Murray agora só nas duplas
Por Chiquinho Leite Moreira
março 12, 2017 às 5:47 pm

Incrível, mas Andy Murray, o tenista número um do mundo, voltou a cair diante de um voleador. Assim como já havia acontecido no jogo com Mischa Zverev, agora o escocês é eliminado na sua estreia em Indian Wells  para o canadense com nome de remédio Vasek Pospisil. Jogador ágil junto à rede, veio do qualifying e conquistou a maior vitória de sua vida no Masters 1000 da Califórnia. Talvez os voleios sejam o caminho mais rápido para acabar com a soberania de Murray. Só que entre os grandes só vejo condições em Roger Federer e Tomas Berdych em assumirem esta postura. Dificilmente Rafael Nadal, ou mesmo Novak Djokovic tenham ‘cacoete’ para jogarem desta maneira.

A derrota de Andy Murray só aguçou um tema que já tinha em mente. Com sua eliminação nas simples, ele agora só joga a chave de duplas… só isso e tudo isso, não é mesmo? Afinal, o milionário torneio de Indian Wells, com suas belíssimas instalações, conseguiu o que nenhum Grand Slam tem alcançado nos últimos anos, ou seja, levar os grandes nomes do tênis a disputarem também a chave de duplas.

Confesso que não sei como isso foi possível, mas acredito que tem muita grana rolando por aí. Há tempos não via uma arquibancada lotada para um jogo de duplas – nem mesmo em final de Grand Slam – como na partida entre Andy Murray e Daniel Evans diante dos Lopez espanhóis, Feliciano e Marc. Achei bem bacana e acredito que deu Ibope.

Com a derrota de Andy Murray a chave de simples de Indian Wells ganhou uma característica peculiar. Na parte de baixo é de um Grand Slam, na de cima de um ATP qualquer.

Neste aspecto a estratégia de investir em grandes nomes nas duplas dá uma sobrevida ao torneio. Imagine um torcedor que gostaria de ver em ação o número um do mundo e só comprou ingressos para as rodadas finais? Mesmo com a eliminação de Murray ainda terá a chance de vê-lo em ação se seguir em duplas. Ou seja: duas oportunidades de compensar o valor pago pelas entradas.

Nem só Murray entrou nessa de simples e duplas. Novak Djokovic está com Victor Troicki, Rafael Nadal com Bernard Tomic, Nick Kyrgios com Nenad Zimonjic. Aliás, estes últimos eliminaram a dupla mais vencedora da história do tênis, os irmãos Bob e Mike Bryan. Isso comprova a tese de que um simplista tem nível e potencial superior aos duplistas.

Antes que os amantes das duplas comecem a reclamar Stan Wawrinka e Grigor Dimitrov fizeram um péssimo match tie break e perderam para Treat Hyet e Max Mirnyi. Aliás, o bielo russo é um exemplo de como a dupla pode dar uma sobrevida ao tenista. Nada contra seguir trabalhando e ganhando a vida. Mirnyi, para quem não lembra, iniciou o calvário de Guga Kuerten. Em jogo do US Open, que terminou na madrugada, só perdeu para o brasileiro em cinco sets. Exigiu tanto que os problemas de quadril, até então sob controle, passaram a limitar as ações do brasileiro. Bem, o resto da história todos já estão cansados de saber e, de certa forma, só enriquece ainda mais a brilhante carreira do querido catarinense.

De volta às duplas de Indian Wells, a ideia de colocar grandes nomes na chave é elogiável e a fórmula é antiga. Djoko está com Troicki, Nadal com Tomic, e, em especial Kyrgios com Zimonijic, ou seja, um grande talento ao lado de um tenista cheio de malícias e que conhece os segredos das duplas.

Um dos times mais famosos de todos os tempos também tinha esta formação. John McEnroe jogava com Peter Fleming. McEnroe todos conhecem, Fleming, nem tanto, mas  sempre abria o caminho para o mais famoso brilhar. E assim que sol brilha na Califórnia.


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