Quem pode bater Roger Federer?
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 4, 2017 às 2:38 pm

Aos 35 anos e voando em quadra, o próprio Roger Federer já respondeu a pergunta de quem pode vencê-lo. Ou seja, ele mesmo, seu corpo e as limitações impostas pelo tempo, desgaste físico e mental. Aprendi há muito tempo, com treinadores de corredores de ruas, maratonas,  etc, que descansar também é treino.

Ainda durante mais uma campanha vitoriosa em Miami, Federer anunciou que não jogaria em Monte Carlo. O Masters do Principado é jogado ao nível do mar, bola pesada, e isso tudo exigiria muito do suíço. Chegou a sugerir que poderia jogar em Madri, que é talvez o mais rápido dos eventos da temporada europeia da terra batida. Mas após o título em Miami tomou a decisão de só voltar mesmo em Roland Garros.

Se esse calendário pode sugerir vida longa ao rei, por outro lado, deixa em segundo plano a possibilidade de reassumir a liderança do ranking mundial. “Não tenho mais 24 anos”, advertiu Federer, lembrando que em outros tempos poderia sim estar em todas as competições importantes e brigar ponto a ponto pela posição de número um.

Se para alguns torneios não contar com Federer pode ser uma perda, acredito que para o mundo do tênis a presença do suíço nos Slams é bom incentivo para o tênis. Suas chances no saibro de Paris são remotas. Mas na grama de Wimbledon e se tiver uma boa dose de sessões noturnas no US Open pode sim sonhar com novos troféus.

Sinal de alerta para o Brasil na Davis – A equipe do Correios Brasil joga neste fim de semana diante do Equador pela Copa Davis. Trata-se do mesmo adversário que os brasileiros tiveram pela frente, ano passado em Belo Horizonte, com vitória suada por 3 a 1.

Na época, a escolha de uma quadra rápida, fechada, gerou discussões e, para alguns, a conclusão de que não foi a alternativa correta. O piso e as condições favoreceram aos adversários que têm formação tenística nos Estados Unidos e estão habituados a um jogo mais rápido. Mas ainda assim, o Brasil conseguiu confirmar seu favoritismo.

Mais uma vez o Brasil entra em quadra como favorito. Mas, acredito eu, só no papel. A diferença de ranking é monstruosa. Os brasileiros em simples, Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro, estão entre os cem. E os de duplas, Marcelo Melo e Bruno Soares, entre os dez. Os principais jogadores equatorianos, como Emílio Gomez e Roberto Quiroz vivem acime dos 200 da ATP.

A escolha de uma quadra de saibro para o confronto também poderia sugerir benefícios aos brasileiros. Mas há um detalhe importante e que pode fazer toda a diferença. A cidade sede de Ambato está situada a 2.600 metros acima do nível do mar. É taquicardia para nenhum atleta botar defeito. Imagine jogos em melhor de cinco sets nesta altitude.. Os tubos de oxigênio terão de fazer parte da estrutura dos tenistas para qualquer eventualidade.

Um outro aspecto, porém, pode dar algum consolo aos brasileiros. Afinal, os tenistas equatorianos não vivem nesta cidade, mas sim nos Estados Unidos. Só que para escolherem esta sede, muito provavelmente já passaram pelo processo de adaptação na capital Quito, também nos Andes, e treinam em Ambato.

O confronto Brasil e Equador começa nesta sexta feira, com as duas primeiras partidas de simples.

 


Comentários
  1. Fábio

    Na grama será MUITO DIFÍCIL segurar o Federer…

    No geral, para mim, somente o Djoko no seu auge pode para-lo… E alguma surpresa como o Nick Kyrgios ou o Thiem em um bom dia.

    -> O problema é: quando veremos o Djoko focado e bem fisiçamento (de novo)???

    Nadal, apenas no saibro.

    Talvez o Murray ou Delpo na grama… Difícil, hein? Pra falar a verdade, não acredito que o Murray possa vencer o Federer. Nem na grama.

    Ótimo texto,

    Abs Chiquinho!

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  2. Fábio de Souza

    Ele vai a Paris e vai GANHAR!, só para afrontar a sua frase um tanto sem noção: “Suas chances no saibro de Paris são remotas.”

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    1. Weverson Pinheiro

      Concordo com Chiquinho. Quando Federer fala que só vai jogar o GS deixando de lado os torneios preparatórios, nos leva a crer que ele não estará completamente adaptado ao saibro. Mas é claro que Roger não entra pensando em perder, ele vai chegar pra vencer, mas imaginem pegar um Nadal já voando no saibro? Um Dominic Thiem? Até mesmo o Stan “the man” que joga muito bem nesse piso. Vamos aguardar, de Federer nada se pode duvidar.

      Abraço a todos.

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  3. João ando

    Fábio
    O Chiquinho fez uma análise fria .eu sou torcedor fanático do Roger.no saibro as chances dele realmente são pequenas.pequenas não quer dizer que nao possa ganhar. Mas ele teria que jogar um pré rg. Tipo monte carlo ou Roma.infelizmente o próprio Nadal e um favorito para rg. Além de stans kei e o austríaco thiem

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  4. Leo

    Chiquinho, bom dia! Para RG, quem teria mais chances do que Federer? Nadal , com certeza virá com a faca nos dentes. Djoko, se voltar a jogar 8o% do que joga, também?

