confirmando o ranking da grama, Stan Wawrinka pularia de três para cinco, o que o obrigaria a cruzar com os principais favoritos uma rodada antes.

Pelos critérios anunciados, Andy Murray sairia como número um, Novak Djokovic, dois, Federer três e Nadal quatro. Isto levando-se em consideração os resultados obtidos pelos tenistas em competições na grama nos últimos dois anos.

Tenistas especialistas no saibro sempre foram prejudicados pelos critérios únicos de Wimbledon. Há muitos anos, jogadores como Albert Costa e Alex Corretja boicotaram a competição por não concordarem com o fato de terem sido rebaixados nas suas colocações como cabeças de chave. O assunto incendiou a media por um período, mas quando o torneio começou caiu no esquecimento. O brasileiro Gustavo Kuerten também liderou um boicote em 2001. A princípio também estava inconformado com o fato de não ser o cabeça um, mas logo anunciou que sua desistência do Grand Slam inglês estava ligada a necessidade de descansar.

Não sei o que o torneio ganha com um critério exclusivo para determinar os cabeças de chave. Acho que seria muito mais interessante obedecer o ranking da ATP e WTA e deixar que os tenistas mostrem suas qualidades em quadra.

O ano mágico de Guga, sob outro olhar
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 19, 2017 às 8:29 pm

Antes tarde do que nunca. Aliás este texto já estava escrito em minha mente desde o dia 8, data do 20º aniversário da primeira conquista de Gustavo Kuerten em Roland Garros. Faltava apenas ‘put down in words’ como diz a música Your Song de Elton John. Já li, ouvi muitas histórias sobre este ano mágico de Guga em Paris. Mas decidi contar sob meu olhar, de repórter especializado em tênis.

Desde 1985 já frequentava Roland Garros, como enviado especial do jornal O Estado de S. Paulo. A cobertura ‘in loco’ de um torneio tão importante era revelada em histórias diárias, sempre com traços marcantes, diferente do que era feito por ‘telex’ ou hoje em dia pela Internet. As reportagens eram assinadas pela cor local, a visão direta e aguçadas por curiosidades de bastidores. Um bom produto, sem dúvida nenhuma.

A cobertura de 1997 começou com um detalhe dos mais interessantes contado carinhosamente no livro ‘Saibro Suor e Glória’ de autoria de Renato Maurício Prado, jornalista que também estava em Roland Garros naquele ano. Ele apareceu no complexo no dia da estreia de Guga. Só que Fernando Meligeni também estava em ação, diante de Javier Frana, justamente na quadra ao lado. Renato estranhou o fato de eu não estar acompanhando o jogo do Fininho, na época, o melhor brasileiro. Expliquei que Betão (ex-tenista brasileiro, Roberto Jábali) havia me contado que Kuerten estava jogando excepcionalmente bem. Solto e com fortes golpes de direita e esquerda. E, por isso, fiquei de olho nele. Era um desafio e tanto contra Slava Dosedel. Este adversário apresentava um estilo que complicava a vida do brasileiro, com golpes retos, pouco efeito e bons saques. Só que – nunca ninguém falou – mas sem tirar os méritos da vitória, Dosedel parece ter entrado em quadra apenas pelo ‘prize money’. Com nítido problema físico, não conseguia sacar direito e quis o destino que abrisse então as portas para a épica campanha de Guga Kuerten em 1997.

Enfim, Guga havia conseguido a primeira vitória em Roland Garros. No ano anterior, ele também tinha jogado a chave principal, mas não havia passado por Wayne Ferreira, em um jogo bastante equilibrado. Conheci Kuerten anos antes, em Wimbledon. Era um meninote e fui entrevistá-lo para boletins da Rádio Eldorado. Fiquei impressionado com sua desenvoltura ao falar. Sua mãe, Dona Alice, que também estava em Londres neste ano explicou-me que Larri Passos já o treinava e também o ensinava a como se comportar diante de um microfone. E não é que o meninote transformou-se num grande jogador e muito comunicativo!

