O intrigante caso de Sharapova com a FFT
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 17, 2017 às 6:24 pm

Um dia depois de a Federação Francesa de Tênis negar wild card para Maria Sharapova deu para reunir um número maior de informações, que colocam em dúvida o acerto ou erro na determinação. Um dos fatos mais intrigantes do recente anúncio refere-se ao discurso do presidente da entidade francesa. Se Bernard Giudicelli estava tão convicto de sua decisão, por que demorou tanto para tempo para divulgar? Criou suspense e expectativa por semanas e semanas. Disse estar embasado na opinião de que os convites podem ser dados para jogadores que estão voltando de lesões, nunca para quem veio de punição por doping. Ele também falou em “valores”. E neste aspecto surge, ao meu ver, uma contradição. O tenista francês Constant Lestienne ganhou WC para o qualifying de Roland Garros, depois de ter cumprido pena de sete meses por corrupção em apostas comprovadamente ilegais em 20 partidas. O dirigente afirmou que Lestienne pagou pelo seu erro. E Maria não pagou?

Há uma obscura situação para esta contradição. Bernard Giudicelli, nascido na Córsega (berço de Napoleão Bonaparte), ilha do Mediterrâneo a oeste da Itália, o que explica seu sobrenome, assumiu o cargo na Federação Francesa, em fevereiro, com a missão de apagar um incêndio. Seu antecessor, Jean Gachassin, não foi reeleito por estar envolvido na máfia dos ingressos para Roland Garros. O antigo dirigente está respondendo a processo. Casos de corrupção já vem de longe na entidade francesa. O ex-presidente Christian Bimes chegou a ser preso em fevereiro de 2009. Mais recentemente, o diretor do torneio Gilbert Ysen também foi afastado, sendo substituído por Guy Forget. O escândalo provocou outras mudanças como a troca de Arnauld Clement por Yannick Noah no comando da equipe da Copa Davis. E pelo que notei em alguns contatos com Paris muitos outros funcionários da Federação também foram afastados.

Os atuais dirigentes estão com um discurso afinado. Guy Forget ao ser perguntado sobre as ausências de Serena Williams e, agora, Maria Sharapova, disse que o torneio é maior do que os interesses das jogadoras.

Em meio a este cenário, Maria Sharapova parece ter sido vítima destes novos tempos da Federação Francesa. Mas a jogadora preferiu não criticar Roland Garros e escreveu no seu twitter : “If this is it takes to rise up again, then I am in it all the way, everyday. No words, games, or actions will ever stop me from reaching my own dream. And I have many”, disse a cinco vezes campeã de Grand Slam, sendo dois em Paris, com 30 anos de idade.


Comentários
  1. Aslán Prosilchenko

    Chegamos a entressafra do tênis feminino, qualquer uma será campeã esse ano. Kerber irregular, Muguruza capenga, Pliskova com altos e baixos e Halep retomando a confiança, os grandes nomes que poderiam deixar o torneio pegar fogo: Sharapova, Serena Williams e até Azarenka estão fora de ação. Esperar por jogos mornos e com público dormindo, usando as arquibancadas pra desfilar os últimos chapéus da moda. Óbvio que quem perde é o tênis. No masculino também temos uma entressafra Djokovic sequer está entre os 20 da temporada, Murray perdendo em 1º rodada, Federer fora de ação, restando suspiros de Nadal que após tanto desgaste pode não aguentar o ritmo de 2 semanas com jogos desgastantes, embora com bom físico, tem histórico de lesão e já passa dos 30 anos. Aguardemos um Roland Garros bem desfigurado, não veremos palcos de batalhas homéricas, apenas uns bons jogos e lances de efeito. Que o segundo semestre seja mais promissor!

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  2. Ricardo - São Paulo

    Chiquinho, pelo que li o jogador francês citado, não chegou a cumprir toda a pena imposta, por seu “bom comportamento”. Já a Maria ficou fora os 15 meses…e ainda assim, está sendo massacrada. Veja bem, ela errou, mas vai pagar até quando? espero que nessa vida…e em vida. Abraços

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  3. Fábio

    Ótima análise, Chiquinho. Profunda, como pede o caso. Infelizmente a Sharapova tem sido vítima de algumas jogadoras que parecem ter medo e/ou inveja dela. Tem sido atacada por várias jogadoras sem qualquer motivo. Uma parcela dessas jogadoras parece ter encontrado uma oportunidade para afasta-la e fazem pressão todo o tempo, apenas com base em intrigas e disse me disse. Ao ponto em que atacam a russa porque ela “não dá bom dia nos vestiários” ou “não é a melhor pessoa”.

    Uma vergonha.

    Maria é bem sucedida, bonita e vitoriosa dentro de quadra. Isso incomoda.

    Não vejo Serena e Vênus nesse grupinho do bullying. Elas não perdem tempo falando mal de outras jogadoras. Mantém foco em ganhar torneios e treinar. Não por acaso, estão entre as maiores vencedoras de todos os tempos. Pena que não aprendem a lição.

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  4. Luiz Carlos

    Na minha opinião eles erraram em dar um convite para o Lestienne, mas acertaram em negar o convite pra Sharapova.

    E agora eu faço uma pergunta, Se a Maria fosse francesa será que dariam um convite pra ela e falariam que ela já cumpriu sua pena, assim como disseram em relação ao Lestienne?

    Esse convite para o Lestienne vai fazer muita gente questionar esses “valores” de Roland Garros.

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  5. Lara

    Eu achei muito correta a decisão da FFT. Sharapova é uma grande tenista, com inúmeros títulos mas ela foi pega no doping e não é justo nem ético que receba convite para sua volta ao circuito. Muitas meninas se inspiram nela como tenista e por isso para que ela continue servindo de inspiração e principalmente mostrando que tem potencial para retornar a boas posições no ranking, que ela volte jogando no ranking que se encontra, subindo com esforços próprios e não através de convites para jogar chave principal nos grandes torneios.

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  6. vitor Ferreira Boico

    Achei branda a punição para a Maria, na verdade ela como usuária do dopping deveria ter pego um gancho bem maior.

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  7. João ando

    Acho estranho os comentários aqui…normalmente a beleza põem mesa…ainda se fosse a hingis ou a muguruza que são deslumbrados tudo bem.a Mari e bonita mas que eu saiba nunca usou isso para o esporte. ..o tênis nesse nível e um esporte individual onde rola milhares de dólares …ela não ter uma amiga principalmente entre as mulheres nesse esporte tão competitivo não é estranho.as tenistas tem inveja da Maria por ser bonita e jogar muito bem

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  8. Renato

    Os fatos apresentados indicam claro favorecimento ao francês. São incontroversos. Porém não desmerece a atitude anterior, mesmo porque também baseada em fatos. Que se critique o convite ao francês! Não a ausência de convite mais do que merecida da Maria. A pena foi cumprida sim e uma das consequências foi ficar sem ranking. Que na quadra o reconquiste e se qualifique para competições jogando sem doping!

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    1. Renato

      Só pra complementar a tristeza pelo convite não feito tem raiz no chamado “jeitinho brasileiro”. Certamente aqui com base nessa mentalidade provinciana o receberia com pompa e circunstância!

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