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Leo acho que Nadal fará um belo RG mais uma vez. Djoko depende dele voltar ao seu melhor nível, assim como Murray… vc não acha?

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      1. Leo

        bem lembrado, o Murray. Não sei se Kyrgios é bom no saibro, mas pelo momento, acho que ele pode incomodar.

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  5. Reinaldo Maduro

    Federer esta dando Uma licao de visao de futuro. Ele sabe e deve ser muito bem amparado com excelentes profissionais, que o risco de lesoes seria muito alto e por isso diminui o seu calendario . Chiquinho, o Nadal poderia fazer o mesmo ou ele e “forcado” a jogar por questao da idade? Outro día eu li que somente apos una idade voce podé optar por Nao jogar un máster 1000 ou slam. E isso mesmo ou eu entendí mal? Abracos

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Reinaldo não tenho essa informação. A idade . Pelo que eu saiba, não muda a regra. Segue valendo 18 resultados mais o Master para os oito primeiros na definição do ranking abs

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  6. Fabio F

    De fato, entendo que o suíço não priorizará o posto de número 1. E está corretíssimo em não fazê-lo. Como está jogando bem e seu corpo está respondendo satisfatoriamente, focará na conquista de mais títulos (Grand Slams em primeiro lugar) para:

    1. Manter a liderança do número total de Slams, ainda teoricamente ameaçada por Nadal e Djokovic;
    2. Superar Lendl (no curto prazo) e Connors (meta mais difícil, no longo prazo) em número total de títulos ATP;
    3. Como consequência de 1) e 2), terminar a carreira no auge da forma técnica e física, o que consolidará sua aura de “mito” do esporte.

    Obviamente, além da motivação pelo amor ao esporte e por uma natural vaidade pessoal de ser considerado o “GOAT”, os milhões de dólares que decorrerão das conquistas acima servem como combustível adicional… rsrs

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  7. Henrique

    Momento do Federer é sensacional, embora não tenha feito um Master em Miami brilhante, que também não absurdo; ninguém consegue manter um nível elevado o tempo todo. E só não tem 4 títulos no anos pois deu uma vacilada. Apenas acho que as ‘férias’ dele serão meio prolongadas. Óbvio que não é uma decisão tomada ao acaso, ele certamente vai se preparar, mas dava pra disputar Madrid ou Roma e vir bem pra RG. Mas, quem sabe? Na Austrália ele também não jogou nenhum torneio oficial…

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  8. samuka

    discordo totalmente sobre as chances de Federer em RG. Quando Nadal era imbatível, Federer fez 5 finais e ganhou um titulo….agora com Nadal bastante “vencível” e Federer jogando como está, arrisco dizer que ele é um dos favoritos.

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  9. LUIZ GUILHERME TINOCO PICANCO CARVALHO

    Chiquinho…exagero vc afirmar que as chances de Federer sao remotas em Roland Garros… Federer joga bem em qualquer piso, e com o backhand apurado e chegando 100% pode ser um dos favoritos sem duvida… Federer sabe jogar no saibro, mesmo nao sendo o piso favorito dele… quantas finais de Roland Garros ele ja fez ??? Varias, e so ganhou uma vez, porque o maior da historia no saibro, Nadal , nao deixou…

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Luiz em termos teóricos o saindo não coloca Federer no atual momento com grandes chances. Não jogará ng torneio preparatório. Sua devolução genial de saque – lá na frente – dificilmente será possível em Paris. Mas como vai jogar sem pressão tudo pode acontecer. Já ganhou uma vez e pode ganhar outra pq não?

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      1. LUIZ GUILHERME TINOCO

        Perfeito Chiquinho…assim como na Australia chegou sem pressão nenhuma e venceu… quem sabe em Paris a história se repete…

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  10. Ricardo B. de Carvalho

    Não se falou nos afro descendentes, de preferencia os franceses. Chiquinho, está fora de cogitação?

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Como assim? Monfa e Tsonga? São excelentes jogadores, sem dúvida. Outro afro descendente a ficar de olho é o Tifoe.

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  11. Jorge Francisco Simão

    Djoko voltara com tudo e ai ninguém segura. Tiveram jogos nos GS recentes que o Federer ganhou na experiencia; logico! vale também; onde os adversários tiveram mais chances.

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  12. horacio nelson wendel

    Federer não joga Monte Carlo porque ganha pontos sem jogar.
    Nadal perderá pontos, porque foi campeáo ano passado, e a diferença entre eles vai aumentar.
    Em Madrid, Murray e Djokovic perderão pontos, porque foram campeão e vice campeão ano passado.
    Em Roma também, Murray e Djokovic trocaram de lugar ano passado,, e perderão pontos.
    Por isso, Federer deveria jogar Madrid e Roma, porque só tem pontos a ganhar, e se aproximar de Murray e Djoko.

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