Federer revela o segredo do bh matador
Por Chiquinho Leite Moreira
março 16, 2017 às 3:26 pm

É claro que por trás do backhand matador de Roger Federer, em seu duelo com Rafael Nadal, existe um talento enorme e incrível genialidade. Mas, após o jogo, em Indian Wells, o tenista suíço revelou muita humildade ao comentar a eficiência de sua esquerda, que nas partidas contra o espanhol era seu calcanhar de Aquiles. Ele creditou a atual eficiência à troca de raquete. Passou a usar um modelo maior e praticamente eliminou as ‘madeiradas’ de outros tempos.

O próprio Federer mostrou-se surpreso com a precisão de seu backhand. Admitiu que nunca tinha conseguido tamanha eficiência, deixando transparecer que a melhora neste golpe veio de forma natural.

Acrescido a tudo isso, existiu sim uma atitude de coragem de Federer neste jogo diante de Nadal. O suíço praticamente não usou o seu eficiente slice e partiu para a bola de forma franca e decidida. Portanto, não se pode dar – como fez Federer – todos os créditos ao equipamento pela excepcional performance do suíço.

A mudança de raquete de Federer foi quase uma novela. Fez inúmeros testes e chegou a jogar com o modelo maior. Só que os resultados não vieram a contento. E então o tenista voltou ao equipamento antigo.

Assim, o período em que ficou em recuperação de cirurgia, contou-me um jornalista suíço, foi decisivo para o ex-número um do mundo convencer-se de que poderia e deveria ter em mãos uma ferramenta com maior “forgiveness”, ou seja, que aceita pequenos erros e imprecisões no golpe.

Para alguns tenistas existe uma relação de amor com a  raquete. Em outros tempos, o norte-americano Jimmy Connors fez da T-2000  sua Excalibur. Quando o equipamento saiu de linha nos anos 80, Jimbo, como era conhecido o tenista, fez campanha mundial e ofereceu grana alta para quem tivesse uma raquete igual. Mas de nada adiantou o estoque. Connors logo passou a usar um modelo de grafite.

Não há dúvidas de que equipamentos cada vez mais sofisticados são importantes para o bom desempenho de um tenista. Mas também não são decisivos. O atual bom momento de Federer está ligado a uma série de ingredientes. Um deles é a forma solta e descontraída que vem demonstrando em quadra. Outro é como o suíço está olhando sua carreira, no alto de seus 35 anos.


Comentários
  1. enio de paula salgado

    Federer sempre foi gênio. O backhand ele tinha mas não utilizava. Não como negar que a modificação veio com Ivan Liyubcic

    Reply
  2. alexpicelli

    Diria eu, além disso tem o dedo do Ivan, segundo fontes da imprensa mundial, Ivan foi um dos responsáveis, além de parecer que O REI, mudou a empunhadura! Não sei bem pois não entende tanto, mas para quem entende ai sim pode prestar atenção!

    Reply
  3. Fabio

    Eu vi o vídeo da entrevista e Federer parece ser honesto, ele não ia deixar de dar crédito ao Ljubicic, ele também comentou as madeiradas.
    Quem já usou o modelo six one 90 que ele usava sabe que aquilo é um tormento de usar, acho que esse modelo de raquete acabou com a carreira do Blake, depois de um tempo é impossível usar aquilo, só o Federer pra acumular título de Grand Slam usando aquilo…

    Reply
    1. Chiquinho Leite Moreira

      É sempre bom lembrar que a raquete é apenas um instrumento. Neste caso, como um piano nas mãos de Mozart

      Reply
  4. Joaquim Milhomem

    Chiquinho tem razão sobre o “instrumento” nas mãos de um gênio. Mas a auto-estima do Federer nesse ano está mais alta que o Everest. E isso é muito bom, por que faz com que ele entre em quadra sem temer qualquer reação do adversário, seja ele quem for. Sem falar que o faz mais agressivo, sem medo dos erros que podem ocorrer. Bom exemplo está na recepção de segundo serviço, em que avança mais de três metros na quadra.
    Ontem, quando Nadal acordou o jogo já havia acabado. Viva Roger Federer!

    Reply
  5. Miguel Seabra

    Ele testou uma raquete maior no final de Julho de 2013, voltou à original e adoptou finalmente o novo tamanho no arranque da temporada de 2014 (e perdeu na meia-final do Open da Austrália para o Nadal). Desde essa altura que utiliza o mesmo tamanho de raquete. Mas melhorou tecnicamente e se o slice é eficaz contra muitos adversários não é tanto contra o Nadal; a melhoria técnica (está a bater mais à frente; melhor jogo de pés; parece-me que a empunhadora está um pouco mais fechada), a confiança e a maior percentagem de esquerdas batidas ajudaram-no muito. Anedota da história: desde 2007 que, em conferências de imprensa, questionei ao Federer a razão porque não usava uma raqueta um pouco maior e escrevi em 2008 um artigo para a tennis.com em que disse que seria fundamental para a longevidade da carreira dele adoptar um quadro maior — sobretudo porque precisava de uma raquete mais tolerante nos duelos com o Nadal.

