Challenger no saibro… Por que não?
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 22, 2017 às 4:14 pm

Impossível dizer se David Goffin ganharia o jogo. Mas, certamente, não teria perdido tão rápido, não fosse o terrível erro do juiz de cadeira Cedric Mourier. O episódio ainda no sexto game do primeiro set, transformou radicalmente o rumo da partida. Até então, o duelo estava equilibrado, com ambos jogadores proporcionando belas trocas de bola. Rafael Nadal foi beneficiado. Afinal, sua bola saiu sim pela linha de base e o placar iria apontar 4 a 2 para o belga. Com a determinação de se disputar o ponto novamente, o game, após muita luta, foi para o lado do espanhol: 3 a 3.

Goffin não conseguiu superar o trauma. E acabou se transformando em presa fácil para Rafael Nadal, que na realidade também não tem culpa pelo acontecido. A bola fora foi do outro lado da quadra, longe de seus olhos.

É curioso que para as tevês exista o gráfico determinando exatamente o local da bola. E pelo que foi mostrado, saiu bastante. Mas tudo poderia sim ser resolvido com uma solução já existente: o challenger.

Até hoje não se usa este recurso nas quadras de saibro, pois a marca da bola é determinante. Ao contrário do que acontece no cimento em que a marca da bolinha não fica por inteiro, portanto, não serve para determinar se foi boa ou não.

Além da marca da bola no saibro já gerar discussões, se existe ou não espaço com a linha, uma outra questão é qual marca foi deixada no último lance? Com o decorrer do jogo o saibro fica cheia delas. E, por isso, o tenista passa o pé nas bolinhas que encostaram na linha – boa – para que no futuro não venha a ser confundida com outra. E esta foi justamente o problema com Cedric Mourier. Ele apontou uma marca, quando outra é que tinha sido mandada por Nadal no ponto.

Por que não usar o challenger no saibro? O recurso é um sucesso, dá um novo tom ao jogo, e o tenista acaba se conformando com o gráfico, embora exista sim possibilidade de erro. Mas não lembro de nenhum jogador que tenha se irritado com isso a ponto de perder a concentração, como aconteceu com David Goffin.


Comentários
  1. eduardo

    Há muito tempo não assisto futebol pelos erros grotescos dos juízes, que podem definir até um campeonato. Não imaginei que iria acontecer o mesmo no tênis, e em um torneio de nível Masters 1000. Lamentável a atuação do juiz de cadeira, que poderia ter a humilde e digna atitude de reconhecer o erro. Pena que isto seja o tema principal das discussões, e não o jogo em si.
    Abraço, Chiquinho

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  2. Cristiano

    Com certeza Chiquinho, o desafio tem que ser implantado também no saibro. Uma partida não pode sofrer esse tipo de influência. A postura do árbitro foi ridícula, sem nenhuma justificava plausível, uma vez que nem o próprio Nadal havia solicitado a revisão do lance. Porém, não podemos isentar Nadal. A postura dele foi condescendente com o ocorrido e ele pecou, no mínimo, pela omissão. A bola saiu muito e, assim que finalizou o golpe, percebeu que havia sido longo. Ele soube no momento em a bola saiu da sua raquete que quicaria fora. Se encaminhou pro boleiro para se preparar para o saque e se fez de desentendido ao perceber o erro. Sua atitude em quadra, aliás, sempre é de pressionar os árbitros que tentam fazê-lo respeitar as regras (vide caso Bernardes). Esse árbitro tem histórico de interferência em partidas e deveria pegar um gancho longo. Ele provavelmente está com medo de Nadal solicitar que ele não arbitre mais suas partidas e, com isso, fique fora das rodadas finais no saibro.

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    1. Chiquinho Leite Moreira

      Cristiano eu tb vi assim. Qdo o Nadal bateu na bola já deu pra acreditar q iria fora. Difícil dizer se pecou por omissão, mas fiquei com a mesma impressão da sua

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  3. Robério

    Se Goffin ganharia realmente seria uma incógnita. No entanto, o erro foi grotesco, pareceu árbitro do futebol brasileiro. Até eu que não estava torcendo diretamente pelo belga fiquei revoltado. O Nadal é gênio, rodado, agora imagina o Goffin na sua primeira experiência de semi em Master. Não há como não “voar”.

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  4. carlos

    Neste nivel de jogo, dizer que uma marcação errada definiu o jogo não passa de choradeira. Jogador desse nível tem que esquecer a marcação e seguir em frente. Goffin fez um ótimo torneio mas Nadal era o favorito e mereceu vencer.

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    1. CMC

      Este lance da bola fora não foi o responsável pela derrota do GOFIN, é só ver que ele voltou e jogou o game ainda por mais uns 5 minutos até perder, perdeu porque não tem bola nem físico pra ganhar do NADAL no saibro, aliás poucos tem na terra batida, e se o GOFIN se perdeu nos games seguintes apenas mostra que mentalmente é fraco, e para se ganhar um M1000 e SLAM tem que ser completo, técnico, físico e mental.

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  5. Mauricio Iwamoto

    Quem deve estar super feliz é o diretor do torneio que já se declarou fã e torcedor incondicional do Nadal.

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  6. Herald

    Lamentável o que ocorreu. A vitória do NADAL foi INJUSTA, por várias razões.

    O GOFFIN estava em sua PRIMEIRA semi de M1000 fazendo um torneio fantástico, ganhando do DJOKOVIC jogando muito. Duvido que qualquer ser humano passaria por cima de uma situação dessas sem se abalar emocionalmente. Você está jogando contra o maior jogador de saibro de todos os tempos, fazendo um torneio fantástico, um break acima, jogando de igual pra igual e vem o árbitro e faz isso.

    É muita ingenuidade acreditar que não teve influência. O NADAL poderia vencer o jogo sem essa mancha. Mas ninguém saberá se ele venceria ou não, estando pressionado e com o GOFFIN jogando o que vinha jogando até então.

    Muitos vão dizer que ele venceria de qualquer jeito, mas a primeira rodada do NADAL prova que ele pode perder no saibro sim.

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