A saga de Guga em Roland Garros daria um livro. Numa rápida passagem, a segunda rodada de 1997 foi para a quadra 3, que fez Larri chorar com as lembranças de quando treinava Andrea ‘Dadá’ Vieira. Veio uma vitória chave também, diante do sueco Jonas Bjorkmann. Na sequência Thomas Musters. Na manhã do jogo, cruzei com Pardal (Ricardo Acioly) na saída do hotel e ele disse categoricamente: “Guga vai ganhar”.

Depois veio Andrey Medvedev, num jogo que começou num dia e terminou no outro. Foi na quadra A, hoje Suzanne Lenglen. E Guga não poderia imaginar que tinha uma “falsa namorada” dele sentada ao meu lado e de Armando Nogueira. Várias histórias curiosas  marcaram os encontros com Evgeny Kafelnikov – na época conhecido como a metralhadora Kalashikov – com Filip Dewulf, hoje meu colega, e a final com Sergi Brugera. Ventava tanto naquele 8 de junho de 1997, que minha lente de contato saiu do olho e não vi o match point.

 

 

Roland Garros reserva grandes duelos para a segunda semana
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 4, 2017 às 8:00 pm

Nada se compara ao clima eletrizante da primeira semana de um Grand Slam. Muita agitação em todas as quadras, jogos emocionantes por todos os lados e um agito gostoso. Agora, as maiores emoções se fecham nos palcos principais, para um público mais limitado, porém, com duelos que deixam enormes expectativas,

Na chave masculina de Roland Garros o quadro inferior colocou alguns dos principais favoritos em rota de colisão. E chegou o momento destes duelos acontecerem. Rafa Nadal pelo que vem mostrando não deve encontrar muitos problemas para superar mais um espanhol. Terá pela frente Pablo Carreno Busta, fugindo dos tiros e saques violentos de Milos Raonic, que caiu na última rodada. Em busca do décimo troféu dos Mosqueteiros nem mesmo terá de desafiar Grigor Dimitrov, que também não parece ser páreo par o rei do saibro em Roland Garros.

É claro que as maiores expectativas ficam para o encontro de Novak Djokovic com Dominic Thiem. Enquanto o atual campeão, número dois do ranking, vive momentos de instabilidade, o jovem austríaco esbanja tênis e um preparo físico impressionante no alto de seus 23 anos. Chega em todas as bolas com incrível eficiência.

A tentativa de uma parceria com Andre Agassi não rolou como Djokovic gostaria. Voltou a ter nas arquibancadas o guru espiritual Pepe Imez, que na minha opinião deve estar mais complicando sua cabeça do que ajudando, e a família. Seu pai, Srdan, era enérgico e exigente com Novak nos seus tempos de formação. Pelos bastidores do mundo do tênis dizem que a ida do tenista para a Alemanha, para treinar com Niki Pilic, também foi uma forma de fugir das broncas e tabefes. Essas lembranças nunca são boas. Vide o exemplo de Andre Agassi, que também tinha um pais enérgico, e admitiu que, por um momento, chegou a odiar a ideia de jogar tênis.

O lado de cima da chave ainda mostra um número 1 sem muita confiança como está atualmente Andy Murray. Sua vantagem, em relação à Djokovic, é que ele conseguiu reunir uma força tarefa para auxiliá-lo em Roland Garros. Mas em seu jogo contra Juan Martin Del Potro estava nítida sua irritação com Jamie Delgado. Pelo menos, ainda tem os conselho de Ivan Lendl.

O próximo desafio de Murray é contra o russo Karen Khachanov, de 21 anos, que é treinado pelo espanhol Galo Branco. O jogo também promete. Stan Wawrinka vem correndo por fora, e muito rápido. Pega Gael Monfils, que não jogou no saibro este ano, por conta de lesão no joelho esquerdo, mas sempre é um adversário difícil. Ainda há um duelo de “big guns” entre Kevin Anderson e Marin Cilic. E o espanhol Fernando Verdasco, cheio de confiança após eliminar Alexnader Zverev, contra Kei Nishikori.

A semana promete e começa intensa já nesta segunda feira.