    Reply
  6. luis carbonari

    Federer está se superando porque é um gênio e tem uma determinação inacreditável. Continua demolidor aos 35 anos, com golpes precisos e devastadores. Difícil ganhar dele sempre foi, agora com a auto estima no “Everest” vai ser duro, duríssimo.
    Federer eterno!

    Reply
  7. Eric Magalhães

    Muito interessante essa história do Connors.
    Eu, particularmente, acho que Federer mudou o golpe… vi alguns vídeos antigos e é possível ver diferença no seu backhand, talvez seja uma mudança de empunhadura, ou talvez seja a projeção do corpo para pegar a bola na subida, ou as duas coisas, não sei.

    Reply
  8. Henry

    Se o Federer vencer também Indian Wells, e ele é um dos favoritos embora não absoluto, penso que ele ganhará muita confiança para o restante da temporada. Se se mantiver em forma e saudável, pode muito bem sonhar com a volta ao número 1 do mundo.

    Reply
  9. heraldps@gmail.com

    É muito bom ver o Roger jogar assim aos 35 anos. A técnica dele é absurda. Quando ele usa todos os recursos é muito difícil derrotá-lo.

    2017 promete! Ansioso por Wimblendon. Isso mesmo: Wimblendon, onde ele é um monstro!

    Reply
  10. Cleanto F. Weidlich

    … o tênis é o esporte dá alegria, esse desempenho é reflexo do momento em trânsito por esse jogador. O resto é consequência dá intuição e técnica.

    Reply
  11. Sergio

    A movimentação também é algo a ser destacado, acho que durante esta parada de 6 meses ele aproveitou para se preparar melhor neste quesito… esta voando…

    Reply
  12. Carlos Augusto Gaertner (Carlão)

    Oi Chiquinho: Já tinha publicado o comentário a seguir numa matéria do Roger Federer no mês de dezembro no Blog do Tênis, mas acho que vale o replay após a volta surpreendente de Federer às quadras e também pelo teu artigo: – “Federer revela o segredo do bh matador”. /// Para os amantes do Tênis e do grande campeão Roger Federer – Replay: – “Na minha modesta opinião, têm dois campeões em esportes individuais que sempre estarão acima da média em seus respectivos esportes: Muhammad Ali, no boxe, e Roger Federer, no tênis. E os dois têm algumas similaridades em seus desempenhos: a plasticidade quando em ação; a técnica apurada e diferenciada, com constantes toques de genialidade; a confiança em si mesmos nos momentos de dificuldades; e a capacidade de superação para transpor qualquer obstáculo em relação aos seus objetivospessoais e profissionais. E agora, em circunstâncias completamente diferentes, os dois têm mais uma coisa em comum: Federer quer voltar ao melhor de sua forma no seu retorno mais do que esperado por todos os seus fans em 2017, assim como Ali retornou aos ringues quando muitos acreditavam que seu tempo já tinha passado, e ele provou que estavam errados, pois tornou-se mais uma vez campeão, calando a boca dos críticos e desafetos. Não tenho bola de cristal para afirmar que vai acontecer a mesma coisa com o Roger depois de seu tempo longe das quadras. Mas… como seu fã incondicional, uma coisa eu posso afirmar: – “É nisso que eu acredito. Roger Federer competitivo e causando novamente medo aos seus adversários, independentemente de suas posições no ranking da ATP. E, quem sabe, talvez voltando novamente ao topo do ranking”. É esperar para ver. “Go Ahead Roger Federer”” (Dez/2016) /// Em Tempo/Complementação: Depois da conquista de seu 18º Grand Slam – fato que muito pouca gente acreditava que ele voltasse a conquistar neste tipo de torneio, os quatro mais importantes do circuito – com a fantástica vitória sobre Rafael Nadal, e com a nova e demolidora vitória sobre o espanhol no Masters 1000 de Indian Wells, onde Nadal não viu a cor da bola, Federer mostra e demonstra mais uma vez que ainda tem muita lenha para queimar, continuando assim a ‘grafitar’ a sua marca personalíssima e singular em quadra, com sua raquete personalizada na mão e seu amor pelo Tênis no coração. – Carlão Gaertner – Jornalista e Músico (Baixista da banda Bartenders de Rock & Blues, de Curitiba – PR)

    Reply
  13. Roberto Picinato

    Estou super-feliz em ver o meu tenista favorito jogar com tanta vontade. O “cara” é um fenômeno mesmo. Com 35 anos, esse esporte que ficou mais que nunca , fisico, mesmo assim com a sua genialidade consegue bater qualquer um. Temia pelo final de sua carreira em 2016, mas graça a deus teremos Federer por mais algum tempo

    Reply
Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Comentário

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>